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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

17.12.19

O outro lado…


Rui Pereira

Ao ler o texto da Vânia, pensei em mim e em como podemos iludir os outros com aquilo que publicamos. Como comentei a propósito, há mais vida para além daquilo que é partilhado, mas também acho que a atenção deve centrar-se mais nas coisas positivas do que nas negativas. Não às vidas perfeitas, sim à ponderação e ao equilíbrio. Tenho o cuidado de também ir publicando textos que não refletem satisfação, até porque existem situações que são tudo menos isso.

Acima de tudo, não gosto de me iludir. Nem a mim, nem aos outros.

Nem sempre apetece andar de bicicleta ou dar a atenção (limpeza e manutenção) que precisam; às vezes custa muito levantar cedo para fazê-lo; custa suportar o frio quando vou ao mar ou fico a secar as calças nas pernas por ter ido de bicicleta debaixo de chuva; custa pedalar contra o vento forte, assombrado pelo pensamento “de carro isso não acontecia”; nem sempre apetece fazer exercício; às vezes não sei o que escrever e penso em deixar o blogue; tantas vezes que só apetece comer porcarias, em quantidade; só apetece ficar em casa no sofá em frente à televisão; não apetece fazer nada...

Tantas vezes apetece ou não apetece e tantas vezes faço!

Claro que quero mostrar (ser) o melhor de mim, os meus melhores hábitos, práticas e atitudes. Quero partilhar as minhas melhores fotografias. É também assim que ganho motivação para continuar, é assim que dou um pouco de mim e agradeço a quem faz questão de me seguir e tem o cuidado de o demonstrar.

Às vezes, vejo-me a lutar pela perfeição quando sei que ela não existe.

11.12.19

Sete!


Rui Pereira

Não, não estava a precisar de mais bicicletas.
Não sou muito dado a impulsos consumistas e normalmente pondero muito bem as minhas compras, mas quando se trata de bicicletas equilibro um pouco mais a razão com o coração.
O facto é que sou muito ponderado e cinjo-me realmente ao que necessito. Trocando por miúdos e de um modo geral, não sou um grande cliente!
A compra de mais uma bicicleta (a sétima!), para muitos um exagero sem sentido, teve mais a ver com desejo e oportunidade do que com necessidade, como é óbvio. E para mim, faz sentido. No sentido em que, de vez em quando, também tenho direito a um gosto, a uma extravagância. Não foi um impulso. Ainda tive uma hesitação à última da hora, mas apoiado, decidi avançar. Julgo que haverão vícios piores…
Tratar-se de uma “fixie” também não foi mera coincidência. Pelo contrário, foi a realidade decisiva. Tal como os valores envolvidos. Até porque se trata de um dos segmentos que atualmente mais me cativam, independentemente da nobreza da sua construção e respetivos componentes. Com ela, e basicamente com o que tenho, julgo que conseguirei algo simples, agradável e, acima de tudo, à minha imagem e gosto.
Como já disse anteriormente, quero aproveitar com calma todo o processo para lá chegar, uma vez que me dá muito gozo fazê-lo, em vez de me concentrar na sua conclusão e no resultado final.
Sim, são sete. Tenho sete bicicletas!
E não gosto de números ímpares…

31.05.19

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”


Rui Pereira

Na sequência da publicação Ao cuidado dos senhores "ciclistas" da Pequeno caso sério, escrevi o seguinte comentário:

A melhor de forma de perceber a implementação destas medidas é pegar numa bicicleta e ir com ela para a estrada. Quando de repente sentir uma caixa sobre rodas, com mais de uma tonelada e embalada a velocidade considerável, passar a centímetros do cotovelo, tudo fica mais claro…
As leis existem para minimizar estas situações e fazer com que os automobilistas, na presença de uma ou mais bicicletas, procedam à manobra de ultrapassagem à semelhança do que fazem na presença de outro automóvel, em vez de forçar a passagem.
Por outro lado, sou o primeiro a criticar o comportamento abusivo de certos ciclistas, que fazem questão de impor a sua presença e a lei que os defende à força. Sei que posso circular a par, em certas e determinadas situações*, mas se posso facilitar a passagem dos automóveis faço-o, até porque também sou automobilista e percebo os constrangimentos…
* ("Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito." - Ponto 2 do Artigo 90.º do Código da Estrada)

De facto, existe uma diferença muito grande entre um automóvel e uma bicicleta. Seja pelo seu impacto físico, pelas velocidades atingidas, como pela sua capacidade de provocar danos. Uma bicicleta é um veículo muito menos impactante e muito mais vulnerável, é indiscutível. Portanto, é normal que não lhe sejam imputadas as mesmas exigências. Num "frente a frente" não será difícil identificar o elo mais fraco, pois não?
Recomenda-se outra atitude na sua presença, mais cuidada e tolerante. Mas isso não legitima comportamentos impróprios daqueles que estão aos seus comandos, porque se é pretendida outra atenção, também é preciso ser, ou pelo menos tentar ser, exemplar a esse nível.
Mais uma vez o meu apelo vai no sentido do bom-senso e da cortesia de ambas as partes. Por exemplo, se fica bem a um automobilista ceder passagem a um ciclista num cruzamento, também fica bem a um ciclista sair da formação de par para facilitar a passagem de um automobilista.
Ontem um automobilista cedeu-me gentilmente a passagem, sabendo de antemão que eu ia ficar à sua frente numa via em que não seria fácil ultrapassar-me. Hoje cedi passagem a um automobilista, sabendo que o seu automóvel ia engrossar ainda mais a fila que tinha pela frente.
É tudo uma questão de nos colocarmos no lugar dos outros!