Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

07.01.19

Fixed Gear / Fixie


Rui Pereira

Se pensar um pouco naquilo que realmente gosto e que mexe verdadeiramente comigo dentro das bicicletas e do ciclismo, as bicicletas de carreto fixo (conhecidas por fixed gear ou fixie) aparecerão obrigatoriamente no topo da lista!
Com certeza que estariam mais presentes na minha vida se as tivesse descoberto com outra idade, se não tivesse um joelho problemático, se fosse mais afoito e se vivesse noutro local, mas isso não me impede de ter uma e de usufruir do que ela tem para oferecer, mesmo com as referidas limitações.
Para além deste segmento específico, gosto especialmente de tudo o que envolva soluções mais simples e tradicionais, tanto por questões estéticas e visuais, como pela menor complexidade implícita. Desculpem-me os apreciadores, mas, por exemplo, eletrónica em bicicletas? Eh pá, não!
Já fui o suficientemente extravagante quando adquiri uma relativamente recente bicicleta de estrada em carbono. Aliás, analisando bem o seu uso e a duplicação de bicicletas do mesmo segmento, com a minha Steel a ser relegada para segundo plano, se fosse hoje, o mais certo seria não o fazer!
Ao nível conceptual as fixie transpiram pureza e afirmam-se como um regresso às origens. Assim eram as primeiras bicicletas. E são um brinde à simplicidade, ao estilo e ao minimalismo. São bicicletas únicas e funcionais, reduzidas ao essencial, onde até os travões são dispensáveis!
Se estaticamente impressionam, o que dizer no aspeto dinâmico. São exigentes e desafiadoras, mas ao mesmo tempo intuitivas e naturais, logo que haja abertura para sentir o seu funcionamento. A relação homem/máquina está bem presente e basta ver alguém competente aos seus comandos para perceber como as duas partes funcionam como uma só!
As fixed gear são encantadoras e apaixonantes como mais nenhumas!

14.08.18

Aos pedais!


Rui Pereira

btwin_areal.jpg

 

Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

02.07.18

A encantadora!


Rui Pereira

Um dos problemas de ter várias bicicletas é que em determinado momento existem algumas delas que vão estar mais paradas do que seria desejável.
A minha Globe Roll é uma daquelas bicicletas que, pelas suas caraterísticas, não permite uma utilização muito abrangente, até pelo contrário, exigindo condições específicas. Não é bicicleta para voltas muito longas, nem muito desafiantes ao nível do percurso e das suas diferenças de altimetria.
É, por isso mesmo, uma das mais relegadas ao suporte…
Mas quando decido que está na hora de lhe levar para a estrada, depois daquele primeiro embate motivado pela falta de velocidades, pelo seu carreto fixo, pela ausência de travão traseiro, é das bicicletas que mais me dá prazer!
O facto é que nem sei explicar bem porquê, até porque são alguns constrangimentos e outro tanto de agressividade, e masoquismo não é muito a minha onda…
Julgo que palavras como diferença e desafio podem fazer parte da equação e do encanto. Sim, encanto. Esta bicicleta tem esta capacidade sobre mim…
A mais pura. A mais simples. A mais encantadora!

roll_portao.jpg

29.05.18

Pedais de encaixe


Rui Pereira

Tinha acabado de reentrar no mundo do ciclismo, com a compra da Hardrock, quando, numa conversa sobre pedais, ouvi da parte de uma pessoa conhecedora e conhecida no meio que, já não sabia andar de bicicleta sem pedais de encaixe!
Na altura, do alto da minha ignorância e do meu estatuto de novato, pareceu-me que a pessoa em causa estava a armar-se, e consequentemente, a remeter-me ainda mais para a minha insignificância.
Uma semana depois da compra estava a estrear os tão badalados pedais de encaixe!
Hoje, sou eu quem faz a mesma afirmação, a quem procura a minha opinião, sobre os ditos pedais. Aliás, só não os uso em ambiente urbano, por questões práticas e porque as distâncias percorridas não o justificam.
Tão óbvios, mesmo para alguns/algumas que juraram a pés juntos que jamais os teriam presos à bicicleta…
Ontem foi dia de mais uma estreia. Os meus Shimano, atualmente sem uso, saíram do armário para serem instalados numa bicicleta. Uns engates normais, até porque estamos a falar de encaixes. Mas correu bem. E aquela satisfação habitual advinda da superação e de que afinal não é assim tão complicado como se tinha imaginado. E os elogios…
“Eh pá, isso não tem nada a ver. Que diferença!”

