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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

14.07.22

Arbor - Tyler Warren Shaper

Surfskate


Rui Pereira

Encerrei o capítulo dos skates.
“Quem compra barato, compra duas vezes”… Mas se não compro barato, muito provavelmente nunca teria experimentado e chegado até aqui.
O capítulo encerrado nada tem haver com a sua utilização, muito pelo contrário. Agora que já tenho variedade e qualidade só me resta usufruir.
O meu último surfskate é fantástico. Excelente desenho e grande qualidade de componentes. Claro que é uma maravilha de andar, com um comportamento fluido e suave, e lindo de morrer! Porque, para mim que não sou um entendido na matéria, os skates valem muito como peça em si.
Segui por patamares, mas podia ter saltado um dos intermédios. Talvez tivesse de ser assim. Agora já não há mais por onde evoluir. Nem no equipamento nem no andamento.
Em cima da sua tábua, e dentro das minhas limitações, faço o que tenho a fazer. E quando não estou em cima dela... aprecio!

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10.05.22

Trilho sombrio


Rui Pereira

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Sigo de cabeça baixa sem destino. Sinto o peso da inclinação nas pernas. Pesado é também o pensamento. Nem sempre a pedalada desanuvia logo o nublado que existe aqui em cima e, ao invés, torna-o ainda mais carregado. Por vezes é preciso ir até ao fundo para começar a subir.
Para começar de novo.
As pedaladas são catárticas. Onde se desbravam os piores cenários. Através das quais saímos da sombra, nos livramos da bruma.
Da escuridão para o esclarecimento.
Levanto a cabeça e é como se a neblina tivesse ficado para trás. Olho o céu e as árvores. A atenção divide-se agora entre o desafio a que submeto o corpo e a natureza que me rodeia.
Tanto verde. Ergo o corpo e carrego os pedais com mais afinco. Doem-me as pernas…
Olho novamente o céu. Suspiro.

 

21.03.22

À janela


Rui Pereira

Aguardo o fecho do portão da garagem.
Encaixo os sapatos nos pedais e inicio a marcha tranquilamente.
A inclinação da rua faz-me aumentar a cadência.
Fujo à rota habitual.
Passo em frente à igreja e viro à esquerda em direção ao mar.
Tento conter a velocidade.
O mar ao fundo, a brisa pelas costas.
As cores abundam naquela via estreita.
Bloqueio a roda traseira.
O céu nublado, a humidade, as casas coloridas, a rua praticamente deserta, eu erguido sobre a bicicleta, ela atravessada…
Dava uma bela fotografia! – Pensei.

Sentado na cadeira de escritório.
Descanso as pernas sobre o tubo superior do seu quadro.
Penso.
Viro-me para a janela…

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24.02.22

As minhas bicicletas de carreto fixo

Fixed-Gear


Rui Pereira

A minha realidade e os meus conteúdos não são os mais populares. Por um lado, fogem da principal corrente, por outro, não atingem as expetativas de quem segue contra o convencionado.
Digamos que as bicicletas de carreto fixo são um nicho com algumas vertentes, sendo que as mais populares se centram num certo estatuto ao nível das marcas, componentes e até da atitude. Eu não atinjo nenhum deles!
Comecei tarde. Vai fazer 8 anos que comprei a minha primeira “fixie”. É normal que tivesse (tenha) receios e limitações, e não tenha a destreza necessária para feitos e manobras mais radicais e vistosas aos seus comandos. Também fui (sou) cauteloso no investimento e, portanto, as minhas bicicletas de carreto fixo não brilham exatamente pela exclusividade e alta qualidade. Não são feias, mas também não serão as mais desejadas e atraentes. Até porque, de uma forma ou de outra, fazem concessões a vários níveis, o que automaticamente as atira para longe do cobiçado título de “puro sangue”.
Julho 2014 – Globe Roll 01 (à esquerda); dezembro 2019 – Gloria Magenta (à direita); setembro 2021 – Foffa Fixed (ao centro). Todas elas simples, vendidas completas, de quadros em liga de aço e de aço, de componentes medíocres e preços contidos.

