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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Aos pedais!

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

A encantadora!

Um dos problemas de ter várias bicicletas é que em determinado momento existem algumas delas que vão estar mais paradas do que seria desejável.
A minha Globe Roll é uma daquelas bicicletas que, pelas suas caraterísticas, não permite uma utilização muito abrangente, até pelo contrário, exigindo condições específicas. Não é bicicleta para voltas muito longas, nem muito desafiantes ao nível do percurso e das suas diferenças de altimetria.
É, por isso mesmo, uma das mais relegadas ao suporte…
Mas quando decido que está na hora de lhe levar para a estrada, depois daquele primeiro embate motivado pela falta de velocidades, pelo seu carreto fixo, pela ausência de travão traseiro, é das bicicletas que mais me dá prazer!
O facto é que nem sei explicar bem porquê, até porque são alguns constrangimentos e outro tanto de agressividade, e masoquismo não é muito a minha onda…
Julgo que palavras como diferença e desafio podem fazer parte da equação e do encanto. Sim, encanto. Esta bicicleta tem esta capacidade sobre mim…
A mais pura. A mais simples. A mais encantadora!

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Pedais de encaixe

Tinha acabado de reentrar no mundo do ciclismo, com a compra da Hardrock, quando, numa conversa sobre pedais, ouvi da parte de uma pessoa conhecedora e conhecida no meio que, já não sabia andar de bicicleta sem pedais de encaixe!
Na altura, do alto da minha ignorância e do meu estatuto de novato, pareceu-me que a pessoa em causa estava a armar-se, e consequentemente, a remeter-me ainda mais para a minha insignificância.
Uma semana depois da compra estava a estrear os tão badalados pedais de encaixe!
Hoje, sou eu quem faz a mesma afirmação, a quem procura a minha opinião, sobre os ditos pedais. Aliás, só não os uso em ambiente urbano, por questões práticas e porque as distâncias percorridas não o justificam.
Tão óbvios, mesmo para alguns/algumas que juraram a pés juntos que jamais os teriam presos à bicicleta…
Ontem foi dia de mais uma estreia. Os meus Shimano, atualmente sem uso, saíram do armário para serem instalados numa bicicleta. Uns engates normais, até porque estamos a falar de encaixes. Mas correu bem. E aquela satisfação habitual advinda da superação e de que afinal não é assim tão complicado como se tinha imaginado. E os elogios…
“Eh pá, isso não tem nada a ver. Que diferença!”

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Imagem: Shimano

Ai se ele cai

Dizer que as bicicletas são perigosas não está certo. É injusto. Correm-se alguns riscos, mas não mais do que em outras atividades. Sendo uma atividade que envolve equilíbrio, velocidade e circulação na estrada é preciso algum cuidado, claro. Já me magoei bastante a jogar (brincar ao…) futebol… e gosto pouco de futebol. De bicicleta já ando há uns anos, já caí algumas vezes, mas nunca me magoei a sério. Azar? Sorte? Não sei, mas também não interessa, que assim continue.
As crianças normalmente correm mais riscos, à sua dimensão é certo, mas o facto é que são menos cuidadosas e conscientes. Por isso é imperativo acompanhamento parental e material adequado para uma normal evolução sem grandes sobressaltos. Já assisti a muitas quedas do meu filho, umas mais aparatosas do que outras, mas até agora sem grandes consequências. Houve uma que me fez pensar, mas para a frente é que é caminho.
Já passou por várias bicicletas e outras tantas fases. Já foi para todo o lado com ela, já a esqueceu a favor de outras coisas, já quis fazer provas. Prefere a terra ao asfalto e as descidas às subidas, e até ao plano! Está numa de, ocasionalmente, se divertir sem se sacrificar muito! Eu compreendo e acompanho. Também gosto de fazer três ou quatro passagens no mesmo local e regressar, mesmo um bocadinho chateado por ter sujado a bicicleta e o equipamento por tão pouco (quantidade não é qualidade!)…
Às vezes assusto-me com o seu excesso de confiança e à vontade, e com o que é capaz de fazer… A mãe nem se fala! Outras vezes rio-me. E alerto-lhe para rolar com cautela em locais que desconhece e nas vias públicas, para estar desperto para situações e reações imprevistas, para usar os dois travões em vez de apenas o traseiro. Percebo que a maior parte das vezes não me esteja realmente a ouvir, faz parte. Tal como faz parte aprender da pior maneira, por não me ter dado ouvidos.
Proporciono-lhe condições para andar, dentro das minhas limitações, e passo-lhe as ferramentas que podem minimizar os danos. Mas percebo que existem inevitáveis. Que faz parte desafiar, arriscar e querer ir mais além. E cair. Preocupo-me, não quero que caia, nem que se magoe. Sei que ele também não, mas, às vezes, "distrai-se"…

Novo ano, nova época. Nova atitude?

