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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

25.06.20

Repetindo-me…


Rui Pereira

Manter uma regularidade de publicações quando se tem uma temática principal algo limitada não é fácil. Sim, já disse isso aqui.
É verdade que as bicicletas estão muito presentes na minha vida, mas também não é mentira que as ações onde estão implicadas repetem-se, não havendo grandes novidades com frequência.
Não querendo estar sempre a carregar na mesma tecla é normal que o faça. É normal que me repita várias vezes sempre que faço uma nova publicação. Mesmo assim, tento inventar e agarrar-me ao que posso para trazer algo novo. De uma fotografia a uma conversa.
Ontem tive uma publicação em destaque no SapoBlogs. É mais um incentivo, principalmente depois de uma fase marcada pela ausência. É uma prova de que temos alguém a olhar por nós. E a ideia não é esfregar isso na cara de ninguém, mas sim, e repetindo-me, agradecer a atenção!
Domingo saí, para não variar, lá está. Tirei a Globe Roll da parede e fui pedalar descontraidamente, como quase sempre acontece. Andei por localidades habituais, passei nos locais do costume. Mas tentei inovar nos trajetos. Vá lá! Não correu mal, embora não estivesse à espera de fazer aquele troço de calçada quando arrisquei mais do que devia.
Passei nas praias óbvias e numa delas resolvi registar o momento. Nada de novo, portanto. Parei, posicionei a bicicleta, tirei o telemóvel…
- Outra vez uma fotografia de “corpo inteiro” com o mar a servir de fundo?
- Não!
Repete-se, mas não se abusa!

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06.11.19

Afastado…


Rui Pereira

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São dois elementos que fazem parte das minhas rotinas diárias – o mar e a bicicleta. Tenho andado afastado de ambos, pelo menos de uma forma prática e efetiva. Do exercício físico também. Ando adoentado e, sob pena de agravar ainda mais os sintomas, decidi resguardar-me. Não lido bem com isso, mas há que ter calma e paciência, e aproveitar para fazer outras coisas que normalmente não tenho oportunidade de fazer, mesmo sabendo perfeitamente o que queria estar mesmo fazendo…

02.10.19

O mar de “Lorenzo”


Rui Pereira

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Mais um temporal, mais marcas que ficaram.
Por mais que estejamos habituados, custa sempre!
Contigências de viver no meio do Atlântico.
A oriente, fomos poupados, mas a natureza mostra o seu poder.
O mar fustiga a terra enraivecido, numa luta desigual.
Mais do que a atração pelo trágico, é a sua beleza que cativa.
É sempre belo!
Em contemplação, esmagado pela sua imponência.
Apanhando o vento salgado de sul…

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03.07.19

“Como Todos Fazem”


Rui Pereira

Comecei com o blogue Carreto Fixo com a ideia de me apresentar anonimamente. Não que quisesse revelar segredos cabeludos, mas o anonimato sempre dá outra liberdade, ainda para mais quando ainda nem sabia bem o que queria dele. Não sei como nem porquê, mas a certa altura assumi ser quem sou. O blogue começou a ganhar contornos demasiado vastos e pessoais, e achei que me exponha demasiado por palavras. Fechei-o.
Apeteceu-me falar sobre bicicletas na primeira pessoa, algo que já tinha feito noutra plataforma e que me tinha dado muito gozo. Não repliquei a fórmula, até porque a minha visão mudou substancialmente. Em vez do entusiasmo impulsivo de quem se estava a iniciar num mundo novo, havia uma nova abordagem, mais concreta e madura, às bicicletas e ao ciclismo.
O anonimato podia dar-me mais contundência e ser mais revelador na abordagem, mas também não é por aí. Não é o meu registo. Não acho que seja a solução estar a endurecer o discurso e a alimentar polémicas. A temática que abordo também não é muito sensível ou suscetível de levantar grandes problemas. Sim, existe um braço de ferro chato entre automobilistas e ciclistas, mas a minha postura mantem-se – calma, cortesia e bom-senso - até porque acho que as coisas boas merecem mais atenção do que as menos boas.
Não sou muito de me expor. Sou criterioso neste sentido, principalmente no que toca às imagens, que nem sequer gosto de tirar. Às vezes, acontece. Algumas até ficam bem. E serviriam como boas ilustrações para alguns dos meus textos, mas pondero demasiado a sua divulgação e normalmente ficam guardadas para mais tarde recordar.

A ouvir os meus favoritos no Youtube, surge o tema do NTS “Como Todos Fazem”…



Levado por todo o ambiente criado pela música, letra e vídeo – leve e divertido, mas realista - e na presença do que considero ser uma boa imagem, num momento de orgulho próprio, decidi:

- Vamos lá fazer “como todos fazem”, mas numa base real que reflita verdadeiramente o meu estilo de vida!

