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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Vai para a ciclovia!

Foram-me relatadas buzinadelas… gritos… gesticulações agressivas!

Embora alguns automobilistas pensem o contrário, as vias onde existam faixas destinadas à circulação de velocípedes (ciclovias), não faz com que estes veículos estejam obrigados a circular nelas! O Artigo 78.º do Código de Estrada é esclarecedor:

“Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas.”

Sim, os utilizadores de bicicletas devem dar preferência a estas pistas especiais para a sua circulação, mas as coisas nem sempre são assim tão lineares e dependem das circunstâncias e do bom-senso. Não foi por acaso que se introduziu a palavra preferencialmente neste artigo na última revisão do Código da Estrada, em vigor desde 1 de janeiro de 2014.

Atente-se ao seguinte cenário como exemplo:
Domingo de manhã, dia agradável de sol e temperatura amena. Muitas pessoas e famílias aproveitam o dia de descanso e o bom tempo para atividades de lazer ao ar livre. Uns caminham, outros correm, outros ainda andam de bicicleta, de patins, de trotinetes. E fazem-no numa aprazível faixa litoral, com um passeio sobre o mar que engloba uma ciclovia. Um ciclista sai para a estrada para o seu habitual passeio matinal, equipado a rigor com a sua bicicleta de estrada. Ao atravessar a cidade opta por utilizar também a referida via. De notar que esta possui duas faixas de rodagem no mesmo sentido. Tendo em conta o facto de ser plana e com bom piso, mesmo imprimindo uma toada relativamente calma, uma bicicleta de estrada nestas circunstâncias vai circular sempre depressa demais para uma ciclovia, que nestas condições, terá inevitavelmente a presença de peões, tanto adultos como crianças.

Mas existem outros cenários e existem ciclovias que apenas pela sua conceção e localização são pouco apelativas à sua utilização, seja por conveniência, seja acima de tudo pela segurança, ou falta dela. Num mundo perfeito as ciclovias seriam irrepreensíveis na sua localização, nos acessos e dimensão. Não teriam a presença de peões e seriam em número suficiente, concebidas tanto para o lazer como para a utilização da bicicleta como meio de transporte diário. Estando nós muito longe dessa realidade, os automobilistas terão de se habituar à ideia de partilhar a estrada com outros veículos que não automóveis, fazendo-o com a naturalidade e o bom-senso que a situação impõe. Da mesma maneira, na falta de condições para o fazer numa ciclovia, os utilizadores de bicicletas deverão utilizar estas mesmas estradas de forma assertiva, preservando a sua segurança e minimizando possíveis efeitos negativos na fluidez do tráfego.

Velocidade de cruzeiro, ou não!

Segunda-feira, primeiro dia da última semana do mês. Um dia muito agitado na cidade de Ponta Delgada. Estavam quatro navios de cruzeiro atracados! Para uma cidade pequena, considerando todo o movimento inerente e o número de passageiros desembarcados, o congestionamento no trânsito foi um dos primeiros sinais de que algo fora do comum se passava. Isso se se estivesse muito distraído e não se reparasse na forte presença que estes barcos impõem.
Não sou grande adepto, confesso. Por isso vai ser difícil apanharam-me a tirar fotografias ou “selfies” com os ditos a servirem de pano de fundo. E também ainda não consegui perceber o real impacto da sua vinda, medindo os prós e os contras de forma rigorosa. Mas isso já é outra conversa…
Hoje, mais do que nunca, nem quero ouvir falar do carro, até porque já senti a lentidão do trânsito logo pela fresquinha, inevitavelmente. A bicicleta sim, faz todo o sentido, mesmo sabendo que terei de andar com especial atenção na ciclovia do costume por causa do anormal fluxo pedonal, situação que (já) não me chateia especialmente. Se quero que os automobilistas sejam compreensivos comigo também tenho de o ser com os peões. Faz parte.
Filas de trânsito automóvel compactas e a moverem-se a passo de caracol, em ambos os sentidos da marginal. O menor volume da bicicleta permite desenvencilhar-me da lenta progressão, mas com calma e cautela. Foi com agrado que vi alguns condutores facilitarem-me a passagem, o que agradeci com um baixar de cabeça. Também houve quem tentasse atrapalhar, mas este não merece destaque.
Com o recurso à bicicleta não tive de fazer nenhuma alteração especial à minha rotina diária. Já com o automóvel, as coisas foram um bocadinho diferentes…

Eu, ativista das bicicletas, não me confesso!

