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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Só ou acompanhado?

Acompanhado, mas…
Recordo com saudade o tempo em que andava de bicicleta em grupo. Formei um e integrei outros já formados. Sempre de BTT, numa altura em que a Estrada ainda era desconhecida para muita gente. Andar em grupo, nem que seja apenas nós e mais um/a, é indiscutivelmente mais entusiasmante e motivador, valendo igualmente pelo convívio e pela partilha.
Atualmente ando sempre sozinho. Ou quase sempre. O facto de ter divergido dos demais, ao nível da atitude e das opções, colocou-me numa posição intermédia e menos considerada. Não tenho andamento (nem faço por ter) para acompanhar quem já leva o ciclismo mais a sério, mas também tenho outro ritmo, quando comparado com quem encara as bicicletas com demasiada distância e descontração. E perante ritmos e atitudes diferentes, fica mais complicado gerir o esforço e o tempo, o que influencia negativamente na fluidez e na tranquilidade de uma volta, a não ser que seja um acontecimento de caráter excecional.
Para além disso, é o compromisso. De facto, andar em grupo implica compromisso. Implica seguir o que foi estipulado como hora de saída, ponto de encontro, trajeto, ritmo, etc. E isso causa-me alguma ansiedade e desconforto. Eu, que tantos domingos acordei mais cedo para atravessar a ilha de norte a sul ao encontro do grupo e que depois da volta fazia o trajeto em sentido contrário, sozinho, enquanto os meus companheiros já estariam de banho tomado e sentados à mesa para repor calorias. E fazia-o com gosto. Mas contradizendo o ditado popular de que “quem corre por gosto não cansa”, se calhar, cansei-me…

Uma questão de identificação!

Um dia destes, perante uma série de publicações em destaque, acedi unicamente aquela que tinha como título, algo com que me identifiquei de imediato. Da mesma forma, compreendo que pouca gente se identifique com as minhas publicações, exatamente por não se rever com aquilo que escrevo.
Ainda ontem, em conversa com um amigo, com o qual partilho gosto, visão e abordagem no que toca às bicicletas, dizia-lhe que, as bicicletas que mais me chamam à atenção ao entrar numa loja são absolutamente transparentes para muitas das pessoas que conheço ligadas às mesmas!
Uma vez, num passeio de BTT, estava presente um desconhecido que se apresentava com uma bicicleta peculiar. Uma XC daquelas à moda antiga, uma rígida, de guiador reto e curto, que notava-se ter uns bons anos de “vida”, embora estimada. Quando abordei a pessoa em causa, dizendo isso mesmo, ele reagiu de uma forma fria e seca, como se eu estivesse a escarnecer da sua bicicleta, quando a estava a elogiar!
De facto, apesar de me considerar relativamente flexível e abrangente, não me encaixo facilmente naquilo que é mais óbvio atualmente. Seja na abordagem, na utilização, na valorização e nas minhas opções relativas às bicicletas. Posso pontualmente seguir uma ou outra vertente, mas afasto-me claramente das atuais tendências.
A necessidade de tecnologia, da leveza levado ao extremo, de materiais e equipamentos de topo no que toca à sua manufatura, nobreza e grau de eficiência, com respetivo preço a condizer, não é exatamente aquilo que mais me diz numa bicicleta, até pelo contrário. O que não quer dizer que não seja perfeitamente capaz de os admirar.
Não sou fundamentalista, mas sou claramente conservador em muitos aspetos. Troco a tecnologia pela tradição e a eficiência pela descontração. Privilegio o clássico e o intemporal ao moderno e futurista. Prefiro o nicho às massas. E lamento que ainda não se dê a devida importância à função mais básica da bicicleta.
Este será mais um texto pouco popular e de difícil identificação. Um texto que vai contra a norma vigente, que a maior parte dos interessados segue disciplinadamente, seja por motivações pessoais, seja por pressões de marketing e de mercado. Mas sei que alguns estão comigo. Poucos é certo, mas, com certeza, bons!

