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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

22.07.19

Bicicletas a quem não quer pedalar


Rui Pereira

Vejo miúdos, em bicicletas que são autênticas carroças e de tamanho completamente desajustado para o seu, a fazerem coisas incríveis e a pedalar com uma vontade e alegria dignas de registo. E depois vejo outros miúdos, como o meu, que têm bicicletas muito razoáveis e com todas as condições, e não as querem pedalar porque não se estão para cansar escusadamente…

Nozes a quem não tem dentes, bicicletas a quem não quer pedalar!

bikes_costanova.jpg

16.07.19

As palavras que não são escritas perdem-se...


Rui Pereira

Considerando a natureza do tema que abordo e a dimensão do meio onde me insiro, às vezes, penso que a curto prazo ficarei sem ter sobre o que escrever…
E fico ainda mais certo disso quando, recorrentemente, tenho de me socorrer de imagens, vídeos e músicas para compensar a ausência das palavras.
Mais do que comunicar, preciso de escrever!
Se calhar, prefiro acreditar na limitação da temática, quando na verdade tenho é medo de ficar sem vontade de escrever!
Já aconteceu. Por diversas razões. E é dececionante perceber como perdemos momentaneamente toda a capacidade de fazê-lo.
Às vezes tenho de forçar um pouco…
Mesmo que esteja longos minutos com os dedos imóveis sobre o teclado, a olhar para a folha em branco do processador de texto. Mesmo que o texto que consigo finalmente escrever não seja nada de especial.
E tudo serve de desculpa. Falta de inspiração, de vontade, de tempo... O sono.
As palavras que não são escritas perdem-se. E se as deixo de escrever fico um pouco perdido também.

11.07.19

Não sei que título lhe dou...


Rui Pereira

São 23H32. Nos auscultadores ouço “The River” de Aurora. Sem saber o que escrever.

Tenho o Sapo e o blogue abertos. Nunca escrevo lá diretamente. Tenho umas manias tolas. Dir-me-ão que existem ferramentas de correção ortográfica, para limpar formatação, etc. Eu sei. Mas escrevo no Word, copio o texto para o Bloco de notas e de lá para o Sapo. E justifico. E sempre no computador. São hábitos que ganhei e ficaram.

O vídeo entretanto acabou e o Youtube encarrega-se de rodar o próximo da lista. Retrocedo. A “The River" é tão bonita e inspiradora!

Levanto-me para desligar a televisão. A casa já dorme. Sou o único acordado. A claridade do monitor, de vez em quando, fere-me os olhos. Fecho-os de forma apertada.

Aurora canta o refrão…

“You can cry
Drinking your eyes
Do you miss the sadness when it's gone? (gone)
And you let the river run wild (gone)
And you let the river run wild”

A melodia é deliciosa. O texto prossegue sem sentido...

Salto para o Ambiente de trabalho. Existem apenas dois ícones, sendo que um deles é a Reciclagem. É assim que gosto dele, limpo. O fundo mostra, para mim, uma das bicicletas mais espetaculares de sempre – Roda Gira Arrogante CMYK!

Volto a retroceder para a música certa no Youtube. Aumento o volume.

Mas que fascínio é esse? Como é que uma estrutura de tubos interligados, com umas rodas e mais uns outros apêndices me fascinam tanto? Não há música que ouça que não a sinta como a banda sonora de um filme por mim protagonizado aos comandos de uma das minhas bicicletas!

Mais um momento para reiniciar a música.

Uma estrada de montanha deserta. Céu cinzento. GoPro’s instaladas na bicicleta. Drone uns metros acima a acompanhar a nossa progressão. Grande plano do sapato a encaixar no pedal e do apertar firme dos dedos no guiador. Uma descida a grande velocidade. Curvas. Travagens. Posição aerodinâmica. Segmentos sem música, apenas com o som do rolar da bicicleta. Momentos em câmara-lenta…

“(…)
You can cry
(You can cry, you can cry, you can cry)
Drinking your eyes
(To where the ocean is bigger)
I don't miss the sadness when it's gone (gone)
And the feeling of it makes me smile (gone)
As I let the river run wild”

Aurora continua a (en)cantar...