O meu ativismo em prol das bicicletas fica-se pelo exemplo. Quando subo para o seu selim e pedalo alegremente, mesmo com circunstâncias que nem sempre são as teoricamente propícias para o efeito. Não pretendo influenciar ninguém, nem tenho paciência para estar a envolver-me em conflitos com indignados, presos a paradigmas esgotados e insustentáveis, que não estão minimamente interessados em saber o que os outros têm para lhes dizer e que apenas conhecem uma verdade, a sua!
Se a minha redescoberta das bicicletas está a fazer uma década, a utilização como meio de transporte tem cerca de meia dúzia de anos. O início não foi fácil, ou não fosse eu mais um que implicava o automóvel em toda e qualquer rotina da minha vida, não conseguindo visualizar as coisas de outra forma. Continuo sendo automobilista, mas já dei o passo em frente. Aos poucos “cresci”, porque ao contrário do que comummente se pensa, a opção bicicleta é um avanço e não um retrocesso, e hoje já não vejo a minha vida sem ela. Ou melhor, sem elas. E quero-as, todas, cada vez mais presentes.
Tenho a minha visão e forma de encarar as bicicletas, como os outros terão a sua, mas pela minha experiência, acho um desperdício encará-las apenas nos departamentos desporto e lazer, e menos positiva a tendência para exacerbar a sofisticação e complexificação daquilo que é tão simples na sua essência. Mas lá está, cada um faça como mais lhe convier. Se calhar, também quem as vê sob outros prismas, ache um desperdício eu não aproveitar todo o lado de treino, desafio e competição que proporcionam. De uma forma ou de outra, qualquer relação com as bicicletas é sempre uma mais-valia.
Sou apenas um utilizador de bicicletas, que faz por aproveitar aquilo que elas proporcionam. Liberdade, conveniência, saúde, prazer…

Esta bicicleta não tem preço!

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar de números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a conveniência, a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

 

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Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Barcelona

É uma cidade espanhola com muitos atributos e atrativos, mas interessado que sou em mobilidade urbana (alternativa ao automóvel) e em bicicletas, Barcelona tem para mim todo um mundo paralelo de grande interesse, exatamente este aqui registado.

 

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É uma cidade grande e caótica, com muita população e turistas. Mas existem várias opções para facilitar a mobilidade de todos. E com estas, cada qual desenrasca-se da melhor maneira que pode.
Pelo que me foi permitido ver existe uma conjugação interessante entre vários meios de transporte. É normal ver gente de capacete de mota na mão, skate e trotinete a circular no metro, tal como ver bicicletas e respetivos utilizadores dentro das carruagens, até porque existem espaços específicos para o efeito.
Existem diversas zonas de acalmia de trânsito automóvel (30 km/h) com marcações no pavimento a alertar para o efeito e para a presença de bicicletas na via. E muitas ciclovias, 100 km no total.
Motas, essencialmente scooters ou aceleras, são ao pontapé. A circular, estacionadas, algumas até em locais que se calhar não deveriam.

 

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Outra forte presença é a da rede de bicicletas partilhadas – Viu BiCiNg – disponibilizada pela cidade. O número de estações é considerável, umas maiores do que outras dependendo da sua localização, tal como a quantidade de bicicletas que circulam. Estão por todo o lado, mesmo!

 

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As bicicletas comuns também. Existem diversos locais de estacionamento – os simples e adequados U’s invertidos – que nem sempre chegam para as necessidades ou não estão presentes nos locais desejados, portanto, ver bicicletas presas a outras quaisquer estruturas que o permitam, não será de estranhar.

 

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Muitas bicicletas citadinas ou adaptadas. Muitas clássicas. Muitas nacionais. Muitas bicicletas simples e baratas. Algumas “singlespeed” e “fixed gear”. Para quem as usa diariamente, em vez de querer impressionar interessa que passem despercebidas, até porque da maneira como são presas, deverá ser normal desaparecer bicicletas e/ou componentes ocasionalmente.

