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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

03.05.19

Pedalar e acelerar. E caminhar pela natureza!


Rui Pereira

Este é basicamente um blogue sobre bicicletas, reflexo da importância que estas têm na minha vida. Surgiram inicialmente pela necessidade física, estabeleceram-se pela sua vocação utilitária e acabaram por ser muito mais do que a soma destas duas partes.
As bicicletas são uma paixão. Um regresso às origens, um passo no sentido da simplicidade, da liberdade e do prazer. O prazer de uma volta de bicicleta não se explica, sente-se!
Esta semana tive uns dias sem a minha companheira do dia-a-dia. Senti a sua falta. Como me facilita a vida e contribui para me fazer sentir bem! Arranjei uma substituta por um dia. Não foi a mesma coisa. Mas piores mesmo foram os outros dias…
Mas as bicicletas não são tudo!
Sabia que não devia ter experimentado a mota do meu irmão. Bem que tenho vindo a recusar nos últimos anos. Digamos que o gosto pelas motas era um monstro que tinha adormecido dentro de mim… Acordou!
Domingo não andei de bicicleta. Voltei a sair de mota... Mas teve mesmo de ser, um compromisso pessoal inadiável a isso obrigou. Noutra altura ficaria chateado por não poder sair de bicicleta. Não fiquei. Pronto, vá lá, fiquei um bocadinho. Liberado do compromisso aproveitamos, eu e o meu filho, para uma voltas de mota.
Mas as motas também não são tudo!
No feriado também não andei de bicicleta. Nem de mota. Compromissos desportivos do rapaz para começar bem o dia (e bem cedo). Já a tarde foi dedicada a uma atividade muito aprazível – caminhar pela natureza! Calma, sossego, ar puro e paisagens deslumbrantes. Satisfação, prazer e bem-estar físico e psicológico. Perfeito!
A natureza não é tudo, mas é muito!

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29.04.19

Dia do Motociclista


Rui Pereira

Devido a um compromisso pessoal, ontem não andei de bicicleta, mas sim de mota.
Coincidentemente, comemorou-se o Dia do Motociclista. Na cidade de Ponta Delgada, como é habitual, os motociclistas organizaram-se e rumaram à Igreja da Matriz, para a tradicional bênção das motas e dos capacetes.
Com o tempo a ajudar, muitos aproveitaram este dia especial para rolar e conviver em grupo, daí o número de motas que circularam ontem, um pouco por toda a ilha, ter sido superior ao que é normal.
Muitas motas reluzentes repousaram enquanto decorreu a eucaristia, dando um movimento e um colorido diferentes ao espaço em redor da Igreja da Matriz, chamando a atenção de apreciadores e curiosos.
Das imagens captadas deixo a que considero mais representativa. No fundo, é aquela que vai de encontro àquilo que mais aprecio no mundo das motas.

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09.04.19

Não faz muita falta, mas já que está, fica!


Rui Pereira

Este domingo os pedais deram lugar ao acelerador. Saí montado em duas rodas na mesma, mas em algo motorizado e mais encorpado. Não muito.
A minha modesta scooter 125 completa este ano a respeitosa idade de 10 anos, mas só domingo é que superou a fasquia dos 4 mil quilómetros.
A senhora da casa ganhou medo e nunca mais lhe pôs as mãos em cima; a função de transporte alternativo nunca foi realmente exercida porque conseguimos conciliar as deslocações necessárias com o carro; no meu tempo de lazer a prioridade é a bicicleta. Aqui estão os 3 principais fatores que explicam uma ridícula média de cerca de 400 quilómetros por ano.

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Esta mota é uma daquelas coisas que não faz muita falta, mas já que está, fica!
E foi ficando. E as baterias vão andando. E vou ligando e pegando nela, de vez em quando, só porque tem de ser. Porque se não o faço, é dar-lhe ao pedal e… era o pegavas. Acaba por pegar sempre, mas às vezes custa.
Mas desta vez, nem necessidade, nem obrigação. Fui andar de mota porque quis, porque não me estava mesmo nada a apetecer andar de bicicleta!
Não é comparável com algumas das motas que já tive, claro, mas mesmo automática, com suspensões débeis e com uma potência diminuta, dá para sentir um pouco daquele prazer de condução quando se leva de forma ligeira de curva em curva. A saída das curvas é lenta e então se o piso inclina pior, mas acaba por ser divertido tentar manter o ritmo, sempre muito tranquilo (hum…) e legal (há sempre um lado positivo).
Era menino para ter uma coisa mais encorpada. Mas nada como noutros tempos sonhei ter. Até podia ser mesmo uma 125 com um caráter mais desportivo, ou uma 250, ou vá lá, no limite uma 400!
Para já, esta vai dando para a despesa, ou melhor, vai dando despesa!
Tenho obviamente outras prioridades neste momento, mas quem gosta…

“Não tento explicar às pessoas porque é que ando de mota. Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária! Para os que não compreendem, nenhuma explicação é possível…” (Autor desconhecido)

15.02.17

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?


Rui Pereira

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!

