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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

26.03.20

Ficar em casa!


Rui Pereira

Hoje levantei-me relativamente cedo, fiz a barba e restantes práticas higiénicas, vesti-me e bebi um copo de café. Fiz umas flexões.
Podia ser a descrição de um início de dia ideal para quem está a trabalhar a partir de casa, onde as rotinas são mantidas, mas não passa de uma exceção. As flexões, por exemplo, já nem sei quando foi a última vez...
Não que tivesse uma vida muito ativa e entusiasmante, mas como metódico que sou, tinha as minhas rotinas e os meus hábitos bem implementados, segmentados e organizados. Esta mudança abrupta deixo-me um bocadinho à toa, que é como quem diz, desmotivado e preguiçoso.
Ficar em casa e não ter de ir trabalhar foi o que sempre quis, mas não nestas circunstâncias!
Tenho falhado nas rotinas, na alimentação, no exercício físico, na escrita. Nem tenho vindo aqui para acompanhar as publicações de quem sigo. Mesmo com as normais obrigações relativas ao teletrabalho, agora que supostamente tenho mais tempo e mais devia fazer, nem que fosse para distrair de toda a triste realidade que se vive atualmente, menos faço.
Não faltam exemplos positivos de quem não se deixa abater pelas novas circunstâncias e faz, treina, arruma, cria, inventa...
Mas hoje levantei-me relativamente cedo e quis inverter esta tendência. Por isso escrevo este texto, na tentativa de desabafar, motivar-me e comprometer-me. É que agora, mais do que nunca, a falta de tempo não é desculpa!

26.02.20

Impopularidade


Rui Pereira

Sei-me impopular pela posição, atitude e preferências ciclisticas. Pelas reações ou ausência delas. Por me desviar demasiado daquilo que é suposto seguir. Por ter e andar em bicicletas pouco óbvias, algumas delas, nada consensuais. Pela indiferença à feroz busca da eficiência. Por não querer saber da competição. Por gostar de ser diferente. Por preferir a tradição à inovação. Por ver as bicicletas como mais do que um mero utensílio desportivo. Por achar que estas fazem parte da solução na melhoria da qualidade de vida nas cidades. Por saltar todos os dias para cima de uma em vez de continuar agarrado aos mesmos hábitos comodistas de sempre.
Sei-me impopular por ser repetitivo. Por estar a defender aquilo em que acredito. Por, por em prática aquilo que defendo. E se defendo repetitivamente aquilo em que acredito e ponho em prática aquilo que acredito e defendo, está tudo bem!
Mas sei-me impopular por escrever textos como este…

21.02.20

Até querer…


Rui Pereira

Pegava na minha bicicleta e ia por aí a fora. Sem horas, nem constrangimentos, sem limitações. Entre subidas e descidas. Por montes e vales. Sem dar atenção à cor, nem à irregularidade do piso. Tempo ameno. Eu e ela... e leves pensamentos. Dificuldades encaradas com tranquilidade. Desafios encarados com prazer. Pedalar sem destino, rumo ao desconhecido. Escolha intuitiva do trilho, para seguir numa pedalada certa e calma. Até querer…

04.02.20

Bola, música e pancadaria!


Rui Pereira

O último fim de semana foi atípico. Desde logo não andei de bicicleta. E andei cinzento, cabisbaixo e pensativo. Com dúvidas, indefinições e desilusões. Com o tempo ventoso e chuvoso a condizer. E como se não bastasse, constipado.
Mas nem tudo foi mau. Longe das rodas e dos pedais, perto do sofá e da televisão. Aproveitei para ver o filme que queria – RAMBO: A Última Batalha – lá está, um "filme de gajo"!

Numa breve passagem pelo Youtube, dois novos e surpreendentes temas/vídeos. Completamente diferentes e de áreas opostas, mas igualmente bons e com o mesmo carimbo de origem: Açores!

Balada Brassado – "Eu Aboio Tudo"

Morbid Death – "Away"

Também gostei dos resultados desportivos. No meio da chuva, lá fomos, eu e o rapaz, ver a equipa dele (não convocado para o jogo) ganhar. E no decurso, saber que o clube [azul e branco] do seu coração não deixou margem para dúvidas.
Fim de semana sem bicicletas, mas com bola, música e pancadaria!

28.01.20

Com vida!


Rui Pereira

Quando estou mais afastado daqui, penso que não haveria problema em deixar o blogue deserto de novidades um par de semanas ou por tempo indeterminado. Quando estou ainda mais afastado das tecnologias, da internet e das coisas virtuais.
Depois, abro o motor de busca e digito o nome do meu blogue, como se não fosse meu e, modéstia à parte, gosto do que vejo. Fico satisfeito por ter atingido o formato e o conteúdo que sempre quis. Por ter uma imagem e uma abordagem muito própria, de acordo com aquilo que acho realmente relevante, neste mundo dos pedais e não só. É o meu blogue!
Tenho a noção que não tem a fórmula mais apelativa. Um dia abri um blogue dedicado à música e escrevi meia dúzia de textos, destacando músicos e respetivos trabalhos com que me identificava. Com poucas semanas de existência, recebi contacto de uma banda para divulgação e uma proposta de parceria de uma empresa. Com este só aconteceu recentemente e já conta com vários anos. Seja como for, não é, nem nunca foi um objetivo. Fechei o tal blogue...
Para isso teria de falar e mostrar bicicletas topo de gama, marcas, componentes nobres absurdamente leves e caros, tecnologia e eletrónica, equipamentos ultrassofisticados e supostamente imprescindíveis, números e feitos, atletas e competição. Basicamente, sobre o que todo o mundo fala. Mas assim, já não seria o que gosto que seja, não seria sobre aquilo que realmente quero. Não seria o meu blogue. Não seria eu...
À falta de conteúdo, essencialmente próprio, que me faça sentido e seja relevante, prefiro que fique deserto. Sendo que o ideal passa por ir atrás de ideias, por estar atento e, de forma minimamente natural, encontrar um motivo num qualquer pormenor. A diferença pode estar numa imagem, numa situação, numa conversa.
Gosto de o ver com vida, resumindo e concluindo. Com uma pedalada única e um som identificativo. Até porque a vida deste blogue acaba por ser um reflexo da minha própria vida. Com os seus altos e baixos!

