Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

23.07.19

Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima…


Rui Pereira

Cedo habituei-me a empenhar uma condução defensiva. Tal como ganhei algum à vontade em circular nas e entre as filas de trânsito. A mota a isso obrigava.
Foram aprendizagens positivas e importantes e, de imediato, aplicadas na condução das bicicletas.
De facto, circular num meio de locomoção suave entre as ciclovias e as estradas, algures no meio dos peões e dos automóveis, obriga a alguma ginástica mental e a uma capacidade de análise de comportamentos, no sentido de prever os movimentos dos primeiros e as possíveis manobras dos segundos.
Mesmo assim, existem sempre surpresas.
Surpresas também da parte de quem vai sobre os pedais. Pelo menos para mim. E não estou a falar de comportamentos arriscados e fora da lei, embora na verdade alguns também o sejam. Falo de excesso de zelo e de cuidados. Desde logo encarando a bicicleta como um objeto perigoso. De ter um medo excessivo de circular na estrada, vendo perigo em tudo e todos.
Circular em bicicletas desajustadas ao nível ergonómico; circular demasiado junto às bermas, ou pior, pelos passeios; circular em contramão; circular a velocidades demasiadamente reduzidas, são alguns exemplos.
Estes comportamentos são bem capazes de serem mais perigosos do que os supostos perigos que teoricamente se estão a evitar.
Atenção, a estrada é um ambiente perigoso e quanto mais movimentada pior. Mas circular constantemente com medo e estar sempre a pensar nos perigos, e que algo de mau pode acontecer, não é a melhor forma de evitá-lo. Aliás, é a pior.
Circular numa estrada de bicicleta requer atenção e cuidado. Estar alerta. Mas também saber marcar a nossa presença, com um posicionamento e velocidade adequados às condições.
Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima… Já não andava de bicicleta!

24.06.19

"Rimango Sola"


Rui Pereira

allez_hortensias.jpg


Ouvi pela primeira vez Yolanda Soares decorria o ano de 2010, o mesmo do lançamento do seu álbum “Metamorphosis”. Uma talentosa artista portuguesa que desconhecia por completo até então. Fui imediatamente cativado por um som incrível que revelava uma fantástica fusão entre o clássico e o moderno. E a sua voz… Bem, a sua voz…

24.06.19

Specialized Allez Steel – Sempre!


Rui Pereira

alle_steel.jpg


Depois de uma pesquisa e respetiva análise, a decisão de compra desta bicicleta surge com uma pequena e infantil chantagem - “Eu só vou, se comprar esta bicicleta!” Isso foi num fim-de-semana. Segunda-feira estava na loja a encomendá-la.
A sua aquisição marcou, definitivamente, o ponto de viragem na minha forma de encarar o ciclismo e as bicicletas. Antes, estava demasiado formatado pelas influências do meio onde me inseria. Depois, tudo mudou. Comecei a valorizar o básico, o simples, o clássico, o retro. Vi que as bicicletas eram muito mais do que ferramentas de desporto e competição. Passei a seguir os nichos em vez das massas. Descobri novas culturas e estilos de vida que giram em torno de outras bicicletas. Nunca mais olhei para trás!
Durante algum tempo foi a minha única bicicleta de estrada. Os constrangimentos e até o sofrimento que senti aos seus comandos, não são nada comparados com o gozo e o prazer que tive, e tenho, sempre que saio com a Allez à rua. Aliás, mesmo sem sair, só apreciar-lhe a beleza estaticamente já é motivo de orgulho e regozijo.

11.04.19

Estrada!


