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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

09.09.20

Atenção peões e ciclistas

E pessoas que leem blogues


Rui Pereira

Eu ia dizer “pessoas que leem o meu blogue” mas achei pretensioso…
Pretensiosa foi também a referência aos “peões e ciclistas”, para fazer ligação entre imagem e texto, e ser engraçado…

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Constatei que a minha ligação a este blogue é uma coisa muito forte!
Preguiçoso, desmotivado e sem saber o que escrever, por uma razão qualquer abro o blogue e sinto-me culpado e parvo por não lhe dar a devida atenção. Estúpido, ao ponto de saber o bem que me faz escrever e publicar sobre aquilo que mais gosto, e não o fazer!
Em parte, a culpa também é da Gaffe. Esta caríssima amiga que lhe deu uma imagem que nunca mais acaba! Que me obriga a manter-lhe vivo, mesmo quando a minha vontade era virar-lhe as costas. A identificação gerou um compromisso. Obrigado!
O orgulho, modéstia à parte, de reler alguns dos meus textos e continuar a acreditar plenamente nas razões que tiveram na base da sua conceção.
A felicidade por ter pessoas que continuam a deixar uma palavra, uma reação, mesmo quando as publicações que surgem primam pela falta de regularidade.
Este blogue é um bocado de mim. É o que queria ser e fazer…
Este blogue sou eu!

09.09.20

Encruzilhada!


Rui Pereira

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As decisões têm sempre consequências. E nem sempre são positivas. O que é chato. E talvez faça pensar duas vezes antes de tomar a próxima.
Em cima da bicicleta tento não pensar muito. Pelo menos em tomar decisões e em coisas más. Às vezes acontece e tento desviar o foco. As pedaladas são terapêuticas, mas não ao ponto de serem como que um divã de psicanálise.
Gosto de me focar no ambiente que me rodeia, nas sensações que o controlar da bicicleta me permite sentir ou simplesmente no ato de pedalar sem mais quaisquer compromissos.
Aprendi num livro que, na presença de um mau pensamento, devemos concentrar-nos na sua visualização e respetivo afastamento, até ser tão pequeno que acaba por desaparecer. Dá certo!
Lá vou eu pedalando estrada fora e, de repente, sou ensombrado por um daqueles pensamentos dispensáveis. Entre uma e outra pedalada, aplico a técnica do distanciamento do pensamento negativo, e lá vai ele!
Também evito pensar muito em trajetos a seguir. Ou já saio com a coisa esquematizada ou vou improvisando à maneira que vou avançando.
Este é um tempo de qualidade. Mesmo que o tempo esteja uma porcaria e o piso sujo, que me suja a bicicleta. Mesmo que esteja lixado com qualquer situação ou que tenha saído de casa meio contrariado.
Este é o tempo para esquecer isso, não é para pensar em coisas infelizes ou estar a tomar decisões, mesmo que tão simples relacionadas com o percurso. Cabeça leve, sentidos despertos, vontade e alguma disponibilidade física – a receita.
Encruzilhadas? Sigo em frente e logo se vê. Nem que, uns metros mais à frente, veja que se calhar não foi a opção mais inteligente e dou meia volta...
Se calhar peco por não seguir mais esta diretiva quando não estou em cima da bicicleta!

31.07.20

É tudo uma questão de aceitação e valorização!