shimanoPD-A530.jpeg

Imagem: Shimano

25.05.18

Ai se ele cai


Rui Pereira

Dizer que as bicicletas são perigosas não está certo. É injusto. Correm-se alguns riscos, mas não mais do que em outras atividades. Sendo uma atividade que envolve equilíbrio, velocidade e circulação na estrada é preciso algum cuidado, claro. Já me magoei bastante a jogar (brincar ao…) futebol… e gosto pouco de futebol. De bicicleta já ando há uns anos, já caí algumas vezes, mas nunca me magoei a sério. Azar? Sorte? Não sei, mas também não interessa, que assim continue.
As crianças normalmente correm mais riscos, à sua dimensão é certo, mas o facto é que são menos cuidadosas e conscientes. Por isso é imperativo acompanhamento parental e material adequado para uma normal evolução sem grandes sobressaltos. Já assisti a muitas quedas do meu filho, umas mais aparatosas do que outras, mas até agora sem grandes consequências. Houve uma que me fez pensar, mas para a frente é que é caminho.
Já passou por várias bicicletas e outras tantas fases. Já foi para todo o lado com ela, já a esqueceu a favor de outras coisas, já quis fazer provas. Prefere a terra ao asfalto e as descidas às subidas, e até ao plano! Está numa de, ocasionalmente, se divertir sem se sacrificar muito! Eu compreendo e acompanho. Também gosto de fazer três ou quatro passagens no mesmo local e regressar, mesmo um bocadinho chateado por ter sujado a bicicleta e o equipamento por tão pouco (quantidade não é qualidade!)…
Às vezes assusto-me com o seu excesso de confiança e à vontade, e com o que é capaz de fazer… A mãe nem se fala! Outras vezes rio-me. E alerto-lhe para rolar com cautela em locais que desconhece e nas vias públicas, para estar desperto para situações e reações imprevistas, para usar os dois travões em vez de apenas o traseiro. Percebo que a maior parte das vezes não me esteja realmente a ouvir, faz parte. Tal como faz parte aprender da pior maneira, por não me ter dado ouvidos.
Proporciono-lhe condições para andar, dentro das minhas limitações, e passo-lhe as ferramentas que podem minimizar os danos. Mas percebo que existem inevitáveis. Que faz parte desafiar, arriscar e querer ir mais além. E cair. Preocupo-me, não quero que caia, nem que se magoe. Sei que ele também não, mas, às vezes, "distrai-se"…

21.12.17

Novo ano, nova época. Nova atitude?


Rui Pereira

Antes de mais, fica já dito que não gosto de resoluções de ano novo, tanto que acho que se deviam chamar de ilusões*.
Neste caso não são propriamente, nem resoluções, nem de ano novo, mas sim de novas ideias para encarar certa parte da época de ciclismo em 2018. Ideias baseadas numa atitude mais aberta que no fundo se resume em aumentar a utilização das minhas bicicletas assumindo uma dinâmica diferente, quer individualmente, quer em família, com saídas mais frequentes e relevantes, e uma maior participação em eventos organizados, excluindo os que representem aquela vertente da competição pura e dura. Passeios em geral e provas abertas como os “granfondo” na vertente de estrada, e as resistências e maratonas na vertente btt são aquelas que, pelas suas caraterísticas, reúnem a minha preferência.
Como o dinamismo (ou a falta dele) funciona em espiral e estende-se para outros departamentos da nossa vida, e pela forma óbvia como estão intimamente ligados, é previsível que a escrita e o blogue venham a sofrer positivamente com isso, nem que seja pela quantidade, com a maior abundância de assuntos a abordar.
Para já vou voltar a filiar-me na Federação Portuguesa de Ciclismo, na vertente “Ciclismo para Todos” - CPT, mas desta vez na opção “Família”, já que no computo familiar as pedaladas tendem a equilibrarem-se. E quero aproveitar para pedalar no decorrer destes dias de festa que se aproximam, últimos deste ano, também para compensar os excessos alimentares próprios da altura. E, já na manhã do primeiro dia do novo, conto subir ao Pico da Barrosa (a tradição é para manter) e ver lá de cima a Lagoa do Fogo (se o tempo permitir, o que raramente acontece neste dia)!
A época de 2017 já acabou, mas o ano não, portanto, é continuar a empreender cada vez mais a atitude que decidi ter nos últimos meses, no que toca à minha relação com o ciclismo e as bicicletas, com a sustentabilidade necessária para que flua naturalmente no tempo…