São 00H31. Vou publicar o texto seguindo os mesmos rituais de sempre.
00H48. Publicado.

04.07.19

O seu “motor” somos nós!


Rui Pereira

vespa.jpg


Gostava muito de motas. Gosto de motas, mas…
Tive de definir prioridades. As motas deixaram de o ser. Deixaram de fazer sentido como meio de transporte devido ao crescimento da família e no lazer foram substituídas pelas bicicletas.
As bicicletas esvaziaram-lhes de sentido. São igualmente apaixonantes e incríveis fontes de prazer, com tudo a acontecer a menos velocidade e com menores custos e constrangimentos.
Há silêncio, liberdade, bem-estar, simplicidade, gasto de calorias. Não há emissões poluentes.
Há o casamento perfeito entre divertimento e atividade física.
A cereja no topo do bolo das bicicletas está na sua essência…
O seu funcionamento é soberbo!
O seu “motor” somos nós!

26.06.19

Estado de graça


Rui Pereira

A mudança de imagem do blogue trouxe consigo uma série de coisas positivas. Ficou muito mais apelativo esteticamente e ganhou visibilidade. Mas acima de tudo, deu-me alento e motivação, o que se traduz em mais, e quero acreditar, melhores publicações. O facto é que ando mais desperto e com mais ideias, tanto para a escrita como para a captação de imagens. São situações que estão todas interligadas e revelam toda uma nova dinâmica. Diz-me a experiência que este estado não vai durar para sempre, que é cíclico, mas enquanto durar…
Novas circunstâncias também permitem-me andar de bicicleta mais vezes, para além do habitual passeio de domingo. Tenho aproveitado da melhor maneira, em vez de desperdiçar as oportunidades, algo que tenho alguma tendência para fazer, admito.
Para além disso, tenho variado bastante de bicicleta nas minhas voltas. Elas estão todas aptas e recomendam-se, como eu gosto, o que nem sempre acontecia anteriormente. E deu-me muito gozo avançar, finalmente, com a desejada alteração na minha fixed-gear. Um componente que encontrei quando já não contava e que resultou melhor do que estava à espera.

20.06.19

Seis!


Rui Pereira

Sem e com mudanças, muitas ou poucas.
Fáceis ou difíceis, mais dóceis ou agressivas.
De aço, alumínio e carbono, mais leves ou pesadas.
Valores divergentes, sensações atestadas.
Diferentes caraterísticas, todas elas bonitas.
Para apreciar estaticamente, prazer em movimento.
Seis, o número que somo, mas não aquele que quis.
Não queria nada, apenas pedalar…

18.06.19

De trás para a frente!


Rui Pereira

Preso a preconceitos limitados, previsíveis, limitadores.
Agarrado a ideias castradoras e inibidoras da visão.
Base comodista e consumista, focado nas coisas triviais, atribuindo-lhes destaque.
Vida pequena e vazia. Efémera. Olhos nos pés e no chão.
Iludido, não vê a realidade. Cego pela sua verdade.
Um dia, compra uma bicicleta. Acorda. Alarga horizontes.
Muda de rumo, num claro regresso às origens. Ao simples, ao básico.
Reencontra a sua terra. A natureza. As tradições. Vê o mar.
Pedala. Anda a pé. E valoriza.
Liberta-se da ideia quadrada do exercício entre paredes.
De um complexo processo de busca e aquisição de artefactos e suplementos.
Compra outras bicicletas, naturalmente.
Compras amadurecidas, sem impulso nem acaso. Isentas de exacerbadas pressões de satisfação imediata.
Usa. Aproveita. Desfruta.
Desperta para a importância de um simples rascunhar à mão, com papel e caneta.
Ganha consciência. Pessoal e ecológica. Vê para além do que achava suposto. Cresce!

O paradoxo da sua evolução reside na consciência de que as coisas são efémeras e ilusórias, às quais não deve ser atribuído o papel principal. Mas foram as bicicletas, também elas coisas, que lhe despertaram para uma nova realidade, que lhe abriram portas para todo um novo mundo de possibilidades. Mais adequadas, prementes, simples, melhores.

Não falo de mim. Falo de um amigo de um amigo meu.