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Deixei a bicicleta em casa!

20.06.19

O meu companheiro de exercício não anda de bicicleta!


Rui Pereira

Ir ao mar é um hábito. Todos os dias ou quase. Todo o ano. O local onde vamos ao mar é de todos, mas especialmente nosso. E somos quase família. A família do mar e dos banhos.
Antes, costumo treinar. Bom, treinar é pretensioso. Faço exercício. Somos dois, os crónicos nisso. Eu e o meu companheiro de exercício. Ele menos assíduo nas idas, mas mais presente na prática. Eu mais facilmente cedo a uns raios de sol. Posso dar-me a esse luxo, pois tenho alternativas, ele não.
Às vezes falamos. Dizemos asneiras, criticamos, refletimos realidades. Rimos. Outras vezes, estamos concentrados nos exercícios, cada um com os seus, calados. Não é muito fácil encontrar alguém que seja mais calado do que eu, ele é.
Ele é das motas e também já foi das bicicletas. Eu já fui das motas e agora sou das bicicletas, claro. Ambos estamos cientes da importância do exercício físico, embora sob perspetivas diferentes.
As nossas teorias e reflexões sobre estas e outras temáticas circundantes são… não sei… O que sei é que existe um grande entendimento, identificação e compreensão, e isso nem sempre acontece de uma forma tão abrangente.
Um dia, falava-lhe da relação (próxima) que tenho com algumas das minhas bicicletas e ele simplesmente completava a minha linha de pensamento nos vários tópicos expostos. Outro dia, falávamos de modos de vida saudáveis e aconteceu o mesmo, de parte a parte. É recorrente. Mas não deixamos de ser diferentes e com as nossas particularidades bem vincadas.
Exercito-me sozinho, mas sei que ele está ali. E o contrário também acontece.
Ele anda de mota. Eu ando de bicicleta. Umas vezes estamos próximos, outras nem por isso, mas é bom ter um companheiro de exercício assim.

03.04.19

Abril


Rui Pereira

Comecei o mês de abril a pensar em motas e carros. Motas, porque depois de muito tempo sem andar numa a sério (scooters não contam) tive oportunidade de experimentar a Husqvarna, em versão Supermoto, do meu irmão. Até pensei que já nem sabia andar, mas não. Quem sabe nunca esquece - dizem. Carros, porque mais ou menos embalado pelo Azores Rallye andei pela internet a pesquisar muito pela palavra Abarth (sim, gosto da Fiat).
Já gostei muito de carros. Depois, muito de motas. Depois, reservei o muito para as bicicletas. Por tudo! Mas fica sempre qualquer coisa cá dentro, mal comparando, como fica da nossa primeira namorada, aquela colega especial da primária!
Abril surge com a primavera e os dias maiores, e isso é bom. Podia dizer que vou aproveitar para andar de bicicleta ao final do dia, nem que seja uma ou duas vezes, mas raramente ando de bicicleta durante a semana. Ando sempre durante o dia, nunca ao seu final, perceba-se. Mas sempre posso fazer outras coisas que a ausência do bom tempo e da luz solar impediam.
Abril trouxe consigo um considerável vento de norte e frio. Ao seu segundo dia fez-me inverter a marcha na bicicleta e voltar ao abrigo de um escritório, em vez de sujeitar o corpo ao ar e ao mar frios. Tinha quase meio caminho andado. É raro fazê-lo.
Emprega-se o conhecimento popular conforme nos dá mais jeito. Abril águas mil - não me dá jeito. Abril promete… Sol a atenuar a nortada e a fazer reluzir os cada vez mais escassos cromados da minha bicicleta, tomados pela corrosão provocada pelo impiedoso ar marítimo e pelas agruras dos invernos que abril vai, com certeza, fazer esquecer.

 

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25.01.19

A banhos!


Rui Pereira

Começo a pedalar de pé. Dou o arranque para mais uma pausa de almoço. Debaixo de mim tenho a companheira do costume.
Contra o vento, pressiono os pedais, como se tentasse esmagá-los, para a impulsionar rápido para a frente. Ela responde como pode, não foi feita para estes stresses. A sua onda é mais sem pressas… Nas calmas…
O vento salgado de sueste fustiga-lhe o metal. A água salgada e fria enregela-me a pele. Faço movimentos rápidos e agasalho-me. Alimento o corpo com uma refeição que não está quente, infelizmente.
Arranco de regresso. Faço um desvio. Sinto uma ligeira dormência na extremidade dos membros inferiores. Ignoro e pedalo vigorosamente. O tempo escasseia e condiciona a ação.
Já me banhei nas águas deste nosso mar. Não tarda “banhar-me-ei” em tradição, em melodia, em música açoriana!

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