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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

26.11.20

Futuro?


Rui Pereira

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Os carros elétricos serão com certeza uma boa alternativa aos automóveis movidos a combustão, com todos os seus problemas mais do que identificados. Mas zero emissões e energia mais barata é apenas uma parte do problema. Mesmo não entrando na questão das baterias, nem da produção da eletricidade, os carros elétricos sem se ver o que têm debaixo do capô são iguais aos outros. Congestionam as vias de circulação e ocupam o mesmo espaço de estacionamento, ou seja, causam o mesmo impacto físico e dominam da mesma forma a paisagem urbana.
Pois que venham os elétricos, mas é preciso ainda mais atrevimento e arrojo, não passando pelo incremento de tecnologia, e canalizá-los para a necessidade de largar o comodismo e os preconceitos, e começar a ver o mais simples e eficiente meio de transporte de sempre* como uma alternativa real. Como uma das melhores!

*O mais simples e eficiente meio de transporte de sempre é a Bicicleta.

 

03.11.20

Da indiferença à satisfação!


Rui Pereira

Já disse inúmeras vezes que o que faço com as minhas bicicletas, e que por inerência defendo através da escrita, não tem como intenção principal influenciar alguém. Esta partilha resulta da melhor forma que encontrei para conciliar duas das minhas paixões – as bicicletas e a escrita. Mas também para afirmar a minha opinião, trajeto seguido, objetivos e preferências.
Não quero influenciar nem agradar ninguém, até porque tenho a perfeita noção que a fuga aos padrões estabelecidos e a forma efetiva como a defendo pode muito bem ser considerada arrogante e despropositada. No entanto, enquanto acreditar e isso me fizer bem, continuarei a fazê-lo.
Digamos que comecei mal para acabar bem...
A minha indiferença acaba no ponto em que vejo o meu exemplo servir de motivação para alguém. Foi comprada mais uma bicicleta e está a ser usada; cruzei-me com ela e com o seu utilizador na estrada; partilha o mesmo espaço que a minha; disse-me que sempre que me via tinha vontade de fazer o mesmo; disse-me também que de bicicleta vem mais satisfeito e enérgico; identificamo-nos; aproximamo-nos.
Perante isso, o que posso dizer?
Satisfação!

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29.10.20

Cidades cicláveis

Da comodidade à comodidade!


Rui Pereira

Quando se fala em melhorar a mobilidade nas cidades e se associam as bicicletas como peças importantes para este fim, pensa-se logo em ciclovias. Estes são equipamentos fundamentais para tornar mais atrativas as deslocações com um meio de transporte suave, mas não podem ser pensadas de forma isolada e sem uma estratégia abrangente, onde vários aspetos terão de ser levados em consideração.
Não basta criar percursos cicláveis para as pessoas começarem a pedalar. É preciso que estes façam sentido, assentando numa lógica de integração urbana. Construções avulsas e descontextualizadas, só porque pretendem refletir uma preocupação tão atual, são inúteis.
Desde logo, deve partir-se do princípio de que as cidades deverão ser um espaço para as pessoas e não para os automóveis. E não, isso não representa de todo a mesma coisa. Uma cidade atafulhada de carros, estejam estes em circulação ou estacionados é uma cidade claustrofóbica, espartilhada, poluída, pouco segura e nada amigável para as pessoas.
A construção de uma ciclovia deve ter como base a visão da bicicleta como meio de transporte e veículo de lazer, tal como tentar articular todas as ligações fundamentais entre zonas residenciais, comerciais, culturais, lúdicas e verdes.
Mas as ciclovias só por si não garantem a melhoria da mobilidade urbana, nem a devolução das cidades às pessoas, até porque em muitas situações são difíceis ou mesmo impossíveis de concretizar na malha urbana existente.
Uma rede de percursos cicláveis, mesmo que convenientemente pensada, nunca terá uma abrangência total, portanto, terão de haver medidas associadas no sentido de facilitar a coexistência e a partilha das vias, onde a acalmia do trânsito automóvel é fundamental.
Os princípios e as motivações, por mais relevantes que sejam, não bastam para a mudança. É preciso que se sinta mais segurança nas estradas. São precisas mais condições de locomoção, intermodalidade e parqueamento que facilitem a vida às pessoas, para que mais facilmente se troque a comodidade do automóvel pela comodidade da deslocação em bicicleta. Só com esta realização é possível perceber verdadeiramente a dimensão de todos os ganhos gerais e particulares associados.