 

*Ilusões de ano novo!
Começa mais um ano, cumprem-se os mesmos rituais, repetem-se os mesmos comportamentos de sempre. Fazem-se balanços do ano anterior e traçam-se projetos para o novo ano. Fazem-se promessas de mudança. Há quem deixe de fumar, quem deixe de beber bebidas alcoólicas, quem passe a comer melhor, quem comece a ler um livro. A afluência aos ginásios aumenta…
Não acredito nestas mudanças repentinas e circunstanciais. As suas bases são frágeis e pouco sustentáveis. Não existe preparação nem planeamento, por mais simples que sejam. Não existe vontade genuína. E na sua esmagadora maioria, os resultados destas mudanças são nulos!
A época que precede a passagem de ano é propícia a inúmeros estímulos e exageros alimentares (e não só), o que também justifica esta tendência. O pior é que esta tendência desculpabiliza-nos e dá-nos carta-branca para exagerar à vontade, pois a nossa convicção é que daqui a dias tudo irá mudar.
Compreendo que se queira uma referência, um marco que simbolize a nossa mudança de comportamentos. Habituamo-nos a encontrar esta referência no começo de um novo ano civil. Para mim, e na necessidade de se arranjar um dia, faz mais sentido referenciar o dia do nosso aniversário, porque este sim, marca verdadeiramente o começo de um novo ano na nossa vida!
De qualquer forma, o que está em causa é que as intenções de mudança de ano novo, por impulso e de um dia para o outro, normalmente não passam disso mesmo, de intenções. E as intenções, mesmo que boas, sem serem seguidas da ação, tal como da sua continuidade, de pouco servem!
Outro comportamento, algo ingénuo e ainda menos duradouro, é achar que com a chegada do novo ano tudo irá mudar, só por isso! Até existe uma certa pressa para que o ano velho acabe, com a ilusão que é a partir daí que começam as surgir as nossas novas oportunidades. Esta sensação ilusória é capaz de se manter durante o primeiro dia do ano, talvez por ser feriado, mas depois… depois não muda nada, claro… depois vem a realidade!
Não tenho nada contra a entrada de um novo ano civil, mas não deixo de achar toda a euforia em volta disso, algo despropositada. Agora sou realmente contra a nossa tendência para atribuir responsabilidade aos acontecimentos, de coisas que sabemos perfeitamente que dependem de nós, estejamos no início, a meio ou no fim do ano!
Rui Pereira, 03 janeiro 2014

03.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 4)


Rui Pereira

(Continuação!)
Ufa! Esta relato está tão descritivo e realista (e comprido) que até estou a ficar cansado. Ah não, se calhar é porque vim agora de uma volta de bicicleta. Seja como for, estamos na reta final.

Estava determinado a compensar o atraso da asneira feita, só que fui traído por uma dor na perna direita. O que a nossa mente inventa quando está desocupada! Bastou a primeira distração e nunca mais senti dor nenhuma. Continuei. Descer a Duarte Borges sem preocupações é outra coisa. Agora era ir a rolar até à meta, altura em que me cruzei com alguns participantes que já tinham finalizado e já estavam de regresso. Bom sinal, presumindo que, por exemplo quem vinha de automóvel, já tinha trocado de roupa, acondicionado a bicicleta e respetivo equipamento, almoçado, trocado bitaites com os colegas, feito a sesta, trocado sms com a cara-metade, e eu ainda estava a caminho…
Finalmente… cheguei! Fui recebido com um «está feito!» na meta e mais à frente com uns «parabéns» da parte de uma menina que me decorou o peito com a medalha de participação (Eu sei, “finisher”, mas já não disse que não gosto de estrangeirismos?). Uma coisa é certa, a medalha foi muito bem conseguida. Até estava meio preocupado não fosse sujá-la, uma vez que tinha a roupa bastante seca e limpa, como se pode imaginar.
Lá estava o meu colega. O tal da descida do Canário. Breve troca de palavras, busca de um local seguro para encostar a bicicleta (vi para lá algumas que caíam que nem tordos!) e aguardar a vez na fila para o frango (e fofa) do almoço volante. (Porquê volante? Fui pesquisar ao Priberam e uma das definições do adjetivo é “que cada qual come onde quer”. Esclarecido!)
De repente dei por mim a consultar a lista das classificações… Porquê? Não sei. Peço desculpa.
E fico-me por aqui... Apenas acrescento que o nível de satisfação motivado por este evento ciclístico fica patente no número de palavras que dediquei ao mesmo.