 

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Inúmeros pontos de aluguer de scooters, bicicletas, trotinetes, tanto tradicionais, como elétricas. Achei curiosos uns passeios organizados com guia, com uma marca e estilo de bicicleta específicos.

 

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Ponto de visita obrigatório – Barceloneta Bikes! É capaz de haver outras lojas de bicicletas interessantes, mas esta que foi a protagonista de um programa televisivo com o mesmo nome, no canal A&E (2015), ganhou uma notoriedade diferente. Depois é mesmo o meu estilo de loja! Forte componente urbana, belas máquinas, componentes e equipamentos, uma oficina típica e uma decoração rústica advinda da presença do tijolo e da madeira. Pessoal simpático que transparece gostar daquilo que faz.

 

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É esta a minha visão de Barcelona!

 

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De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

«Chega-te para lá que quero passar!»

Sexta-feira. Inicio de tarde. Céu azul. Temperatura amena. Trânsito calmo.
Depois de um momento de quebra de rotina, de exercitar o corpo e desanuviar a mente, venho fresco e leve, a pedalar ligeiro, a caminho de mais uma tarde de trabalho.
De repente, este tranquilo cenário é invadido por uma sonora buzinadela acompanhada por uma ultrapassagem que certamente não cumpriu a distância lateral regulamentar – um metro e meio – tal é a proximidade a que vejo o carro. Até aqui, nada a que já não esteja habituado. O pior é que o condutor da viatura, enquanto ultrapassava, faz questão de gesticular com a mão direita, como que a dizer: «Chega-te para lá que quero passar!»
Não sei se era pressa ou puro egoísmo de quem não suporta a ideia de ter outro tipo de transporte à sua frente na estrada?
Seja como for, no momento chateou-me a arrogância e o desprezo implícitos no gesto. Agora, simplesmente entristece…

Persistência nos pedais!

Insistência combate-se com persistência!


Iscomunhã de gadelha!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Encontrê o Florimunde no camin.
- Ême, noutre dia vi-te falá c'uma bela féma ali ao pé da tua casa!
- Bela féma? Devias de tá bêbede, Florimunde! Aquile é um iscomunhã de gadelha!
- Eh hôme, nã sê... parecia, se calhá nã vi bem!
- Nã haveras de tê viste entã, é tã fêa! É a minha vezinha. Tou penande c’aquele demóne de saias!
- Mas o que fou?
- Ême, embirrou c'a besuga...
- Nã se faz case!
- Nã se faz case? A laparosa tá-me sempre cegande a cabeça pa comprá um carre!
- Tás lexade entã!
- Pous já se sabe que tou! Paloê se lhe passasse cartã!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Anda de bicicleta quem quer!

Anda de carro quem pode, anda de bicicleta quem quer!


Marcolina Labardêra
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tenhe uma vezinha que é même uma labardêra...
- Eh hôme, tás bom? Nã me dizes nada?
- (Nã...) Olá vezinha!
- Sempre quéssa bcecléte?
- (Outa vez papá!) Tem de sê!
- Ême, faz um esforcim e compra um carrim...
- Porquié?
- Êh hôme, nã vês que a andá de bcecléte pareces um pelintra?
- Pelintra?
- Sim senhô, e ainda por cimba apanhas água qué fê!
- Mas ê nã compre um carre porque nã quére!
- Ê hôme, toma juíze e larga de sê isganade. Morres e isse fica tude praí!
- Ouh vezinha, mas eu goste de andá de bcecléte!
- Nã digas isse! Entã nã ficavas munte mió a andá num carrim?
- Nã... Até logue vezinha... (Vou-te sofrê!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Qualidade de vida! #2

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Estava como o tempo. Aborrecido. Tinha a minha rotina autolimitada. Num impulso reverti a situação. Tinha de sair. Tinha que pegar na minha bicicleta e ir. Fazer qualquer coisa. Não fazer coisa nenhuma. Mas ir. Fui tratar daquilo a que normalmente não atribuo prioridade. Tive no meio delas. Das bicicletas. Numa loja de bicicletas. A aviar um componente insignificante, mas que acusa a sua função. No caso, a falta dela. Tive no meio deles. Dos relógios. Numa relojoaria. A consertar um relógio. E que prazer ver um mestre relojoeiro trabalhar. À moda antiga. Tive no meio delas. Das revistas. Numa tabacaria. Comprei uma revista de bicicletas... O orvalho surgiu. Animou a minha pedalada. Animou o meu ritmo. Animou-me. Isso e tudo o resto. Cheguei outro!

