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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

02.06.20

Há coisas que nunca mudam!


Rui Pereira

O dia não estava favorável. Hesitei. Interroguei-me de qual levar.
O tempo chuvoso mantinha-se. Decidi ir. Peguei na bicicleta de estrada.
A mesma preparação e o equipamento de sempre, mais as capas de sapatos que me manteriam os pés secos.
Sem ideia definida do trajeto a cumprir, mais uma vez, lembrei-me de umas subidas que me falaram…
Sempre debaixo de chuva, mantive alguma cadência e intensidade, e condensei a volta no tempo.
Antes chegar molhado e sujo, e ter de lavar a bicicleta, do que arrepender-me de não ter ido.
Há coisas que nunca mudam!

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13.02.20

Rotina de carreto fixo!


Rui Pereira

Um dia destes perguntaram-me se já estava rotinado a andar com a minha fixed-gear.
Tendo várias bicicletas é normal que vá variando entre elas. O facto é que não ando tantas vezes como isso, principalmente agora que os dias são mais curtos. Por um lado, é menos o mais do mesmo, por outro, nunca ganho aquele à vontade que teria se andasse quase sempre com uma ou duas delas.
Tratando-se de uma bicicleta de carreto fixo, que também não é nenhum bicho de sete cabeças, a exigência e o período de adaptação são ainda maiores. O uso continuado e a proximidade fazem toda a diferença. Por exemplo, e por força do hábito, não era raro esquecer-me de que não é possível parar de pedalar a meio da pedalada, nem é possível ajustar o pedaleiro para fazer aquela curva mais apertada a exigir alguma inclinação da bicicleta.
Os pedais não param! Não é possível desmultiplicar a transmissão! É preciso abrandar com as pernas! – São mensagens que convém assimilar.
Hoje, tenho duas fixies e já estou muito mais rotinado com elas e com as suas diferenças. A mudança da “ficha” acontece naturalmente assim que as monto e os esquecimentos, sempre lembrados da pior maneira, praticamente já não acontecem.
Mas já atirei a toalha ao chão e tive a minha primeira fixie na configuração singlespeed durante algum tempo…
Agora conheço bem as suas caraterísticas, manhas e manias, e automaticamente sou um ciclista diferente. Já não vou tão tenso e apreensivo, nem focado nas dificuldades. Elas são assim, exigentes e limitadas, mas também únicas, desafiantes e espetaculares. Aprendi a desfrutar disso!
Não escondo o orgulho e a satisfação que tenho de andar de fixed-gear. De ser diferente. De não ter reprimido o gosto e a vontade que tive de ter uma bicicleta deste segmento, apesar de todos os indicadores apontarem não ser boa ideia fazê-lo.

27.01.20

Há sempre um dia…


Rui Pereira

Fechei o casaco. Meti o gorro. Mesmo assim, cheguei frio e ofegante. Com dormência na ponta dos dedos. Vim numa luta contra o vento. Tentei esgueirar-me entre as suas rajadas. Como se isso fosse possível. Pedalei o mais rápido que pude, em esforço. A fazer uma corrida com as nuvens. Com a chuva! A ver quem chegava primeiro. A ver se ela não me apanhava e se eu não a apanhava. Já lá vão muitos assaltos. Estamos empatados. Não. Sou justo. Tenho ganho. Mas, há sempre um dia… Não foi hoje!

22.11.19

Kettlebell


Rui Pereira

Tive vários anos a treinar com o que havia disponível no local onde o fazia. Como forma de compensar as limitações sentidas, adicionei uns pesos, dois halteres e dois discos. A certa altura fui obrigado a descartá-los.
Agora, e descartada voluntariamente a opção ginásio, continuo a contar com o que o local de sempre me proporciona, mas complementei com um “novo companheiro de treino” – um kettlebell.

kettlebell.jpg

 

Claro que não tenho as possibilidades e a diversidade dos locais específicos, mas tenho outras coisas que não têm preço – o mar e a amizade!
Questionam-me, com admiração, se ando com o kettlebell para cá e para lá. A resposta é sempre a mesma…
Vai e vem na caixa da bicicleta. Só tenho de ter algum cuidado, porque o peso vai muito concentrado e numa posição elevada, influenciando a condução e mesmo o manuseamento da bicicleta parada. De resto, e no pior dos cenários, é mais exercício que faço.  

