Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

18.09.19

Luz ao fundo do túnel


Rui Pereira

Antes de começar a utilizar efetivamente a bicicleta, não estava exatamente num túnel sem saída, nem necessariamente às escuras, mas era, sem dúvida, mais limitado, comodista e preconceituoso.
Assim, posso concluir que a bicicleta, para mim, ao nível da mobilidade, foi uma espécie de luz ao fundo do túnel.
Sem ela, muito provavelmente ainda andaria agarrado aos mesmos (maus) hábitos e pretextos de sempre!

bike_tunel.JPG

12.09.19

Do comodismo ao luxo!


Rui Pereira

ride_a_bike.JPG
"TP15"

Mudar, e implementar um novo hábito, principalmente quando este choca substancialmente com a nossa comodidade e zona de conforto, não é fácil. Fácil é arranjar desculpas para não o fazer!
Trocar o carro pela bicicleta nas minhas deslocações urbanas foi bastante difícil. Este hábito, a que chamo de luxo agora, levou algum (muito) tempo a ser implementado. Após o seu arranque aguentei apenas uma semana e facilmente cedi à voz que me sussurrava a cada saída:
«Deixa-te disso. Pega na chave do carro e vamos embora!»
Só alguns meses depois, por força das circunstâncias mais determinado do que nunca, ciente dos erros cometidos anteriormente e da inevitabilidade dos fatores que não dependiam de mim, adaptei-me e empenhei-me nesta mudança que se tornou um hábito impensável de mudar, um luxo impossível de deixar.

11.09.19

Luxos…


Rui Pereira

Utilizar a força física para nos deslocarmos pela cidade, aos comandos de uma vulgar bicicleta, fazendo dela o nosso meio de transporte preferencial, ainda é visto como algo estranho e que facilmente se associa à falta de capacidade financeira para fazê-lo de uma forma mais cómoda e pomposa, que é o mesmo que dizer, de carro!

A minha experiência, que tem a dimensão e o valor que tem, faz-me pensar exatamente ao contrário. É um luxo poder manter o carro parado todo o dia e fazer as minhas deslocações pela cidade de bicicleta! Considero-me mesmo um privilegiado, tendo em conta a conveniência, o exercício e a poupança (financeira e ambiental) que faço, mas, acima de tudo, o prazer e a liberdade que sinto ao pedalar, por si só, e por todos os outros benefícios associados!

rent_city_bike.jpg

05.09.19

Uma velha bicicleta repousa encostada a um poste...


Rui Pereira

Conta com alguns anos e com outras tantas marcas.
Parece já não rolar com a alegria de outros tempos, mas nem sempre tudo o que parece é.
Alguns dos seus componentes mostram-se sujos, desgastados, cansados, mas o conjunto continua a servir os seus propósitos.
Nunca foi uma velocista, portanto não irá encarnar uma agora…
Vale pela nobreza da sua utilidade e pela diferença. Pelos diversos pormenores que marcam a sua diferença.
A velha bicicleta perdeu o brilho que a caracterizava, mas ganhou uma patine que lhe dá um charme único e especial.
Para alguns, não passará de uma bicicleta velha. Para outros, é uma nobre e histórica companheira de duas rodas a pedais que mantém a beleza, a dignidade e a função.
A velha bicicleta repousa encostada a um poste, mas está à espera. À espera de levar e ser levada. Pronta para rolar, cumprir, ir, para onde tiver de ser…

bike_pasteleira.jpg

23.07.19

Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima…


Rui Pereira

Cedo habituei-me a empenhar uma condução defensiva. Tal como ganhei algum à vontade em circular nas e entre as filas de trânsito. A mota a isso obrigava.
Foram aprendizagens positivas e importantes e, de imediato, aplicadas na condução das bicicletas.
De facto, circular num meio de locomoção suave entre ciclovias e estradas, algures no meio dos peões e dos automóveis, obriga a alguma ginástica mental e a uma capacidade de análise de comportamentos, no sentido de prever os movimentos dos primeiros e as possíveis manobras dos segundos.
Mesmo assim, existem sempre surpresas!
Surpresas também da parte de quem vai sobre os pedais. Pelo menos para mim. E não estou a falar de comportamentos arriscados e fora da lei, embora na verdade alguns também o sejam. Falo de excesso de zelo e de cuidados. Desde logo encarando a bicicleta como um objeto perigoso. De ter um medo excessivo de circular na estrada, vendo perigo em tudo e todos.
Circular em bicicletas desajustadas ao nível ergonómico; circular demasiado junto às bermas, ou pior, pelos passeios; circular em contramão; circular a velocidades demasiadamente reduzidas, são alguns exemplos em nome do receio.
Estes comportamentos são capazes de serem mais perigosos do que os supostos perigos que teoricamente se estão a evitar.
Atenção, a estrada é um ambiente perigoso e quanto mais movimentada pior. Mas circular constantemente com medo e estar sempre a pensar nos perigos, e que algo de mau pode acontecer, não é a melhor forma de evitá-lo. Aliás, é a pior.
Circular numa estrada de bicicleta requer atenção e cuidado. Estar alerta. Mas também saber marcar a nossa presença, com um posicionamento e velocidade adequados às condições.
Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima… Já não andava de bicicleta!

