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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

26.03.20

Ficar em casa!


Rui Pereira

Hoje levantei-me relativamente cedo, fiz a barba e restantes práticas higiénicas, vesti-me e bebi um copo de café. Fiz umas flexões.
Podia ser a descrição de um início de dia ideal para quem está a trabalhar a partir de casa, onde as rotinas são mantidas, mas não passa de uma exceção. As flexões, por exemplo, já nem sei quando foi a última vez...
Não que tivesse uma vida muito ativa e entusiasmante, mas como metódico que sou, tinha as minhas rotinas e os meus hábitos bem implementados, segmentados e organizados. Esta mudança abrupta deixo-me um bocadinho à toa, que é como quem diz, desmotivado e preguiçoso.
Ficar em casa e não ter de ir trabalhar foi o que sempre quis, mas não nestas circunstâncias!
Tenho falhado nas rotinas, na alimentação, no exercício físico, na escrita. Nem tenho vindo aqui para acompanhar as publicações de quem sigo. Mesmo com as normais obrigações relativas ao teletrabalho, agora que supostamente tenho mais tempo e mais devia fazer, nem que fosse para distrair de toda a triste realidade que se vive atualmente, menos faço.
Não faltam exemplos positivos de quem não se deixa abater pelas novas circunstâncias e faz, treina, arruma, cria, inventa...
Mas hoje levantei-me relativamente cedo e quis inverter esta tendência. Por isso escrevo este texto, na tentativa de desabafar, motivar-me e comprometer-me. É que agora, mais do que nunca, a falta de tempo não é desculpa!

04.03.20

Estilo de vida ativo!


Rui Pereira

Ter um estilo de vida ativo não é apenas ir ao ginásio. Não é só fazer desporto ou exercício físico específico. Na verdade, também é, mas não é só.
Ter um estilo de vida ativo implica ter uma abordagem ativa nas rotinas diárias, naquelas pequenas coisas que fazemos todos os dias sem nos dar conta da sua regularidade e importância.
Ter um estilo de vida ativo sugere a troca do automóvel pela bicicleta numa curta deslocação urbana, ou simplesmente fazê-la a pé. Sugere a troca do elevador pelas escadas. O levantar da cadeira para andar e alongar se passamos grande parte do nosso dia sentados…
Ter um estilo de vida ativo é comer pouco e bem. É hidratar-nos. É fugir de hábitos e vícios nefastos à nossa saúde. Mas é também saber abrir algumas exceções.
Ter um estilo de vida ativo convida a “surfar” em terra sobre um skate, a caminhar na natureza, num percurso junto ao mar ou mesmo na praia. Convida a apanhar sol nesta mesma praia, mas também a trocar a toalha por umas braçadas ou por uns “pontapés” na bola com o rapaz…
Ter um estilo de vida ativo é associar a prática de exercício físico ao que mais gostamos de fazer. É juntar o útil ao agradável.

No campo do exercício físico a tendência é para elevar fasquias, gerar objetivos, aumentar as dificuldades e os desafios. Até um certo ponto faz sentido, mas não é difícil cair-se no exagero.
Instintivamente, tenho seguido na direção oposta. Na que aponta ao equilíbrio, à regularidade, à diversidade e à moderação. Na direção que me diz que o exercício físico, tal como toda e qualquer atividade levada ao extremo, não é benéfica.
Tem de haver vontade, foco e alguma intensidade, mas quer nos meus exercícios localizados quer nas minhas pedaladas, a atitude é simplificar e descontrair. É aproveitar o momento e usufruir do ambiente que nos rodeia, algo que acaba por ficar esquecido se estivermos demasiado concentrados em concretizar objetivos.

Esta não é uma receita de estilo de vida ativo. Esta é a minha receita de estilo de vida ativo!

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24.01.20

Descartar maus para colher bons!