22.11.19

Ciclo


Rui Pereira

Às vezes, falta-me a determinação. Falta-me o foco naquilo que realmente quero.
Cedo, uma e outra vez, em troca da compensação imediata. Desleixo, em nome do "não quero saber".
Arrependo-me depois.
Monto na bicicleta!
As ideias surgem. Traço metas, defino objetivos. Quero resultados.
Em cima da bicicleta tudo parece simples, perante as dificuldades. Contraditoriamente.
As dificuldades físicas libertam-me a mente. O prazer de pedalar solta-me o pensamento. Dão-me disponibilidade para definir e querer agir.
Tudo fica claro. Fico mais forte.
Desmonto da bicicleta!
Alguma determinação fica e atuo em conformidade. Outra, perde-se...
E o ciclo repete-se.

05.11.19

Definição tranquila!


Rui Pereira

Regressei ao ginásio em setembro. Desta feita e mais uma vez, o meu objetivo era ganhar peso, ou seja, massa muscular. Não é a primeira vez que acontece, mas espero que seja a última, uma vez que os resultados acabam por ser pouco satisfatórios. Talvez não seja mesmo o que realmente quero.
Sei que até consigo aumentar a massa muscular, mas que vem acompanhada por alguma massa gorda que considero desnecessária. Depois as práticas requeridas não estão de acordo com aquilo que acho ser razoável nos respetivos parâmetros. Acabo por comer demais e arriscar nos treinos.
Para além de descartar a "brincadeira" Ficar Grande! vou também deixar o ginásio. Sim, apenas o frequentava por uma questão de oportunidade, mas estava a forçar demasiado uma coisa que há muito deixou de fazer sentido. Sempre gostei de musculação e de ginásios, e existem coisas positivas nos mesmos, como por exemplo, o convívio. Mas depois há todo um outro lado pouco natural, que deixei de compreender e apreciar quando iniciei a prática de exercício físico ao ar livre.
Praticar ao ar livre, na praia, na natureza é tão mais satisfatório. Igualmente eficaz para os meus reais objetivos, modestos e moderados, daí não precisar de grandes equipamentos ou exercícios mais específicos. Chegam-me alguns básicos de força, umas braçadas, umas caminhadas, e claro, pedalar as minhas bicicletas!
E fico bem com menos comida. Três a quatro refeições diárias, nas devidas proporções e com a qualidade necessária. A minha água. As minhas bebidas quentes, entre chá, café e infusões. O meu chocolate com elevada percentagem de cacau... A prática de jejum intermitente. Cuidados básicos, mas sempre com permissão para exceções. Sinto-me melhor fisicamente e fico de consciência tranquila.
De falta de energia também não padeço, por tudo o que disse acima e porque faço por respeitar os meus tempos de descanso.
Objetivo: Saúde e definição tranquila!

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Fotografia: Luís Fraga (2017)

16.10.19

Ficar Grande!


Rui Pereira


Motivação com... Calum Von Moger! - Grande é favor!

É uma afirmação muitas vezes feita lá no ginásio. Essencialmente em tom de brincadeira, sendo que dessa, uns fazem mais uso do que outros. Na verdade, acho que todos queriam… Gajos! Seja como for, rimos bastante à custa disso. Não é só treinar, também é preciso descomprimir um bocadinho.

Objetivo verão 2020: Ficar Grande!

É. Mais ou menos. De facto, e pessoalmente, quero ganhar mais algum peso nos próximos meses. A última vez que me pesei, no final da primavera, se não me falha a memória, estava entre os 72/73kg. Entretanto, já ganhei 4kg – já estou a Ficar Grande!. Não, ainda não... Ainda!
Tenho alguma facilidade em ganhar e perder peso, mas só até um certo ponto, já que quando se trata de ganhar tamanho – Ficar Grande! – lá está, as coisas mudam de figura.

Ficar gordo é uma coisa, Ficar Grande! é outra!