Novo ano, nova época. Nova atitude?

Antes de mais, fica já dito que não gosto de resoluções de ano novo, tanto que acho que se deviam chamar de ilusões*.
Neste caso não são propriamente, nem resoluções, nem de ano novo, mas sim de novas ideias para encarar certa parte da época de ciclismo em 2018. Ideias baseadas numa atitude mais aberta que no fundo se resume em aumentar a utilização das minhas bicicletas assumindo uma dinâmica diferente, quer individualmente, quer em família, com saídas mais frequentes e relevantes, e uma maior participação em eventos organizados, excluindo os que representem aquela vertente da competição pura e dura. Passeios em geral e provas abertas como os “granfondo” na vertente de estrada, e as resistências e maratonas na vertente btt são aquelas que, pelas suas caraterísticas, reúnem a minha preferência.
Como o dinamismo (ou a falta dele) funciona em espiral e estende-se para outros departamentos da nossa vida, e pela forma óbvia como estão intimamente ligados, é previsível que a escrita e o blogue venham a sofrer positivamente com isso, nem que seja pela quantidade, com a maior abundância de assuntos a abordar.
Para já vou voltar a filiar-me na Federação Portuguesa de Ciclismo, na vertente “Ciclismo para Todos” - CPT, mas desta vez na opção “Família”, já que no computo familiar as pedaladas tendem a equilibrarem-se. E quero aproveitar para pedalar no decorrer destes dias de festa que se aproximam, últimos deste ano, também para compensar os excessos alimentares próprios da altura. E, já na manhã do primeiro dia do novo, conto subir ao Pico da Barrosa (a tradição é para manter) e ver lá de cima a Lagoa do Fogo (se o tempo permitir, o que raramente acontece neste dia)!
A época de 2017 já acabou, mas o ano não, portanto, é continuar a empreender cada vez mais a atitude que decidi ter nos últimos meses, no que toca à minha relação com o ciclismo e as bicicletas, com a sustentabilidade necessária para que flua naturalmente no tempo…

 

*Ilusões de ano novo!
Começa mais um ano, cumprem-se os mesmos rituais, repetem-se os mesmos comportamentos de sempre. Fazem-se balanços do ano anterior e traçam-se projetos para o novo ano. Fazem-se promessas de mudança. Há quem deixe de fumar, quem deixe de beber bebidas alcoólicas, quem passe a comer melhor, quem comece a ler um livro. A afluência aos ginásios aumenta…
Não acredito nestas mudanças repentinas e circunstanciais. As suas bases são frágeis e pouco sustentáveis. Não existe preparação nem planeamento, por mais simples que sejam. Não existe vontade genuína. E na sua esmagadora maioria, os resultados destas mudanças são nulos!
A época que precede a passagem de ano é propícia a inúmeros estímulos e exageros alimentares (e não só), o que também justifica esta tendência. O pior é que esta tendência desculpabiliza-nos e dá-nos carta-branca para exagerar à vontade, pois a nossa convicção é que daqui a dias tudo irá mudar.
Compreendo que se queira uma referência, um marco que simbolize a nossa mudança de comportamentos. Habituamo-nos a encontrar esta referência no começo de um novo ano civil. Para mim, e na necessidade de se arranjar um dia, faz mais sentido referenciar o dia do nosso aniversário, porque este sim, marca verdadeiramente o começo de um novo ano na nossa vida!
De qualquer forma, o que está em causa é que as intenções de mudança de ano novo, por impulso e de um dia para o outro, normalmente não passam disso mesmo, de intenções. E as intenções, mesmo que boas, sem serem seguidas da ação, tal como da sua continuidade, de pouco servem!
Outro comportamento, algo ingénuo e ainda menos duradouro, é achar que com a chegada do novo ano tudo irá mudar, só por isso! Até existe uma certa pressa para que o ano velho acabe, com a ilusão que é a partir daí que começam as surgir as nossas novas oportunidades. Esta sensação ilusória é capaz de se manter durante o primeiro dia do ano, talvez por ser feriado, mas depois… depois não muda nada, claro… depois vem a realidade!
Não tenho nada contra a entrada de um novo ano civil, mas não deixo de achar toda a euforia em volta disso, algo despropositada. Agora sou realmente contra a nossa tendência para atribuir responsabilidade aos acontecimentos, de coisas que sabemos perfeitamente que dependem de nós, estejamos no início, a meio ou no fim do ano!
Rui Pereira, 03 janeiro 2014