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Mesmo assim, são uma vitória e motivo de orgulho para mim.
Quando ponderava comprar a minha primeira fixed-gear, cheguei a pensar que se calhar não fazia sentido ter uma. Hoje tenho três.
Quando sentia dificuldade em andar com ela fixa passei a roda livre. Hoje ando de carreto fixo com a mesma naturalidade com que ando com as minhas bicicletas convencionais.
Quando achava que só faria voltas mais específicas e nunca ao nível de exigência com que fazia com as “outras”. Hoje já muito pouco falta fazer e, inclusive, estou a pensar em algo que nunca fiz sequer com estas últimas.
As bicicletas de carreto fixo para mim representam empenho, concretização, superação e gosto. Muito gosto, essencial para levar esta minha vontade avante. Inspirado, mas sozinho e à minha maneira, fui criando uma ligação tão significativa que, é nelas que mais penso, é com elas que mais quero sair, é com elas que me identifico.

02.09.21

Sete Cidades Fixed-Gear


Rui Pereira

Adivinhando o abrandar do ritmo, natural em período de férias, recorri mais uma vez aos préstimos da bicicleta de carreto fixo para me superar e quebrar mais umas quantas barreiras.
Desta feita foi uma espécie de volta ao concelho via Sete Cidades. E assim, ficou fechado o circuito de visitas às nossas principais lagoas: Furnas; Fogo e Sete Cidades.

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Se recuar uns anos, quando achava a “fixed-gear” demasiado limitada, era impossível sequer pensar fazer algo do género. Tanto que, várias vezes e em voltas corriqueiras, até me arrependi de a ter comprado.
Em outros testemunhos da saga referi que a parte mental foi, é e será sempre determinante para a concretização destes objetivos. Isso foi novamente confirmado e, da pior maneira. Desta vez senti muito mais dificuldades, em boa parte por não estar cem por cento alinhado.
Sim, estava calor e o percurso era relativamente grande, tal como o diferencial de altitude. É verdade que já tinha passado mais horas sobre a bicicleta e subido mais nas voltas anteriores, mas também é provável que esta consiga juntar estas razões de forma mais efetiva. Ou então é apenas a minha perceção, já que não disponho de dados precisos para o efeito.

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O certo é que enquanto subia para a Vista do Rei passou-me pela cabeça dar meia volta e regressar. Mais do que uma vez… mas lá fui.
Nunca cheguei a sentir um grande entusiasmo, algo que aconteceu anteriormente mesmo perante consideráveis dificuldades e, então, recorri ao básico passo a passo, no caso, pedalada a pedalada, com a decomposição do grande objetivo em outros mais pequenos para mais fácil concretização.
Até parece que estava cheio de estratégias, não parece? Nada disso, foi apenas o meu instinto de sobrevivência em ação!
Plano, sobe e desce, desce e sobe, plano – aqui fica o resumo do percurso!
No fim, aquela mistura de cansaço com satisfação e o reforço da minha ligação a estas bicicletas tão especiais.

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E agora?
Tenho dado uma voltas mais básicas, por acaso, de carreto fixo... vai-se lá saber porquê. Bom, agora... vou ver se começo a dar mais uso às minhas bicicletas com mudanças!

26.11.20

Futuro?


Rui Pereira

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Os carros elétricos serão com certeza uma boa alternativa aos automóveis movidos a combustão, com todos os seus problemas mais do que identificados. Mas zero emissões e energia mais barata é apenas uma parte do problema. Mesmo não entrando na questão das baterias, nem da produção da eletricidade, os carros elétricos sem se ver o que têm debaixo do capô são iguais aos outros. Congestionam as vias de circulação e ocupam o mesmo espaço de estacionamento, ou seja, causam o mesmo impacto físico e dominam da mesma forma a paisagem urbana.
Pois que venham os elétricos, mas é preciso ainda mais atrevimento e arrojo, não passando pelo incremento de tecnologia, e canalizá-los para a necessidade de largar o comodismo e os preconceitos, e começar a ver o mais simples e eficiente meio de transporte de sempre* como uma alternativa real. Como uma das melhores!

*O mais simples e eficiente meio de transporte de sempre é a Bicicleta.

 

04.11.20

Foi com ela que tudo começou!