Antes de mais, fica já dito que não gosto de resoluções de ano novo, tanto que acho que se deviam chamar de ilusões*.
Neste caso não são propriamente, nem resoluções, nem de ano novo, mas sim de novas ideias para encarar certa parte da época de ciclismo em 2018. Ideias baseadas numa atitude mais aberta que no fundo se resume em aumentar a utilização das minhas bicicletas assumindo uma dinâmica diferente, quer individualmente, quer em família, com saídas mais frequentes e relevantes, e uma maior participação em eventos organizados, excluindo os que representem aquela vertente da competição pura e dura. Passeios em geral e provas abertas como os “granfondo” na vertente de estrada, e as resistências e maratonas na vertente btt são aquelas que, pelas suas caraterísticas, reúnem a minha preferência.
Como o dinamismo (ou a falta dele) funciona em espiral e estende-se para outros departamentos da nossa vida, e pela forma óbvia como estão intimamente ligados, é previsível que a escrita e o blogue venham a sofrer positivamente com isso, nem que seja pela quantidade, com a maior abundância de assuntos a abordar.
Para já vou voltar a filiar-me na Federação Portuguesa de Ciclismo, na vertente “Ciclismo para Todos” - CPT, mas desta vez na opção “Família”, já que no computo familiar as pedaladas tendem a equilibrarem-se. E quero aproveitar para pedalar no decorrer destes dias de festa que se aproximam, últimos deste ano, também para compensar os excessos alimentares próprios da altura. E, já na manhã do primeiro dia do novo, conto subir ao Pico da Barrosa (a tradição é para manter) e ver lá de cima a Lagoa do Fogo (se o tempo permitir, o que raramente acontece neste dia)!
A época de 2017 já acabou, mas o ano não, portanto, é continuar a empreender cada vez mais a atitude que decidi ter nos últimos meses, no que toca à minha relação com o ciclismo e as bicicletas, com a sustentabilidade necessária para que flua naturalmente no tempo…

 

*Ilusões de ano novo!
Começa mais um ano, cumprem-se os mesmos rituais, repetem-se os mesmos comportamentos de sempre. Fazem-se balanços do ano anterior e traçam-se projetos para o novo ano. Fazem-se promessas de mudança. Há quem deixe de fumar, quem deixe de beber bebidas alcoólicas, quem passe a comer melhor, quem comece a ler um livro. A afluência aos ginásios aumenta…
Não acredito nestas mudanças repentinas e circunstanciais. As suas bases são frágeis e pouco sustentáveis. Não existe preparação nem planeamento, por mais simples que sejam. Não existe vontade genuína. E na sua esmagadora maioria, os resultados destas mudanças são nulos!
A época que precede a passagem de ano é propícia a inúmeros estímulos e exageros alimentares (e não só), o que também justifica esta tendência. O pior é que esta tendência desculpabiliza-nos e dá-nos carta-branca para exagerar à vontade, pois a nossa convicção é que daqui a dias tudo irá mudar.
Compreendo que se queira uma referência, um marco que simbolize a nossa mudança de comportamentos. Habituamo-nos a encontrar esta referência no começo de um novo ano civil. Para mim, e na necessidade de se arranjar um dia, faz mais sentido referenciar o dia do nosso aniversário, porque este sim, marca verdadeiramente o começo de um novo ano na nossa vida!
De qualquer forma, o que está em causa é que as intenções de mudança de ano novo, por impulso e de um dia para o outro, normalmente não passam disso mesmo, de intenções. E as intenções, mesmo que boas, sem serem seguidas da ação, tal como da sua continuidade, de pouco servem!
Outro comportamento, algo ingénuo e ainda menos duradouro, é achar que com a chegada do novo ano tudo irá mudar, só por isso! Até existe uma certa pressa para que o ano velho acabe, com a ilusão que é a partir daí que começam as surgir as nossas novas oportunidades. Esta sensação ilusória é capaz de se manter durante o primeiro dia do ano, talvez por ser feriado, mas depois… depois não muda nada, claro… depois vem a realidade!
Não tenho nada contra a entrada de um novo ano civil, mas não deixo de achar toda a euforia em volta disso, algo despropositada. Agora sou realmente contra a nossa tendência para atribuir responsabilidade aos acontecimentos, de coisas que sabemos perfeitamente que dependem de nós, estejamos no início, a meio ou no fim do ano!
Rui Pereira, 03 janeiro 2014

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 4)

(Continuação!)
Ufa! Esta relato está tão descritivo e realista (e comprido) que até estou a ficar cansado. Ah não, se calhar é porque vim agora de uma volta de bicicleta. Seja como for, estamos na reta final.

