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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

02.09.21

Sete Cidades Fixed-Gear


Rui Pereira

Adivinhando o abrandar do ritmo, natural em período de férias, recorri mais uma vez aos préstimos da bicicleta de carreto fixo para me superar e quebrar mais umas quantas barreiras.
Desta feita foi uma espécie de volta ao concelho via Sete Cidades. E assim, ficou fechado o circuito de visitas às nossas principais lagoas: Furnas; Fogo e Sete Cidades.

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Se recuar uns anos, quando achava a “fixed-gear” demasiado limitada, era impossível sequer pensar fazer algo do género. Tanto que, várias vezes e em voltas corriqueiras, até me arrependi de a ter comprado.
Em outros testemunhos da saga referi que a parte mental foi, é e será sempre determinante para a concretização destes objetivos. Isso foi novamente confirmado e, da pior maneira. Desta vez senti muito mais dificuldades, em boa parte por não estar cem por cento alinhado.
Sim, estava calor e o percurso era relativamente grande, tal como o diferencial de altitude. É verdade que já tinha passado mais horas sobre a bicicleta e subido mais nas voltas anteriores, mas também é provável que esta consiga juntar estas razões de forma mais efetiva. Ou então é apenas a minha perceção, já que não disponho de dados precisos para o efeito.

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O certo é que enquanto subia para a Vista do Rei passou-me pela cabeça dar meia volta e regressar. Mais do que uma vez… mas lá fui.
Nunca cheguei a sentir um grande entusiasmo, algo que aconteceu anteriormente mesmo perante consideráveis dificuldades e, então, recorri ao básico passo a passo, no caso, pedalada a pedalada, com a decomposição do grande objetivo em outros mais pequenos para mais fácil concretização.
Até parece que estava cheio de estratégias, não parece? Nada disso, foi apenas o meu instinto de sobrevivência em ação!
Plano, sobe e desce, desce e sobe, plano – aqui fica o resumo do percurso!
No fim, aquela mistura de cansaço com satisfação e o reforço da minha ligação a estas bicicletas tão especiais.

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E agora?
Tenho dado uma voltas mais básicas, por acaso, de carreto fixo... vai-se lá saber porquê. Bom, agora... vou ver se começo a dar mais uso às minhas bicicletas com mudanças!

23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

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O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

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Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...

24.07.20

Mudança única e carreto fixo! (2)

Globe Roll 01 - Seis anos depois


Rui Pereira

Uma grande superfície ligada ao desporto tinha na montra uma fixie, soube por um colega. Andava há muito tempo a “estudar” a compra duma. Ao final do dia fui vê-la. Não era uma maravilha, mas em compensação era barata. Ponderei.
Bicicletas do género não eram (nem são) nada fáceis de ver por cá. Também achei não ser razoável fazer muito investimento, porque havia sempre a possibilidade de não me adaptar. A compra à distância deixou de ser opção, e assim, tinha registada a Globe Roll 01 disponível na minha loja de referência. Mas, ainda era cara. Não perdia nada em saber se me conseguiam fazer melhores condições de aquisição antes de tomar uma decisão. Fizeram.
A opção da grande superfície ficou posta de lado e no dia seguinte de manhã, um sábado, estava na loja para levantar a Globe. Entusiasmado e apreensivo. O normal, portanto.
Já lá vão 6 anos. O decorrer do tempo já mostrou diferentes níveis de proximidade e interação, diferentes configurações, entre fixed-gear e singlespeed, e pouca personalização, sendo que a última e mais relevante foi a troca do guiador original por um reto de maior dimensão. O certo é que nunca tive tão próximo desta bicicleta e do seu conceito como estou agora!
A Globe Roll 01 foi a minha janela de oportunidade, a minha porta de entrada num mundo novo, no que diz respeito às bicicletas. Um mundo que me diz muito e com o qual, cada vez mais, me identifico.
Tal como disse em 2014, aquando da sua compra, continuo a dizer com legitimidade e orgulho:


“My legs are my gears”

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21.07.20

Lagoa do Fogo!