Rui Pereira

A forma de lidar com as minhas bicicletas, hoje, está relacionada com algumas perdas do passado.
À ligação, que integra o gosto de ter, o uso, o cuidado e a contemplação, está associada a dificuldade da separação. Ou seja, algumas vezes equacionei uma possível troca ou venda de uma das minhas bicicletas, normalmente daquelas das quais estou mais afastado, mas nunca fui capaz de concretizar.
Anteriormente a minha ligação material fazia-se com as motas. Tal como as bicicletas, que integram o meu atual estilo de vida, antes eram as motas.
Quando supostamente atingi aquilo que sempre quis neste departamento, desvalorizei e dispersei o meu foco, ajudado pela mudança de circunstâncias, quando as motas deixaram de estar tão presentes. Não satisfeito com uma, dei duas cabeçadas! Na primeira, só me desfiz da melhor mota que tive e uma das melhores (para mim) das que tive oportunidade de experimentar.
Se durante muito tempo justificar cegamente estas ações ou tentar esquecer eram a minha prioridade, agora a aceitação é a opção. Até porque elas tiveram o seu propósito e proporcionarem-me bons momentos aos seus comandos foi um deles.
Não posso voltar atrás. Está feito!
Dificilmente conseguirei ter motas iguais. Paciência, hoje também não faria muito sentido. Enquanto as tive, vivi-as intensamente (se calhar demasiado) e usufruí delas como consegui (com os meus habituais constrangimentos). Foi (é) a minha forma de encarar as coisas. Aceito isso!
Claro que tudo aquilo que puder fazer para mudar e melhorar pessoalmente terá o meu maior empenho, por isso mesmo, aprendi. As asneiras cometidas ensinaram-me que decisões relacionadas com algo que nos diz tanto, tomadas de ânimo leve e até com alguma leviandade, podem trazer maus resultados. Aceitei isso!
Tal como as compras, normalmente tão pensadas, uma possível troca ou venda deve receber o mesmo tratamento. E se não me consigo desfazer de nenhuma das minhas bicicletas é porque elas têm o seu lugar, a sua função, o seu propósito. E porque gosto delas. Independentemente das suas caraterísticas e do seu valor de custo.
É tudo uma questão de aceitação e valorização!

A felicidade não é ter o que se quer, mas querer o que se tem.

(Este texto e respetiva citação surgiram da leitura do livro de Anette Herfkens,“Turbulência”)

17.07.20

O motor sou eu!


Rui Pereira

Falava com o meu amigo do costume sobre motas. Falava do meu irmão e como a troca de mota lhe fez outro. Pelo menos, parece, quando o vejo aos comandos da sua nova mota. A anterior, curiosamente aquela que sempre quis (quisemos!), já não lhe assentava. Agressiva, barulhenta, intimidante.
Percebo-lhe bem e acho que ele agora também me percebe, por exemplo, quando lhe falo do prazer que é pegar na minha bicicleta e desfrutar daqueles minutos sobre ela na minha pausa para almoço. De como se passa a encarar as deslocações, mesmo que pequenas, de outra forma. Nem sempre é preciso velocidade, barulho e adrenalina, mas apenas usufruir da fluidez de uma toada calma, do ambiente que nos rodeia, do balançar curva atrás de curva.
E percebo-lhe porque a minha mudança aconteceu de forma ainda mais radical, das motas para as bicicletas, e foi uma leveza.
Mais simplicidade, leveza e liberdade. Menos investimento, complexidade e intimidação!
Se deixei de gostar de motas? Não, não deixei. Se as motas são comparáveis às bicicletas? Não, não são. Mas é normal que tende a fazer um paralelismo entre umas e outras, até para me resolver interiormente e justificar a minha opção, já que pontualmente surge alguma ambiguidade…
Ganham as bicicletas. No conceito, na simplicidade, na limpeza, na eficiência. Ganham porque fazem toda a diferença.
Ganham, basicamente, porque o motor sou eu!

10.07.20

A derradeira oportunidade!


Rui Pereira

Ontem falei em perder oportunidades…
Devíamos estar algures no ano de 2009 (ou 2010?), quando, logo pela manhã, recebia uma chamada no telemóvel. Um familiar convidava-me para fazer parte de um negócio de bicicletas! Apercebendo-se do momento excecionalmente favorável e das boas condições que reunia, viu uma oportunidade para o efeito.
Eu vivia altamente entusiasmo com as bicicletas. Passava os dias úteis a planear e a ansiar pela volta de domingo e conseguia contagiar familiares e amigos a fazer-me companhia. Lia revistas, blogues e fóruns dedicados. Geria e alimentava o meu próprio blogue com grande entusiasmo e motivação. Munia-me de material e equipamento, modificava e personalizava a minha bicicleta.
A inesperada chamada apanhou-me de surpresa. Como uma pedra na linha de trajetória a meio de uma curva! Isso está mesmo a acontecer?!
Tinha regressado às bicicletas muito recentemente. Andava doido com tudo o que tinha rodas e pedais, e rolava. Vivia as bicicletas e sonhava com bicicletas! Abrir uma loja e trabalhar todos os dias naquilo que mais gostava já era um sonho, pois claro!
Os compromissos e os estudos recentemente retomados, o filho pequeno, as contas para pagar, mas principalmente o medo do desconhecido, do desafio, do não estar à altura do desafio, toldaram-me a visão. E em vez de ver uma oportunidade (única!) só conseguia ver que, obviamente, teria de sair da minha zona de conforto.
A mensagem foi clara e honesta, e até elogiosa para mim. Este familiar viu esta possibilidade com a minha presença e coordenação. E deixou a decisão nas minhas mãos. Se aceitasse o desafio, a ideia podia começar a rolar no sentido da sua concretização, se não, ficaria por isso mesmo.
Retraí-me. Tive medo! Concentrei-me nas dificuldades e em justificá-las. Justificando assim a minha própria decisão. Falei da concorrência, da dimensão do mercado, da localização…
Não aconteceu. Não estive à altura. Matei a ideia, literalmente!
Hoje, olho para trás e arrependo-me. Tinha de ter acreditado. Nem o meu enorme gosto foi suficiente para vencer o medo e o comodismo. As condições existentes dificilmente se repetirão. Se havia um momento certo, era aquele!
O meu familiar teve esta visão. Eu… logo eu... não!

