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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.01.20

Eu pedalei, pedalo, pedalarei…


Rui Pereira

Continuo. Não consigo deixar. Não quero parar.
Sinto as dificuldades. Acuso o esforço. Os constrangimentos.
Mas também falo, rio, grito. Consolo-me.
Sozinho. Às vezes, acompanhado.
Descubro novos lugares. Os mesmos, de forma diferente.
Traço novos objetivos. Arrisco desafios. Vou.
Outras vezes, não.

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Às vezes custa sair. Depois não quero parar.
Nem sempre com as condições ideais. Não faz mal.
Não existem condições ideais.
Tenho frio, depois tenho calor. Depois volto a ter frio.
Estou molhado. Arrepiado.
Susto. Safo-me por um triz. Arrepio-me.
Esqueço. Faz parte.
Tudo tem um lado bom. Outro menos bom.
O lado bom domina.

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As experiências são incríveis. Umas mais, outras menos.
Mas todas únicas. Diferentes. Deixam-me sorridente.
Vou continuar. Não quero deixar. Nunca vou parar.
Custe o que custar.
Mesmo quando já não o puder fazer.
As minhas bicicletas foram, são e serão sempre pedaladas.
Nem que seja em pensamento!

17.12.19

O outro lado…


Rui Pereira

Ao ler o texto da Vânia, pensei em mim e em como podemos iludir os outros com aquilo que publicamos. Como comentei a propósito, há mais vida para além daquilo que é partilhado, mas também acho que a atenção deve centrar-se mais nas coisas positivas do que nas negativas. Não às vidas perfeitas, sim à ponderação e ao equilíbrio. Tenho o cuidado de também ir publicando textos que não refletem satisfação, até porque existem situações que são tudo menos isso.

Acima de tudo, não gosto de me iludir. Nem a mim, nem aos outros.

Nem sempre apetece andar de bicicleta ou dar a atenção (limpeza e manutenção) que precisam; às vezes custa muito levantar cedo para fazê-lo; custa suportar o frio quando vou ao mar ou fico a secar as calças nas pernas por ter ido de bicicleta debaixo de chuva; custa pedalar contra o vento forte, assombrado pelo pensamento “de carro isso não acontecia”; nem sempre apetece fazer exercício; às vezes não sei o que escrever e penso em deixar o blogue; tantas vezes que só apetece comer porcarias, em quantidade; só apetece ficar em casa no sofá em frente à televisão; não apetece fazer nada...

Tantas vezes apetece ou não apetece e tantas vezes faço!

Claro que quero mostrar (ser) o melhor de mim, os meus melhores hábitos, práticas e atitudes. Quero partilhar as minhas melhores fotografias. É também assim que ganho motivação para continuar, é assim que dou um pouco de mim e agradeço a quem faz questão de me seguir e tem o cuidado de o demonstrar.

Às vezes, vejo-me a lutar pela perfeição quando sei que ela não existe.

22.11.19

Ciclo


Rui Pereira

Às vezes, falta-me a determinação. Falta-me o foco naquilo que realmente quero.
Cedo, uma e outra vez, em troca da compensação imediata. Desleixo, em nome do "não quero saber".
Arrependo-me depois.
Monto na bicicleta!
As ideias surgem. Traço metas, defino objetivos. Quero resultados.
Em cima da bicicleta tudo parece simples, perante as dificuldades. Contraditoriamente.
As dificuldades físicas libertam-me a mente. O prazer de pedalar solta-me o pensamento. Dão-me disponibilidade para definir e querer agir.
Tudo fica claro. Fico mais forte.
Desmonto da bicicleta!
Alguma determinação fica e atuo em conformidade. Outra, perde-se...
E o ciclo repete-se.

21.11.19

Reflexo


Rui Pereira

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Há coisas que têm de ser provocadas.
Sem saber o que escrever, abro uma imagem da minha bicicleta de carreto fixo.
Uma imagem que não é nova, pelo contrário, já acumula alguns meses, tantos que a bicicleta já nem tem esta configuração.
É indiferente. Aos olhos menos entendidos passará perfeitamente despercebido. E que não passasse.
Escolho a imagem de forma aleatória. Sem saber bem o que fazer dela.
À procura de um estímulo.
Aplico-lhe filtros e ajustes. Cumulativamente.
Gosto do resultado.
Mas é uma imagem saturada de filtros e ajustes.
É um reflexo.

07.11.19

Bicicletas analógicas


Rui Pereira

Temos uma tendência natural para complicar. Somos seres cheios de necessidades. Precisamos de muitos artefactos para fazer coisas. Adoramos coisas. Coisinhas tecnológicas. Brinquedos inteligentes que têm montes de funções automáticas e que, julgamos nós, não conseguimos viver sem eles.
Nas bicicletas é a mesma coisa. Quanto mais inovadoras, complexas e tecnológicas, melhor. Há quem já não consiga viver sem elas…
Eu não!
A tecnologia é fria e impessoal, de interação duvidosa. É complexa. É ilusória.
Continuo a preferir as mecânicas, mais tradicionais, analógicas e manufaturadas. Privilegio as mais simples e minimalistas. As mais acessíveis e brandas na relação. As mais robustas e menos sensíveis...
A função e o funcionamento estão lá, a estética também, chega!
É pegar, usar e desfrutar, sem pensar muito, sem complicar…

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06.11.19

Afastado…


Rui Pereira

roll_praia.jpg


São dois elementos que fazem parte das minhas rotinas diárias – o mar e a bicicleta. Tenho andado afastado de ambos, pelo menos de uma forma prática e efetiva. Do exercício físico também. Ando adoentado e, sob pena de agravar ainda mais os sintomas, decidi resguardar-me. Não lido bem com isso, mas há que ter calma e paciência, e aproveitar para fazer outras coisas que normalmente não tenho oportunidade de fazer, mesmo sabendo perfeitamente o que queria estar mesmo fazendo…

31.10.19

Foi a bicicleta que me ensinou…


Rui Pereira

Ao comparar as fotografias da minha participação na mesma prova de bicicletas, com uma diferença de 9 anos entre si, constatei que ter adquirido e voltado a andar de bicicleta foi uma influência muito positiva, para implementar novos hábitos e mudar a minha perspetiva numa série de realidades pessoais.

Se é incontornável que hoje estou mais velho 9 anos, também é certo que me sinto melhor e considero estar com melhor aspeto.

Aprendi a comer, a exercitar-me, a valorizar aquilo que não alcançava, a fazer o que não achava exequível, a saber o que posso e não posso fazer, a deslocar-me, a libertar-me de preconceitos, a conhecer o meu corpo, atributos e respetivas limitações.

Foi a bicicleta que me ensinou…

Foi a bicicleta que me levou a pedalar mais vezes por semana, para ter outro à vontade no domingo. Foi a bicicleta que me levou a variar nos exercícios, a conhecer novas modalidades e a voltar a outras, entretanto esquecidas. Foi a bicicleta que me levou ao mar e aonde foi preciso. Foi a bicicleta que me ensinou que é possível fazer exercício fora de 4 paredes, na rua, na natureza. Foi a bicicleta que me alertou para a importância da hidratação e da alimentação. Foi a bicicleta que me ensinou que os hábitos tiram-se e põem-se. Foi a bicicleta que me despertou para a importância da gestão do esforço, da presença do desafio, mas também para descartá-lo se a sua dimensão assim o impor. Foi a bicicleta que me levou a ser mais aberto, curioso e a experimentar.

Foi a bicicleta que me levou a fazer muito mais do que apenas pedalar.

Foi a bicicleta que me ensinou. É a bicicleta que me ensina!