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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.09.19

Ditadura da complexidade!


Rui Pereira

Um dia entrei num stand de automóveis. (não foi de bicicletas, foi mesmo de automóveis). Aliás, entrou o meu filho e disse ao vendedor que eu gostava muito de um modelo específico (às vezes falam demais), enquanto o via da montra. Acabei por entrar e fui logo abordado pelo vendedor. Depois de uma breve troca de palavras começa-me a debitar uma lista interminável de extras que o carro tinha (não ouvi metade). A cada suposta “maravilha tecnológica” descrita atribuía mentalmente uma classificação: fonte de problemas; fonte de problemas; fonte de problemas… (Sim, já tinha descrito esta situação no texto “Choque Tecnológico!”)
A ler revistas de motas constato a frequente chamada de atenção para a mais-valia de se poder conectar o telemóvel com a eletrónica da mota em análise (comprar uma mota que não dê para conectar com o telemóvel? Nem pensar!). E para a dimensão do ecrã (a cores) que compõe o seu painel de instrumentos (mas que fascínio é esse que temos por ecrãs?)…

As bicicletas de hoje também valem muito pelas suas fichas técnicas. Pela nobreza dos seus materiais. Pelas inúmeras inovações, tecnologias e eletrónicas empregues na sua conceção e utilização. Pelo seu reduzido peso. Pela busca incessante da eficácia e eficiência extremas!
Estes “extras” acarretam preços elevados e uma sensibilidade também ela “muito extra” e a necessidade de intervenções cada vez mais especializadas e restritas apenas a alguns, e obviamente dispendiosas ("ah, isso nunca avaria" - dizem).

Um dia um amigo disse-me que tinha instalado um sistema de acionamento eletrónico de velocidades na sua bicicleta. Acrescentou que o sincronizou com o aparelho GPS e até a indicação de velocidade engrenada tinha! Concluiu que tinha agora qualquer coisa parecido com uma bicicleta, mas que não era bem uma bicicleta! (não fui eu que disse, foi ele!)

Sinceramente, as bicicletas atuais são cada vez mais objetos demasiado complexos!

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Um exemplar raro e em vias de extinção!

10.08.17

Não se pode ter tudo!


Rui Pereira

Ainda o outro dia reclamava uma certa falta de identificação com a minha Specialized Roubaix.
Antes disso, destacava a maior margem de manobra que ela me proporcionou, e com isso, a nova forma de encarar as minhas voltas de bicicleta.
A questão da identificação não é mentira, mas também não é nada de grave. Grave seria não andar nela! E isso, não tem acontecido, até pelo contrário. Não aumentou a regularidade das voltas, até porque estamos no verão e o apelo do mar soa mais alto, mas a duração e o prazer das mesmas, certamente. E claro, não será preciso mencionar qual tem sido sempre a escolhida…
Não nego ainda poder estar sob o efeito da novidade e da descoberta, mas a Roubaix tem tanto de franca como de previsível, portanto, aquilo que sugere, dá!
A adaptação foi instantânea e as suas mais-valias vieram logo ao de cima. A minha não é exatamente uma bicicleta de última geração, mas para o que estava habituado é como se fosse. A diferença é substancial.
Se se destaca na prática e em comparação às (minhas) outras, pela imagem e carisma é apenas mais uma…
Lá está, não se pode ter tudo!

05.08.17

Uma questão de identificação


Rui Pereira

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A partir de certa altura, depois do meu regresso às bicicletas em 2008, comecei a encarar as mesmas de uma forma muito própria. Longe de ser original, distancia-se consideravelmente daquela que manifestam as pessoas do meio onde me insiro.
Assumir uma postura tranquila perante o ciclismo, afastar-me deliberadamente da competição, empreender uma defesa da bicicleta como meio de transporte em vez de a ver apenas como objeto de desporto e lazer, são algumas das minhas bandeiras, tal como uma escolha de bicicletas próprias para lá do óbvio e do expetável, tendo em conta os desejos atuais, encapotados de necessidades, que habilidosamente se criaram.
O facto é que recentemente desviei-me do caminho que tenho vindo a trilhar, pelo menos no campo das minhas opções, concretizando a aquisição de uma bicicleta que se enquadra em parâmetros até agora negligenciados.
Esta bicicleta não tem nada de mal, até pelo contrário. Aliás, permite-me usufruir de uma série de atributos que possui, que se traduzem em mais conforto, comodidade, eficácia e tempo de alegres pedaladas.
Mas, há sempre um, mas… dois meses depois ainda não me identifiquei com ela da mesma forma com que me identifiquei com as outras, logo nos primeiros dias!
Estamos a falar de uma bicicleta mais atual e evoluída, e indiscutivelmente melhor quando comparada com as minhas outras bicicletas, mas que lhe falta algo tendo em conta aquilo que privilegio. Talvez carisma, modéstia, simplicidade ou a herança da imagem e caraterísticas de gerações antepassadas…

18.07.17

Margem de manobra


Rui Pereira

Mesmo sendo um adepto convicto de uma conceção mais simples e clássica, tenho que admitir que a modernidade e a tecnologia mais avançada podem trazer inegáveis vantagens.
Comprei recentemente uma bicicleta de estrada relativamente atual. Não é o último grito, até porque já tem alguns anos, mas apresenta uma conceção moderna, tanto pela base estrutural em carbono, como pelos componentes que a equipam.
Ainda não tenho uma grande experiência aos seus comandos, até porque tenho andado mais afastado dos pedais do que é normal, mas a forma de encarar as minhas voltas mudou substancialmente.
Agora as maiores distâncias são uma realidade, possíveis pelos superiores níveis de eficácia e comodidade. Expandiram-se os limites. Uma volta que noutra altura era uma extravagância atualmente é a normalidade. Não tenho dados para afirmar que sou mais rápido, mas é certo que a fluidez, o conforto e a segurança são outros, o que faz com que chegue a casa menos maçado e ansioso.
Também seria expetável que assim fosse, já que estamos a falar de bicicletas concetualmente bastantes diferentes. Podia era querer iludir-me nem que fosse para não cair em contradição ou simplesmente não dar o braço a torcer.
Sempre admiti o outro lado (mais negro) das minhas opções mais conservadoras. Assim era e é mais fácil conviver com ele. Continuo a defender estas minhas opções como adequadas, considerando os meus gostos e objetivos, mas não posso negar que estou muito satisfeito com esta mais recente opção, que me permitiu ajustar (e relaxar) a minha atitude, já que agora tenho à disposição uma bicicleta que me dá margem para isso.

 

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