Estava determinado a compensar o atraso da asneira feita, só que fui traído por uma dor na perna direita. O que a nossa mente inventa quando está desocupada! Bastou a primeira distração e nunca mais senti dor nenhuma. Continuei. Descer a Duarte Borges sem preocupações é outra coisa. Agora era ir a rolar até à meta, altura em que me cruzei com alguns participantes que já tinham finalizado e já estavam de regresso. Bom sinal, presumindo que, por exemplo quem vinha de automóvel, já tinha trocado de roupa, acondicionado a bicicleta e respetivo equipamento, almoçado, trocado bitaites com os colegas, feito a sesta, trocado sms com a cara-metade, e eu ainda estava a caminho…
Finalmente… cheguei! Fui recebido com um «está feito!» na meta e mais à frente com uns «parabéns» da parte de uma menina que me decorou o peito com a medalha de participação (Eu sei, “finisher”, mas já não disse que não gosto de estrangeirismos?). Uma coisa é certa, a medalha foi muito bem conseguida. Até estava meio preocupado não fosse sujá-la, uma vez que tinha a roupa bastante seca e limpa, como se pode imaginar.
Lá estava o meu colega. O tal da descida do Canário. Breve troca de palavras, busca de um local seguro para encostar a bicicleta (vi para lá algumas que caíam que nem tordos!) e aguardar a vez na fila para o frango (e fofa) do almoço volante. (Porquê volante? Fui pesquisar ao Priberam e uma das definições do adjetivo é “que cada qual come onde quer”. Esclarecido!)
De repente dei por mim a consultar a lista das classificações… Porquê? Não sei. Peço desculpa.
E fico-me por aqui... Apenas acrescento que o nível de satisfação motivado por este evento ciclístico fica patente no número de palavras que dediquei ao mesmo.

Domingo à noite em casa.
- Se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou fazer o percurso do Granfondo, respondia logo que ia fazer o Granfondo!
Ao que obtenho como resposta:
- E se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou ficar todo o dia em casa a fazer comida (nota: não é exatamente uma atividade de eleição), respondia logo que ficava em casa!
?!... Mas isso não tem nada a ver - pensei para mim…

Até para o ano (espero eu)!

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Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 3)

(Continuação!)
Prossegui então a aguardar confirmação do cancelamento. Entretanto, cruzei-me novamente com o entrosado quarteto do início, mesmo quase à porta de casa, mas desta vez apenas de passagem. Não querendo parecer ingrato, estava a sentir-me bem, daí ter mantido o meu ritmo. Objetivo? Chegar depressa ao segundo abastecimento. Fiquei fã. Este tinha uma mesa bastante mais composta, tanto que fiquei meio sem saber o que comer! Mas antes disso, vamos lá merecer o dito. Lançado em direção à Ribeira Seca, avisto um polícia junto à rotunda que me faz sinal para subir. E riu-se. Muito bem, um agente especialmente simpático, mas mal dobrei a esquina, percebi. Era uma verdadeira parede de vento que só visto! Toca de desmultiplicar a transmissão e só não me deitei sobre a bicicleta porque não me dá muito jeito pedalar nesta posição. Por falar em polícias, forte contingente policial na estrada! E o que gostei de ter sempre prioridade nos cruzamentos, rotundas e afins. Senti-me um verdadeiro atleta. Era sempre a abrir!
Confirmou-se, Granfondo cancelado. Eh pá, não! (Sim!) Pronto, paciência. Vá, tudo a subir Santa Bárbara que é para desgastar os bolos do abastecimento. De repente, vejo incrédulo uma placa de perigo! Perigo? Qual perigo? Devem ter-se enganado no sentido do percurso! Não senhor, «Perigo de ficar a pé!» Se a ideia da organização era desanuviar os concorrentes e fazê-los rir, mesmo tendo em conta as circunstâncias, parabéns. Só posso falar por mim, mas funcionou. E não, não fiquei a pé... os bolos às vezes fazem milagres!
O quê? Outra vez o quarteto? Sim. Ao contrário de mim, eles não eram fãs dos abastecimentos. Lá fui. Passei por um outro colega, mas também prossegui sem ele. Estava fortíssimo (risos)! Muito bem, setas a apontar para a direita e aqui o menino de forma intuitiva (e parva) segue em frente. O colega ainda berrou lá detrás para alertar, mas nem mesmo assim me apercebi logo do erro, até porque lá ao fundo via outro ciclista (se calhar nem estava em prova?!). Espera lá, um cruzamento sem polícia, o polícia está ali em cima e o colega que tinha passado e que berrou já ali estava também. Processei rapidamente toda a informação e… «merd@, enganei-me!» Ainda se fosse um erro para meu benefício, mas não. Mais uns preciosos segundos perdidos e a minha vida de atleta a andar ainda mais para trás! Pronto, vamos lá. Admitir a parvoíce, corrigir a trajetória, passar novamente pelo colega (de fininho) e seguir em frente fazendo de conta que não aconteceu nada. No fim, agradeci-lhe a atenção de me ter chamado à atenção…
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 2)

(Continuação!)
Quem é que disse que lá atrás as coisas também não podem ser entusiasmantes, hein?
Partindo do princípio que este relato está a ser (muito) empolgante, vamos lá continuar.

