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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

27.02.19

Sem cronómetros, nem dorsais!


Rui Pereira

Domingo saí de BTT. Foi dia de tempo ranhoso, mas também de prova. Começou a Taça de XCO da Ilha de São Miguel. Para estreia da Taça de 2019 estreou-se um novo percurso marcado na zona do Pico do Fogo.
Faço bastante eco da minha “alergia” à competição, mas isso não me impediu de passar no local da prova para ver o ambiente.
Sinceramente, ao ver aquele tempo a puxar para o mau, a pouca afluência de público e as caras do costume marcadas pelo esforço e sofrimento, só me vinham à cabeça três palavras: Nunca na vida!
Esta é a perspetiva de um não adepto da competição, que assistiu à prova, durante míseros minutos, de fora… Visão legítima, mas obviamente limitada.
Eu também estava de bicicleta sob condições atmosféricas duvidosas, mas livre de pressões, compromissos, constrangimentos e esforços escusados, e é aí reside o essencial da questão, para mim!
Esta é a minha perspetiva, a minha visão, a minha verdade, e elas não são mais do que aquilo que são - Minhas!
Se me diverti aos comandos da minha BTT este domingo? Claro que me diverti. À minha maneira! E aquela gente que andou ali a dar tudo o que tinha e o que não tinha? Acredito que também se tenham divertido. À sua maneira!
Eu propus-me passear e fazer umas canadas, eles propuseram-se correr atrás de resultados contra adversários.  Para isso, não precisei de grandes preparações, eles precisaram de treinar. Apreensões e pressões à parte, também senti as minhas embora a um nível muito diferente, cada um de nós esteve a fazer aquilo que supostamente queria e que gosta de fazer.
Se estar em prova seria algo muito improvável, não vou mentir, que com o pouco que vi do percurso, considerando caraterísticas e estado, não me tenha dado uma certa vontade de também poder estar ali às voltas… sem cronómetros, nem dorsais!

17.02.17

XCO no Pinhal da Paz


Rui Pereira

Identifico-me pouco com a competição, embora tudo o que diga respeito às bicicletas interessa-me. Bom, umas coisas mais do que outras. Domingo inicia-se a Taça de São Miguel de XCO 2017, com uma prova no Pinhal da Paz. Já que não participar é certo, entre ir assistir e ir andar de bicicleta, prefiro ir andar de bicicleta. Prioridades! Mas até gosto de assistir a estas provas. Se ao vivo é pouco frequente, pelo menos faço questão de acompanhar as reportagens televisivas sobre as mesmas.
Esta vertente do BTT é interessante. Provas curtas, mas física e tecnicamente exigentes. São apelativas para o público por estarem geograficamente limitadas e por terem zonas mais complicadas e espetaculares, exatamente onde costumam estar mais pessoas. Também é sempre interessante verificar como cada participante faz a gestão da prova e aplica a sua estratégia, se é que esta existe. As provas normalmente ocorrem em locais de elevada beleza natural e os circuitos são delineados com a devida atenção e o necessário cuidado, para que estejam dentro dos padrões exigidos pela modalidade e serem simultaneamente divertidos para os concorrentes.
Sendo esta a primeira prova da temporada, depois de vários meses oficialmente parados, certo é que todos andaram a treinar, por isso é sempre uma incógnita o nível de forma física de cada um dos participantes. Assim, esta prova ainda reúne mais este aliciante, para os protagonistas e para quem assiste.
Com certeza que será uma manhã neste parque com outro colorido, movimento e animação, numa altura do ano em que praticamente não acontecem eventos e os visitantes são poucos.

 

Prova de bceclétes
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu botá o olhe numa prova de bceclétes, mas daquelas importantes pa caramba!
Aqui fiquim as cousas quê boutê más sintide:
- Tinha belas femas, mas femas de andá qué fê (petchenas bim rápedas, crêde);
- Todes aqueles rapazins ciclistas tinhem pernas de fema (nim um pêle que seja);
- Aqueles rapazins ciclistas andavim de bcecléte chês de veneno (pareciam cãs de guerrá);
- Aqueles rapazins ciclistas tavim vestides com roupas tã cloridas e tam apertadas (acho que era por isse que tavim chês de veneno);
- Que mistério de bceclétes com rodas tã grandes (admira que nã tivessim uns baquins pa subi ali pra cimba);
- Aquile é bceclétes pa custá alguns 300 ou 400 oures! (tinhem même cara de serim caras, as malditas!)
- Tinha belas femas (ah, isse já tinha dite...).
De reste, sou sincere, nã percêbe nada de provas de bceclétes!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

16.09.11

Percursos a pedais


Rui Pereira

Decorria o mês de novembro de 2008 quando decidi voltar a ter uma bicicleta. Depois de um longo período de ponderação, diversos fatores apontavam esta como uma boa opção.