09.07.19

"O senhor é barra!"


Rui Pereira

Pausa para almoço. Estava a chegar ao local do costume para mais uma sessão de exercício, quando sou brindado com um elogio por um miúdo que lá estava:

- O senhor é barra!
- Hein?
- O senhor é barra!
- Ah… Mais ou menos! (risos)

No mesmo local, interrompi a referida sessão para ir ver a bicicleta nova de uma amiga que finalmente concretizou o seu objetivo. Ao tempo que me abordava sobre o tema! Foi a sua estreia. A bicicleta escolhida foi uma simples dobrável, acima de tudo pela facilidade com que se transporta na mala do carro e se arruma em qualquer local.
Já de regresso, aos comandos da minha Órbita, cruzo-me com uma desconhecida que também seguia de bicicleta. Aliás, andava calmamente a desfrutar da bicicleta para cá e para lá.
Em ambos os casos, mesmo com os possíveis constrangimentos associados, perfeitamente normais, as suas caras espelhavam a satisfação, a liberdade, a realização e o orgulho que sentiam. Reconheço logo, até porque não raras as vezes também o sinto. Ainda o sinto. E sei que também consigo transparecer isso mesmo.

06.06.19

«Eh pá, tu também pegas de cabeça com bicicletas!»


Rui Pereira

Não pego necessariamente de cabeça, mas sim, gosto muito e estão muito presentes na minha vida. Por princípio, conveniência, liberdade, exercício físico e prazer.
No entanto, sou o primeiro a afirmar que nem toda a gente tem de andar de bicicleta. De facto, existem muitas vantagens na sua utilização, mas tendo em conta as necessidades e as circunstâncias individuais, isso não tem de ser exatamente assim.
Há quem tenha limitações físicas, quem tenha outras alternativas e preferências relativamente ao exercício físico e ao lazer, quem não tenha necessidade ou possibilidade de utilizar uma nas suas rotinas diárias. E há quem não goste de bicicletas nem de pedalar, e prefira simplesmente andar a pé.
As bicicletas estão na moda. Mas mais do que estar na moda, estão a ser encaradas, e bem, como uma ferramenta muito útil para a mobilidade, para a saúde e para a qualidade de vida das pessoas. De brinquedo para crianças ou de veículo no fundo da hierarquia dos meios de locomoção, para excelente aliada no exercício físico e competente alternativa ao automóvel em meio urbano.
Também se pegar de cabeça com bicicletas, não me faltam motivos para isso!

30.05.19

Braço de ferro!


Rui Pereira

Continuo a deparar-me com uma opinião generalizada de quem não anda de bicicleta, que os ciclistas na sua maioria têm um comportamento desapropriado e abusivo nas estradas. Este é um braço de ferro que persiste.
Pessoalmente e na prática, não tenho grandes razões de queixa. Têm existido algumas situações menos boas, onde apenas uma foi mesmo muito má, mas assumo também ter contribuído para gerar um comportamento péssimo por parte do automobilista.
Continuo a assistir ao discurso da atribuição de obrigações aos ciclistas – dos seguros obrigatórios, da roupa (coletes) refletora, das aulas de código e de condução, entre outros – tão desapropriados quanto dizem ser o comportamento dos mesmos.
Vamos criar ainda mais entraves e dificuldades a algo tão positivo que é uma das soluções para o melhorar da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, mas que paradoxalmente faz surgir tanta resistência à sua adesão?!
Mas existem outros argumentos que os automobilistas utilizam e com razão, como é o caso da falta de iluminação na circulação noturna, a forma incorreta de circular a par e a postura de indiferença e falta de bom-senso perante os restantes utilizadores da estrada.
Se apelamos ao cuidado na nossa presença, como ciclistas, também devemos circular na estrada de forma correta, mostrando uma atitude baseada no bom-senso e na cortesia, mesmo quando o cenário não for o melhor. A indiferença só deverá ser utilizada perante pressões e provocações, em vez de sermos coniventes e estimularmos comportamentos errados, até porque esta pode muito bem ser uma das formas de não estar a perpetuar este braço de ferro escusado!