Estava então todo contentinho porque íamos começar a descer, por lapso de memória ou pura ignorância, já que esta não é propriamente uma descida tranquila, então considerando as condições, pior. O meu colega desce bem e eu também tenho a mania que o faço, portanto era ir com ele. A certa altura e perante um casal que seguia a par à nossa frente, o avanço que ele levava permitiu ultrapassar-lhes sem problemas, mas com a aproximação de uma curva e sem visibilidade, fui obrigado a abrandar e manter-me atrás deles até ter as condições mínimas de segurança para o fazer. Foi o suficiente para nunca mais vê-lo! Aliás, vi-o, no abastecimento! Depois de descer sempre sozinho e de atravessar “ribeiras” sozinho também. Sim, ribeiras, quase como no BTT, ali a atravessar em vários pontos o caminho das Arribanas. Acho que a partir daí as mudanças nunca mais entraram como antes…
Eu sei, atleta que é atleta não para nos abastecimentos, mas eu como só sou atleta nos relatos, parei. E comi e bebi sem pressas. Mas também não me sentei a apreciar as vistas, até porque não havia muito para ver. Agora sim, nunca mais vi o meu colega, só depois da meta e não foi por causa do nevoeiro! Mas calma, tinha a hipótese de prosseguir com outros dois colegas, tanto que arranquei de biscoito na boca e até pedalei forte com o vento e a inclinação favoráveis para me adiantar, já prevendo não ter pernas para eles quando as circunstâncias passassem a desfavoráveis. Acho que eles entenderam isso como um desafio e nem me deram hipóteses de os acompanhar um metro que fosse! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos… por causa do vento! Aliás, já na descida acho que tinha acontecido, só que fiquei confuso com tantos fluidos na cara - água, lágrimas, suor, saliva, ranho…
Daí até ao segundo abastecimento sempre como um triste por lá fora. Os meus colegas teimavam em largar-me, mas o vento não, sempre fiel, sim senhor. Até me dava safanões, não fosse eu adormecer em andamento. Ah, uma coisa importante, foi durante o “lanche” que surgiu a informação que poderia não haver Granfondo e aí vi logo a minha vida de atleta a andar para trás. Toda uma gestão para a prova grande! Mentira, vi-me foi logo a chegar a casa mais cedo! Também é mentira, confesso que fiquei assim um bocadinho dececionado, mas não mexeu tanto comigo como o vento, até porque a informação ainda carecia de confirmação…
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 1)

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Imagem: Seg-mento Bike Team

 

Uma vez que nunca serei um atleta a pedalar as minhas bicicletas, pelo menos vou tentar ser um “atleta” a relatar a minha “prova” efetivamente. A escrever posso ser o que quiser. Este relato é apenas a minha perspetiva. Posso pontualmente fazer uso do humor e da ironia, mas qualquer semelhança com a realidade não é necessariamente pura coincidência. Faço referência a outros intervenientes que optei por não identificar exatamente, porque uns gostam, outros não gostam, uns levam na boa, outros a mal, e não tenho paciência para mal-entendidos.

Esclarecimentos feitos. Bicicleta montada. Sapatos encaixados. Vamos a isso!

Acordei cedo, nem precisei do despertador e logo tratei de aliviar cenas internas… muita informação? Pois. Bom, pequeno-almoço reforçado, juntar as tralhas todas e instalar a bicicleta no suporte do carro. Chegamos cedo ao local onde estava sediado o evento e de onde se daria a partida. Estava calmo, apenas um pouco apreensivo pela novidade. Depois de calçar os sapatos e as capas, e meter o capacete, uma breve volta na bicicleta para as verificações finais e então ocupar um lugar na “caixa” (eu sei que é “box”, mas não gosto de estrangeirismos!) a aguardar a largada. Os primeiros quilómetros foram controlados e serviam como aquecimento, mas logo aí vi que se calhar o melhor que tinha a fazer era juntar-me ao entrosado quarteto que, entretanto, passava por mim. E foi com eles que segui, sempre sob as instruções do chefe de fila, que vigorosamente, ora verbalizava, ora gesticulava estratégias. A nós juntou-se um outro colega. O ritmo não era modesto, tanto que alguém do grupo disse algo do género, «a esse ritmo vamos é fazer o Medio!» Devia estar adivinhando.
Já a subida da Vista do Rei ia longa, sob excelentes condições atmosféricas, quando me descolei do grupo, já que o andamento perdeu alguma consistência, tendo seguido no encalço do outro colega que já o tinha feito. - Ah, uma pequena nota: não é boa ideia comer uma barra compacta e viscosa enquanto se faz uma subida que exige todos os orifícios disponíveis para manter o fluxo de ar necessário! - Só o apanhei depois do miradouro, que nem vi, tal era a visibilidade. - Alguém no decorrer da subida falou em fotografias?! - Canário aqui vamos nós e aquilo nada de acabar. As placas informativas disponibilizadas pela organização ainda chateavam mais. Atenção, eram úteis, mas ao mesmo tempo cruéis, obrigando-nos a constatar o quão rápido íamos. Ia sempre a reclamar, até porque daquele local tenho muito poucas referências, quando o meu companheiro diz: «Rui, falta 1km.» Boa, vamos descer! - pensei eu...
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – De Granfondo a Mediofondo!