Rui Pereira

De repente, sou assaltado por pensamentos que me afligem, como que por uma impulsão masoquista. Apoquentado, faço por me libertar e tento concentrar-me na pedalada.
Sinto o peso da inclinação da via nas pernas e socorro-me do manípulo direito para levar a corrente para uma posição superior. Um toque. Dois toques. Dou ainda um terceiro à procura daquele conforto que tardava em chegar.
A respiração ofegante faz-me erguer a cabeça…
Assim que olho em frente, numa autocensura instantânea, solto para dentro:
Deixa-te de merdas e aproveita!
O cenário que envolve a tira de asfalto onde me desloco é único!
Árvores de folha caduca, com os seus ramos despidos a ondular ao vento, marcam o fim da estrada, mas também o princípio de verdes pastagens de erva viçosa. Lá mais ao fundo, o verde ganha outra tonalidade. As volumosas árvores, ao contrário das primeiras, mantêm toda a sua integridade. Num último patamar, as imponentes montanhas deixam-se vislumbrar por entre a neblina. Tudo isso envolto num sereno ambiente sonoro, entre o canto dos pássaros e o peculiar som da vegetação, ao ritmo da ligeira e fresca brisa que se faz sentir.
Pedalar numa estrada onde nos é permitido usufruir desta ambiência é um privilégio. E nem sempre valorizamos isso. Seja pelo hábito e por a darmos por algo adquirido, seja por levarmos demasiada bagagem na mente. Ou simplesmente porque temos o foco no destino e esta estrada, e respetivo cenário circundante, não serem mais do que um meio para atingir o fim.
Deixo as aflições que me assombravam a mente. Esqueço as dores associadas ao esforço físico. Às vezes, basta tão pouco para nos sentirmos bem. Uma bicicleta, uma estrada… e toda a sua envolvência!

estrada.jpg

02.04.19

Pedalando...


Rui Pereira

É aos seus comandos que estou bem. Com os sentidos despertos, mas tranquilo. A usufruir da estrada e do ambiente que a envolve. Sou o seu passageiro, mas também o seu motor. É a minha força física e o movimento contínuo da pedalada que a impulsiona para a frente. Ouço as árvores agitadas pelo vento, os pássaros, o caraterístico roçar da borracha sobre o asfalto. Somos só nós os dois. Eu e ela. Mas ao mesmo tempo, sou só eu. A pedalar. Só, apenas com os meus pensamentos.

roll_rolar.jpg

08.01.19

II Ride dos Reis - Monbike


Rui Pereira

– Queres ver que tenho de tirar um curso para conseguir “calçar” estas VeloTóze?
Foi uma das questões que me veio à cabeça nesta desagradável manhã de domingo…
Logo depois do dilema – Vou ou volto para a cama?
E ainda mais um – Levo ou não levo impermeável?
Outro – Ligo ou não ligo ao meu primo a dizer que não vou?
Fui, já não estava a chover, mas estava um ventinho bem desagradável.
Cheguei em cima da hora. Estava frio. Foto de grupo. Partida!
Lá fomos, mais rajada menos rajada…
Sempre com o meu primo, ora com o grupo ora mais isolados.
A minha bicicleta “mandou” uns sons violentos por duas vezes! Não sei… 
O percurso foi encurtado pela organização. E por mim também.
Despedi-me do meu primo, desejei-lhe boa sorte e cortei direto para casa.
Encostei a bicicleta e não olhei mais para ela. Limpa sei que não está…

ride_reis_2.jpg
Imagem: Monbike


Também participei no I Ride dos Reis. Aqui fica o relato.

10.12.18

Mais um passeio de bicicleta sem grande história…


Rui Pereira

Nunca mais tinha ido às Furnas. Foi para lá que fui ontem. E é provável que vá lá novamente para a semana.
Mais um passeio sem grande história, com um ritmo a oscilar entre o calmo e o ligeiro. Optei pelo trajeto Norte/Sul, que não é o mais conveniente para mim, mas acho que é o que gosto mais.
Algures entre a Ribeirinha e o Miradouro de Santa Iria aconteceu uma situação curiosa e engraçada. Começo a avistar ao longe um companheiro de bicicleta. Aos poucos vou-me aproximando até que o alcanço e cumprimento-o à passagem, como é habitual. Já ia uns metros adiantado quando ouço algo do género:

"Bela máquina! Foi bem estimada!"