17.07.20

Deslocações com a Gloria

Bicicleta de carreto fixo!


Rui Pereira

Foi no início de julho, depois de uns dias de férias, que decidi que a Gloria Magenta seria a bicicleta para fazer as minhas deslocações diárias.
Tendo duas fixed-gear (paradas), sendo estas das minhas bicicletas preferidas e que mais gozo me dão andar, não fazia muito sentido continuar a usar as citadinas Órbita, quando podia usar uma delas, também perfeitamente adequadas para o efeito.
Na altura fiz algumas adaptações que considerei necessárias, quer pessoalmente quer na máquina, mas no início desta semana voltei à carga.

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- O selim já é o terceiro que a Gloria recebe, excluindo o original. Pertencente à fixie Globe, estava guardado num armário e acabou por se revelar o mais adequado para mim, até esteticamente.
- Como recurso extra de segurança deixei a pinça do travão dianteiro instalada. Já as respetivas manete e espiral também derivam da Globe. Nesta última atualização cortei substancialmente o comprimento do cabo e da espiral, apenas como apontamento estético.
- Um acessório inicialmente montado, mas que pela sua relevância destaco agora - descanso lateral. É um descanso poder contar com ele para a sustentar de pé sem ter de estar encostada a algo. Sei que costuma ser dos primeiros itens a ser dispensado, mas para mim e para o objetivo em questão é daquelas coisas que faz toda a diferença.
- Também já é o terceiro par de pedais que monto. As originais e agressivas plataformas em alumínio, nunca usadas, deram lugar a umas com gaiola, mais uma vez vindas da Globe. Estas foram trocadas por uns pedais de encaixe aos quais foram acopladas umas plataformas específicas numa das faces, que por fim cederam o lugar a umas plataformas plásticas de vocação citadina. Neste departamento, concluo que o ideal seriam umas plataformas de resina (coloridas!) com correias em nylon, para ficar perfeita.
- Não sendo uma novidade, deixo apenas nota do guiador plano que substitui o original, tendo sido cortado ao limite e que contribui definitivamente para a imagem diferencidora da Gloria.
Até agora, ter esta bicicleta como companheira de estrada nas minhas deslocações diárias foi uma decisão acertada. Se peca por alguma coisa, é apenas por não ter sido tomada mais cedo.

06.03.20

“Esta bicicleta é tua ou é do teu filho?”

Órbita Eurobici


Rui Pereira

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Depois de ter adquirido a Órbita Classic, a Eurobici, da mesma marca, ficou condenada à imobilidade. Em alguns anos, utilizei-a uma meia dúzia de vezes. Devido a um problema técnico, reincidente, na Classic, a minha dobrável portuguesa voltou ao ativo.
O facto de ser compacta, a principal razão da sua compra, deixou de ser uma prioridade, mas a permissão dada pelo seu quadro aberto para montar e desmontar sem ter de alçar a perna é uma grande mais valia esquecida. De resto, as suas pequenas rodas de 20 polegadas e a curta transmissão exigem grande rotação das pernas para, mesmo assim, conseguir pouca velocidade.
Pormenores técnicos à parte, esta pequena bicicleta é tão agradável de pedalar. Depois de adequar a atitude é um gosto fazê-lo. Sinto-me tão bem aos seus comandos!

29.01.20

Até não poder mais!