Rui Pereira

Aos passeios dominicais de bicicleta juntam-se o mar e os exercícios localizados diários, que me permitem manter a forma física e o equilíbrio psicológico pretendidos. Neste sentido, a alimentação tem vindo a ser ajustada, quer em quantidade quer em qualidade, depois de uma época de alargamento das exceções. O descanso tem sido assegurado.
Os passeios de bicicleta têm ganho alguma dimensão, já que acordo mais cedo e tenho mantido uma interessante disciplina depois dos mesmos, no sentido em que não estou a deixar as minhas bicicletas sem cuidados, semana após semana, tal como acontecia anteriormente.
Pode parecer um contrassenso, mas ter excluído definitivamente o ginásio das minhas rotinas foi fundamental. Ao contrário de muitos, há algum tempo que deixei de ver os ginásios como essenciais para a prática de exercício físico. Assim, deixei de ter o que para mim já era uma obrigação, poupando simultaneamente dinheiro e tendo tempo livre para outras coisas, nem que seja estar sem fazer nada. Por exemplo, tenho aproveitado para intervir nas minhas bicicletas.
Mantenho a forma, mas acima de tudo estou muito mais equilibrado. Claro que quantidade não é qualidade, logo que estejam garantidos os mínimos para o efeito. E estão.
Mesmo que tudo à volta se esteja a desmoronar, e também por isso, é fundamental manter a prática, porque tenho de me agarrar a alguma coisa, portanto, que seja a algo natural, aconselhável e benéfico.
É o cansaço físico que me faz descansar mentalmente. As frustrações descarrego-as em cima de uma bicicleta com umas vigorosas pedaladas. E no chão, com umas centenas de flexões de braços!

22.11.19

Kettlebell


Rui Pereira

Tive vários anos a treinar com o que havia disponível no local onde o fazia. Como forma de compensar as limitações sentidas, adicionei uns pesos, dois halteres e dois discos. A certa altura fui obrigado a descartá-los.
Agora, e descartada voluntariamente a opção ginásio, continuo a contar com o que o local de sempre me proporciona, mas complementei com um “novo companheiro de treino” – um kettlebell.

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Claro que não tenho as possibilidades e a diversidade dos locais específicos, mas tenho outras coisas que não têm preço – o mar e a amizade!
Questionam-me, com admiração, se ando com o kettlebell para cá e para lá. A resposta é sempre a mesma…
Vai e vem na caixa da bicicleta. Só tenho de ter algum cuidado, porque o peso vai muito concentrado e numa posição elevada, influenciando a condução e mesmo o manuseamento da bicicleta parada. De resto, e no pior dos cenários, é mais exercício que faço.  

05.11.19

Definição tranquila!


Rui Pereira

Regressei ao ginásio em setembro. Desta feita e mais uma vez, o meu objetivo era ganhar peso, ou seja, massa muscular. Não é a primeira vez que acontece, mas espero que seja a última, uma vez que os resultados acabam por ser pouco satisfatórios. Talvez não seja mesmo o que realmente quero.
Sei que até consigo aumentar a massa muscular, mas que vem acompanhada por alguma massa gorda que considero desnecessária. Depois as práticas requeridas não estão de acordo com aquilo que acho ser razoável nos respetivos parâmetros. Acabo por comer demais e arriscar nos treinos.
Para além de descartar a "brincadeira" Ficar Grande! vou também deixar o ginásio. Sim, apenas o frequentava por uma questão de oportunidade, mas estava a forçar demasiado uma coisa que há muito deixou de fazer sentido. Sempre gostei de musculação e de ginásios, e existem coisas positivas nos mesmos, como por exemplo, o convívio. Mas depois há todo um outro lado pouco natural, que deixei de compreender e apreciar quando iniciei a prática de exercício físico ao ar livre.
Praticar ao ar livre, na praia, na natureza é tão mais satisfatório. Igualmente eficaz para os meus reais objetivos, modestos e moderados, daí não precisar de grandes equipamentos ou exercícios mais específicos. Chegam-me alguns básicos de força, umas braçadas, umas caminhadas, e claro, pedalar as minhas bicicletas!
E fico bem com menos comida. Três a quatro refeições diárias, nas devidas proporções e com a qualidade necessária. A minha água. As minhas bebidas quentes, entre chá, café e infusões. O meu chocolate com elevada percentagem de cacau... A prática de jejum intermitente. Cuidados básicos, mas sempre com permissão para exceções. Sinto-me melhor fisicamente e fico de consciência tranquila.
De falta de energia também não padeço, por tudo o que disse acima e porque faço por respeitar os meus tempos de descanso.
Objetivo: Saúde e definição tranquila!

