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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

23.06.20

Liberdade para pedalar!


Rui Pereira

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Conseguir andar de bicicleta, mesmo com muitos outros estímulos presentes, continua a ser um marco digno de registo nas nossas vidas.
A bicicleta começa por ser aquele brinquedo apelativo e desafiante que queremos experimentar e dominar. Que nos permite experimentar a velocidade e sensações únicas de autonomia e liberdade!
A sua eficiência não é necessariamente o foco, mas sim a diversão aos seus comandos.
Com o passar do tempo surgem outras companheiras, outros desafios, que nos acompanham o crescimento e a exigência.
Para uns, a relação perdura no tempo, para outros, suspende-se e reata-se mais tarde, para outros ainda, perde-se para sempre…
Os resistentes, agora, usufruem da utilidade e beneficiam da conveniência. Mas mantem-se a diversão e a satisfação de pedalar com a brisa na cara. Exercita-se o corpo e descontrai-se a mente. Experimenta-se de uma forma ainda mais vincada e significativa a liberdade!
A liberdade da opção, da diferença, da simplicidade, da independência!

05.02.20

Andar de bicicleta é...


Rui Pereira

O som caraterístico da roda traseira funde-se com o som da deslocação do ar impulsionado pela velocidade. A estes, acresce o da fricção dos pneus no asfalto, no caso, mais ténue, e o do roçar dos calços dos travões na pista das rodas para o efeito, sempre que são acionados.
- Andar de bicicleta é um brinde aos sentidos e às sensações!
Às vezes nem damos por isso, porque os pensamentos fluem como que a acompanhar o rolar da bicicleta.
- Andar de bicicleta é distrair-nos de tão concentrados e concentrar-nos de tão distraídos!
O corpo acusa a entrada brusca na fenda presente no asfalto impossível de evitar. Ai! Mas pronto, está tudo bem. Prossiga a marcha.
- Andar de bicicleta é testar o nosso poder de reação e improviso!
Uma via ligeiramente descendente leva-nos a meter carga na transmissão e a aumentar o ritmo e a força na pedalada. A velocidade aumenta exponencialmente, a par do batimento cardíaco e da temperatura corporal.
- Andar de bicicleta é ir ao limite físico, é experimentar o bom da dor e do cansaço!
Os sentidos despertos, a concentração elevada, a pronta resposta. A velocidade. O controlo. O gozo de a levar…
- Andar de bicicleta é um exercício pleno de liberdade, desafio, bem-estar e prazer!

08.01.20

Ausente, presente!


Rui Pereira

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Começou muito cedo. De forma natural, segura e autónoma. A facilidade com que lida e se adapta é desconcertante. Sejam grandes ou pequenas, leves ou pesadas, de estrada, cidade ou todo-o-terreno, com ou sem mudanças, de carreto fixo ou roda livre.
Atualmente, não está para aí virado. Mas faz questão de estar presente para elogiar, experimentar e viver um pouco do meu entusiasmo.

31.10.19

Foi a bicicleta que me ensinou…


Rui Pereira

Ao comparar as fotografias da minha participação na mesma prova de bicicletas, com uma diferença de 9 anos entre si, constatei que ter adquirido e voltado a andar de bicicleta foi uma influência muito positiva, para implementar novos hábitos e mudar a minha perspetiva numa série de realidades pessoais.

Se é incontornável que hoje estou mais velho 9 anos, também é certo que me sinto melhor e considero estar com melhor aspeto.

Aprendi a comer, a exercitar-me, a valorizar aquilo que não alcançava, a fazer o que não achava exequível, a saber o que posso e não posso fazer, a deslocar-me, a libertar-me de preconceitos, a conhecer o meu corpo, atributos e respetivas limitações.

