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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

09.09.20

O meu mundo de bicicleta!


Rui Pereira

globe_roll1_mundo.jpg

 

O meu mundo é pequenino. O que contrasta consideravelmente com o gosto, a vontade e a motivação. E a tendência para traçar um rumo próprio, portanto, diferente do da maioria.
Esta bicicleta preta, que foi cuidadosamente pousada no chão para a fotografia, não aparece por acaso. Quero acreditar que não será o culminar do trajeto escolhido, mas foi com certeza o seu ponto de partida. E continua a ser o meu cavalo de batalha!
Como utilizador de bicicletas sou pequeno e circulo num território equivalente. Até a minha bicicleta o é, não passando de uma simples e banal fixie de catálogo, escolhida exatamente pela sua ligação direta roda/pedais e por não ter mudanças.
Toda esta pequenez não me belisca. Não me importo. Nunca foi um obstáculo impossível para ter ou fazer aquilo que queria, embora já tenha acreditado que sim. Claro que torna todo o percurso um pouco mais difícil…
Não que queira ser muito grande, mas tenho mais dificuldade em crescer como utilizador de bicicletas. Não que queira ter uma montra tecnológica de carreto fixo, mas tenho mais dificuldade em ter uma ferramenta mais próxima daquilo que gostava para completar o meu percurso. O terreno será sempre curto na extensão e de difícil progressão.
As bicicletas são a minha opção. O carreto fixo também. Neste meu pequeno mundo, as ainda mais pequenas fixed-gear vão ganhando dimensão!

24.07.20

Mudança única e carreto fixo! (2)

Globe Roll 01 - Seis anos depois


Rui Pereira

Uma grande superfície ligada ao desporto tinha na montra uma fixie, soube por um colega. Andava há muito tempo a “estudar” a compra duma. Ao final do dia fui vê-la. Não era uma maravilha, mas em compensação era barata. Ponderei.
Bicicletas do género não eram (nem são) nada fáceis de ver por cá. Também achei não ser razoável fazer muito investimento, porque havia sempre a possibilidade de não me adaptar. A compra à distância deixou de ser opção, e assim, tinha registada a Globe Roll 01 disponível na minha loja de referência. Mas, ainda era cara. Não perdia nada em saber se me conseguiam fazer melhores condições de aquisição antes de tomar uma decisão. Fizeram.
A opção da grande superfície ficou posta de lado e no dia seguinte de manhã, um sábado, estava na loja para levantar a Globe. Entusiasmado e apreensivo. O normal, portanto.
Já lá vão 6 anos. O decorrer do tempo já mostrou diferentes níveis de proximidade e interação, diferentes configurações, entre fixed-gear e singlespeed, e pouca personalização, sendo que a última e mais relevante foi a troca do guiador original por um reto de maior dimensão. O certo é que nunca tive tão próximo desta bicicleta e do seu conceito como estou agora!
A Globe Roll 01 foi a minha janela de oportunidade, a minha porta de entrada num mundo novo, no que diz respeito às bicicletas. Um mundo que me diz muito e com o qual, cada vez mais, me identifico.
Tal como disse em 2014, aquando da sua compra, continuo a dizer com legitimidade e orgulho:


“My legs are my gears”

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09.07.20

Ilustrações trocadas


Rui Pereira

globe_ruinas.jpg

Indeciso quanto à escolha da imagem para ilustrar o meu texto anterior, acabei por escolher aquela que achei fazer mais sentido. A realidade é que a bicicleta em causa é esta que aparece agora, a Globe Roll 01.

Eh Rui, acho que esta é a bicicleta mais bonita que tu tens!

Esta foi uma afirmação mais recente, feita por um amigo, perante uma das minhas bicicletas de carreto fixo, que passou a fazer parte da minha rotina diária, a mesma que apareceu na publicação de ontem, a Gloria Magenta.

Publicações certas com ilustrações trocadas, mas que fazem sentido. Um pretexto para publicar mais umas fotografias destas peculiares bicicletas. O mesmo retorno.

Conclusão: eu sou chato (por estar sempre a carregar na mesma tecla) e estas bicicletas são especiais!

08.07.20

Outro mundo!


Rui Pereira

Esta bicicleta é tão clean, tão simples… É muito bonita!
Às vezes temos a mania… e esta é assim, e…

Foi mais ou menos isso que ouvi quando me cruzei com um casal amigo numa volta de domingo aos comandos de uma das minhas bicicletas de carreto fixo. E se calhar não foi por acaso que surgiu da parte do elemento feminino. O masculino estava mais preocupado em saber se era aquela a bicicleta com que costumava andar… Sensibilidade?
Devo ser um bocadinho suspeito para concordar com estas afirmações, mas estão perfeitamente alinhadas com o que venho defendendo há muito tempo.
Uma bicicleta básica não passa muito de uma estrutura de tubos metálicos soldados, um par de rodas, uma corrente, umas rodas dentadas, um guiador, um selim e umas alavancas com pedais…
É simples, não é?
E esta simplicidade não lhe belisca em nada a beleza ou a função, muito pelo contrário.
Enquanto que o mundo à minha volta continua sedento de inovação, eficácia e tecnologia, numa busca inglória de algo único, como se da última bolacha do pacote se tratasse, com um prazo de validade cada vez mais curto, eu pedalo num mundo paralelo muito mais básico, puro, natural, duradouro, descomplicado e… estiloso!