Devido às más condições atmosféricas, a organização viu-se obrigada a cancelar a distância maior, fazendo com que todos os participantes fizessem apenas os 85km da meia distância. Inicialmente e perante esta possibilidade fiquei algo dececionado, mas mais tarde e tendo em conta as condições adversas que se faziam sentir, julgo que foi uma opção sensata. Os 143km e o valor acumulado de 2600m, em contexto de evento desportivo com tempo favorável, já imponham bastante respeito, portanto não é difícil perceber como seria nestas condições. E mesmo por questões de segurança! Claro que fiquei sem saber se o ritmo e a gestão do esforço que vinha a fazer até então seriam condizentes ou não com o percurso grande? Como também não consegui perceber se estaria minimamente preparado para um desafio desta dimensão? Aferições para fazer noutras edições, já que espero que seja um evento a replicar. Agora que ninguém me ouve (lê) - este cancelamento, se calhar, veio mesmo em boa hora…

Azores Challenge Granfondo – A preparação!

Na sexta-feira, logo de manhã, estava na loja Shaker para confirmar a minha presença e levantar a minha placa numérica. Apesar de ouvir vozes neste sentido, nunca me passou pela cabeça não comparecer à partida, por causa das condições climatéricas que se previam adversas. Compromisso assumido é para cumprir, salvo motivo de força maior! Não era o caso.

 

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De preparação física estávamos conversados, tal como mencionei no texto anterior. Tenho apenas a acrescentar que na semana que precedeu o evento fiz treino localizado de pernas um dia, pedalei no rolo outro e descansei os restantes.
Estava mais preocupado com a logística e com as previsões meteorológicas?! Gosto desta logística que antecede as provas, mesmo que não haja muito a preparar. E gosto de pensá-la com calma e pôr-lhe em prática com antecedência. Já que tudo indicava estar de chuva (e vento!) achei que ia precisar de umas capas para os sapatos, que não estavam a ser fáceis de encontrar. Contraditoriamente, acabei por encontrá-las à última da hora e por preço de saldo. Sorte!

 

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Depois era o impermeável - Levo ou não levo? Não me dou bem com impermeáveis nem corta-ventos, mas pelo sim pelo não, levei. Não fez falta nenhuma, já que só o vesti para o almoço…
Também montei as luzes, não que fosse circular de noite (seria muito mau sinal!), mas a presença do nevoeiro era quase certa.
Entre isso tudo, mais o relógio, as barras proteicas, os óculos amarelos, o telemóvel, os lenços de papel, as “ferramentas”, entre outras coisas, e ia-me esquecendo da garrafa atrás. Caramba!
A bicicleta estava preparada há vários dias, bastou retificar a pressão dos pneus para os habituais 115 Psi.

Objetivo Granfondo

Participo pouco em eventos ciclísticos organizados. Pouco disponível para o compromisso, prefiro fazer as coisas de uma forma mais livre e descontraída, seguindo simplesmente a minha vontade.
Admito que com esta postura perco algumas oportunidades, não conseguindo beneficiar da envolvência, convívio, ambiente e novos percursos que alguns eventos oferecem.
Ouço muitas vezes colegas dizerem que são da estrada, que só fazem estrada, e eu, que sempre fui do BTT, também ando cada vez mais sobre o alcatrão, por força das circunstâncias.
Tenho a minha bicicleta de sonho (pena que os sonhos tendem a crescer à maneira que vão sendo concretizados!), que me dá um maior à vontade para outros voos, que é como quem diz, maiores distâncias e mais horas a pedalar.
Considerando tudo isso, resolvi inscrever-me no Azores Challenge Granfondo. Inicialmente a ideia era fazer a meia distância, para a qual levaria a minha Allez Steel. Depois ponderei e já que era para fazer, era para fazer em grande. Aqui a escolha recaiu na óbvia Roubaix.
Fiz a inscrição há cerca de um mês atrás e resumi mentalmente um plano para estar minimamente preparado. Basicamente consistia em andar de bicicleta com mais frequência e dar mais atenção às pernas na minha rotina de exercícios localizados. Depois de uma semana a correr bem, tive quase duas a padecer de uma constipação que parecia ter vindo com vontade de ficar.
Mesmo com este cenário menos favorável, tentei não perder o foco e pensar positivo. E de facto quando se tem um objetivo, coisas que até agora não faziam sentido passam a fazer. Perante as circunstâncias até recorri ao rolo de treino, coisa de que não gosto especialmente. Esta pseudopreparação tem como fim básico que as memórias desse evento sejam mais do que apenas o sacrifício!
Quero recordar esta minha participação pela singularidade de pedalar juntamente com mais de duas centenas de ciclistas, pelo companheirismo e entrosamento que possa eventualmente haver com alguns deles, pelas diferentes circunstâncias de rolar em estradas que individualmente não são propriamente novidade para mim, pela superação pessoal e boa gestão do esforço. Recordar que soube simplesmente aproveitar o momento…

Resumo da última semana…

 

Andar de bicicleta, nada! Constipação, mau tempo. Para pedalar qualquer coisa tive de recorrer ao rolo durante o fim de semana. Digamos que tenho tentado fazer as pazes, já que o rolo não é uma atividade que me entusiasme por aí além.

