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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

06.03.20

“Esta bicicleta é tua ou é do teu filho?”

Órbita Eurobici


Rui Pereira

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Depois de ter adquirido a Órbita Classic, a Eurobici, da mesma marca, ficou condenada à imobilidade. Em alguns anos, utilizei-a uma meia dúzia de vezes. Devido a um problema técnico, reincidente, na Classic, a minha dobrável portuguesa voltou ao ativo.
O facto de ser compacta, a principal razão da sua compra, deixou de ser uma prioridade, mas a permissão dada pelo seu quadro aberto para montar e desmontar sem ter de alçar a perna é uma grande mais valia esquecida. De resto, as suas pequenas rodas de 20 polegadas e a curta transmissão exigem grande rotação das pernas para, mesmo assim, conseguir pouca velocidade.
Pormenores técnicos à parte, esta pequena bicicleta é tão agradável de pedalar. Depois de adequar a atitude é um gosto fazê-lo. Sinto-me tão bem aos seus comandos!

29.01.20

Até não poder mais!

Órbita Classic


Rui Pereira

Recentemente, ponderei adquirir uma nova bicicleta citadina para substituir a minha Órbita Classic nas minhas voltinhas diárias. Esta bicicleta há muito que deixou de receber grandes atenções da minha parte, porque resignado e numa fase menos dedicada, decidi que ela estaria à sua sorte, mesmo consciente do pesado ambiente que tem de enfrentar diariamente. Estamos a falar de uma bicicleta modesta, equipada com material acessível e pouco robusto, portanto, não será difícil adivinhar o resultado, tendo em conta as circunstâncias e o uso descuidado que lhe dou. Ela tem acusado isso tudo. Já foi alvo de intervenção especializada um par de vezes, o que até é pouco. São intervenções ligeiras e económicas, mas os problemas tendem a persistir e novos a aparecer. Encaro toda essa situação com normalidade, até porque estou bastante consciente da sua realidade. Então, se calhar, o melhor era comprar outra bicicleta. E o que faria com esta? Pode estar feia e defeituosa, mas continua a cumprir a sua função. Vou pendurar-lhe numa parede sabendo-a apta e gastar dinheiro noutra bicicleta? Surgiu a possibilidade de uma bicicleta usada, de muito melhor qualidade, pouco uso, adequada à função e por um valor apetecível... Ainda não vai ser desta. Outras oportunidades surgirão. São voltas regulares - diárias, mas curtas e sem grandes exigências, exceto o ambiente litoral onde ocorrem, e a Órbita vai ter de continuar a andar até não poder mais. Ela e a sua caixa da fruta que tanto jeito me dá. Terá de ser novamente intervencionada, no sentido de colmatar as suas falhas técnicas, mas continuará na estrada, mesmo que cada vez mais feia, velha e ferrugenta!

orbita_classic.jpg

27.01.20

Há sempre um dia…


Rui Pereira

Fechei o casaco. Meti o gorro. Mesmo assim, cheguei frio e ofegante. Com dormência na ponta dos dedos. Vim numa luta contra o vento. Tentei esgueirar-me entre as suas rajadas. Como se isso fosse possível. Pedalei o mais rápido que pude, em esforço. A fazer uma corrida com as nuvens. Com a chuva! A ver quem chegava primeiro. A ver se ela não me apanhava e se eu não a apanhava. Já lá vão muitos assaltos. Estamos empatados. Não. Sou justo. Tenho ganho. Mas, há sempre um dia… Não foi hoje!

24.10.19

Stop!


Rui Pereira

Somos poucos, os que utilizam a bicicleta como meio de transporte nas suas deslocações diárias. É uma realidade. Mesmo assim, já somos mais do que éramos até há pouco tempo atrás.

Ainda ontem, num cruzamento, gostei de ver uma jovem mulher na sua bicicleta, uma moderna citadina elétrica, a subir uma rua no centro da cidade, decidida e a um ritmo alegre! Para minha felicidade, de vez em quando, faço uns avistamentos destes…
E não me venham com a conversa de que de elétrica também faziam, quando nem de mota fazem! Uma bicicleta de assistência elétrica, como a própria designação indica, não anda sozinha, é preciso pedalar para que o motor entre em funcionamento, sendo que a partir dos 25 km/h cessa a sua assistência. Além disso, tem vários modos de assistência, mais ou menos interventivos. As scooters e as motas é que têm acelerador, não sendo preciso mexer as pernas para as por em movimento!