Órbita Classic


Rui Pereira

Recentemente, ponderei adquirir uma nova bicicleta citadina para substituir a minha Órbita Classic nas minhas voltinhas diárias. Esta bicicleta há muito que deixou de receber grandes atenções da minha parte, porque resignado e numa fase menos dedicada, decidi que ela estaria à sua sorte, mesmo consciente do pesado ambiente que tem de enfrentar diariamente. Estamos a falar de uma bicicleta modesta, equipada com material acessível e pouco robusto, portanto, não será difícil adivinhar o resultado, tendo em conta as circunstâncias e o uso descuidado que lhe dou. Ela tem acusado isso tudo. Já foi alvo de intervenção especializada um par de vezes, o que até é pouco. São intervenções ligeiras e económicas, mas os problemas tendem a persistir e novos a aparecer. Encaro toda essa situação com normalidade, até porque estou bastante consciente da sua realidade. Então, se calhar, o melhor era comprar outra bicicleta. E o que faria com esta? Pode estar feia e defeituosa, mas continua a cumprir a sua função. Vou pendurar-lhe numa parede sabendo-a apta e gastar dinheiro noutra bicicleta? Surgiu a possibilidade de uma bicicleta usada, de muito melhor qualidade, pouco uso, adequada à função e por um valor apetecível... Ainda não vai ser desta. Outras oportunidades surgirão. São voltas regulares - diárias, mas curtas e sem grandes exigências, exceto o ambiente litoral onde ocorrem, e a Órbita vai ter de continuar a andar até não poder mais. Ela e a sua caixa da fruta que tanto jeito me dá. Terá de ser novamente intervencionada, no sentido de colmatar as suas falhas técnicas, mas continuará na estrada, mesmo que cada vez mais feia, velha e ferrugenta!

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27.01.20

Há sempre um dia…


Rui Pereira

Fechei o casaco. Meti o gorro. Mesmo assim, cheguei frio e ofegante. Com dormência na ponta dos dedos. Vim numa luta contra o vento. Tentei esgueirar-me entre as suas rajadas. Como se isso fosse possível. Pedalei o mais rápido que pude, em esforço. A fazer uma corrida com as nuvens. Com a chuva! A ver quem chegava primeiro. A ver se ela não me apanhava e se eu não a apanhava. Já lá vão muitos assaltos. Estamos empatados. Não. Sou justo. Tenho ganho. Mas, há sempre um dia… Não foi hoje!

24.10.19

Stop!


Rui Pereira

Somos poucos, os que utilizam a bicicleta como meio de transporte nas suas deslocações diárias. É uma realidade. Mesmo assim, já somos mais do que éramos até há pouco tempo atrás.

Ainda ontem, num cruzamento, gostei de ver uma jovem mulher na sua bicicleta, uma moderna citadina elétrica, a subir uma rua no centro da cidade, decidida e a um ritmo alegre! Para minha felicidade, de vez em quando, faço uns avistamentos destes…
E não me venham com a conversa de que de elétrica também faziam, quando nem de mota fazem! Uma bicicleta de assistência elétrica, como a própria designação indica, não anda sozinha, é preciso pedalar para que o motor entre em funcionamento, sendo que a partir dos 25 km/h cessa a sua assistência. Além disso, tem vários modos de assistência, mais ou menos interventivos. As scooters e as motas é que têm acelerador, não sendo preciso mexer as pernas para as por em movimento!

Passo há anos num local com uma faixa destinada às bicicletas e nunca estranhei o facto de estar interrompida, por alguns metros, com a indicação de Stop de cada um dos lados, para dar cedência à circulação automóvel. - Sei lá, achava normal. Cabeça formatada para a prioridade da circulação automóvel, como toda a gente! - O problema é que estamos a falar de um local lúdico, uma zona pedonal à beira mar, com uma esplanada mesmo ali ao lado, onde existe a possibilidade da passagem de veículos automóveis em casos excecionais. Como disse, passo ali há anos e foram pouquíssimas as vezes em que tive de parar para ceder passagem a alguma viatura automóvel. Assim, a existência dos Stop na ciclovia é muito discutível, até porque ninguém lhes liga, uma vez que “nunca” passa carros!

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A utilização da bicicleta como veículo de transporte é fraca, mas como veículo de lazer e para a prática de exercício físico, nem por isso, exatamente o público-alvo desta mesma ciclovia. São estes e os peões. (?!) Pelas suas características, tudo indica que aquela faixa para velocípedes não deve ter sido inicialmente pensada e, quando aconteceu, em clara contradição com o local onde está implantada, foi à luz dos velhos preconceitos estabelecidos relativos à mobilidade, que é como quem o diz, com o pensamento centrado unicamente no automóvel!