Bicicletas e expetativas!

Nos últimos tempos a relação com as minhas bicicletas tem sido um pouco atribulada. Isso porque três delas resolveram presentear-me com avarias chatas de forma consecutiva. Curiosamente, as mais chatas e dispendiosas aconteceram nas minhas melhores bicicletas, pelo menos em teoria, já que estou a falar das mais bem equipadas no que aos materiais e equipamentos diz respeito. As mais caras, portanto.
Na prática não posso considerar estas as minhas melhores bicicletas, porque todas elas são muito diferentes entre si e por isso mesmo incomparáveis. O facto é que gosto de todas, da mais humilde e barata, à mais cara e sofisticada (se é que se pode considerar sofisticada alguma das minhas bicicletas), sem ordem de preferência, já que um dos critérios que privilegio é a funcionalidade e aquela que mais me é útil é exatamente a mais básica.
Todas elas têm o seu fim, tal como virtudes e defeitos. E as avarias também fazem parte da equação, quer se goste, quer não. São máquinas simples, mas são máquinas. O resto é uma questão de expetativas.
Ainda ontem falávamos no ranger (barulho irritante) do selim da minha Roubaix. E fui questionado em jeito de brincadeira: “O selim desta também faz barulho?” (estava com a minha ferramenta do dia-a-dia, a Órbita Classic), ao que respondi: “esta não faz barulhos, nem chateia!” Na verdade, ela não está a fazer nenhum barulho em especial, mas também não está isenta de falhas e problemas (só por acaso, o selim já nem é o de origem por ter apresentado um desgaste prematuro da sua forra)! O facto, é que os seus problemas não merecem a mesma importância, nem me chateiam tanto como acontece por exemplo com a Roubaix, e neste caso específico, com o ranger do seu selim. Também como poderia, já que só este elemento custava quase metade do que me custou a Órbita na totalidade!
Considerando tecnologias, sofisticações e custos tão díspares, é óbvio que o que se espera de cada uma delas e dos seus elementos seja também diferente, tal como as reações perante os factos, mesmo consciente de que os infalíveis não existem.
O que interessa é que, com mais ou menos custo (de preferência com menos), tudo se resolva e as nossas bicicletas fiquem aptas (não confundir com perfeitas) para desempenhar a sua função.

Resumo da última semana…

 

Andar de bicicleta, nada! Constipação, mau tempo. Para pedalar qualquer coisa tive de recorrer ao rolo durante o fim de semana. Digamos que tenho tentado fazer as pazes, já que o rolo não é uma atividade que me entusiasme por aí além.

*“Tá fresquim!
Ma que o tempe já tá fresquim...
Isse já qué vesti uma suéra de manhã e à noutchinha.
Daqui pá frent é acátelá, senã um hôme num instante apanha um vent'incanade e fica constepade!"

Não necessariamente assim, mas aconteceu e tem persistido. E eu a ver os dias passar e o Azores Challenge Granfondo a chegar!

*“Dure c'mó açe
Às vezes gostava de sê de ferre c'má besuga.
Nã apanhá fri, nim ficá doente.
Péra aí, se calhá nã...
É que ódepous um hôme levava uma pancada d'água e ficava chê de ferruge!”