Rui Pereira

Já não me lembrava da dureza da última secção do trajeto. E do quão irritantes podem ser as inúmeras placas azuis a anunciar o próximo miradouro a 200m, quando aquilo parece nunca mais ter fim…

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Ir de bicicleta à Lagoa do Fogo, mais concretamente ao topo da Serra de Água de Pau, é dos percursos mais intimidantes que temos por cá. A subida é dura e longa, e a descida rápida e intensa, tal como seria expetável. Determinação e concentração serão convenientes, quer numa quer noutra. Por outro lado, é um trajeto igualmente apelativo. Pelo desafio, pela envolvência ambiental e paisagística. Pelo traçado e demais pontos de interesse associados. Pela introspeção permitida. É um sofrimento bom!
E toda esta realidade varia conforme o lado em causa. Se para mim o lado Norte não é propriamente um desconhecido, tanto a subir como a descer, ainda não me estreei numa subida pelo Sul. Dá para perceber que é diferente, resta saber quanto!
Não consigo expor dados relativos a distância total ou acumulado de altitude com precisão, mas acho que ao nível da competição recebe o pomposo título de montanha de 1ª categoria.
Curiosamente, ainda não tinha lá ido com a minha Roubaix. Aliás, há muito tempo que lá não ia... Antenas à vista lá no topo, tempo encoberto e relativamente fresco. Olhei para o cume, uma e outra vez, fui-me mentalizando para a subida à medida que me aproximava da entrada de acesso. Virei à direita e enquanto desmultiplicava a transmissão já sabia o que me esperava na próxima hora…
Para cima é que é caminho!

07.07.20

Fixies, skids, joelhos, presente, futuro!


Rui Pereira

Os meus joelhos ressentem-se dos skids
Mas é mais forte do que eu, agora que finalmente domino a manobra com mais à vontade e não resisto fazê-la. E não posso exatamente usar o argumento - necessidade, uma vez que para contrariar o movimento excessivo dos pedais à força de pernas conto com o auxílio do travão dianteiro.
Os meus joelhos também se ressentem desta mesma rotação elevada e da minha oposição…
Passa-me tanta coisa pela cabeça…
Não ter nem 20 nem 30 anos, que é o mesmo que dizer que devia ter-me dedicado mais cedo e que já tenho idade para ter juízo; ter de gerir as minhas mazelas e respetivas consequências; estar a desgastar pneu escusadamente.
Ou a memória é curta ou a atração é tão grande que nada é motivo para, domingo após domingo, não levar a fixed-gear para a estrada.
Quem anda de bicicleta sabe que a luta com a respetiva é uma constante. No caso de uma bicicleta tão peculiar a luta é ainda mais intensa, crua e visceral.
Será que o meu joelho esquerdo vai aguentar mais uma ou duas décadas disso? Não sei. Tenho consciência que é preciso alguma moderação e preservação, mas não vou deixar aquilo que tanto gozo me dá fazer em nome do incerto.
Assim, o certo é que (muito provavelmente) vou-me queixar do(s) joelho(s)...
Não é uma coisa boa, mas acho que existem piores. Como por exemplo, daqui a uns anos, estar sentado num sofá em frente à televisão, com os joelhos lixados na mesma, já sem poder andar de bicicleta, a pensar no quanto devia ter aproveitado hoje…

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26.03.20

Ficar em casa!


Rui Pereira

Hoje levantei-me relativamente cedo, fiz a barba e restantes práticas higiénicas, vesti-me e bebi um copo de café. Fiz umas flexões.
Podia ser a descrição de um início de dia ideal para quem está a trabalhar a partir de casa, onde as rotinas são mantidas, mas não passa de uma exceção. As flexões, por exemplo, já nem sei quando foi a última vez...
Não que tivesse uma vida muito ativa e entusiasmante, mas como metódico que sou, tinha as minhas rotinas e os meus hábitos bem implementados, segmentados e organizados. Esta mudança abrupta deixo-me um bocadinho à toa, que é como quem diz, desmotivado e preguiçoso.
Ficar em casa e não ter de ir trabalhar foi o que sempre quis, mas não nestas circunstâncias!
Tenho falhado nas rotinas, na alimentação, no exercício físico, na escrita. Nem tenho vindo aqui para acompanhar as publicações de quem sigo. Mesmo com as normais obrigações relativas ao teletrabalho, agora que supostamente tenho mais tempo e mais devia fazer, nem que fosse para distrair de toda a triste realidade que se vive atualmente, menos faço.
Não faltam exemplos positivos de quem não se deixa abater pelas novas circunstâncias e faz, treina, arruma, cria, inventa...
Mas hoje levantei-me relativamente cedo e quis inverter esta tendência. Por isso escrevo este texto, na tentativa de desabafar, motivar-me e comprometer-me. É que agora, mais do que nunca, a falta de tempo não é desculpa!

