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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

19.04.14

Determinação e força de vontade vs. Prazer e compensação


Rui Pereira

De vez em quando certas pessoas elogiam-me pela minha determinação, força de vontade e disciplina no que toca aos cuidados físicos. Deste logo este é um indício destas pessoas serem boas pessoas. Não por me elogiarem, mas simplesmente pela capacidade de elogiarem alguém. Infelizmente não me acho merecedor destes elogios, exatamente por não achar que tenha estas qualidades em doses dignas de registo.
Na verdade, as minhas ações são essencialmente motivadas pelo prazer e pelas compensações que obtenho delas! Pelo prazer de comer coisas saudáveis, pelo prazer que sinto quando estou a puxar “ferro” ou a pedalar numa bicicleta. É apenas mais uma estratégia como outra qualquer. O esforço e o empenho estão sempre presentes. Mas sacrifício? Isso não! De uma forma geral diria que existem três premissas essenciais: gosto/prazer, empenho e desafio.
Se faço o que faço é porque posso, quero e gosto, porque tenho um retorno positivo, tanto ao nível físico como psicológico. Quem merece elogios por ser determinado é quem faz algo sem ter prazer e pelo simples facto de lhe fazer bem à saúde!
Mas como obter prazer de uma coisa que não gosto de fazer?!
É possível com uma mudança de atitude e perspetiva. Algo que pode ser tão simples e complicado ao mesmo tempo. Nós estamos habituados a encarar a maioria das situações da nossa vida, principalmente as que nos obrigam a sair da nossa zona de conforto, de uma perspetiva negativa. Aliás, não é raro associar-se o positivismo a algo irreal, o que é de todo descabido, quando está provado que a maior parte das nossas preocupações não se concretizam, ou seja, não têm razão de ser!
Vamos a um exemplo concreto: Quando digo que costumo correr, o que obtenho como resposta é invariavelmente a combinação de cinco palavras – "Eu não gosto de correr!"
Eu também não disse que gostava de correr, nem que correr não custa, apenas que costumo correr.
Comparemos. Correr ou estar sentado no sofá com o comando da televisão na mão? Gostar, gostar, gosto muito mais do sofá! Comparemos agora o retorno destas duas ações. O sofá e a televisão poderão dar alguns momentos de distração momentânea e fomentar a preguiça, a par de alguma má postura… E salvo raras exceções ficaremos por aí. Já quando corro estou a desenvolver a minha musculatura e a minha capacidade cardiovascular, estou a quebrar limites e a desopilar a cabeça, tudo isso ao som da minha música preferida. A médio prazo estes benefícios serão responsáveis pela minha melhor disposição e aparência física, para além dos ganhos ao nível da saúde. E quem diz correr diz outra atividade física qualquer. E o mesmo se aplica à alimentação.
É fácil? Não, não é fácil. Falha-se? Todos os dias. É possível? Claro que é possível. É tudo uma questão de perspetiva. De romper com os preconceitos. De ter em conta a relação entre o prazer, o retorno e a compensação de determinada ação. Depois de assegurada a regularidade necessária esta tornar-se-á num hábito, num bom hábito!

26.03.14

Aleatoriedade dos treinos


Rui Pereira

A prática de exercício físico é uma das atividades mais satisfatórias e prazerosas da minha vida. Os meus treinos são dos momentos mais altos dos meus dias. As minhas idas ao ginásio são caraterizadas por alguma pressão ao nível do tempo, mas é com grande gosto que as faço. Sou metódico, mas muitas vezes o meu método no que toca ao exercício é tão simplesmente o conhecido provérbio – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Mais do que uma necessidade ou imposição, a prática de exercício físico é um modo de vida!
Sou defensor de treinos simples com exercícios básicos e funcionais. Não gosto muito de máquinas e aparelhos demasiado hi-tech. Privilegio os halteres, os discos e as barras, e o meu próprio peso em vários exercícios. Querem algo mais simples e eficaz do que flexões, elevações, agachamentos ou fundos em paralelas?! Tirando as aulas de grupo estabelecidas adapto os treinos ao tempo que tenho disponível, ao que me apetece fazer, às circunstâncias do momento, interiores e exteriores. Em caso de dúvida ou hesitação, treino!
Outra característica dos meus treinos é a sua falta de especialização. Ou seja, não me dedico especialmente a uma modalidade. Pedalo, corro, levanto peso, faço treino localizado. Como é óbvio, não me destaco em nada, mas consigo uma preparação combinada, que julgo ser razoável e que me possibilita mover com algum à vontade numa série de áreas desportivas. E muito importante, permite-me ter o corpo mais ou menos dentro dos (meus) requisitos mínimos.
A força de vontade, o entusiasmo e a motivação não surgem do nada como por magia! Ando constantemente à procura de estímulos que me mantenham os níveis elevados. As recompensas são decisivas. Chamem-me convencido, mas é fundamental olhar muito para o espelho! Uma das melhores formas para obter estímulo e verificar resultados. Mesmo que sejam ilusórios naqueles momentos pós treino em que o sangue se concentra nos músculos solicitados.
É fundamental ganhar gosto pelo exercício, prazer com a sua prática, mesmo que isso nos pareça num primeiro momento um comportamento masoquista! E isso não é inato, habituamo-nos, aprendemos. Independentemente das idades. Cada um com os seus métodos, truques ou estratégias. Cada um com as suas necessidades, exigências, preferências ou limitações. De facto, a prática de exercício físico, em si, pode ser cansativa, custosa e até dolorosa, mas depois temos a entrada em ação das célebres endorfinas e a magia da recuperação, quando o nosso corpo responde de forma positiva aos estímulos físicos e se transforma!