Era o anterior proprietário da minha Roubaix, que obviamente a reconheceu e fez questão de se manifestar. Não o reconheci. Já lá vai um ano e meio e nunca tinha acontecido cruzarmo-nos. Trocamos algumas palavras e lá segui caminho.
Há voltas em que me cruzo com pouca gente e apenas desconhecidos, esta foi ao contrário. Já tinha acontecido logo antes desta situação, voltou a acontecer depois, e novamente a sair das Furnas pela sua… (escolher o adjetivo mais apropriado) calçada! E ainda na cidade de Lagoa, com repetição na última grande dificuldade.
Esta volta, para mim, tem quatro grandes dificuldades! A subida para a Mata Dr. Fraga, a calçada da Lagoa das Furnas, o Pisão e, finalmente, a Duarte Borges. As restantes sofrem-se… Mas também existem alguns pontos de interesse, Pedras do Galego e a descida Furnas/Vila Franca.
Na cidade de Lagoa, mais uma situação, desta feita não muito agradável. Numa zona a descer em que vinha a rolar bem, um rapaz com uma scooter preparava-se para arrancar, saindo de cima do passeio para a faixa de rodagem, exatamente no momento em que passava. Dou um grito, desvio-me ligeiramente para a esquerda e aperto os travões, tanto que senti a roda traseira a deslizar lateralmente, mas felizmente o rapaz ouviu-me (foi um grande grito!) e parou de imediato. Soltei um valente palavrão (ou vários) e prossegui aliviado. Foi apenas um cagaço!
Mais um domingo, mais um passeio de bicicleta sem grande história…

27.11.17

Nordeste


Rui Pereira

De bicicleta ao Nordeste? Sim, já fui uma vez. Exatamente na última edição de um evento apelidado de Nordbike, organizado por uma grande entusiasta das bicicletas. Curiosamente, no fim de semana de inauguração das novas SCUT’s. Este evento consistia em percorrer o trajeto Ponta Delgada/Nordeste via Norte no sábado e Nordeste/Ponta Delgada via Sul no domingo, com pernoita na então Estalagem dos Clérigos, onde os participantes podiam usufruir de um cuidado e animado programa social. Na altura fi-lo com a única bicicleta de estrada que tinha, a Specialized Allez Steel. Foi duro, principalmente o regresso, mas no geral, uma bela experiência, que me traz sempre boas recordações.

 

roubaix_nordeste1.jpg


Daí para cá nunca mais rolei para aqueles lados, mas recentemente surgiu a vontade de fazê-lo. Ontem foi o dia. Mas não foi assim tão bem escolhido, depois de algumas outras tentativas frustradas. Saí relativamente cedo de casa (não o suficiente para chegar aonde queria) e o tempo não me parecia especialmente mau. Não parecia, mas fui bem enganado. Fiz o percurso praticamente todo debaixo de chuva (vá lá que não estava muito vento)! Aliás, se bem (ou mal) me lembro, já no Nordbike, entre Nordeste e Povoação, água foi o que não faltou… Aquando da prova de resistência de BTT nas Sete Cidades, alguém dizia que não se importava de andar com mau tempo e debaixo de chuva, mas que já começava a fartar. Digo o mesmo. Caramba!
Mas paciência, antes assim do que ter ficado em casa. A volta em si é muito boa e vale a pena, mesmo sob condições menos favoráveis. Queria era ter ido um pouco mais além, mas estava condicionado, já que queria chegar a casa a horas. A ida foi feita com tranquilidade, até porque a partir de certa altura não sabia bem o que me esperava, já que tenho poucas referências daquela zona da ilha. Quando vi que já tinha gasto metade do tempo disponível inverti o sentido da marcha para regressar. Vim mais ligeiro, tanto que acabei por chegar antes da hora, o que me deu margem para lavar a bicicleta, que se encontrava  num estado pouco recomendável.

 

roubaix_nordeste2.jpg


Por falar em bicicleta, já é a segunda vez que noto uma situação curiosa e desagradável circulando em piso molhado. A partir de certa altura, torna-se quase impossível rolar com a corrente posicionada nos carretos do meio da cassete, pois sente-se aquele desagradável e instável comportamento de mudança mal engrenada, do querer saltar da corrente, o que não permite de todo uma pedalada fluída. Uma situação a verificar por quem sabe mais do que eu, que transmissão é coisa com que nunca atinei. E se calhar também não seria mal pensado adquirir um lubrificante específico para estas condições.
Claro que terei de ir novamente ao Nordeste. De preferência com mais tempo, menos chuva e sem comportamentos estranhos da bicicleta!

07.11.17

Na companhia da velha guarda!


Rui Pereira

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.