*“Tá fresquim!
Ma que o tempe já tá fresquim...
Isse já qué vesti uma suéra de manhã e à noutchinha.
Daqui pá frent é acátelá, senã um hôme num instante apanha um vent'incanade e fica constepade!"

Não necessariamente assim, mas aconteceu e tem persistido. E eu a ver os dias passar e o Azores Challenge Granfondo a chegar!

*“Dure c'mó açe
Às vezes gostava de sê de ferre c'má besuga.
Nã apanhá fri, nim ficá doente.
Péra aí, se calhá nã...
É que ódepous um hôme levava uma pancada d'água e ficava chê de ferruge!”

Se isso me tem afetado? Não, claro que não...
Tem e não é pouco. Tem, porque limita-me para além de todas as minhas outras normais limitações. E tudo o que implique limitação para andar de bicicleta e demais atividades físicas chateia-me um bocadinho!
E o Granfondo? O Granfondo vai ser um belo desafio. Belo? Se calhar não foi o melhor adjetivo, mas desafio será com certeza. Objetivo? Desfrutar e chegar ao fim em cima da bicicleta, com a capacidade de esboçar um sorriso, sinónimo de satisfação e superação. Estou a aguardar com a toda a serenidade possível.

*“A besuga tamam avareia
A besuga avareiou, grande corisca!
Ma tamam nã fou nada de maió.
Levou graxa pra dentre, um aperto e tá a andá com'uma linda.”

Também aconteceu e era bom que fosse assim tão fácil e económico!
Chão molhado debaixo da BTT. «Mas de onde veio esta água? Isso não é água! Isso é óleo!» Caramba, já é a segunda vez que o amortecedor me prega uma destas! Esta bicicleta é simultaneamente a que menos anda, a que dá mais despesa e a que mais chateia… Se calhar por ser a que menos anda! Não sei. Seja como for, tecnologias, bah…

*Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Ação e inação, voluntária e involuntária.

Em cima da minha bicicleta (e também fora dela) estou-me um bocado nas tintas para o que os outros pensam de mim e das minhas atitudes. A minha postura é normalmente consciente e pouco competitiva. Acho que cada um deve pedalar como quer ou pode, com a bicicleta que quer ou pode ter. Logo que seja cumprido o Código da Estrada e assegurada a nossa segurança e a dos restantes utilizadores existe margem para se encarar as bicicletas e o ciclismo como mais convier.
Mas também erro. Não nego que os despiques amigáveis até têm a sua graça e nas poucas oportunidades que tenho até alinho nos mesmos. Já aquilo que considero serem provocações desnecessárias evito. Não foi o caso e por duas vezes. Reações inconscientes da minha parte que tiveram tanto de parvas como de infantis. Não vai voltar a acontecer. A sabedoria popular arranjou expressões para cobrir uma série de situações, inclusive antagónicas. Neste caso, em vez de «não há duas sem três» prefiro evocar «o frade não leva três em capelo».

Escrevo de nariz tapado, com respetivo pingo, garganta irritada, cabeça pesada e algo abatido. Depois de duas noites mal dormidas. E razoavelmente frustrado. Primeiro, porque inscrevi-me recentemente no Azores Challenge Granfondo e fui obrigado a interromper as minhas pedaladas para fazer face a este desafio. Segundo, porque este fim de semana fartei-me de ver gente a pedalar e eu seguia ao volante do carro quando o que queria era estar aos comandos da bicicleta.
Sim, não é mais do que uma normal constipação associada à mudança de estação, mas que vem em má altura. Péssima! Sendo que no meu caso, mais do que o seu agravamento, o problema costuma ser a sua persistência. Claro que a primeira reação foi a de sentir-me um coitadinho num mundo que se virou literalmente contra mim. «É sempre a mesma coisa. Nunca participo em nada, mas agora que me inscrevi e começo a andar com mais regularidade com vista a ganhar alguma preparação, fico doente, e vai tudo por água abaixo!»
Claro que isso vai passar, mas até lá, e debilitado fisicamente, vivo o dilema – deixo de fazer exercício físico para não me debilitar ainda mais, mantenho ou reduzo a sua intensidade para não perder toda a forma, mesmo correndo o risco de arrastar a situação? Às vezes não é assim tão fácil perceber e o retorno de uma paragem forçada nem sempre é o esperado…
O meu plano de treinos simplesmente não existe, mas espero estar recuperado o mais depressa possível para voltar aos pedais e estar minimamente apto para percorrer os 143km do Granfondo e os desafiantes desníveis que o mesmo apresenta, e isso já no final desde mês (dia 28).