08.03.09

Motas vs. bicicletas


Rui Pereira

Se à 3 ou 4 meses atrás, alguém dissesse que eu iria ter uma ligação tão forte às bicicletas e aos meios que as rodeiam, que aos poucos me tem afastado da maior paixão material da minha vida – as motos, não acreditaria!
O facto, é que rendi-me às bicicletas, talvez porque estas têm-me permitido fazer o que gostaria de ter feito com as motos e nunca consegui, mas de uma forma mais segura, prática e económica, com a mais-valia de contribuir para o meu bem-estar físico.
Apesar das variadas limitações ao nível pessoal e material, não deixo de sentir alguma satisfação por ter vindo a superar obstáculos e a alcançar alguns objectivos gradualmente, culminando com a minha participação em competição numa prova de BTT-XC este ano.
As bicicletas estão definitivamente na moda, mas a minha ideia de ter uma já vem de uns bons anos para cá, na altura como complemento às modalidades indoor que praticava. Entretanto, com o nascimento do meu filho veio a alteração de diversas coisas e o consequente abdicar de outras tantas, daí que neste momento, a opção bicicleta passou a necessidade, e a par com o gosto, assumiu a posição de protagonista.
Mesmo tendo que gerir da melhor forma os meus tempos livres, os domingos de manhã estão garantidos. E é engraçado constatar, que a bicicleta, ou melhor, as dificuldades que sinto em cima dela, já me fizeram passar a acompanhar a minha mulher nas suas sessões de jogging e de banhos de mar em pleno Inverno!
Nos bastidores tenho-me divertido e aprendido muito, tanto no que diz respeito à preparação e manutenção da bicicleta, onde ainda me falta um pouco para dominar a mecânica das bikes como gostaria, como pela minha “intromissão” no meio, seja real ou virtual, onde tenho conhecido pessoas com excelente atitude e vasta experiência, suficientes para me sentir perfeitamente integrado e acompanhado, num mundo até agora desconhecido.
E a paixão pelas motos?!
Existe, dificilmente deixará de existir e as motos não estão completamente fora de questão. Em brasileiro diz-se: “dar um tempo”…
O facto, é que a partir do momento em que a moto deixou de ser uma necessidade, uma vez que deixei de andar diariamente e a disponibilidade para uma utilização de lazer começou a ser escassa, a par com o aparecimento de outras prioridades, responsabilidades e necessidades, esta começou a ser vista como um peso desnecessário que se reflecte no orçamento familiar, mesmo parada na garagem, para já não falar na contínua desvalorização. Pior ainda, quando inutiliza 18 m2 de área coberta e obriga o carro a “dormir” na rua!
Seja como for, não foi uma opção tomada de ânimo leve e não poucas são as vezes que sinto saudades delas, de qualquer uma das motos que tive (com destaque para a Suzuki DL650 V-Strom), pois as sensações que transmitem, sejam pela sua mera presença, sejam na condução aos seus comandos, são únicas, impossíveis de explicar e transmitir, e só compreensíveis por quem já teve ou tem o privilégio de as sentir.
Apesar do título deste texto poder induzir em erro, não é minha intenção entrar em comparações, até porque havendo semelhanças no conceito, são muito diferentes e obviamente não se substituem, mas complementam-se. E como bom sonhador que sou, continuo a sonhar com as minhas próximas, sejam com ou sem motor.