Bicicletas - Onda de entusiasmo contagiante!
Por cá, começava-se a ouvir falar muito de bicicletas, de exercício sobre bicicletas, de provas de bicicletas. A escolha da marca e do modelo não foi muito complicada. Não fazendo uso de um discurso demasiado comercial ou publicitário, nunca escondi nem o meu gosto por uma especial marca americana, nem a relação de amizade que mantenho com as pessoas que dão a cara pela empresa que representa a mesma. Eleito o segmento de BTT, pela sua abrangência ao nível da utilização e gama de entrada de baixo custo, tendo em conta a minha qualidade de iniciante, queria no entanto uma base minimamente capaz de corresponder aos propósitos desta experiência.

Bicicletas – Começar e evoluir com entusiasmo mesmo perante os obstáculos!
Estava na hora de enfrentar os trilhos. A coisa nem sempre foi pacífica. No meu pequeno e desinteressante currículo constam pelo menos duas quedas que me abalaram os pensamentos. Mas no geral, não contrariaram o crescente entusiasmo e gosto que nutria por estes simples veículos a pedais.

Bicicletas – Necessidade ou desejo?!
Menos de um ano depois estava a negociar a troca da Hardrock. Curiosamente este momento foi decisivo também no que toca à forma como passei a encarar as bicicletas e o BTT. Entre uma HT vocacionada para a competição e uma FSR vocacionada para a polivalência e divertimento, ganhou a trail de suspensão total. Ganhou o lazer.

Bicicletas – Desafio sim, sacrifício não!
Nunca tive uma relação muito próxima da competição, aliás, depois de umas experiências esporádicas assumi definitivamente uma posição contrária à mesma, privilegiando a forma mais descontraída de encarar o ciclismo. A competição e a sua evolução implicam demasiado uma palavra que não se adequa a algo que me dá prazer fazer – sacrifício. E a diversos níveis. Esta é uma visão que poderá não agradar muito a quem faz da competição o seu cavalo de batalha, mas sinceramente não consigo ver as coisas de outra maneira.

Bicicletas – Privilegiar a simplicidade!
Se numa primeira fase a ideia era ter mais, ter melhor, como algo indispensável para poder fazer o que me propunha, atualmente tenho vindo a ajustar este comportamento, até porque cheguei à conclusão que muitas vezes, menos é mais!

Bicicletas – Estrada com estilo clássico!
Fundindo esta visão com um gosto especial que tenho por linhas clássicas e retro, em que as bicicletas não são exceção, adquiri a minha primeira bicicleta de estrada. Dispensei o alumínio e muito mais o carbono. O seu peso é-me indiferente, tal como o estatuto dos seus componentes e a eficácia da sua geometria e aerodinâmica. Simplesmente formulei mentalmente uma série de questões que teriam de ter resposta afirmativa:

- É adequada para as minhas necessidades e utilização?
- Tem um estilo clássico inconfundível?
- Tem um baixo custo de aquisição e manutenção?
- É robusta e fiável?
… É esta que eu quero!

Bicicletas – Desporto, mas também utilidade!
Depois desta aquisição tenho vindo a desbravar um mundo até agora pouco conhecido para mim, onde as bicicletas são veículos extremamente simples e são valorizadas pela sua essência, pelas suas raízes, pelo seu lado prático, pela sua utilidade. Em vez de uma visão unicamente associada ao desporto e à competição, onde as bicicletas acabam por ser encaradas como um “extra”, e em muitos casos como um “luxo”, pelos avultados valores que atingem.

Bicicletas - Há espaço para todas, falta é mentalidade para isso!
Mas todos os males fossem estes… Males são as nossas cidades estarem concebidas para os carros e não para as pessoas. É dar-se prioridade à circulação automóvel, o que não corresponde exatamente à real mobilidade das pessoas. É contribuir para a poluição do ar que respiramos. É esquecer os transportes públicos, os peões e claro, algo tão simples e básico, mas que pode fazer toda a diferença, a bicicleta.

Bicicletas – Falta de visão prática, utilitária e ambiental!
Pouco se faz e pouco se quer fazer, num meio onde os automóveis reinam, tal como reinam os espíritos comodistas dos seus proprietários. O que se faz nem sempre é bem feito. Os parques de bicicletas para além de escassos são obsoletos e as ciclovias que têm um piso vermelho bonito, continuam a relegar as bicicletas para um espaço que não lhes pertence, mas sim aos peões. As bicicletas precisam de circular, têm de ser úteis, têm de nos levar aonde for preciso. Ganhamos nós, ganham as cidades, ganha o ambiente.

Bicicletas – Elemento integrante para a qualidade do futuro!
No entanto, há países e cidades que são excelentes referências, há muita gente a dar exemplos fabulosos de atitude e comportamento. Basta irmo-nos inspirando e adaptando.

Basta querer…