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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.05.19

Electra Hawaii


Rui Pereira

Uma amiga queria comprar uma bicicleta. Um amigo queria vender uma bicicleta. Em causa, uma espetacular cruiser – Electra Hawaii. Fiz de mediador e o negócio concretizou-se. Fui levá-la. Por razões várias, a amiga acabou por não andar na bicicleta como seria suposto. Mas tenciona agora inverter a situação, e assim, lá a fui buscar, apenas para uma verificação geral, considerando o tempo que esteve parada.

electra_hawaii.jpg


Precisou de ar nos pneus, um ajuste no travão dianteiro, a lubrificação da corrente, limpeza de alguns componentes e uma passagem geral com silicone para lhe dar ainda mais brilho. Ah, substituí a tampa da válvula do pneu traseiro! Tudo intervenções que traduzem o seu excelente estado de conservação. Aliás, bastaria ter adicionado ar nos pneus para ela já ficar apta e impecável.
Fui dar uma volta com ela (como não?) e, mesmo exibindo demasiadas flores para o meu gosto, é uma delícia de pedalar. Atenção, é um estilo específico, feita para rolar confortavelmente nas calmas. De dimensões e peso consideráveis, pneus gordos e desmultiplicação a contar com apenas 3 velocidades internas, revela vocação para rolar em locais planos e espaçosos.

electra_orbita.jpg


O seu “travão de pedal”, que se aciona rodando os pedais para trás, exige alguma habituação, principalmente para quem nunca teve contacto com o mesmo, até porque o mais convencional travão dianteiro de ferradura serve apenas como auxiliar, revelando um comportamento muito pouco contundente.
Não são defeitos, são caraterísticas. Tal como é a sua excelente qualidade de construção e elevada atenção aos pormenores, a sua estética exuberante e o seu extraordinário conforto!

09.05.17

A bicicleta da Sónia!


Rui Pereira

- Rui, tens de ajudar a Sónia a encontrar uma bicicleta!
Foi assim que tudo começou. Foi assim que, não sendo protagonista, fui envolvido num episódio daqueles com final feliz, como uma espécie de olheiro-consultor.
Mas assim de repente, sem qualquer indicação, ajudar como? – Era o meu dilema.
Um dia depois tive a resposta. Um daqueles acasos felizes. Quando verificava novas publicações nos grupos do costume, na rede social facebook, dou de caras com um anúncio de venda de uma bicicleta. Não era um anúncio, era o anúncio. Não era uma bicicleta, era a bicicleta!
Esta bicicleta tinha uma mensagem subliminar gravada. Um nome. Sónia! Era a cara dela!
Uma cruiser de senhora, verde água metalizado, com óbvios motivos florais, pneus de faixa branca, 3 velocidades internas, travão contrapedal, mega guiador cromado, em excelente estado de conservação e com um bom preço. Linda! Linda! Linda!
Procurar mais? Para quê? Era esta!
Faltava dar conhecimento à verdadeira interessada. No entanto, não vou esconder que ficar com ela passou-me pela cabeça! Mas não, tinha de ser realista, não lhe iriamos dar o devido uso. E depois, reforço, esta cruiser era a cara da Sónia!
Lá a viu. Amor à primeira vista, como era previsível! Como não?!
Com um misto de apreensão e entusiasmo avançou para o contacto com o vendedor, curiosamente meu companheiro de pedaladas de outros tempos. Ficou tudo combinado para o final da tarde do dia seguinte.
Lá fomos. Ao entrar na garagem, mesmo considerando o esmero da sua proprietária na sessão fotográfica para os devidos efeitos, a opinião foi unânime, muito mais bonita ao vivo do que nas fotografias!
A troca de palavras entre os intervenientes deixou vir ao de cima o gosto pelas bicicletas que ali se vivia. E isso faz toda a diferença. Sentimo-nos bem entre pares, entre quem partilha os mesmos gostos. Identificamo-nos.
Após um dispensável e breve teste, o negócio estava naturalmente fechado e nem foi preciso proferir qualquer palavra nesse sentido.
Bicicleta no suporte e despedidas mais ou menos sentidas. Mal sabia o que lhe esperava. Para além de um inesperado desvio ao norte da ilha, a cruiser ainda se foi mostrar a duas amigas e apanhou uma monumental carga de água em cima do carro, mesmo à porta da sua nova casa! Não suficiente para fazer murchar as suas inúmeras e viçosas flores, diga-se.
Com os ânimos mais calmos era altura da Sónia experimentar a sua nova bicicleta. Ela que estava algo reticente pela sua falta de prática, ainda para mais perante a novidade do travão de contrapedal. Mas correu bem, claro.
Todo este episódio foi rápido, inesperado, natural e fluído, e acabou num dia com um final feliz para todos. O que não será alheio o facto de envolver uma bicicleta!
A Sónia não podia estar mais feliz com a sua nova bicicleta e nós tão felizes por ela como se a bicicleta tivesse sido para nós.