Foi a bicicleta que me ensinou…

Foi a bicicleta que me levou a pedalar mais vezes por semana, para ter outro à vontade no domingo. Foi a bicicleta que me levou a variar nos exercícios, a conhecer novas modalidades e a voltar a outras, entretanto esquecidas. Foi a bicicleta que me levou ao mar e aonde foi preciso. Foi a bicicleta que me ensinou que é possível fazer exercício fora de 4 paredes, na rua, na natureza. Foi a bicicleta que me alertou para a importância da hidratação e da alimentação. Foi a bicicleta que me ensinou que os hábitos tiram-se e põem-se. Foi a bicicleta que me despertou para a importância da gestão do esforço, da presença do desafio, mas também para descartá-lo se a sua dimensão assim o impor. Foi a bicicleta que me levou a ser mais aberto, curioso e a experimentar.

Foi a bicicleta que me levou a fazer muito mais do que apenas pedalar.

Foi a bicicleta que me ensinou. É a bicicleta que me ensina!

04.10.19

A Cultura da Bicicleta!


Rui Pereira

A minha relação com a bicicleta vai muito para além do ter. Podia ser apenas uma, não é o caso, mas este facto é indiferente.
De uma simples compra, que mesmo assim envolveu algumas centenas de euros, seguiram-se outras, e elas, as bicicletas, foram ganhando outro estatuto. Transformou-se a forma de as encarar e utilizar. Alteraram-se os atributos prioritários.
De pessoa que tem uma bicicleta passei a ser um convicto utilizador da bicicleta ou, um ciclista não competitivo. Por desvalorizar a competição e ser um bocado indiferente às últimas e tão badaladas soluções tecnológicas, nem sempre sou compreendido ou bem aceite pelos meus pares. Mais uma vez, indiferente.
Revejo-me muito mais na função simples e básica da bicicleta, em comunhão com a pureza e beleza das linhas de sempre!
Algumas delas passaram da garagem para as outras divisões da casa e acumulam funções, as básicas com a de peça decorativa. Começaram a invadir voluntariamente a minha vida nas roupas, nos acessórios, nas leituras, na escrita…
Até posso não pedalar tanto como seria suposto, mas a bicicleta não é apenas isso. É um estilo de vida. É uma cultura. E eu alimento esta cultura…
A Cultura da Bicicleta!

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16.09.19

“Not Falling”


Rui Pereira

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São pequenos, queremos que cresçam.
São dependentes, queremos que sejam autónomos.
Começam a ficar grandes, a pedir autonomia e a reclamar do controlo.
Arrependemo-nos do que desejamos. Queremos que o tempo volte para trás.
Não!
Que pedale. Que vá. Que siga o seu caminho!
Que se “suje”, mas não caia. Pelo menos não de muito alto.
É o que esperamos sempre, mesmo sabendo que...
Que se saiba levantar!

24.06.19

Specialized Allez Steel – Sempre!


Rui Pereira

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Depois de uma pesquisa e respetiva análise, a decisão de compra desta bicicleta surge com uma pequena e infantil chantagem - “Eu só vou, se comprar esta bicicleta!” Isso foi num fim-de-semana. Segunda-feira estava na loja a encomendá-la.
A sua aquisição marcou, definitivamente, o ponto de viragem na minha forma de encarar o ciclismo e as bicicletas. Antes, estava demasiado formatado pelas influências do meio onde me inseria. Depois, tudo mudou. Comecei a valorizar o básico, o simples, o clássico, o retro. Vi que as bicicletas eram muito mais do que ferramentas de desporto e competição. Passei a seguir os nichos em vez das massas. Descobri novas culturas e estilos de vida que giram em torno de outras bicicletas. Nunca mais olhei para trás!
Durante algum tempo foi a minha única bicicleta de estrada. Os constrangimentos e até o sofrimento que senti aos seus comandos, não são nada comparados com o gozo e o prazer que tive, e tenho, sempre que saio com a Allez à rua. Aliás, mesmo sem sair, só apreciar-lhe a beleza estaticamente já é motivo de orgulho e regozijo.

18.06.19

De trás para a frente!


