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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

14.12.20

Pedalada no vazio!


Rui Pereira

Já não saía de bicicleta há algum tempo. Levantei-me do sofá, tirei a fixie da parede e fui dar uma volta. Precisava espairecer a cabeça e mexer o corpo.
Estava uma tarde tristonha e pouco convidativa para atividades ao ar livre, fazendo-se sentir algum vento e a prevista descida da temperatura. A volta estava também condicionada no espaço. Era tudo meio estranho. Estar de bicicleta num domingo é normal, mas não aquela hora nem naquelas condições.
A Globe tinha uns pneus novos montados. Novos para ela, porque na verdade não o são. Achei-os muito duros quando os montei, mas mesmo assim arrisquei.
Na zona mais inclinada da ciclovia, enquanto carregava sobre os pedais de pé, a roda desliza repentinamente e dou uma pedalada em vazio fazendo com que perdesse o controlo da bicicleta, tendo inclusive saído da ciclovia para a faixa de rodagem sentado em cima do tubo superior do quadro encostado ao guiador… apanhei um cagaço do caraças!
Não tive o discernimento de verificar no local se haveria alguma particularidade no piso que me tivesse feito perder a tração daquela maneira, mas depois de me recompor pensei logo nos pneus. Não sei, tenho de fazer uma avaliação mais concreta, mas se se confirmar juro que desfaço os sacanas à força de skids.

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26.10.20

Bicicletas únicas, sensações únicas!


Rui Pereira

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No meu último texto, repleto de questões, mencionei algo que é inquestionável. Adoro as sensações e a ligação que tenho com as minhas bicicletas no geral, mas que são substancialmente mais fortes e relevantes com as minhas bicicletas de carreto fixo. É inquestionável. Desde logo pela sua estética e conceito, perfeitamente alinhados com as minhas preferências, onde pureza e simplicidade lideram. Depois, já aos seus comandos, pela combinação entre desafio e divertimento, onde sou chamado a mostrar certas habilidades raramente requeridas. As suas particularidades exigem entrega e dedicação, e isso gera uma proximidade e uma ligação muito superiores. As dificuldades encontradas acabam por ser relativizadas dando lugar à normalidade e fluidez possíveis. As bicicletas de carreto fixo são únicas e transmitem sensações igualmente únicas. E eu… bom, eu adoro isso!

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21.09.20

Vantagens de carreto fixo!


Rui Pereira

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Andar algum (tanto) tempo com uma roda a rolar mal por achar ser normal (mais ou menos) podia dar vontade de chorar. Principalmente quando alguém que, percebe mais um bocadinho do assunto, facilmente lhe meteu a girar perfeitamente.
Esta é a hora que pode acontecer começar a enjoar porque vou falar novamente em bicicletas de carreto fixo. E de mais uma das suas espetaculares vantagens!
Onde todos veem desvantagens e problemas, eu vejo atributos. É a vida!
A roda traseira da Globe estava a rodar mal porque certo dia o eixo deu de si e pus-me a inventar, pensando que podia solucionar o problema com um rodar de porcas. E perante o dilema – ou fica a rodar melhor com folga, ou fica a rodar mal sem folga – escolhi a segunda opção. Simples. Claro que podia ter trazido a roda para ser vista por um técnico experimentado…, mas não seria a mesma coisa!
Improvisa-se e espera-se que o problema se resolva sozinho, como que por milagre, e anda-se com a bicicleta assim como se as dificuldades ainda fossem poucas, proporcionando aos componentes um teste de resistência diferente e, então, finalmente, leva-se ao técnico. Tudo calculado.
Tolices à parte…
Mas então qual é esta espetacular vantagem das bicicletas de carreto fixo?
- Baixa manutenção!
Senão vejamos: temos um quadro, uma forqueta, duas rodas, caixa de direção e um avanço integrado, um guiador, punhos, uma pinça de travão dianteiro e respetiva manete, um conjunto pedaleiro com prato e pedais, uma corrente, um carreto fixo e respetiva contraporca. Por último, mas não menos importante, um selim e respetivo tubo. Componentes simples, acessíveis e robustos, que proporcionam um funcionamento igualmente simples e direto. Mesmo que fossem mais requintados sempre são em menor número.
Mas assim de repente até parece muita coisa, não parece? Mas não é. Ainda nunca fiz esse exercício, mas tenho a certeza que se expor a “lista de ingredientes” de uma das minhas bicicletas “normais” ocupa, no mínimo, o dobro do espaço. E as minhas “normais” não são assim tão “normais”, ficando aquém das necessidades básicas e dos requisitos plasmados na cartilha do mundo ciclístico atual.
Resumo: mais simplicidade e menos coisas é igual a menos preocupações, avarias e, inerentemente, menos custos. (E o desafio e a emoção estão lá todos. Sempre! - Ok, sou suspeito!)
Mesmo assim, de vez em quando, convém meter óleo na corrente e, vá lá, ar nos pneus.
Mas também sou um bocado picuinhas!