 

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Qualidade de vida! #1

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Um dia de contrastes. Calmo. Aquecido pelo sol, arrefecido pelo vento fresco de oeste. Um bom exemplo do que é um estacionamento para bicicletas. Flores. Esplanada. Uma Órbita Classic a aguardar pacientemente o seu dono, para completar mais uma pequena “missão” na cidade de Ponta Delgada. Qualidade de vida! 

Empecilhos na estrada!

Associar a utilização das bicicletas às ciclovias é normal, ou não fossem vias específicas para estas circularem. No entanto, mesmo considerando a importância destas vias, não é pela sua ausência que as bicicletas não vão poder circular.
Uso diariamente uma ciclovia que me permite rolar num ambiente privilegiado, mais bonito e calmo, e congratulo-me por isso, mas mesmo que esta não existisse, não ia deixar de fazer as rotinas que tenho associadas à bicicleta. Até porque já não abro mão da economia, da facilidade, da boa disposição e do exercício que me proporciona a sua utilização.
Há quem pense que as bicicletas não podem nem devem circular na estrada, até porque atrapalham o trânsito. De facto, em muitas situações, as bicicletas são mais lentas, mas não atrapalham o trânsito, elas fazem parte do trânsito!
Já agora, quem mais causa embaraços ao trânsito do que os próprios automóveis? Pois, mas está convencionado que as estradas são só para eles e aceita-se como inevitável, o tempo que se perde e o stress que se ganha atrás do volante. Para já não falar nos custos associados, tanto para a carteira, como para o ambiente!
Também sou automobilista. Também dependo do automóvel e este facilita muito a minha vida, mas não perco uma oportunidade para o deixar parado, seja para ir de bicicleta ou simplesmente a pé!
Em vez de se ver as bicicletas como empecilhos na estrada, mesmo que em alguma situação possam tornar a marcha mais lenta, estas deviam ser vistas noutra perspetiva, já que a sua presença representa certamente menos um carro na estrada, seja a circular, a poluir, a engrossar as filas, a degradar o piso ou a ocupar um lugar de estacionamento. E isso é bom para todos!

invade.

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Esta é a segunda fotografia que tiro neste local. A mesma bicicleta. Órbita Classic. As mesmas letras gordas no chão. O mesmo mar. O meu mar. Portas do Mar. O céu limpo a provar que nos Açores não está sempre a chover. Um dia de verão mais fresco. O cenário perfeito para a celebração da decisão de ter incluindo a bicicleta na minha rotina diária. A minha melhor rotina. Uma invasão de liberdade e prazer.

Bicicleta = Oportunidade!

As bicicletas têm sido um tema muito em voga ultimamente e pelas piores razões. Têm andado no centro de uma discussão que nem sequer deveria existir.
Começou em 2014 com a última revisão do Código de Estrada e ganhou novo alento recentemente com uma questão presente no documento da ANSR - PENSE2020 – onde se propõe estudar a obrigatoriedade de uso do capacete pelos utilizadores das bicicletas!

Não quero falar sobre capacetes, mas fica já a minha opinião sobre o seu uso obrigatório – Não, obrigado!

O facto, é que a discussão se acende, as posições extremam-se e, não tarda nada, passamos a ser vistos como os grandes inimigos na circulação viária! O que é curioso, quando um dos pontos chave da revisão do C.E. em 2014 foi a introdução do conceito de utilizador vulnerável das vias públicas, atribuído aos peões e aos utilizadores das bicicletas!
Integrar os utilizadores das bicicletas no grupo dos “vulneráveis” não foi nenhum direito atribuído, foi apenas a inclusão num grupo a que realmente pertencem! É aquilo que são! Pouco impacto físico, velocidade reduzida, pouca capacidade destrutiva!