Rui Pereira

Preso a preconceitos limitados, previsíveis, limitadores.
Agarrado a ideias castradoras e inibidoras da visão.
Base comodista e consumista, focado nas coisas triviais, atribuindo-lhes destaque.
Vida pequena e vazia. Efémera. Olhos nos pés e no chão.
Iludido, não vê a realidade. Cego pela sua verdade.
Um dia, compra uma bicicleta. Acorda. Alarga horizontes.
Muda de rumo, num claro regresso às origens. Ao simples, ao básico.
Reencontra a sua terra. A natureza. As tradições. Vê o mar.
Pedala. Anda a pé. E valoriza.
Liberta-se da ideia quadrada do exercício entre paredes.
De um complexo processo de busca e aquisição de artefactos e suplementos.
Compra outras bicicletas, naturalmente.
Compras amadurecidas, sem impulso nem acaso. Isentas de exacerbadas pressões de satisfação imediata.
Usa. Aproveita. Desfruta.
Desperta para a importância de um simples rascunhar à mão, com papel e caneta.
Ganha consciência. Pessoal e ecológica. Vê para além do que achava suposto. Cresce!

O paradoxo da sua evolução reside na consciência de que as coisas são efémeras e ilusórias, às quais não deve ser atribuído o papel principal. Mas foram as bicicletas, também elas coisas, que lhe despertaram para uma nova realidade, que lhe abriram portas para todo um novo mundo de possibilidades. Mais adequadas, prementes, simples, melhores.

Não falo de mim. Falo de um amigo de um amigo meu.

25.05.18

Ai se ele cai


Rui Pereira

Dizer que as bicicletas são perigosas não está certo. É injusto. Correm-se alguns riscos, mas não mais do que em outras atividades. Sendo uma atividade que envolve equilíbrio, velocidade e circulação na estrada é preciso algum cuidado, claro. Já me magoei bastante a jogar (brincar ao…) futebol… e gosto pouco de futebol. De bicicleta já ando há uns anos, já caí algumas vezes, mas nunca me magoei a sério. Azar? Sorte? Não sei, mas também não interessa, que assim continue.
As crianças normalmente correm mais riscos, à sua dimensão é certo, mas o facto é que são menos cuidadosas e conscientes. Por isso é imperativo acompanhamento parental e material adequado para uma normal evolução sem grandes sobressaltos. Já assisti a muitas quedas do meu filho, umas mais aparatosas do que outras, mas até agora sem grandes consequências. Houve uma que me fez pensar, mas para a frente é que é caminho.
Já passou por várias bicicletas e outras tantas fases. Já foi para todo o lado com ela, já a esqueceu a favor de outras coisas, já quis fazer provas. Prefere a terra ao asfalto e as descidas às subidas, e até ao plano! Está numa de, ocasionalmente, se divertir sem se sacrificar muito! Eu compreendo e acompanho. Também gosto de fazer três ou quatro passagens no mesmo local e regressar, mesmo um bocadinho chateado por ter sujado a bicicleta e o equipamento por tão pouco (quantidade não é qualidade!)…
Às vezes assusto-me com o seu excesso de confiança e à vontade, e com o que é capaz de fazer… A mãe nem se fala! Outras vezes rio-me. E alerto-lhe para rolar com cautela em locais que desconhece e nas vias públicas, para estar desperto para situações e reações imprevistas, para usar os dois travões em vez de apenas o traseiro. Percebo que a maior parte das vezes não me esteja realmente a ouvir, faz parte. Tal como faz parte aprender da pior maneira, por não me ter dado ouvidos.
Proporciono-lhe condições para andar, dentro das minhas limitações, e passo-lhe as ferramentas que podem minimizar os danos. Mas percebo que existem inevitáveis. Que faz parte desafiar, arriscar e querer ir mais além. E cair. Preocupo-me, não quero que caia, nem que se magoe. Sei que ele também não, mas, às vezes, "distrai-se"…