Domingo à noite em casa.
- Se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou fazer o percurso do Granfondo, respondia logo que ia fazer o Granfondo!
Ao que obtenho como resposta:
- E se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou ficar todo o dia em casa a fazer comida (nota: não é exatamente uma atividade de eleição), respondia logo que ficava em casa!
?!... Mas isso não tem nada a ver - pensei para mim…

Até para o ano (espero eu)!

medalha_gf.jpg

03.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 3)


Rui Pereira

(Continuação!)
Prossegui então a aguardar confirmação do cancelamento. Entretanto, cruzei-me novamente com o entrosado quarteto do início, mesmo quase à porta de casa, mas desta vez apenas de passagem. Não querendo parecer ingrato, estava a sentir-me bem, daí ter mantido o meu ritmo. Objetivo? Chegar depressa ao segundo abastecimento. Fiquei fã. Este tinha uma mesa bastante mais composta, tanto que fiquei meio sem saber o que comer! Mas antes disso, vamos lá merecer o dito. Lançado em direção à Ribeira Seca, avisto um polícia junto à rotunda que me faz sinal para subir. E riu-se. Muito bem, um agente especialmente simpático, mas mal dobrei a esquina, percebi. Era uma verdadeira parede de vento que só visto! Toca de desmultiplicar a transmissão e só não me deitei sobre a bicicleta porque não me dá muito jeito pedalar nesta posição. Por falar em polícias, forte contingente policial na estrada! E o que gostei de ter sempre prioridade nos cruzamentos, rotundas e afins. Senti-me um verdadeiro atleta. Era sempre a abrir!
Confirmou-se, Granfondo cancelado. Eh pá, não! (Sim!) Pronto, paciência. Vá, tudo a subir Santa Bárbara que é para desgastar os bolos do abastecimento. De repente, vejo incrédulo uma placa de perigo! Perigo? Qual perigo? Devem ter-se enganado no sentido do percurso! Não senhor, «Perigo de ficar a pé!» Se a ideia da organização era desanuviar os concorrentes e fazê-los rir, mesmo tendo em conta as circunstâncias, parabéns. Só posso falar por mim, mas funcionou. E não, não fiquei a pé... os bolos às vezes fazem milagres!
O quê? Outra vez o quarteto? Sim. Ao contrário de mim, eles não eram fãs dos abastecimentos. Lá fui. Passei por um outro colega, mas também prossegui sem ele. Estava fortíssimo (risos)! Muito bem, setas a apontar para a direita e aqui o menino de forma intuitiva (e parva) segue em frente. O colega ainda berrou lá detrás para alertar, mas nem mesmo assim me apercebi logo do erro, até porque lá ao fundo via outro ciclista (se calhar nem estava em prova?!). Espera lá, um cruzamento sem polícia, o polícia está ali em cima e o colega que tinha passado e que berrou já ali estava também. Processei rapidamente toda a informação e… «merd@, enganei-me!» Ainda se fosse um erro para meu benefício, mas não. Mais uns preciosos segundos perdidos e a minha vida de atleta a andar ainda mais para trás! Pronto, vamos lá. Admitir a parvoíce, corrigir a trajetória, passar novamente pelo colega (de fininho) e seguir em frente fazendo de conta que não aconteceu nada. No fim, agradeci-lhe a atenção de me ter chamado à atenção…
(Continua!)

02.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 2)


Rui Pereira

(Continuação!)
Quem é que disse que lá atrás as coisas também não podem ser entusiasmantes, hein?
Partindo do princípio que este relato está a ser (muito) empolgante, vamos lá continuar.