Se isso me tem afetado? Não, claro que não...
Tem e não é pouco. Tem, porque limita-me para além de todas as minhas outras normais limitações. E tudo o que implique limitação para andar de bicicleta e demais atividades físicas chateia-me um bocadinho!
E o Granfondo? O Granfondo vai ser um belo desafio. Belo? Se calhar não foi o melhor adjetivo, mas desafio será com certeza. Objetivo? Desfrutar e chegar ao fim em cima da bicicleta, com a capacidade de esboçar um sorriso, sinónimo de satisfação e superação. Estou a aguardar com a toda a serenidade possível.

*“A besuga tamam avareia
A besuga avareiou, grande corisca!
Ma tamam nã fou nada de maió.
Levou graxa pra dentre, um aperto e tá a andá com'uma linda.”

Também aconteceu e era bom que fosse assim tão fácil e económico!
Chão molhado debaixo da BTT. «Mas de onde veio esta água? Isso não é água! Isso é óleo!» Caramba, já é a segunda vez que o amortecedor me prega uma destas! Esta bicicleta é simultaneamente a que menos anda, a que dá mais despesa e a que mais chateia… Se calhar por ser a que menos anda! Não sei. Seja como for, tecnologias, bah…

*Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Ação e inação, voluntária e involuntária.

Em cima da minha bicicleta (e também fora dela) estou-me um bocado nas tintas para o que os outros pensam de mim e das minhas atitudes. A minha postura é normalmente consciente e pouco competitiva. Acho que cada um deve pedalar como quer ou pode, com a bicicleta que quer ou pode ter. Logo que seja cumprido o Código da Estrada e assegurada a nossa segurança e a dos restantes utilizadores existe margem para se encarar as bicicletas e o ciclismo como mais convier.
Mas também erro. Não nego que os despiques amigáveis até têm a sua graça e nas poucas oportunidades que tenho até alinho nos mesmos. Já aquilo que considero serem provocações desnecessárias evito. Não foi o caso e por duas vezes. Reações inconscientes da minha parte que tiveram tanto de parvas como de infantis. Não vai voltar a acontecer. A sabedoria popular arranjou expressões para cobrir uma série de situações, inclusive antagónicas. Neste caso, em vez de «não há duas sem três» prefiro evocar «o frade não leva três em capelo».

Escrevo de nariz tapado, com respetivo pingo, garganta irritada, cabeça pesada e algo abatido. Depois de duas noites mal dormidas. E razoavelmente frustrado. Primeiro, porque inscrevi-me recentemente no Azores Challenge Granfondo e fui obrigado a interromper as minhas pedaladas para fazer face a este desafio. Segundo, porque este fim de semana fartei-me de ver gente a pedalar e eu seguia ao volante do carro quando o que queria era estar aos comandos da bicicleta.
Sim, não é mais do que uma normal constipação associada à mudança de estação, mas que vem em má altura. Péssima! Sendo que no meu caso, mais do que o seu agravamento, o problema costuma ser a sua persistência. Claro que a primeira reação foi a de sentir-me um coitadinho num mundo que se virou literalmente contra mim. «É sempre a mesma coisa. Nunca participo em nada, mas agora que me inscrevi e começo a andar com mais regularidade com vista a ganhar alguma preparação, fico doente, e vai tudo por água abaixo!»
Claro que isso vai passar, mas até lá, e debilitado fisicamente, vivo o dilema – deixo de fazer exercício físico para não me debilitar ainda mais, mantenho ou reduzo a sua intensidade para não perder toda a forma, mesmo correndo o risco de arrastar a situação? Às vezes não é assim tão fácil perceber e o retorno de uma paragem forçada nem sempre é o esperado…
O meu plano de treinos simplesmente não existe, mas espero estar recuperado o mais depressa possível para voltar aos pedais e estar minimamente apto para percorrer os 143km do Granfondo e os desafiantes desníveis que o mesmo apresenta, e isso já no final desde mês (dia 28).

