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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

03.07.19

“Como Todos Fazem”


Rui Pereira

Comecei com o blogue Carreto Fixo com a ideia de me apresentar anonimamente. Não que quisesse revelar segredos cabeludos, mas o anonimato sempre dá outra liberdade, ainda para mais quando ainda nem sabia bem o que queria dele. Não sei como nem porquê, mas a certa altura assumi ser quem sou. O blogue começou a ganhar contornos demasiado vastos e pessoais, e achei que me exponha demasiado por palavras. Fechei-o.
Apeteceu-me falar sobre bicicletas na primeira pessoa, algo que já tinha feito noutra plataforma e que me tinha dado muito gozo. Não repliquei a fórmula, até porque a minha visão mudou substancialmente. Em vez do entusiasmo impulsivo de quem se estava a iniciar num mundo novo, havia uma nova abordagem, mais concreta e madura, às bicicletas e ao ciclismo.
O anonimato podia dar-me mais contundência e ser mais revelador na abordagem, mas também não é por aí. Não é o meu registo. Não acho que seja a solução estar a endurecer o discurso e a alimentar polémicas. A temática que abordo também não é muito sensível ou suscetível de levantar grandes problemas. Sim, existe um braço de ferro chato entre automobilistas e ciclistas, mas a minha postura mantem-se – calma, cortesia e bom-senso - até porque acho que as coisas boas merecem mais atenção do que as menos boas.
Não sou muito de me expor. Sou criterioso neste sentido, principalmente no que toca às imagens, que nem sequer gosto de tirar. Às vezes, acontece. Algumas até ficam bem. E serviriam como boas ilustrações para alguns dos meus textos, mas pondero demasiado a sua divulgação e normalmente ficam guardadas para mais tarde recordar.

A ouvir os meus favoritos no Youtube, surge o tema do NTS “Como Todos Fazem”…



Levado por todo o ambiente criado pela música, letra e vídeo – leve e divertido, mas realista - e na presença do que considero ser uma boa imagem, num momento de orgulho próprio, decidi:

- Vamos lá fazer “como todos fazem”, mas numa base real que reflita verdadeiramente o meu estilo de vida!

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Deixei a bicicleta em casa!

20.06.19

O meu companheiro de exercício não anda de bicicleta!


Rui Pereira

Ir ao mar é um hábito. Todos os dias ou quase. Todo o ano. O local onde vamos ao mar é de todos, mas especialmente nosso. E somos quase família. A família do mar e dos banhos.
Antes, costumo treinar. Bom, treinar é pretensioso. Faço exercício. Somos dois, os crónicos nisso. Eu e o meu companheiro de exercício. Ele menos assíduo nas idas, mas mais presente na prática. Eu mais facilmente cedo a uns raios de sol. Posso dar-me a esse luxo, pois tenho alternativas, ele não.
Às vezes falamos. Dizemos asneiras, criticamos, refletimos realidades. Rimos. Outras vezes, estamos concentrados nos exercícios, cada um com os seus, calados. Não é muito fácil encontrar alguém que seja mais calado do que eu, ele é.
Ele é das motas e também já foi das bicicletas. Eu já fui das motas e agora sou das bicicletas, claro. Ambos estamos cientes da importância do exercício físico, embora sob perspetivas diferentes.
As nossas teorias e reflexões sobre estas e outras temáticas circundantes são… não sei… O que sei é que existe um grande entendimento, identificação e compreensão, e isso nem sempre acontece de uma forma tão abrangente.
Um dia, falava-lhe da relação (próxima) que tenho com algumas das minhas bicicletas e ele simplesmente completava a minha linha de pensamento nos vários tópicos expostos. Outro dia, falávamos de modos de vida saudáveis e aconteceu o mesmo, de parte a parte. É recorrente. Mas não deixamos de ser diferentes e com as nossas particularidades bem vincadas.
Exercito-me sozinho, mas sei que ele está ali. E o contrário também acontece.
Ele anda de mota. Eu ando de bicicleta. Umas vezes estamos próximos, outras nem por isso, mas é bom ter um companheiro de exercício assim.