24.01.20

Descartar maus para colher bons!


Rui Pereira

Aos passeios dominicais de bicicleta juntam-se o mar e os exercícios localizados diários, que me permitem manter a forma física e o equilíbrio psicológico pretendidos. Neste sentido, a alimentação tem vindo a ser ajustada, quer em quantidade quer em qualidade, depois de uma época de alargamento das exceções. O descanso tem sido assegurado.
Os passeios de bicicleta têm ganho alguma dimensão, já que acordo mais cedo e tenho mantido uma interessante disciplina depois dos mesmos, no sentido em que não estou a deixar as minhas bicicletas sem cuidados, semana após semana, tal como acontecia anteriormente.
Pode parecer um contrassenso, mas ter excluído definitivamente o ginásio das minhas rotinas foi fundamental. Ao contrário de muitos, há algum tempo que deixei de ver os ginásios como essenciais para a prática de exercício físico. Assim, deixei de ter o que para mim já era uma obrigação, poupando simultaneamente dinheiro e tendo tempo livre para outras coisas, nem que seja estar sem fazer nada. Por exemplo, tenho aproveitado para intervir nas minhas bicicletas.
Mantenho a forma, mas acima de tudo estou muito mais equilibrado. Claro que quantidade não é qualidade, logo que estejam garantidos os mínimos para o efeito. E estão.
Mesmo que tudo à volta se esteja a desmoronar, e também por isso, é fundamental manter a prática, porque tenho de me agarrar a alguma coisa, portanto, que seja a algo natural, aconselhável e benéfico.
É o cansaço físico que me faz descansar mentalmente. As frustrações descarrego-as em cima de uma bicicleta com umas vigorosas pedaladas. E no chão, com umas centenas de flexões de braços!

10.01.20

Eu pedalei, pedalo, pedalarei…


Rui Pereira

Continuo. Não consigo deixar. Não quero parar.
Sinto as dificuldades. Acuso o esforço. Os constrangimentos.
Mas também falo, rio, grito. Consolo-me.
Sozinho. Às vezes, acompanhado.
Descubro novos lugares. Os mesmos, de forma diferente.
Traço novos objetivos. Arrisco desafios. Vou.
Outras vezes, não.

pedalar1.jpg

Às vezes custa sair. Depois não quero parar.
Nem sempre com as condições ideais. Não faz mal.
Não existem condições ideais.
Tenho frio, depois tenho calor. Depois volto a ter frio.
Estou molhado. Arrepiado.
Susto. Safo-me por um triz. Arrepio-me.
Esqueço. Faz parte.
Tudo tem um lado bom. Outro menos bom.
O lado bom domina.

pedalar2.jpg

As experiências são incríveis. Umas mais, outras menos.
Mas todas únicas. Diferentes. Deixam-me sorridente.
Vou continuar. Não quero deixar. Nunca vou parar.
Custe o que custar.
Mesmo quando já não o puder fazer.
As minhas bicicletas foram, são e serão sempre pedaladas.
Nem que seja em pensamento!

17.12.19

O outro lado…


Rui Pereira

Ao ler o texto da Vânia, pensei em mim e em como podemos iludir os outros com aquilo que publicamos. Como comentei a propósito, há mais vida para além daquilo que é partilhado, mas também acho que a atenção deve centrar-se mais nas coisas positivas do que nas negativas. Não às vidas perfeitas, sim à ponderação e ao equilíbrio. Tenho o cuidado de também ir publicando textos que não refletem satisfação, até porque existem situações que são tudo menos isso.

Acima de tudo, não gosto de me iludir. Nem a mim, nem aos outros.

Nem sempre apetece andar de bicicleta ou dar a atenção (limpeza e manutenção) que precisam; às vezes custa muito levantar cedo para fazê-lo; custa suportar o frio quando vou ao mar ou fico a secar as calças nas pernas por ter ido de bicicleta debaixo de chuva; custa pedalar contra o vento forte, assombrado pelo pensamento “de carro isso não acontecia”; nem sempre apetece fazer exercício; às vezes não sei o que escrever e penso em deixar o blogue; tantas vezes que só apetece comer porcarias, em quantidade; só apetece ficar em casa no sofá em frente à televisão; não apetece fazer nada...

Tantas vezes apetece ou não apetece e tantas vezes faço!

Claro que quero mostrar (ser) o melhor de mim, os meus melhores hábitos, práticas e atitudes. Quero partilhar as minhas melhores fotografias. É também assim que ganho motivação para continuar, é assim que dou um pouco de mim e agradeço a quem faz questão de me seguir e tem o cuidado de o demonstrar.

Às vezes, vejo-me a lutar pela perfeição quando sei que ela não existe.