A minha paixão pelas bicicletas

Acho que não consigo exprimir em palavras a dimensão da minha paixão pelas bicicletas.
Segui uma hierarquia sentimental semelhante à hierarquia da mobilidade que continua a imperar – Bicicleta/Mota/Carro. Mas, a certa altura, fi-la também em sentido contrário, felizmente.
Gostava muito de carros, mas com o interesse pelas motas em crescendo passei a encará-los como simples meios de transporte.
As motas assumiram posição de destaque até que a certa altura começam a perder o seu lugar para as bicicletas. Para momentos de satisfação semelhantes acusavam um peso constrangedor em várias frentes. Daí o salto acontecer de forma natural e efetiva.
Foi o regresso às bases. A volta à simplicidade. O celebrar daquele que é o meio de locomoção mais eficiente de sempre. O fechar de um ciclo!
A minha paixão pelas bicicletas está presente em várias vertentes e todos os dias. Nos momentos de ócio e lazer, no desporto e exercício físico, na mobilidade e transporte em ambiente urbano. Nestas especificamente e em todas as suas ramificações. É para onde vai o meu principal foco de atenção.
E a tendência é para me dedicar e embrenhar cada vez mais. Não no sentido mais sério e complexo dos termos, até porque, para já, não há qualquer intenção de especialização, mas fazendo com que as bicicletas estejam naturalmente mais presentes na minha vida!
Quando se fala de paixão é muito difícil quantificar, qualificar ou explicar. Por isso mesmo não consigo fazê-lo, independentemente daquilo que diga…
Quem sente, sente. Quem não sente, dificilmente irá sentir…

 

sombra_bike.jpg

Não se pode ter tudo!

Ainda o outro dia reclamava uma certa falta de identificação com a minha Specialized Roubaix.
Antes disso, destacava a maior margem de manobra que ela me proporcionou, e com isso, a nova forma de encarar as minhas voltas de bicicleta.
A questão da identificação não é mentira, mas também não é nada de grave. Grave seria não andar nela! E isso, não tem acontecido, até pelo contrário. Não aumentou a regularidade das voltas, até porque estamos no verão e o apelo do mar soa mais alto, mas a duração e o prazer das mesmas, certamente. E claro, não será preciso mencionar qual tem sido sempre a escolhida…
Não nego ainda poder estar sob o efeito da novidade e da descoberta, mas a Roubaix tem tanto de franca como de previsível, portanto, aquilo que sugere, dá!
A adaptação foi instantânea e as suas mais-valias vieram logo ao de cima. A minha não é exatamente uma bicicleta de última geração, mas para o que estava habituado é como se fosse. A diferença é substancial.
Se se destaca na prática e em comparação às (minhas) outras, pela imagem e carisma é apenas mais uma…
Lá está, não se pode ter tudo!

Uma questão de identificação

frente_a_frente.jpg

 

A partir de certa altura, depois do meu regresso às bicicletas em 2008, comecei a encarar as mesmas de uma forma muito própria. Longe de ser original, distancia-se consideravelmente daquela que manifestam as pessoas do meio onde me insiro.
Assumir uma postura tranquila perante o ciclismo, afastar-me deliberadamente da competição, empreender uma defesa da bicicleta como meio de transporte em vez de a ver apenas como objeto de desporto e lazer, são algumas das minhas bandeiras, tal como uma escolha de bicicletas próprias para lá do óbvio e do expetável, tendo em conta os desejos atuais, encapotados de necessidades, que habilidosamente se criaram.
O facto é que recentemente desviei-me do caminho que tenho vindo a trilhar, pelo menos no campo das minhas opções, concretizando a aquisição de uma bicicleta que se enquadra em parâmetros até agora negligenciados.
Esta bicicleta não tem nada de mal, até pelo contrário. Aliás, permite-me usufruir de uma série de atributos que possui, que se traduzem em mais conforto, comodidade, eficácia e tempo de alegres pedaladas.
Mas, há sempre um, mas… dois meses depois ainda não me identifiquei com ela da mesma forma com que me identifiquei com as outras, logo nos primeiros dias!
Estamos a falar de uma bicicleta mais atual e evoluída, e indiscutivelmente melhor quando comparada com as minhas outras bicicletas, mas que lhe falta algo tendo em conta aquilo que privilegio. Talvez carisma, modéstia, simplicidade ou a herança da imagem e caraterísticas de gerações antepassadas…