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05.09.19

Uma velha bicicleta repousa encostada a um poste...


Rui Pereira

Conta com alguns anos e com outras tantas marcas.
Parece já não rolar com a alegria de outros tempos, mas nem sempre tudo o que parece é.
Alguns dos seus componentes mostram-se sujos, desgastados, cansados, mas o conjunto continua a servir os seus propósitos.
Nunca foi uma velocista, portanto não irá encarnar uma agora…
Vale pela nobreza da sua utilidade e pela diferença. Pelos diversos pormenores que marcam a sua diferença.
A velha bicicleta perdeu o brilho que a caracterizava, mas ganhou uma patine que lhe dá um charme único e especial.
Para alguns, não passará de uma bicicleta velha. Para outros, é uma nobre e histórica companheira de duas rodas a pedais que mantém a beleza, a dignidade e a função.
A velha bicicleta repousa encostada a um poste, mas está à espera. À espera de levar e ser levada. Pronta para rolar, cumprir, ir, para onde tiver de ser…

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21.05.19

Quando as diferenças são indiferentes


Rui Pereira

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As duas bicicletas aqui em causa são muito diferentes. Pelos conceitos apresentados, pelos materiais e equipamentos empregues, pelos valores envolvidos.
A proprietária da Btwin Triban 500, que se viu obrigada a comprar uma nova bicicleta depois da sua ter sido roubada, queria uma bicicleta prática, simples, robusta e acessível, que pudesse utilizar à vontade e levar para todo o lado. O proprietário da Specialized Roubaix Comp, já possuidor de uma bicicleta de estrada de inspiração clássica, comprou-a para satisfazer aquele desejo de ter mais uma bicicleta, mais moderna e específica, para usufruir de tudo o que isso implica.
O propósito principal de quem compra uma bicicleta será sempre pedalá-la, mas estas pedaladas poderão ter inúmeras necessidades e direções implícitas. A minha Roubaix é significativamente superior à Triban, mas será que fazia sentido a minha mulher ter algo igual ou equivalente quando os seus objetivos são tão claros e as suas necessidades tão básicas?
Não, não fazia sentido. Ela basicamente quer uma bicicleta que funcione e que a leve até onde as suas limitações pessoais permitirem, não as da bicicleta. Que não lhe exija cuidados, que a bicicleta é para andar. Se cair, caiu. E se está suja, suja fica, que é da maneira que passa ainda mais despercebida.
Fomos os dois, pela mesma estrada e até ao mesmo destino, cada um com a sua bicicleta e à sua maneira. E viemos. Função cumprida!

07.01.19

Fixed Gear / Fixie


Rui Pereira

Se pensar um pouco naquilo que realmente gosto e que mexe verdadeiramente comigo dentro das bicicletas e do ciclismo, as bicicletas de carreto fixo (conhecidas por fixed gear ou fixie) aparecerão obrigatoriamente no topo da lista!
Com certeza que estariam mais presentes na minha vida se as tivesse descoberto com outra idade, se não tivesse um joelho problemático, se fosse mais afoito e se vivesse noutro local, mas isso não me impede de ter uma e de usufruir do que ela tem para oferecer, mesmo com as referidas limitações.
Para além deste segmento específico, gosto especialmente de tudo o que envolva soluções mais simples e tradicionais, tanto por questões estéticas e visuais, como pela menor complexidade implícita. Desculpem-me os apreciadores, mas, por exemplo, eletrónica em bicicletas? Eh pá, não!
Já fui o suficientemente extravagante quando adquiri uma relativamente recente bicicleta de estrada em carbono. Aliás, analisando bem o seu uso e a duplicação de bicicletas do mesmo segmento, com a minha Steel a ser relegada para segundo plano, se fosse hoje, o mais certo seria não o fazer!
Ao nível conceptual as fixie transpiram pureza e afirmam-se como um regresso às origens. Assim eram as primeiras bicicletas. E são um brinde à simplicidade, ao estilo e ao minimalismo. São bicicletas únicas e funcionais, reduzidas ao essencial, onde até os travões são dispensáveis!
Se estaticamente impressionam, o que dizer no aspeto dinâmico. São exigentes e desafiadoras, mas ao mesmo tempo intuitivas e naturais, logo que haja abertura para sentir o seu funcionamento. A relação homem/máquina está bem presente e basta ver alguém competente aos seus comandos para perceber como as duas partes funcionam como uma só!
As fixed gear são encantadoras e apaixonantes como mais nenhumas!