Furnas + Volta ao concelho de PDL

Hora prevista de saída – 07H00. Hora efetiva de saída - 07H30.
Chegou o dia!
Mesmo com boa parte da logística assegurada no dia antes, por forma a não haver desculpas nem atrasos, atrasei-me. Existem sempre coisas que não conseguimos controlar. Mas também não era meia hora que me iria desviar do objetivo. A Roubaix estava a postos.
A ideia era ir nas calmas e tentar focar-me nas várias etapas intermédias que compunham o percurso, em vez de ir ansioso com o alcançar do destino. Ir rolando e aproveitando etapa por etapa.
09H15 estava nas Furnas. Sair cedo tinha 2 razões – tentar escapar às piores horas de sol e calor, e não chegar demasiado tarde a casa. Pareceu-me que não ia ter sorte com a primeira… De resto, tudo dentro da normalidade. Paragem para atestar a garrafa e comer uma barra de cereais.
O próximo destino era Ponta Delgada e lá cheguei 2 horas depois. Entretanto, o Pisão já tinha ficado para trás. Custou-me, tanto que até tive de recorrer ao “ar forçado”, que é como quem diz, fecho da camisa aberto até lá baixo. Estava bastante calor. Bom, no centro da cidade mais uma paragem. Novo atestar da garrafa, outra barra e xixi.
Decorridas estavam quase 4 horas, mas sentia-me bem. Confesso que estava porreiro para seguir direto para casa! Só que o programa das festas ditavam mais umas horas, quilómetros e pedaladas pela frente. Ia para casa, sim, mas pela via mais longa. Era esse o compromisso. E assim foi.
Com o passar do tempo começava a acusar o cansaço e as respostas às solicitações, além de mais lentas, deixavam marcas. O cansaço era também psicológico. Se calhar mais do que físico até. Menos a parte do rabo dorido…
Fazer uma jornada destas, sozinho, tem as suas vantagens, mas a companhia nestas horas é fundamental para aligeirar as coisas. Distração e força mútua. Aquele apoio que faz a diferença.
Alterei ligeiramente a estratégia e agora as etapas estavam mais divididas. Ir traçando pequenos objetivos para alcançar o grande objetivo. Lá ia com mais ou menos dificuldade, sendo que já na costa norte da ilha, as coisas intensificaram-se. Aqui faltou-me mais um abastecimento. Da vila de Capelas para a frente não via a hora de chegar e já não tinha posição na bicicleta de tão maçado que estava.
Já na reta final tentei aguentar-me o melhor que podia, mas foram quilómetros de sofrimento. O cansaço era ampliado pelo calor e pela falta de água que entretanto acabara.
Cheguei esgotado, confesso. Mas… Dever cumprido. Ou melhor, desafio superado!
E acertei em cheio no tempo total da volta, 7 horas.
Hora prevista de chegada - 14H00. Hora efetiva de chegada - 14H30.

Grande volta, volta grande!

Na praia, em jeito de cumprimento um conhecido pergunta-me se tenho andado muito com a bicicleta nova. A minha resposta incluiu um vago, mas real «nem por isso», pois nessa altura andava em fase de abstinência forçada.
Daí iniciamos uma breve conversa, sobre bicicletas claro, onde ele, também com uma bicicleta nova, realçou o facto de querer fazer uma volta grande com ela, cobrindo todo o perímetro da nossa ilha (São Miguel). E que ainda não o tinha feito por manifesta falta de condições para o efeito.
Desde logo, esta troca de palavras motivou-me a pegar na bicicleta e tentar a minha sorte perante o meu problema físico, e depois…, a ideia da volta à ilha ficou!
Talvez um dia…
Numa das minhas idas às Furnas cruzei-me com alguém que tinha tirado o dia para fazer uma volta maior do que o normal, juntando a ida às Furnas com a volta ao concelho de Ponta Delgada.
Neste dia não estava para aí virado! Mas a ideia também ficou... Mais do que a volta à ilha, até porque numa primeira fase até servirá como indicador para a dita. Apesar de excluir o extremo leste da ilha, não deixa de ter uma dimensão considerável, que julgo rondar a centena e meia de quilómetros.
Ainda não tive vagar (nem coragem) para fazer isso, mas vai ter de ser!
Um dia falava com o meu colega de treino diário sobre um amigo que estava a mudar de hábitos alimentares e a ter resultados positivos, mas que preferia guardá-los para si, e ele disse-me que esta era uma forma de ele não se comprometer perante si e os outros.
Certíssimo!
Por isso mesmo é que estou aqui a falar destas ideias de voltas grandes, perante a minha vasta audiência (2 ou 3 pessoas!), que é da forma que me comprometo a levantar da cama num domingo às 06H30, para às 07H00 estar a saltar para cima da bicicleta, para aí ficar algumas (muitas) horas a esforçar-me fisicamente. Sujeito às inclemências das nossas instáveis condições meteorológicas e à irregularidade da nossa orologia. A chamar nomes feios a mim e à bicicleta. A pensar onde estaria com a cabeça quando me meti nisso. A sonhar acordado com comida, com destaque para as frutas e doces. A ver-me deitado no sofá!
Bem, ainda estou “longe” de me meter nesta empreitada (Furnas/Volta Concelho PDL)  e já estou arrependido de me estar aqui a “comprometer”!
Ou se calhar não…

Espiral de pedaladas

Nos últimos tempos, as minhas saídas de bicicleta tiveram como denominadores comuns o facto de serem algo irregulares, começarem tarde e serem essencialmente curtas. Este ano tenho vindo a alterar isso e a tirar outro prazer das distâncias e dos meus passeios em geral. Tenho-me proposto uma série de desafios, que para alguns pouco representam, mas que para mim, e há poucos meses atrás, estariam completamente fora de questão. A este facto, também não será alheio o meu regresso a um blogue temático, já que uma coisa leva à outra…

Isso das bicicletas é algo muito abrangente!