Specialized Allez Steel


Rui Pereira

Materializei a minha renovada visão do mundo das bicicletas com a aquisição da Specialized Allez Steel.


(Specialized Allez Steel - 2011 / Imagem: 2019)


Depois daquele período inicial de grande entusiasmo e euforia, com todos aqueles desejos disfarçados de necessidades, perfeitamente enquadrados com os padrões mais consumistas, mudei efetivamente de postura, preferências, objetivos e prioridades.
Desinteressei-me da competição, mudei o foco das minhas intenções e ponderei muito mais as aquisições. Desliguei-me das tendências mais atuais, dos topos de gama e dos últimos gritos tecnológicos. Passei a privilegiar os produtos clássicos, tradicionais e intemporais. Com menos prazo de validade. Mesmo os mais recentes, mas com aquela imagem de sempre. Fiz um regresso às origens fascinado que fiquei com as bicicletas de carreto fixo.
Reuni um número considerável de bicicletas, mas tenho a desculpa de que as sete somam um valor total ridiculamente baixo quando comparado com os valores que se tornaram banais por aí.

- Quando adquiri a Allez já tinha a BTT. Ainda a tenho e não tenciono desfazer-me. Está lá com as suas rodas 26 e está muito bem;
- A dobrável portuguesa, a fazer lembrar a bicicleta que tive em miúdo, foi decisiva para implementar a minha vontade de deixar de fazer deslocações ridículas com o automóvel;
- Um sonho concretizado - a minha primeira fixed-gear. Na altura, com muitas dúvidas. Estava longe de pensar que seria hoje a minha bicicleta mais solicitada;
- Rotinas diárias associadas à bicicleta estabelecidas. Altura de ter uma citadina tradicional, menos limitada do que a dobrável, para poder ir mais além neste departamento;
- Fiz uma inflexão no sentido que seguia. A certa altura desejei algumas soluções mais modernas numa bicicleta de estrada. Do aço para o carbono;
- Mais uma fixed-gear. Só por curiosidade, nova custou-me apenas 16% do valor da anterior que foi comprada usada.

O aço e a liga de aço dominam. A tradição e a simplicidade também. A pureza, a estética, a envolvência, os desafios e as sensações inerentes definem a linha que escolhi. E com esta a seleção das bicicletas.

Uma das principais é a Specialized Allez Steel e, na prática, foi com ela que tudo começou!

27.10.20

Bikes & Skates


Rui Pereira

O surf, como modalidade desportiva, é apelativo. Mas chateia-me a dependência de vários fatores naturais para ter as condições mínimas para a sua prática. Independentemente disso, não devo fazê-lo por limitações físicas, preferindo não correr riscos sob pena de meter em causa outras práticas prioritárias para mim. Assunto arrumado.
Já o surfskate é outra conversa. Exemplo de um domingo agradável é ter a manhã ocupada a pedalar e a tarde a rolar em cima do meu skate, aqui, já na companhia do meu filho.

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A idade e uma forma própria de encarar estas coisas fazem-me agir descontraidamente e sem grandes objetivos. Na bicicleta pedalo com gosto até alcançar aquela hora razoável para o almoço. Contabilidades? Estatísticas? Deixo-as para outras áreas onde serão imprescindíveis. No skate ando para cá e para lá tentando algumas variações e mudanças de direção, dentro das minhas limitações técnicas. E sento-me, observo, troco palavras e volto a andar. As manobras, no verdadeiro sentido da palavra, deixo-as para quem realmente percebe disso.

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Comecei tarde, mas sem complexos. E não tento recuperar o tempo perdido a todo o custo. Pelo contrário, fico muito satisfeito por ter tido esta abertura e hoje conseguir usufruir de uma modalidade que um dia julguei completamente fora de questão. Falo principalmente do skate, mas se pensar bem, também já aconteceu com as bicicletas, quando um dia julguei que não seriam uma possibilidade no futuro.
O futuro é hoje. E, por incrível que pareça, as bicicletas e os skates estão mais presentes do que nunca!
São estes modestos objetos que me asseguram bem-estar, descontração e divertimento. Que me fazem aliviar o peso dos problemas e das minhas frustrações. Que me proporcionam um domingo mais significativo e agradável. E quem diz domingo diz outro dia qualquer…