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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

22.11.19

Ciclo


Rui Pereira

Às vezes, falta-me a determinação. Falta-me o foco naquilo que realmente quero.
Cedo, uma e outra vez, em troca da compensação imediata. Desleixo, em nome do "não quero saber".
Arrependo-me depois.
Monto na bicicleta!
As ideias surgem. Traço metas, defino objetivos. Quero resultados.
Em cima da bicicleta tudo parece simples, perante as dificuldades. Contraditoriamente.
As dificuldades físicas libertam-me a mente. O prazer de pedalar solta-me o pensamento. Dão-me disponibilidade para definir e querer agir.
Tudo fica claro. Fico mais forte.
Desmonto da bicicleta!
Alguma determinação fica e atuo em conformidade. Outra, perde-se...
E o ciclo repete-se.

21.11.19

Reflexo


Rui Pereira

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Há coisas que têm de ser provocadas.
Sem saber o que escrever, abro uma imagem da minha bicicleta de carreto fixo.
Uma imagem que não é nova, pelo contrário, já acumula alguns meses, tantos que a bicicleta já nem tem esta configuração.
É indiferente. Aos olhos menos entendidos passará perfeitamente despercebido. E que não passasse.
Escolho a imagem de forma aleatória. Sem saber bem o que fazer dela.
À procura de um estímulo.
Aplico-lhe filtros e ajustes. Cumulativamente.
Gosto do resultado.
Mas é uma imagem saturada de filtros e ajustes.
É um reflexo.

07.11.19

Bicicletas analógicas


Rui Pereira

Temos uma tendência natural para complicar. Somos seres cheios de necessidades. Precisamos de muitos artefactos para fazer coisas. Adoramos coisas. Coisinhas tecnológicas. Brinquedos inteligentes que têm montes de funções automáticas e que, julgamos nós, não conseguimos viver sem eles.
Nas bicicletas é a mesma coisa. Quanto mais inovadoras, complexas e tecnológicas, melhor. Há quem já não consiga viver sem elas…
Eu não!
A tecnologia é fria e impessoal, de interação duvidosa. É complexa. É ilusória.
Continuo a preferir as mecânicas, mais tradicionais, analógicas e manufaturadas. Privilegio as mais simples e minimalistas. As mais acessíveis e brandas na relação. As mais robustas e menos sensíveis...
A função e o funcionamento estão lá, a estética também, chega!
É pegar, usar e desfrutar, sem pensar muito, sem complicar…

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06.11.19

Afastado…


Rui Pereira

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São dois elementos que fazem parte das minhas rotinas diárias – o mar e a bicicleta. Tenho andado afastado de ambos, pelo menos de uma forma prática e efetiva. Do exercício físico também. Ando adoentado e, sob pena de agravar ainda mais os sintomas, decidi resguardar-me. Não lido bem com isso, mas há que ter calma e paciência, e aproveitar para fazer outras coisas que normalmente não tenho oportunidade de fazer, mesmo sabendo perfeitamente o que queria estar mesmo fazendo…

31.10.19

Foi a bicicleta que me ensinou…


Rui Pereira

Ao comparar as fotografias da minha participação na mesma prova de bicicletas, com uma diferença de 9 anos entre si, constatei que ter adquirido e voltado a andar de bicicleta foi uma influência muito positiva, para implementar novos hábitos e mudar a minha perspetiva numa série de realidades pessoais.

Se é incontornável que hoje estou mais velho 9 anos, também é certo que me sinto melhor e considero estar com melhor aspeto.

Aprendi a comer, a exercitar-me, a valorizar aquilo que não alcançava, a fazer o que não achava exequível, a saber o que posso e não posso fazer, a deslocar-me, a libertar-me de preconceitos, a conhecer o meu corpo, atributos e respetivas limitações.

Foi a bicicleta que me ensinou…

Foi a bicicleta que me levou a pedalar mais vezes por semana, para ter outro à vontade no domingo. Foi a bicicleta que me levou a variar nos exercícios, a conhecer novas modalidades e a voltar a outras, entretanto esquecidas. Foi a bicicleta que me levou ao mar e aonde foi preciso. Foi a bicicleta que me ensinou que é possível fazer exercício fora de 4 paredes, na rua, na natureza. Foi a bicicleta que me alertou para a importância da hidratação e da alimentação. Foi a bicicleta que me ensinou que os hábitos tiram-se e põem-se. Foi a bicicleta que me despertou para a importância da gestão do esforço, da presença do desafio, mas também para descartá-lo se a sua dimensão assim o impor. Foi a bicicleta que me levou a ser mais aberto, curioso e a experimentar.

Foi a bicicleta que me levou a fazer muito mais do que apenas pedalar.

Foi a bicicleta que me ensinou. É a bicicleta que me ensina!

22.10.19

Este menino…


Rui Pereira

- Este menino começa a ficar preocupado… se calhar não vai conseguir Ficar Grande! como queria. Não sabe como, mas perdeu peso este fim de semana. Sempre em contraciclo, este menino!
- Este menino vai ter de passar a deitar-se o mais tardar às 23 horas, porque acha não estar a descansar o suficiente. "Dorme meu menino..."
- Este menino, fã do César Mourão e do seu programa Terra Nossa, elege o episódio dedicado à Nazaré como o melhor de sempre. E ficou absolutamente fã das nazarenas – 100% genuínas!
- Este menino está sem saber se participa na 2.ª Prova de Resistência em BTT, no Pinhal da Paz, já no próximo domingo?! O menino, por um lado, quer ir, por outro lado, não se quer comprometer!
- Este menino está com a perna esquerda dorida da volta em fixie de domingo. Skids e tal… Alguém tem um joelho em condições que lhe possa ceder? Nunca aprende, este menino!
- Este menino nunca meteu tanta ligação num texto só!

16.10.19

A maturidade da natureza!


Rui Pereira

Viver numa ilha era normal. Foi aqui que nasci e cresci. Era como viver noutro sítio qualquer.

Não era pequeno nem grande, era aquilo que era.
Não era mau nem bom, era aquilo que era.

A omnipresença do mar e das pastagens, num deambular entre o azul e o verde, e a instabilidade climática, que não poucas vezes faziam dele um deambular regado e agitado, eram simples factos...

Na realidade nem ligava às cores, eram-me indiferentes!
Não ligava a nada!

O que é isso da maturidade?
O que tem de tão especial para estarem sempre a invocá-la?

Maturidade é apreciar e valorizar aquilo que se ignorava. É perceber a nossa natureza, a nossa origem. É achar especial ter nascido numa ilha no meio de um imenso mar. É querer conhecer e estar no meio daquilo que nem se sabia existir. É sentir o apelo da natureza e da simplicidade. É deixar a vida seguir o seu curso normal sem interferências de maior, internas e externas. É contemplar um pôr-do-sol depois de uma tarde de praia. É sentir o poder revigorante da água fria. É sentir a força de uma paisagem. É nunca estar farto de mar. É querer caminhar num trilho em silêncio, ouvindo o agitar das árvores, a água da ribeira, os pássaros e a nossa respiração… Só!