03.04.19

Abril


Rui Pereira

Comecei o mês de abril a pensar em motas e carros. Motas, porque depois de muito tempo sem andar numa a sério (scooters não contam) tive oportunidade de experimentar a Husqvarna, em versão Supermoto, do meu irmão. Até pensei que já nem sabia andar, mas não. Quem sabe nunca esquece - dizem. Carros, porque mais ou menos embalado pelo Azores Rallye andei pela internet a pesquisar muito pela palavra Abarth (sim, gosto da Fiat).
Já gostei muito de carros. Depois, muito de motas. Depois, reservei o muito para as bicicletas. Por tudo! Mas fica sempre qualquer coisa cá dentro, mal comparando, como fica da nossa primeira namorada, aquela colega especial da primária!
Abril surge com a primavera e os dias maiores, e isso é bom. Podia dizer que vou aproveitar para andar de bicicleta ao final do dia, nem que seja uma ou duas vezes, mas raramente ando de bicicleta durante a semana. Ando sempre durante o dia, nunca ao seu final, perceba-se. Mas sempre posso fazer outras coisas que a ausência do bom tempo e da luz solar impediam.
Abril trouxe consigo um considerável vento de norte e frio. Ao seu segundo dia fez-me inverter a marcha na bicicleta e voltar ao abrigo de um escritório, em vez de sujeitar o corpo ao ar e ao mar frios. Tinha quase meio caminho andado. É raro fazê-lo.
Emprega-se o conhecimento popular conforme nos dá mais jeito. Abril águas mil - não me dá jeito. Abril promete… Sol a atenuar a nortada e a fazer reluzir os cada vez mais escassos cromados da minha bicicleta, tomados pela corrosão provocada pelo impiedoso ar marítimo e pelas agruras dos invernos que abril vai, com certeza, fazer esquecer.

 

orbita_marina.jpg

25.01.19

A banhos!


Rui Pereira

Começo a pedalar de pé. Dou o arranque para mais uma pausa de almoço. Debaixo de mim tenho a companheira do costume.
Contra o vento, pressiono os pedais, como se tentasse esmagá-los, para a impulsionar rápido para a frente. Ela responde como pode, não foi feita para estes stresses. A sua onda é mais sem pressas… Nas calmas…
O vento salgado de sueste fustiga-lhe o metal. A água salgada e fria enregela-me a pele. Faço movimentos rápidos e agasalho-me. Alimento o corpo com uma refeição que não está quente, infelizmente.
Arranco de regresso. Faço um desvio. Sinto uma ligeira dormência na extremidade dos membros inferiores. Ignoro e pedalo vigorosamente. O tempo escasseia e condiciona a ação.
Já me banhei nas águas deste nosso mar. Não tarda “banhar-me-ei” em tradição, em melodia, em música açoriana!

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14.08.18

Aos pedais!


Rui Pereira

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

30.07.18

Paralelismo


Rui Pereira

O verão e os múltiplos eventos que surgem nesta altura do ano fazem de Ponta Delgada uma cidade mais bonita, viva e alegre. Não indiferente a este facto, a minha companheira e as minhas rotinas diárias são as mesmas de sempre. Mas ao que tudo indica irão alterar-se. O cenário e a bicicleta mantêm-se. Por um lado, sinto pena de deixar um local, o mar, as pessoas. Por outro, a mudança talvez me traga um toque de inovação e frescura, fazendo um paralelismo entre a minha vida e a cidade de Ponta Delgada…

 

classic_pdl_wo.jpg

19.01.17

invade.


Rui Pereira

invade_classic.jpg

 

Esta é a segunda fotografia que tiro neste local. A mesma bicicleta. Órbita Classic. As mesmas letras gordas no chão. O mesmo mar. O meu mar. Portas do Mar. O céu limpo a provar que nos Açores não está sempre a chover. Um dia de verão mais fresco. O cenário perfeito para a celebração da decisão de ter incluindo a bicicleta na minha rotina diária. A minha melhor rotina. Uma invasão de liberdade e prazer.