Estava então todo contentinho porque íamos começar a descer, por lapso de memória ou pura ignorância, já que esta não é propriamente uma descida tranquila, então considerando as condições, pior. O meu colega desce bem e eu também tenho a mania que o faço, portanto era ir com ele. A certa altura e perante um casal que seguia a par à nossa frente, o avanço que ele levava permitiu ultrapassar-lhes sem problemas, mas com a aproximação de uma curva e sem visibilidade, fui obrigado a abrandar e manter-me atrás deles até ter as condições mínimas de segurança para o fazer. Foi o suficiente para nunca mais vê-lo! Aliás, vi-o, no abastecimento! Depois de descer sempre sozinho e de atravessar “ribeiras” sozinho também. Sim, ribeiras, quase como no BTT, ali a atravessar em vários pontos o caminho das Arribanas. Acho que a partir daí as mudanças nunca mais entraram como antes…
Eu sei, atleta que é atleta não para nos abastecimentos, mas eu como só sou atleta nos relatos, parei. E comi e bebi sem pressas. Mas também não me sentei a apreciar as vistas, até porque não havia muito para ver. Agora sim, nunca mais vi o meu colega, só depois da meta e não foi por causa do nevoeiro! Mas calma, tinha a hipótese de prosseguir com outros dois colegas, tanto que arranquei de biscoito na boca e até pedalei forte com o vento e a inclinação favoráveis para me adiantar, já prevendo não ter pernas para eles quando as circunstâncias passassem a desfavoráveis. Acho que eles entenderam isso como um desafio e nem me deram hipóteses de os acompanhar um metro que fosse! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos… por causa do vento! Aliás, já na descida acho que tinha acontecido, só que fiquei confuso com tantos fluidos na cara - água, lágrimas, suor, saliva, ranho…
Daí até ao segundo abastecimento sempre como um triste por lá fora. Os meus colegas teimavam em largar-me, mas o vento não, sempre fiel, sim senhor. Até me dava safanões, não fosse eu adormecer em andamento. Ah, uma coisa importante, foi durante o “lanche” que surgiu a informação que poderia não haver Granfondo e aí vi logo a minha vida de atleta a andar para trás. Toda uma gestão para a prova grande! Mentira, vi-me foi logo a chegar a casa mais cedo! Também é mentira, confesso que fiquei assim um bocadinho dececionado, mas não mexeu tanto comigo como o vento, até porque a informação ainda carecia de confirmação…
(Continua!)

01.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 1)


Rui Pereira

granfondo_acao.jpg
Imagem: Seg-mento Bike Team

 

Uma vez que nunca serei um atleta a pedalar as minhas bicicletas, pelo menos vou tentar ser um “atleta” a relatar a minha “prova” efetivamente. A escrever posso ser o que quiser. Este relato é apenas a minha perspetiva. Posso pontualmente fazer uso do humor e da ironia, mas qualquer semelhança com a realidade não é necessariamente pura coincidência. Faço referência a outros intervenientes que optei por não identificar exatamente, porque uns gostam, outros não gostam, uns levam na boa, outros a mal, e não tenho paciência para mal-entendidos.

Esclarecimentos feitos. Bicicleta montada. Sapatos encaixados. Vamos a isso!

Acordei cedo, nem precisei do despertador e logo tratei de aliviar cenas internas… muita informação? Pois. Bom, pequeno-almoço reforçado, juntar as tralhas todas e instalar a bicicleta no suporte do carro. Chegamos cedo ao local onde estava sediado o evento e de onde se daria a partida. Estava calmo, apenas um pouco apreensivo pela novidade. Depois de calçar os sapatos e as capas, e meter o capacete, uma breve volta na bicicleta para as verificações finais e então ocupar um lugar na “caixa” (eu sei que é “box”, mas não gosto de estrangeirismos!) a aguardar a largada. Os primeiros quilómetros foram controlados e serviam como aquecimento, mas logo aí vi que se calhar o melhor que tinha a fazer era juntar-me ao entrosado quarteto que, entretanto, passava por mim. E foi com eles que segui, sempre sob as instruções do chefe de fila, que vigorosamente, ora verbalizava, ora gesticulava estratégias. A nós juntou-se um outro colega. O ritmo não era modesto, tanto que alguém do grupo disse algo do género, «a esse ritmo vamos é fazer o Medio!» Devia estar adivinhando.
Já a subida da Vista do Rei ia longa, sob excelentes condições atmosféricas, quando me descolei do grupo, já que o andamento perdeu alguma consistência, tendo seguido no encalço do outro colega que já o tinha feito. - Ah, uma pequena nota: não é boa ideia comer uma barra compacta e viscosa enquanto se faz uma subida que exige todos os orifícios disponíveis para manter o fluxo de ar necessário! - Só o apanhei depois do miradouro, que nem vi, tal era a visibilidade. - Alguém no decorrer da subida falou em fotografias?! - Canário aqui vamos nós e aquilo nada de acabar. As placas informativas disponibilizadas pela organização ainda chateavam mais. Atenção, eram úteis, mas ao mesmo tempo cruéis, obrigando-nos a constatar o quão rápido íamos. Ia sempre a reclamar, até porque daquele local tenho muito poucas referências, quando o meu companheiro diz: «Rui, falta 1km.» Boa, vamos descer! - pensei eu...
(Continua!)