A sua amplitude é tanta que podemos ter em cima de uma bicicleta uma pessoa sedentária que se limita a sair com ela num bonito dia de sol, para dar uma curta volta à beira mar, e que mesmo assim eleva o seu ritmo cardíaco para lá do que é habitual, como também um atleta de alta competição 100% dedicado, que monta a sua bicicleta para treinar e competir como se não houvesse amanhã, e encara aquela "parede" impressionante como se fosse apenas mais uma chata reunião de trabalho!
E entre estes dois extremos ainda existem tantas diferenças, sejam físicas e técnicas, sejam de atitudes e formas de estar, que só quem está relativamente dentro do meio é que consegue alcançar!
Só para dar um exemplo, para vários familiares e amigos sou um gajo que exagera, que pedala demais, quase obcecado, quando na realidade o que faço, comparando com muita boa gente que por aí anda, é simplesmente ridículo!
E quem fala em número de quilómetros percorridos e na rapidez com que se fazem, fala na capacidade técnica de outros, que se atiram montanha abaixo ultrapassando todo o tipo de obstáculos a velocidades loucas, como se de uma rampa lisa se tratasse!
(Este texto está carregado de pontos de exclamação porque de facto as diferenças assim o exigem!)
Toda esta diferença que estou aqui a tentar explicar é visível mesmo sem fazer comparações com os outros. A mesma pessoa pode cavar um fosso tão grande entre aquilo que era e aquilo que é, logo que pedale com a determinação e a regularidade necessárias!
Dando mais uma vez o meu exemplo, quando voltei a andar de bicicleta fazia-o normalmente uma vez por semana, ao domingo, a partir do momento em que comecei a fazer “Indoor Cycling” no ginásio (3 vezes por semana), em pouco tempo a minha capacidade para pedalar passou a ser muito superior!
É certo que seria expetável, embora de uma forma mais gradual. Mas há ainda outro facto curioso. O meu ritmo era diferente, mas não tão diferente como um companheiro de pedaladas que com a mesma regularidade, em vez de fazer “Cycling” saía efetivamente para pedalar com a sua bicicleta!
De facto, existem muitas variantes e nuances que podem fazer e fazem a diferença, desde logo com a genética e a aptidão natural à cabeça. Gostar é essencial, tal como ter a capacidade psicológica para manter permanentemente o foco num determinado objetivo, apesar de todas as condicionantes e dificuldades, fazendo tudo para o conseguir atingir!
Há muito tempo que digo que a palavra-chave no ciclismo é desafio. Nesta equação não gosto da palavra sacrifício, mas como é óbvio, está implícita. Agora pode é ter vários níveis. E é normal que quanto mais se consiga suportar mais longe se chegará, se for este o desafio que se tenha decidido aceitar!
Mas a bicicleta como veículo democrático que é, e com todas as suas diferenças intrínsecas, continuará a aceitar, de igual forma, todos os que a queiram montar, sejam representantes dos extremos inferior e superior, sejam representantes de um tão vasto meio que esses mesmos extremos encerram!

A moda das bicicletas

Há quem me garanta que isto não passa de uma moda passageira.
Na realidade, a mudança de paradigmas assentes numa base sustentável, onde o modo de vida saudável associado ao estímulo físico, ao contato com a natureza e consequentemente ao ambientalismo, permitem tal situação.
É normal que a influência recrute novos praticantes, até porque, é legítimo que cada um de nós queira estar associado a algo benéfico, seja ao nível pessoal, seja ao nível social, mas também não é de estranhar que rapidamente sejamos tomados pelo entusiasmo, já que é uma modalidade que tem tanto de positiva, como de apelativa.
Ainda que a vertente utilitária da bicicleta (praticante inexistente) esteja condicionada sobretudo devido a uma fortíssima mentalidade agarrada a um misto de preconceito e comodismo, muito difícil de combater, por outro lado, seja na sua vertente mais pura, ciclismo de lazer, ou na vertente mais elitista, ciclismo de competição, ou até na fusão de ambas, nas suas variantes BTT/Estrada/Fitness, cada um assume a posição que melhor lhe convém, cria expetativas, concretiza desafios.
Desafio. É uma palavra-chave quando se fala em ciclismo. É esta constante que mantém a motivação, que nos faz continuar e ir mais além, independentemente da amplitude dos nossos limites.
É uma moda? Pois que seja, mas tenho a certeza que esta veio para ficar, e ainda bem.

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