E o que foi que muitos defensores do automóvel se lembraram?
Que se calhar era boa ideia retrocedermos uns bons anos de evolução e equilibrar estes fantásticos direitos, entregues assim de mão beijada, com alguns deveres. Entre eles: Capacete obrigatório; seguro obrigatório; registo de propriedade e matrícula!
Sentiram-se tão ameaçados que começaram a disparar em todas as direções, quando o que se pedia (e pede) da sua parte é que apenas tenham em conta que existem outros utilizadores das vias, mais sujeitos do que quem está dentro de um veículo automóvel, e que convém ter mais atenção e alguma paciência com eles. O que na prática significa respeitar os limites de velocidade, distâncias e prioridades. Nada de extraordinário.

E porque é que se foram lembrar assim de repente das bicicletas?
Não foi assim de repente. Os sinais chegam-nos de toda a parte. O modelo de mobilidade rodoviária presente das nossas cidades está obsoleto e não é sustentável. Não é sustentável como modelo de circulação, nem é sustentável ao nível ambiental. Escusado se exigir mais e melhores estradas, mais estacionamentos, mais facilidades para a circulação automóvel, porque é apenas uma questão de tempo (algumas vezes muito pouco!) até estar tudo na mesma outra vez. Mais automóveis virão sempre, e com eles, congestionamento e a degradação da qualidade de vida e do ambiente!

Já repararam no tempo que se perde diariamente em filas de trânsito?
Já reparam no stress e na irritabilidade que se ganha?
Já repararam na qualidade do ar que se respira nas cidades?
Acham mesmo que é algo necessário e inevitável?
Por quando tempo acham que podemos aguentar algo que grita ser insustentável?

É por isso que surge uma visão renovada da bicicleta, que a encara como um meio de transporte simples e eficaz, e que pode muito bem fazer parte da solução deste problema! Aliás, como o demonstram, há muito tempo, diversos países do Norte da Europa, por exemplo. É por isso que se alterou legislação dando-lhes espaço nas vias, é por isso que se está a criar estruturas que facilitem a sua circulação, é por isso que não faz sentido estar a impor os embaraços sugeridos, e que pelo contrário se incentive e motive a sua utilização da forma mais livre e natural possível!

Para quem não tem outra perspetiva de mobilidade, para além da que assenta no automóvel e no comodismo (modelo vigente), e faz a sua vida depender disso, é normal que encare a partilha das vias de circulação com as bicicletas como algo negativo e dificilmente compreenderá como, atualmente, a bicicleta tenha adquirido o estatuto de oportunidade única, ao nível da mobilidade, da saúde, da qualidade de vida e do ambiente!

Já pedalei tudo o que tinha para pedalar!

Título curioso, este. Ouvi esta frase recentemente, ou melhor, ouvi uma frase semelhante a esta, mas com o mesmo sentido.
Ouvi e não reagi. É certo que não concordo, por achar que se baseia num pressuposto errado e demasiado redutor, mas preferi guardar para mim qualquer argumento que pudesse apresentar. Não sei, no momento achei que não valia a pena. Agora decidi refletir um pouco sobre isso.
A frase, que saiu como uma espécie de justificação, remete-nos para uma hierarquia onde a bicicleta está na base e o automóvel lá no topo. Sob este ponto de vista, a bicicleta serve apenas enquanto não existem alternativas para satisfazer as necessidades de locomoção, sendo que é pronta e definitivamente substituída quando surgem condições para tal.
De facto, quando se pensa em mobilidade visualizamos logo o automóvel como o principal meio para este fim, o que também o torna objeto de desejo, para além de referência de uma suposta posição social.
São questões sociais e culturais, bastante enraizadas e baseadas em preconceitos, que levam a que no ramo da mobilidade e não só, tudo o que implique esforço físico seja associado a necessidade ou carência. Do tipo - Quem anda de bicicleta é porque não pode comprar um carro!
Na verdade, a perspetiva deve ser exatamente a inversa. A introdução da bicicleta nas nossas rotinas diárias deve ser sempre encarada como uma mais-valia. Como uma porta de entrada para uma vida mais ativa e estimulante, tendo uma série de benefícios associados nas mais distintas áreas. Socialmente, na saúde, ao nível da sustentabilidade ambiental, e obviamente, na mobilidade.
Embora já muito procurada para atividades desportivas e de lazer, a bicicleta continua subaproveitada no que toca à sua vocação para as deslocações e o transporte. É como uma excelente ferramenta remetida para o fundo da caixa, posição esta que lhe subtrai boa parte da sua funcionalidade e importância, ignorando-se assim o seu propósito mais básico.

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