09.07.20

Especialista em nada...


Rui Pereira

Sou especialista em nada. Nunca consegui trabalhar naquilo que realmente gostava. Passei anos a fugir da matemática. Formei-me tarde, opção baseada na disponibilidade e na exclusão de partes. Perdi oportunidades.
Nem sequer nas bicicletas tenho o à vontade que gostaria. Faço o básico, mas não me aventuro mais com receio de estragar. Mecanicamente falando.
Também não discuto. É chover no molhado. O meu exemplo, que não é exemplo nenhum, é pegar na bicicleta e pronto. É ir gerindo…

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Opiniões à parte, vou dedicar-me ao “estudo” deste livro. Pode ser que aprenda alguma coisa. Pelo menos diz respeito a algo que gosto e que me interessa substancialmente.


Fartei-me da formalidade. Do discurso feito, bonito de ouvir e difícil de sentir. Da distância que separa a teoria da realidade.
Mas continuo a ler. Menos. Mas leio.
As revistas deixaram de fazer sentido. Hoje, prefiro os livros. Sempre tive uma apetência pelo livro prático e técnico. Vou colecionando, a conta gotas, alguns livros de bicicletas.
A cidade, sinto-a diretamente aos comandos da minha bicicleta. O piso irregular, as rasantes dos automóveis, a onda de calor emanada pelo motor de um autocarro. A chuva e as manchas de combustível e lubrificante. As ciclovias. Os peões. Os estacionamentos específicos ou a ausência deles. Mas também o bom-senso e a cortesia de alguns automobilistas, os olhares das pessoas e até alguns sorrisos de aprovação.

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Pedir ciclovias só por pedir não é nada. Pedir ciclovias para os outros andarem também não. Mas a pedir e a haver que sejam dignas deste nome. Que sejam funcionais, que agilizem os trajetos às pessoas e que não sejam apenas para passear (de licra?) ao fim de semana. Que não sejam construídas sobre o mesmo princípio de sempre – as estradas são para os carros!
Esperar uma rede de ciclovias nas nossas pequenas cidades, desenhadas noutros tempos para outras realidades, com algumas vias onde até os carros têm dificuldade em passar, é uma utopia. Se tivesse à espera de ter ciclovias para andar de bicicleta nas “minhas” cidades, bem que podia vendê-las. Todas!

08.07.20

Outro mundo!


Rui Pereira

Esta bicicleta é tão clean, tão simples… É muito bonita!
Às vezes temos a mania… e esta é assim, e…

Foi mais ou menos isso que ouvi quando me cruzei com um casal amigo numa volta de domingo aos comandos de uma das minhas bicicletas de carreto fixo. E se calhar não foi por acaso que surgiu da parte do elemento feminino. O masculino estava mais preocupado em saber se era aquela a bicicleta com que costumava andar… Sensibilidade?
Devo ser um bocadinho suspeito para concordar com estas afirmações, mas estão perfeitamente alinhadas com o que venho defendendo há muito tempo.
Uma bicicleta básica não passa muito de uma estrutura de tubos metálicos soldados, um par de rodas, uma corrente, umas rodas dentadas, um guiador, um selim e umas alavancas com pedais…
É simples, não é?
E esta simplicidade não lhe belisca em nada a beleza ou a função, muito pelo contrário.
Enquanto que o mundo à minha volta continua sedento de inovação, eficácia e tecnologia, numa busca inglória de algo único, como se da última bolacha do pacote se tratasse, com um prazo de validade cada vez mais curto, eu pedalo num mundo paralelo muito mais básico, puro, natural, duradouro, descomplicado e… estiloso!