14.06.19

Ser ilhéu…


Rui Pereira

É sentirmo-nos apertados pela constante presença do mar, mas não conseguir viver sem ele.
É ter o território partido em nove bocados no meio do nada, mas encará-los como se fossem um só.
É sentir a inclemência da mãe natureza, mas também ser brindado com o melhor que ela tem para dar.
É lamentar-se o isolamento, mas depois viver em pleno todo o misticismo destas ilhas de bruma.
É olhar o céu em busca de um sinal do tempo e avistar o milhafre que nos patrulha.
É viver a um ritmo muito próprio. Calmo, paciente… Às vezes, inquieto.
É ser fechado, desconfiado, desconcertante e até rude no trato, mas também ser o melhor dos amigos perante quem vier por bem.
É querer sair da ilha, mas depois ter pressa de voltar.
É ser pequeno, mas ter a alma do tamanho do oceano que nos rodeia.
É pegar na bicicleta e percorrer estradas como se fossem carreiros de um grande e lindo jardim, tendo sempre o mar como companheiro...

05.06.19

Incompreensível


Rui Pereira

Este fim de semana o meu filho participou num evento desportivo. Foram dois dias praticamente dedicados a isso. Ele tinha de (e queria) lá estar o dia inteiro, mas eu não, portanto, foi um vai e vem constante entre ir levá-lo, assistir aos seus jogos e ir buscá-lo. Nisso assisti, parvo, a algumas situações!
O recinto desportivo em causa tem estacionamento próprio, mas o seu acesso estava condicionado, como será fácil perceber tendo em conta as circunstâncias. Em alternativa, havia um parque de estacionamento muito próximo e com todas as condições, propositadamente aberto para o efeito. Numa resistência flagrante vi pessoas que fizeram tudo para não ter de andar uns míseros metros a pé, preferindo estacionar as suas viaturas em condições (para mim) duvidosas e nalguns casos a requerer habilidade de manobras… só para não ter de andar uns míseros metros a pé, repito!
Soube inclusive no dia seguinte, pela boca do próprio, que depois de barrada a entrada no recinto e sugerido o estacionamento no respetivo parque, desistiu da intenção de lá ir… para não ter de andar uns míseros metros a pé, repito novamente!
Que resistência é esta para nos deslocarmos da forma mais natural possível?!
Incompreensível…

27.02.19

Sem cronómetros, nem dorsais!


Rui Pereira

Domingo saí de BTT. Foi dia de tempo ranhoso, mas também de prova. Começou a Taça de XCO da Ilha de São Miguel. Para estreia da Taça de 2019 estreou-se um novo percurso marcado na zona do Pico do Fogo.
Faço bastante eco da minha “alergia” à competição, mas isso não me impediu de passar no local da prova para ver o ambiente.
Sinceramente, ao ver aquele tempo a puxar para o mau, a pouca afluência de público e as caras do costume marcadas pelo esforço e sofrimento, só me vinham à cabeça três palavras: Nunca na vida!
Esta é a perspetiva de um não adepto da competição, que assistiu à prova, durante míseros minutos, de fora… Visão legítima, mas obviamente limitada.
Eu também estava de bicicleta sob condições atmosféricas duvidosas, mas livre de pressões, compromissos, constrangimentos e esforços escusados, e é aí reside o essencial da questão, para mim!
Esta é a minha perspetiva, a minha visão, a minha verdade, e elas não são mais do que aquilo que são - Minhas!
Se me diverti aos comandos da minha BTT este domingo? Claro que me diverti. À minha maneira! E aquela gente que andou ali a dar tudo o que tinha e o que não tinha? Acredito que também se tenham divertido. À sua maneira!
Eu propus-me passear e fazer umas canadas, eles propuseram-se correr atrás de resultados contra adversários.  Para isso, não precisei de grandes preparações, eles precisaram de treinar. Apreensões e pressões à parte, também senti as minhas embora a um nível muito diferente, cada um de nós esteve a fazer aquilo que supostamente queria e que gosta de fazer.
Se estar em prova seria algo muito improvável, não vou mentir, que com o pouco que vi do percurso, considerando caraterísticas e estado, não me tenha dado uma certa vontade de também poder estar ali às voltas… sem cronómetros, nem dorsais!