A ideia é o aumento de massa muscular. Claro que tenho treinado mais, e quero acreditar que melhor também, e tenho comido bastante. Mais proteína. O descanso é que ainda tem de ser ajustado, incrementando mais uma hora de sono, por exemplo.

Quero Ficar Grande! Porque sim.

O conceito Ficar Grande! é sempre relativo. Para mim, é ultrapassar os 80kg! Sim, para alguns é ridículo, com certeza.

Ficar Grande! não é Ficar Enorme!

Até porque para Ficar Grande À Séria! ou Ficar Enorme! não basta querer, é preciso fazer por isso.

E eu não consigo quero!

(Julgo que haverão próximos capítulos...)

10.10.19

“Filmes de gajos”


Rui Pereira

E por causa disso dos filmes de ação – “filmes de gajos”, como lhes chamo - e de atores como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris…

Na escola, gostava das aulas de educação física, mas era dos últimos a ser escolhido para formar equipa; nunca tive ligado a nenhum clube ou equipa, nem tinha qualquer atividade extracurricular; não tinha grande forma física e era muito pouco ágil; o exercício físico que fazia resumia-se essencialmente a andar de bicicleta e jogar à bola com o meu irmão e amigos, que com o passar do tempo foi sendo cada vez mais raro…

Só comecei a prática regular de exercício com 19 anos, cedo para alguns, mas muito tarde para outros, inclusive para mim. Musculação, claro! Influências dos filmes? Talvez. Entretanto passei pelo Karaté e muitas outras atividades “fitness”, até hidroginástica, sempre com a musculação como base.

Era obstinado. Saía disparado do trabalho para o ginásio e, muitas vezes, só de lá saía quando fechava. Passei por várias fases, ora mais ora menos motivado. O único interregno que fiz durou cerca de 3 anos.

Voltei, mais calmo e descontraído, mas determinado. Muito pedalei. Deixei os ginásios a favor do exercício ao ar livre e em contacto com a natureza. Continuei a pedalar, e não só!

Mais recentemente, e por causa do futebol, desporto pelo qual nunca nutri grande gosto ou simpatia, voltei ao ginásio e à musculação. Não foi um esforço. É uma das minhas modalidades de eleição e é uma forma de aproveitar o tempo. O tempo do treino de futebol. O futebol que o meu puto pratica. O futebol que passei a ver com outros olhos, por razões óbvias, mas que nunca será a minha modalidade.

Filmes com atores de corpos trabalhados, tiros e pancadaria com fartura, perseguições malucas, algumas(?) mentiras à mistura… se calhar influenciaram-me de forma determinante… e sim, definitivamente e também por isso, continuo a gostar de “filmes de gajos”!

27.09.19

Eu penso, ela faz!


Rui Pereira

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Arranca à pressa para não ter de, mais uma vez, regressar quando já o sol se pôs. Os dias mais curtos não desmotivam a vontade de dar mais umas pedaladas. Mais do que a prática física em si, que acaba por ser limitada, está em causa aproveitar o dia da melhor forma possível e esperar que o vento que lhe bate na cara alivie também a carga negativa que traz consigo, após mais um dia de trabalho.
A mim, que tenho a mania da perfeição, irrita-me a leviandade com que lida com certas situações, mas depois, num breve momento introspetivo, admito que às vezes devia pensar menos e fazer mais, como ela.

12.09.19

Do comodismo ao luxo!


Rui Pereira

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"TP15"

Mudar, e implementar um novo hábito, principalmente quando este choca substancialmente com a nossa comodidade e zona de conforto, não é fácil. Fácil é arranjar desculpas para não o fazer!
Trocar o carro pela bicicleta nas minhas deslocações urbanas foi bastante difícil. Este hábito, a que chamo de luxo agora, levou algum (muito) tempo a ser implementado. Após o seu arranque aguentei apenas uma semana e facilmente cedi à voz que me sussurrava a cada saída:
«Deixa-te disso. Pega na chave do carro e vamos embora!»
Só alguns meses depois, por força das circunstâncias mais determinado do que nunca, ciente dos erros cometidos anteriormente e da inevitabilidade dos fatores que não dependiam de mim, adaptei-me e empenhei-me nesta mudança que se tornou um hábito impensável de mudar, um luxo impossível de deixar.