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07.07.20

Fixies, skids, joelhos, presente, futuro!


Rui Pereira

Os meus joelhos ressentem-se dos skids
Mas é mais forte do que eu, agora que finalmente domino a manobra com mais à vontade e não resisto fazê-la. E não posso exatamente usar o argumento - necessidade, uma vez que para contrariar o movimento excessivo dos pedais à força de pernas conto com o auxílio do travão dianteiro.
Os meus joelhos também se ressentem desta mesma rotação elevada e da minha oposição…
Passa-me tanta coisa pela cabeça…
Não ter nem 20 nem 30 anos, que é o mesmo que dizer que devia ter-me dedicado mais cedo e que já tenho idade para ter juízo; ter de gerir as minhas mazelas e respetivas consequências; estar a desgastar pneu escusadamente.
Ou a memória é curta ou a atração é tão grande que nada é motivo para, domingo após domingo, não levar a fixed-gear para a estrada.
Quem anda de bicicleta sabe que a luta com a respetiva é uma constante. No caso de uma bicicleta tão peculiar a luta é ainda mais intensa, crua e visceral.
Será que o meu joelho esquerdo vai aguentar mais uma ou duas décadas disso? Não sei. Tenho consciência que é preciso alguma moderação e preservação, mas não vou deixar aquilo que tanto gozo me dá fazer em nome do incerto.
Assim, o certo é que (muito provavelmente) vou-me queixar do(s) joelho(s)...
Não é uma coisa boa, mas acho que existem piores. Como por exemplo, daqui a uns anos, estar sentado num sofá em frente à televisão, com os joelhos lixados na mesma, já sem poder andar de bicicleta, a pensar no quanto devia ter aproveitado hoje…

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02.06.20

Circunstâncias


Rui Pereira

Nestes tempos de confinamento que passaram tive mais próximo das minhas bicicletas de carreto fixo do que das outras.
Pelas suas caraterísticas e limitado no espaço disponível para o efeito, estas revelaram-se a melhor opção.
As circunstâncias momentâneas ditam muita da adequação de cada uma das minhas bicicletas. E eu tenho a tendência para tomar esta adequação para o uso generalizado.
Com o desconfinamento, as suas limitações, entretanto disfarçadas, voltaram a sobressair. E tive de recorrer a outra bicicleta que melhor se adequava às novas circunstâncias.

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Existem diferenças e terei sempre as minhas preferências, mas a forma tendenciosa que me faz tirar conclusões precipitadas perante circunstâncias restritas não é a mais correta.
As minhas preferências dizem respeito à estética, à tradição, à cultura, ao conceito e aos materiais empregues. Tudo o que seja mais simples e diferente, mais tradicional e alternativo, tem prioridade. No entanto, as que apontam num sentido contrário não são necessariamente desprezadas.
Todas as minhas bicicletas têm os seus pontos fracos e fortes, e a sua função bem definida. A escolha de uma delas estará associada às circunstâncias do momento ou simplesmente ao meu estado de espírito.
São todas boas. São todas úteis. Umas mais do que outras, de acordo com as circunstâncias.

22.04.20

Ferrugem!


Rui Pereira

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Esta bicicleta está ferrugenta,
Desabilitada,
Bolorenta,
Desalinhada,
Inoperacional,
Desadequada,
Incapaz.

É suposto as engrenagens estarem lubrificadas.
É suposto rolar sem atrito,
Com o mínimo de fluidez,
Com alegria!

Ela arrasta-se penosamente.
Rola desengonçada.
Sem rumo,
Nem nexo…
Com estrilho.

Fez parte dos meus sonhos.
Agora não!
Não é um pesadelo, mas revela-se um sonho frágil.

Se calhar, é melhor deixar-lhe...