Ainda os travões…

Nunca falei e pensei tanto em travões como agora. E isso acontece porque experimentei uma bicicleta de estrada com travões de disco hidráulicos.
Já há alguns anos atrás, quando troquei a minha anterior BTT de travões de disco mecânicos pela atual com hidráulicos, o tema travagem veio ao de cima, embora menos do que agora.
O facto é que fiquei muito surpreendido com o comportamento exemplar dos discos - mordazes e progressivos quanto baste - o que se traduz em segurança, confiança e conforto.

 

travao_rival.jpg 


Entretanto tenho utilizado uns travões tradicionais, mas de qualidade mais elevada do que os que estava habituado a utilizar em estrada e a diferença não é tão grande como considerei inicialmente. Fui induzido a exagerar por ter uma base de referência limitada.
A diferença não é tão grande, mas existe. Os travões que equipam a minha nova bicicleta são bons e eficazes, embora estejam uns furos abaixo dos discos hidráulicos que experimentei. De qualquer maneira, sinto-me mais seguro e à vontade do que antes.
Como já referi noutra ocasião, a comprar uma bicicleta de estrada nova, os travões de disco hidráulicos seriam quase de certeza uma opção. Como não é o caso, fico-me pelo meu atual equipamento de travagem tradicional que também não compromete, sendo muito melhor do que tinha até agora.
Não sei se toda esta “preocupação” com a travagem será da idade ou não, mas uma ilação que tiro destas diferentes experiências e realidades é que talvez tenha arriscado demasiado nas descidas até agora. E percebo também porque é que tinha tanta tendência para cerrar os dentes!

Margem de manobra

Mesmo sendo um adepto convicto de uma conceção mais simples e clássica, tenho que admitir que a modernidade e a tecnologia mais avançada podem trazer inegáveis vantagens.
Comprei recentemente uma bicicleta de estrada relativamente atual. Não é o último grito, até porque já tem alguns anos, mas apresenta uma conceção moderna, tanto pela base estrutural em carbono, como pelos componentes que a equipam.
Ainda não tenho uma grande experiência aos seus comandos, até porque tenho andado mais afastado dos pedais do que é normal, mas a forma de encarar as minhas voltas mudou substancialmente.
Agora as maiores distâncias são uma realidade, possíveis pelos superiores níveis de eficácia e comodidade. Expandiram-se os limites. Uma volta que noutra altura era uma extravagância atualmente é a normalidade. Não tenho dados para afirmar que sou mais rápido, mas é certo que a fluidez, o conforto e a segurança são outros, o que faz com que chegue a casa menos maçado e ansioso.
Também seria expetável que assim fosse, já que estamos a falar de bicicletas concetualmente bastantes diferentes. Podia era querer iludir-me nem que fosse para não cair em contradição ou simplesmente não dar o braço a torcer.
Sempre admiti o outro lado (mais negro) das minhas opções mais conservadoras. Assim era e é mais fácil conviver com ele. Continuo a defender estas minhas opções como adequadas, considerando os meus gostos e objetivos, mas não posso negar que estou muito satisfeito com esta mais recente opção, que me permitiu ajustar (e relaxar) a minha atitude, já que agora tenho à disposição uma bicicleta que me dá margem para isso.

 

roubaix_comp.jpg

Longe dos pedais, longe das teclas!