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Fotografia: Luís Fraga (2017)

31.10.19

Foi a bicicleta que me ensinou…


Rui Pereira

Ao comparar as fotografias da minha participação na mesma prova de bicicletas, com uma diferença de 9 anos entre si, constatei que ter adquirido e voltado a andar de bicicleta foi uma influência muito positiva, para implementar novos hábitos e mudar a minha perspetiva numa série de realidades pessoais.

Se é incontornável que hoje estou mais velho 9 anos, também é certo que me sinto melhor e considero estar com melhor aspeto.

Aprendi a comer, a exercitar-me, a valorizar aquilo que não alcançava, a fazer o que não achava exequível, a saber o que posso e não posso fazer, a deslocar-me, a libertar-me de preconceitos, a conhecer o meu corpo, atributos e respetivas limitações.

Foi a bicicleta que me ensinou…

Foi a bicicleta que me levou a pedalar mais vezes por semana, para ter outro à vontade no domingo. Foi a bicicleta que me levou a variar nos exercícios, a conhecer novas modalidades e a voltar a outras, entretanto esquecidas. Foi a bicicleta que me levou ao mar e aonde foi preciso. Foi a bicicleta que me ensinou que é possível fazer exercício fora de 4 paredes, na rua, na natureza. Foi a bicicleta que me alertou para a importância da hidratação e da alimentação. Foi a bicicleta que me ensinou que os hábitos tiram-se e põem-se. Foi a bicicleta que me despertou para a importância da gestão do esforço, da presença do desafio, mas também para descartá-lo se a sua dimensão assim o impor. Foi a bicicleta que me levou a ser mais aberto, curioso e a experimentar.

Foi a bicicleta que me levou a fazer muito mais do que apenas pedalar.

Foi a bicicleta que me ensinou. É a bicicleta que me ensina!

16.10.19

Ficar Grande!


Rui Pereira


Motivação com... Calum Von Moger! - Grande é favor!

É uma afirmação muitas vezes feita lá no ginásio. Essencialmente em tom de brincadeira, sendo que dessa, uns fazem mais uso do que outros. Na verdade, acho que todos queriam… Gajos! Seja como for, rimos bastante à custa disso. Não é só treinar, também é preciso descomprimir um bocadinho.

Objetivo verão 2020: Ficar Grande!

É. Mais ou menos. De facto, e pessoalmente, quero ganhar mais algum peso nos próximos meses. A última vez que me pesei, no final da primavera, se não me falha a memória, estava entre os 72/73kg. Entretanto, já ganhei 4kg – já estou a Ficar Grande!. Não, ainda não... Ainda!
Tenho alguma facilidade em ganhar e perder peso, mas só até um certo ponto, já que quando se trata de ganhar tamanho – Ficar Grande! – lá está, as coisas mudam de figura.

Ficar gordo é uma coisa, Ficar Grande! é outra!

A ideia é o aumento de massa muscular. Claro que tenho treinado mais, e quero acreditar que melhor também, e tenho comido bastante. Mais proteína. O descanso é que ainda tem de ser ajustado, incrementando mais uma hora de sono, por exemplo.

Quero Ficar Grande! Porque sim.

O conceito Ficar Grande! é sempre relativo. Para mim, é ultrapassar os 80kg! Sim, para alguns é ridículo, com certeza.

Ficar Grande! não é Ficar Enorme!

Até porque para Ficar Grande À Séria! ou Ficar Enorme! não basta querer, é preciso fazer por isso.

E eu não consigo quero!

(Julgo que haverão próximos capítulos...)

10.10.19

“Filmes de gajos”


Rui Pereira

E por causa disso dos filmes de ação – “filmes de gajos”, como lhes chamo - e de atores como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris…

Na escola, gostava das aulas de educação física, mas era dos últimos a ser escolhido para formar equipa; nunca tive ligado a nenhum clube ou equipa, nem tinha qualquer atividade extracurricular; não tinha grande forma física e era muito pouco ágil; o exercício físico que fazia resumia-se essencialmente a andar de bicicleta e jogar à bola com o meu irmão e amigos, que com o passar do tempo foi sendo cada vez mais raro…

Só comecei a prática regular de exercício com 19 anos, cedo para alguns, mas muito tarde para outros, inclusive para mim. Musculação, claro! Influências dos filmes? Talvez. Entretanto passei pelo Karaté e muitas outras atividades “fitness”, até hidroginástica, sempre com a musculação como base.