Passo há anos num local com uma faixa destinada às bicicletas e nunca estranhei o facto de estar interrompida, por alguns metros, com a indicação de Stop de cada um dos lados, para dar cedência à circulação automóvel. - Sei lá, achava normal. Cabeça formatada para a prioridade da circulação automóvel, como toda a gente! - O problema é que estamos a falar de um local lúdico, uma zona pedonal à beira mar, com uma esplanada mesmo ali ao lado, onde existe a possibilidade da passagem de veículos automóveis em casos excecionais. Como disse, passo ali há anos e foram pouquíssimas as vezes em que tive de parar para ceder passagem a alguma viatura automóvel. Assim, a existência dos Stop na ciclovia é muito discutível, até porque ninguém lhes liga, uma vez que “nunca” passa carros!

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A utilização da bicicleta como veículo de transporte é fraca, mas como veículo de lazer e para a prática de exercício físico, nem por isso, exatamente o público-alvo desta mesma ciclovia. São estes e os peões. (?!) Pelas suas características, tudo indica que aquela faixa para velocípedes não deve ter sido inicialmente pensada e, quando aconteceu, em clara contradição com o local onde está implantada, foi à luz dos velhos preconceitos estabelecidos relativos à mobilidade, que é como quem o diz, com o pensamento centrado unicamente no automóvel!

23.09.19

Nós não somos feitos de açúcar!


Rui Pereira

Quando se dá bons exemplos da utilização da bicicleta como meio de transporte em ambiente urbano, fala-se (e bem) de cidades como Copenhaga, Amsterdão, entre outras.

Alguns argumentam (desculpando-se):
- Ah, são planas;
- Ah, têm imensas ciclovias;
- Ah, têm facilidades e apoios;
- Ah, …
- Ah, …

São e têm isso tudo, mas também têm invernos bastante rigorosos, com dias pequenos, frio e chuva com fartura, e neve e gelo!
E grande parte dos utilizadores de bicicletas nas outras estações do ano, crianças incluídas, continuam a sê-lo no inverno!

- Ah e tal, a chuva…

Sim senhor, é chato e requer alguma adaptação, mas que eu saiba, nós não somos feitos de açúcar!

18.09.19

Luz ao fundo do túnel


Rui Pereira

Antes de começar a utilizar efetivamente a bicicleta, não estava exatamente num túnel sem saída, nem necessariamente às escuras, mas era, sem dúvida, mais limitado, comodista e preconceituoso.
Assim, posso concluir que a bicicleta, para mim, ao nível da mobilidade, foi uma espécie de luz ao fundo do túnel.
Sem ela, muito provavelmente ainda andaria agarrado aos mesmos (maus) hábitos e pretextos de sempre!

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12.09.19

Do comodismo ao luxo!


Rui Pereira

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"TP15"

Mudar, e implementar um novo hábito, principalmente quando este choca substancialmente com a nossa comodidade e zona de conforto, não é fácil. Fácil é arranjar desculpas para não o fazer!
Trocar o carro pela bicicleta nas minhas deslocações urbanas foi bastante difícil. Este hábito, a que chamo de luxo agora, levou algum (muito) tempo a ser implementado. Após o seu arranque aguentei apenas uma semana e facilmente cedi à voz que me sussurrava a cada saída:
«Deixa-te disso. Pega na chave do carro e vamos embora!»
Só alguns meses depois, por força das circunstâncias mais determinado do que nunca, ciente dos erros cometidos anteriormente e da inevitabilidade dos fatores que não dependiam de mim, adaptei-me e empenhei-me nesta mudança que se tornou um hábito impensável de mudar, um luxo impossível de deixar.

11.09.19

Luxos…


Rui Pereira

Utilizar a força física para nos deslocarmos pela cidade, aos comandos de uma vulgar bicicleta, fazendo dela o nosso meio de transporte preferencial, ainda é visto como algo estranho e que facilmente se associa à falta de capacidade financeira para fazê-lo de uma forma mais cómoda e pomposa, que é o mesmo que dizer, de carro!

A minha experiência, que tem a dimensão e o valor que tem, faz-me pensar exatamente ao contrário. É um luxo poder manter o carro parado todo o dia e fazer as minhas deslocações pela cidade de bicicleta! Considero-me mesmo um privilegiado, tendo em conta a conveniência, o exercício e a poupança (financeira e ambiental) que faço, mas, acima de tudo, o prazer e a liberdade que sinto ao pedalar, por si só, e por todos os outros benefícios associados!

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