Um clássico.
Tive recentemente afastado dos pedais. Por variadas razões, sendo que a principal teve a ver com mais uma reclamação do meu joelho esquerdo. O facto é que o período que antecedeu esta abstinência foi bastante (demasiado!) produtivo ao nível das pedaladas, o que se veio a revelar contraproducente.
Entretanto regressei às minhas voltas, motivado por terceiros, que consciente ou inconscientemente, me ajudaram a vestir o equipamento, a pegar na bicicleta e sair para a rua.
As reclamações do joelho abrandaram o que fez subir a minha confiança para voltar a sair sem complexos. Mas com calma!
Aliás, basta-me ter uma atitude consentânea com meus princípios. Sair com calma, sem preocupações, deixando-me levar enquanto sentir vontade e as horas permitirem. Qualquer coisa como treinar passeando e usufruindo da bicicleta em todos os sentidos. Nada de exuberâncias, nada de “pastelar”, mas posicionando-me algures pelo meio, equilibrado. É a minha realidade.
Tudo fácil, compreensível e simples. Mas às vezes “quero” complicar…
Bom, e com isso o blogue ganhou algum pó, tal como as bicicletas!
Mas aqui estou de pano microfibras na mão…

Pró-Specialized?

- Tu também parece que nasceste com um S gravado na barriga! – disseram-me um dia.

Não é verdade. Nisso sou tão previsível como outra pessoa qualquer e na barriga tenho apenas um umbigo. E nem sou de estar a olhar muito para ele!
De facto, existe uma relação próxima com a referida marca. Existe com a marca depois de existir com a casa que a representa e com as pessoas que são o seu rosto, e isso já há uns bons anos, ainda estava longe de pensar que as bicicletas teriam uma dimensão tão relevante na minha vida, exatamente quando os motores assumiam o papel principal.
Quanto às pessoas em causa, sempre me identifiquei com a sua forma de estar e trabalhar e isso faz toda a diferença. Depois a marca é boa, é indiscutível.
Há uma relação de amizade, também assente numa relação comercial de longa data, mas acima de tudo baseada na identificação, no respeito e na cordialidade de ambas as partes. Essencial. Contudo não assinei contratos de exclusividade com ninguém e quando não se proporcionam as condições que considero desejáveis, procuro alternativas. Já aconteceu. É normal.

- Ah, falas, falas, mas depois vais sempre lá ter! – disseram-me uma vez em tom reprovador.

Digo sempre que gosto de todas as marcas, apenas umas mais do que outras. E é verdade. Mas se normalmente compro no sítio do costume é por tudo o que acabei de referir. E pelas oportunidades que me são apresentadas.
Dou-me bem no meio e sou bem-recebido aonde quer que vá, mas o conforto de ir à loja, às pessoas e à marca que tão bem conheço, não tem preço!

- Não gosto de rebanhos, todos de igual com a mesma marca! – também já me disseram.

 No que toca às bicicletas se há alguém que se demarca pela diferença, sou eu! Tanto ao nível das opções como da atitude. É verdade que não tenho uma bicicleta de cada marca, mas existe alguma variedade. E não tenho culpa que a casa à qual normalmente recorro, agregue algumas das minhas marcas preferidas. Aliás, mais uma vez, é-me cómodo e conveniente.
Digamos que a Specialized é a minha marca de referência, mas não ignoro as concorrentes, pelo contrário, saúdo a sua existência. Se existe espaço para todas num meio tão pequeno é uma avaliação que não me compete a mim fazer, apenas posso dizer que, como ciclista especialmente interessado e consumidor, acho muito positiva a existência de diversidade sustentável.
As minhas opções ciclísticas são as minhas opções ciclísticas. E as opiniões dos outros são as opiniões dos outros. Enquanto as primeiras dizem-me respeito diretamente, as segundas serviram para “ilustrar” este texto, o que já foi bastante…

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