05.02.20

Andar de bicicleta é...


Rui Pereira

O som caraterístico da roda traseira funde-se com o som da deslocação do ar impulsionado pela velocidade. A estes, acresce o da fricção dos pneus no asfalto, no caso, mais ténue, e o do roçar dos calços dos travões na pista das rodas para o efeito, sempre que são acionados.
- Andar de bicicleta é um brinde aos sentidos e às sensações!
Às vezes nem damos por isso, porque os pensamentos fluem como que a acompanhar o rolar da bicicleta.
- Andar de bicicleta é distrair-nos de tão concentrados e concentrar-nos de tão distraídos!
O corpo acusa a entrada brusca na fenda presente no asfalto impossível de evitar. Ai! Mas pronto, está tudo bem. Prossiga a marcha.
- Andar de bicicleta é testar o nosso poder de reação e improviso!
Uma via ligeiramente descendente leva-nos a meter carga na transmissão e a aumentar o ritmo e a força na pedalada. A velocidade aumenta exponencialmente, a par do batimento cardíaco e da temperatura corporal.
- Andar de bicicleta é ir ao limite físico, é experimentar o bom da dor e do cansaço!
Os sentidos despertos, a concentração elevada, a pronta resposta. A velocidade. O controlo. O gozo de a levar…
- Andar de bicicleta é um exercício pleno de liberdade, desafio, bem-estar e prazer!

03.10.19

"Água de Coco"


Rui Pereira

Arrasto-me. Cansado, desidratado. Peso nos ombros, cabeça baixa. Os pensamentos negativos debilitam-me o corpo, ainda mais. Visão turva, músculos entorpecidos. Progrido lentamente, penosamente. Focado no destino, desesperando a chegada. Sigo indiferente, isolado. Que sacrifício! Que gosto é este?! Estou cansado, tenho fome. Quero parar, tenho sede!

07.01.19

Fixed Gear / Fixie


Rui Pereira

Se pensar um pouco naquilo que realmente gosto e que mexe verdadeiramente comigo dentro das bicicletas e do ciclismo, as bicicletas de carreto fixo (conhecidas por fixed gear ou fixie) aparecerão obrigatoriamente no topo da lista!
Com certeza que estariam mais presentes na minha vida se as tivesse descoberto com outra idade, se não tivesse um joelho problemático, se fosse mais afoito e se vivesse noutro local, mas isso não me impede de ter uma e de usufruir do que ela tem para oferecer, mesmo com as referidas limitações.
Para além deste segmento específico, gosto especialmente de tudo o que envolva soluções mais simples e tradicionais, tanto por questões estéticas e visuais, como pela menor complexidade implícita. Desculpem-me os apreciadores, mas, por exemplo, eletrónica em bicicletas? Eh pá, não!
Já fui o suficientemente extravagante quando adquiri uma relativamente recente bicicleta de estrada em carbono. Aliás, analisando bem o seu uso e a duplicação de bicicletas do mesmo segmento, com a minha Steel a ser relegada para segundo plano, se fosse hoje, o mais certo seria não o fazer!
Ao nível conceptual as fixie transpiram pureza e afirmam-se como um regresso às origens. Assim eram as primeiras bicicletas. E são um brinde à simplicidade, ao estilo e ao minimalismo. São bicicletas únicas e funcionais, reduzidas ao essencial, onde até os travões são dispensáveis!
Se estaticamente impressionam, o que dizer no aspeto dinâmico. São exigentes e desafiadoras, mas ao mesmo tempo intuitivas e naturais, logo que haja abertura para sentir o seu funcionamento. A relação homem/máquina está bem presente e basta ver alguém competente aos seus comandos para perceber como as duas partes funcionam como uma só!
As fixed gear são encantadoras e apaixonantes como mais nenhumas!

14.08.18

Aos pedais!


Rui Pereira

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!