09.09.20

O meu mundo de bicicleta!


Rui Pereira

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O meu mundo é pequenino. O que contrasta consideravelmente com o gosto, a vontade e a motivação. E a tendência para traçar um rumo próprio, portanto, diferente do da maioria.
Esta bicicleta preta, que foi cuidadosamente pousada no chão para a fotografia, não aparece por acaso. Quero acreditar que não será o culminar do trajeto escolhido, mas foi com certeza o seu ponto de partida. E continua a ser o meu cavalo de batalha!
Como utilizador de bicicletas sou pequeno e circulo num território equivalente. Até a minha bicicleta o é, não passando de uma simples e banal fixie de catálogo, escolhida exatamente pela sua ligação direta roda/pedais e por não ter mudanças.
Toda esta pequenez não me belisca. Não me importo. Nunca foi um obstáculo impossível para ter ou fazer aquilo que queria, embora já tenha acreditado que sim. Claro que torna todo o percurso um pouco mais difícil…
Não que queira ser muito grande, mas tenho mais dificuldade em crescer como utilizador de bicicletas. Não que queira ter uma montra tecnológica de carreto fixo, mas tenho mais dificuldade em ter uma ferramenta mais próxima daquilo que gostava para completar o meu percurso. O terreno será sempre curto na extensão e de difícil progressão.
As bicicletas são a minha opção. O carreto fixo também. Neste meu pequeno mundo, as ainda mais pequenas fixed-gear vão ganhando dimensão!

03.09.20

Destino certo!

Carreto fixo


Rui Pereira

Espreitei pela janela enquanto aguardava a minha vez de sair. O céu nublado era favorável à concretização…

Quando se fala em bicicletas sem mudanças e de carreto fixo, o foco normalmente aponta para as suas limitações. O elevado e escusado nível de exigência e o quanto são desadequadas para todos os perfis de percursos que não os planos.

Tirei a Globe Roll1 do suporte e corrigi a pressão dos pneus. Na verdade, e excecionalmente, a correção foi para além dos valores recomendados…

A ideia geral é que até são bicicletas bonitas e chamam a atenção pela diferença, mas que na realidade não passam de um capricho inútil de algum hipster que, 1) não deve saber o que é uma bicicleta "a sério"; 2) quer apenas dar nas vistas!

Ataquei quatro fatias de pão com manteiga de amendoim que empurrei com um copo grande de café com leite. Finalizei com uma peça de fruta…

Os preconceitos existentes partem dos próprios proprietários - falo por mim. Pensei e acabei por comprar. Pensei que se calhar não devia ter comprado, que não era para mim. Tive-a com roda-livre. Pensei que nunca mais conseguiria fazer skids. Pensei que nunca poderia ir com ela ali ou acolá, que para isso tinha as outras.

Comecei a traçar mentalmente qual a rota a seguir…

Esquecia-me que não podia parar de pedalar. Ela não perdoava. Hoje, acontece muito pouco. Comecei a sair mais. Comecei a sentir mais. As coisas foram fluindo naturalmente. Hoje saio com elas como se fossem qualquer uma das minhas outras bicicletas. Não devem ser subestimadas, mas são bicicletas. Diferentes é certo, mas bicicletas. E válidas!

Recebi o testemunho e, portanto, tinha luz verde para avançar. Reforcei a hidratação…

E as bicicletas são para serem pedaladas. Estas pedaladas podem ser mais ou menos condicionadas pelas suas caraterísticas, mas o fator decisivo é a nossa cabeça. Felizmente a minha está mais aberta e recetiva do que nunca. E acredito que é possível fazer mais e ir mais longe, dentro de valores aceitáveis ao nível da sanidade mental e do espírito de sacrifício. O corpo esse, vai-se adaptando.