Era obstinado. Saía disparado do trabalho para o ginásio e, muitas vezes, só de lá saía quando fechava. Passei por várias fases, ora mais ora menos motivado. O único interregno que fiz durou cerca de 3 anos.

Voltei, mais calmo e descontraído, mas determinado. Muito pedalei. Deixei os ginásios a favor do exercício ao ar livre e em contacto com a natureza. Continuei a pedalar, e não só!

Mais recentemente, e por causa do futebol, desporto pelo qual nunca nutri grande gosto ou simpatia, voltei ao ginásio e à musculação. Não foi um esforço. É uma das minhas modalidades de eleição e é uma forma de aproveitar o tempo. O tempo do treino de futebol. O futebol que o meu puto pratica. O futebol que passei a ver com outros olhos, por razões óbvias, mas que nunca será a minha modalidade.

Filmes com atores de corpos trabalhados, tiros e pancadaria com fartura, perseguições malucas, algumas(?) mentiras à mistura… se calhar influenciaram-me de forma determinante… e sim, definitivamente e também por isso, continuo a gostar de “filmes de gajos”!

09.07.19

"O senhor é barra!"


Rui Pereira

Pausa para almoço. Estava a chegar ao local do costume para mais uma sessão de exercício, quando sou brindado com um elogio por um miúdo que lá estava:

- O senhor é barra!
- Hein?
- O senhor é barra!
- Ah… Mais ou menos! (risos)

No mesmo local, interrompi a referida sessão para ir ver a bicicleta nova de uma amiga que finalmente concretizou o seu objetivo. Ao tempo que me abordava sobre o tema! Foi a sua estreia. A bicicleta escolhida foi uma simples dobrável, acima de tudo pela facilidade com que se transporta na mala do carro e se arruma em qualquer local.
Já de regresso, aos comandos da minha Órbita, cruzo-me com uma desconhecida que também seguia de bicicleta. Aliás, andava calmamente a desfrutar da bicicleta para cá e para lá.
Em ambos os casos, mesmo com os possíveis constrangimentos associados, perfeitamente normais, as suas caras espelhavam a satisfação, a liberdade, a realização e o orgulho que sentiam. Reconheço logo, até porque não raras as vezes também o sinto. Ainda o sinto. E sei que também consigo transparecer isso mesmo.

18.06.19

De trás para a frente!


Rui Pereira

Preso a preconceitos limitados, previsíveis, limitadores.
Agarrado a ideias castradoras e inibidoras da visão.
Base comodista e consumista, focado nas coisas triviais, atribuindo-lhes destaque.
Vida pequena e vazia. Efémera. Olhos nos pés e no chão.
Iludido, não vê a realidade. Cego pela sua verdade.
Um dia, compra uma bicicleta. Acorda. Alarga horizontes.
Muda de rumo, num claro regresso às origens. Ao simples, ao básico.
Reencontra a sua terra. A natureza. As tradições. Vê o mar.
Pedala. Anda a pé. E valoriza.
Liberta-se da ideia quadrada do exercício entre paredes.
De um complexo processo de busca e aquisição de artefactos e suplementos.
Compra outras bicicletas, naturalmente.
Compras amadurecidas, sem impulso nem acaso. Isentas de exacerbadas pressões de satisfação imediata.
Usa. Aproveita. Desfruta.
Desperta para a importância de um simples rascunhar à mão, com papel e caneta.
Ganha consciência. Pessoal e ecológica. Vê para além do que achava suposto. Cresce!

O paradoxo da sua evolução reside na consciência de que as coisas são efémeras e ilusórias, às quais não deve ser atribuído o papel principal. Mas foram as bicicletas, também elas coisas, que lhe despertaram para uma nova realidade, que lhe abriram portas para todo um novo mundo de possibilidades. Mais adequadas, prementes, simples, melhores.

Não falo de mim. Falo de um amigo de um amigo meu.