11.12.18

Tão diferentes, mas tão iguais!


Rui Pereira

Nisso das bicicletas há inúmeras atitudes e formas de estar por parte de quem anda nelas, o que motiva diferenças enormes de andamento e de habilidade aos seus comandos.
Pensar na generalidade, onde existem apenas dois grupos diferentes, os profissionais e os entusiastas, diferentes entre si, mas internamente homogéneos, não é correto.
Aqui interessa-me falar essencialmente dos entusiastas, muitos deles verdadeiros atletas, onde a vastidão dentro do grupo é imensa.
Para quem está dentro do meio, isso nem sequer é assunto, por ser tão óbvio e indiscutível, mas sou muitas vezes interpelado por pessoas de "fora", que demonstram um grande desconhecimento neste sentido, não conseguindo alcançar o fosso que pode haver numa comparação entre praticantes aparentemente semelhantes.
A regularidade e a intensidade da prática, para não falar em métodos de treino, onde todo um modo de vida converge para o aumento da performance, fazem toda a diferença. Mesmo considerando unicamente o estatuto de amador e a possibilidade de não haver sequer uma grande intenção a montante.

Meti-me c'a besuga num camin que nã conhecia...
Aquilo era sempre a subi, mas era même a subi c'mó demónio!
Tava penande o gadêie, quase pronte pa Dês me levá...
Quande passa por mim um petchéne... C'ma nada!
- O senhô tá bem? - pergunta.
- Tá tude bem, sagrade! - respondi, tentande escondê a cara más páleda que um defunte.
- Sim senhô, té logue entã! - diz, acelarânde como se tevésse um motô na bcecléte!
Nisse, oia pa trás e apanha-me a fazê focins de dô. Nã dê tempe de desfarçá!
Ri-se, même c'aquela cara de gozanim, e dê-lhe semp'im quent...

E quem diz andar mais, diz ultrapassar obstáculos, saltar, fazer acrobacias e por aí a fora!

Isse há praí cada cabeça douda!
Esses demones fazim é cavalins, é burrins, é truques, é pules...
- Êh maldites, vocezes tamam devim de dá cada estacada, crêde!
E ê que pinsava que sabia andá de bcecléte e afenal nã sê fazê nada que se veja...
Sou même um zabela!

Claro que existem fatores importantes como a idade, a maneira de ser, o histórico desportivo e até a genética, mas a disposição, a entrega e a vontade de concretizar objetivos e de se superar são determinantes.
Óbvio é também o facto de que nem todos têm este propósito quando pedalam numa bicicleta. Eu sou um deles. Tenho uma visão mais abrangente e combinada das pedaladas, mas não deixo de reconhecer quem apresenta esta capacidade.

Às vezes, ouço alguns entusiastas criticar outros entusiastas, por supostamente pensarem ser profissionais, como também ouço estes outros entusiastas, supostamente profissionais segundo alguns entusiastas, que estes mesmos entusiastas não andam nada!

Todos entusiastas, tão diferentes, mas tão iguais!

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

03.08.18

Diferentes


Rui Pereira

Tenho bicicletas de origem americana e portuguesa. São marcas bastante diferentes entre si, com uma oferta e um posicionamento de mercado completamente distintos. Mas gosto de todas!
A americana Specialized é uma marca de topo com a qual já tenho uma relação de longa data. Por isso mesmo, é a que recorro normalmente seja para a aquisição de bicicletas, acessórios e equipamentos. E depois existem as exceções que confirmam a regra.
Nem sempre compramos exatamente aquilo que queremos, por uma série de circunstâncias e limitações que não conseguimos controlar, mas sim aquilo que podemos e nos proporcionam comprar. Há sempre uma questão de conveniência que nos pode aproximar ou afastar do pretendido.
Confesso que, desde o tempo das motas, tenho uma preferência pelas produções de origem europeia, em particular pelas italianas. Nas bicicletas acontece o mesmo. Gosto muito da Specialized, foi, é e será sempre uma opção segura, mas o meu coração, lá no fundo, palpita por uma… COLNAGO!

colnago_master.jpg

Imagem: Colnago

 

Se calhar as coisas têm de ser mesmo assim. É que o encanto e o deslumbramento derivados da imagem, do prestígio e da história, também são acentuados pela menor acessibilidade.
E quem fala em Colnago (uma das minhas marcas preferidas de sempre), fala em muitas outras marcas italianas e europeias que têm uma oferta diferente, mais carismáticas, menos de massas…
E a questão é exatamente essa, não é serem melhores, é serem simplesmente diferentes!