Saí.
Destino - Vista do Rei.

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24.07.20

Mudança única e carreto fixo! (2)

Globe Roll 01 - Seis anos depois


Rui Pereira

Uma grande superfície ligada ao desporto tinha na montra uma fixie, soube por um colega. Andava há muito tempo a “estudar” a compra duma. Ao final do dia fui vê-la. Não era uma maravilha, mas em compensação era barata. Ponderei.
Bicicletas do género não eram (nem são) nada fáceis de ver por cá. Também achei não ser razoável fazer muito investimento, porque havia sempre a possibilidade de não me adaptar. A compra à distância deixou de ser opção, e assim, tinha registada a Globe Roll 01 disponível na minha loja de referência. Mas, ainda era cara. Não perdia nada em saber se me conseguiam fazer melhores condições de aquisição antes de tomar uma decisão. Fizeram.
A opção da grande superfície ficou posta de lado e no dia seguinte de manhã, um sábado, estava na loja para levantar a Globe. Entusiasmado e apreensivo. O normal, portanto.
Já lá vão 6 anos. O decorrer do tempo já mostrou diferentes níveis de proximidade e interação, diferentes configurações, entre fixed-gear e singlespeed, e pouca personalização, sendo que a última e mais relevante foi a troca do guiador original por um reto de maior dimensão. O certo é que nunca tive tão próximo desta bicicleta e do seu conceito como estou agora!
A Globe Roll 01 foi a minha janela de oportunidade, a minha porta de entrada num mundo novo, no que diz respeito às bicicletas. Um mundo que me diz muito e com o qual, cada vez mais, me identifico.
Tal como disse em 2014, aquando da sua compra, continuo a dizer com legitimidade e orgulho:


“My legs are my gears”

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22.07.20

Meia bicicleta...


Rui Pereira

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Gosto dessa imagem.
Mostra o meu mar. A minha ilha. E uma das minhas bicicletas favoritas.
O céu baixo e cinzento que esbate o tradicional azul do mar. A vegetação singela e menos viçosa do que o habitual, contrastando cores entre o verde e o castanho. Os apontamentos de amarelo e branco das flores silvestres. Um par de árvores. Um retângulo de pastagem. Lá mais à frente, vestígios de civilização. A neblina.
A representação de uma manhã de domingo calma e tristonha, apesar do algum vento que se fazia sentir e que a imagem não consegue mostrar. Tudo parece estático, como que uma paragem do tempo. Um bloqueio. O congelar do momento.
E o que dizer da minha Globe? A minha querida bicicleta de carreto fixo. A primeira. A sua imagem simples, limpa, discreta, monocromática e minimalista. Do preto sobressai um pequeno desenho que lhe adorna a frente, a imagem deste blogue. E tão bem integrada na paisagem que está a minha bicicleta.
Está patente uma tranquilidade que normalmente não lhe carateriza. Parece tão serena! A bicicleta do tudo ou nada. De vontade e dinâmicas muito próprias. Do feitio muito especial.
Nem tudo o que aparece é, ou apenas é mostrado um outro lado...
Gosto mesmo dessa imagem.
É meia bicicleta que vale por bicicleta e meia!

17.07.20

Skates!


Rui Pereira

Sempre que os números de visitas do blogue sobem foi porque a equipa do SAPOBlogs destacou alguma das minhas publicações. Desta feita, o destaque aconteceu porque falei sobre uma oportunidade perdida, supostamente um tema pouco abordado. Agradecido!

Uma das oportunidades que agarrei recentemente, apesar dos receios e das reticências, diz respeito aos skates. A estes associava quedas, esfoladelas e nódoas negras. Alguma loucura e aptidão… fixe para miúdos. Algum do preconceito persiste, até porque não me vejo sobre um skate de street a fazer manobras, nem mesmo num cruiser ou longboard a alta velocidade, mas adoro o bombear de um surfskate, simulando o surfar das ondas em terra!
Desta vez não vacilei e, determinado, saí da loja com o Dstreet Navaho debaixo do braço.
Já o miúdo, é um miúdo, claro. Também não é muito dado a manobras, mas gosta de velocidade e de cruisers.
Eu divido as atenções entre as bicicletas e os skates. Ele diz, claramente, que não quer saber de bicicletas e que só gosta de skates e futebol…