27.10.08

Clássicas-Modernas


Rui Pereira

No seguimento da minha actual linha de pensamento no que toca a motas e depois de ter lido mais do que uma vez o comparativo entre quatro “clássicas-modernas” na revista Motociclismo de Setembro, a saber, Ducati GT 1000, Harley-Davidson XR1200, Moto Guzzi V7 Classic e Triumph Bonneville T100, não é difícil constatar que qualquer uma destas motas tem o perfil que há muito procuro.
Há outros, mas estes quatro modelos interpretam na perfeição a filosofia que pretendo, cheias de personalidade, trazem aos nossos dias, a imagem clássica e carismática de outros tempos, mas numa base ciclistica minimamente actual, o que aumenta consideravelmente o leque de possíveis utilizações, mesmo que o objectivo principal seja simplesmente passear.
Neste aspecto e embora comparáveis, existem diferentes abordagens ao conceito, tantas como o número de modelos em causa, umas mais “genuínas”, outras mais “adulteradas”, podendo estas, ajudar a definir com maior precisão, qual a mais adaptada, não fosse haver a paixão, que tanto neste segmento, como em tantos outros, sobrepõe-se a todas as razões facilmente.
Estão aqui dignamente representadas, quatro das minhas marcas preferidas, sem dúvida, qualquer uma delas a apelar fortemente à imagem, ao carisma e à paixão.
Qual escolher, é a questão que se impõe, sabendo desde logo que um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas!
Por uma questão de empatia, desde logo destaco a Ducati e a Triumph, não desmerecendo as restantes. A Triumph é uma das minhas marcas preferidas e comecei a vê-la com outros olhos, não tanto pelos espectaculares e competitivos modelos de carácter actual que produz, mas sim pelas suas “clássicas”.
Já cheguei inclusive a contactar o importador nacional para saber até que ponto seria possível trazer uma destas máquinas aqui para a ilha. Mas fui, ou melhor, fomos mais longe, eu e o meu irmão, pois chegamos inclusive a explorar a hipótese de trazer a representação da marca para os Açores. Depois de alguns contactos, a concretização da ideia ficou em “stand-by”, mas ficaram as intenções.
Com a Ducati o “namoro” já é longo, simplesmente não lhes consigo resistir, sou apaixonado pela sua história, pela sua imagem, pelos seus modelos e estou-me nas tintas para os constantes elogios negativos, que saem da boca dos mais preconceituosos e fundamentalistas. E quem diz GT 1000, diz Sport 1000 e restante gama, com os genes desportivos e com a forte imagem da marca sempre presentes, seja qual for o segmento que representem.
A Harley-Davidson não precisará de grandes apresentações no universo das motas, principalmente no universo das choppers, ou não fosse a marca a criadora do conceito, mas também tem uma história desportiva por detrás das “massive and low” de “popone” único e não teve receios em produzir a rude e marcante XR 1200, inspirada neste passado de sucessos na competição.
A Moto Guzzi, não tão badalada como a anterior, também tem o seu espaço bem demarcado, dona de um característico motor bicilíndrico transversal em V e de todo o charme que nos chega de Itália, quando se fala em motas.
Mas a questão ainda está por responder, qual escolher?
Repito, um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas, mas...
Misturando muita paixão, alguma razão e outros pormenores práticos (por exemplo a escassez de representações de marcas de motas cá), talvez… Ducati GT 1000.
Porquê?
Mesmo sendo uma das menos “genuínas” do lote, uma vez que partilha motor, quadro, suspensões e travões, com diversas outras produções actuais da marca, impõe-se no que toca às performances e permite uma condução a outro nível, muito mais competente e eficaz. Tudo isto sob uma capa encantadoramente clássica, fazendo jus ao nome que orgulhosamente ostenta, em fonte a condizer, no depósito de combustível...

06.10.08

Burgman 650 Executive


Rui Pereira

Se fosse um bocadinho mais preconceituoso e menos mente aberta em relação às motas, se calhar era-me benéfico.
Senão vejamos:
- Se apenas gostasse de motas italianas, equipadas com motores 2 cilindros em L, distribuição desmodrómica, embraiagem a seco, e vermelhas já agora, não seria difícil – A minha mota teria de ser uma Ducati!
- Se apenas gostasse da marca e estilo de mota que conduziu Valentino Rossi nos últimos tempos, também não me chateava muito – A minha mota seria uma Yamaha!
- Se apenas gostasse de motas do maior construtor mundial, seria óbvio – A minha mota seria uma Honda!
- O mesmo se aplica aos segmentos e ia por aí a fora…
Mas não sou assim e se tentasse ser seria mau, por um lado, estaria a enganar-me a mim próprio, por outro, não iria apreciar o melhor que cada marca/segmento oferece, um verdadeiro desperdício, diga-se de passagem.
A simpatia que nutro pelas scooters surgiu a partir do momento que tive a minha Honda Vision, tendo sido reforçada de forma definitiva quando tive recentemente a Vespa GTS.
Outras das responsáveis pela minha aproximação a este segmento são duas máquinas que apresentam um conceito muito inovador, com as suas 2 rodas na dianteira, embora com diferentes posturas entre si. Falo da Piaggio MP3 e da Gilera Fuoco 500.
Destaco ainda os fabulosos valores apresentados (75 cavalos de potência e 200 km/h de velocidade máxima) da scooter mais potente e rápida de sempre, a Gilera GP800, que me impressionam.
Mas existiu um outro momento que me marcou. Foi quando tive o prazer de ver todos, ou quase todos os detalhes de uma Suzuki Burgman 650 Executive ABS (AN650A), que me deixaram literalmente de boca aberta!
Não só os detalhes em si, mas também o gosto como me foram mostrados pelo seu proprietário, o que pode fazer toda a diferença.
A pessoa em causa, um verdadeiro motard, é conhecido por tratar das suas motas de forma dedicada, tendo estas sempre, um aspecto irrepreensível, arriscaria mesmo dizer, melhor que (algumas) novas! De forma simpática também, utiliza nas suas intervenções online, uma assinatura à qual acho muita piada, mas que no fundo caracteriza a sua maxi scooter:
“Numa "Burgman", você vai (muitíssimoooooo) mais bem sentado do que nas ... "outras" !!!”
Normalmente intituladas depreciativamente de “sofá com rodas”, no fundo esta designação faz todo o sentido, tal é o conforto proporcionado aos seus comandos, tanto pelo seu assento, como pela sua ergonomia geral e protecção aerodinâmica, com um “vidrinho” frontal regulado em altura por um “botãozinho” no punho direito.
“Mota de velho”, é outra, pois deve ser, e eu a caminho dos 33 anos, devo estar a ficar, por isso mesmo aprecio um bicilíndrico de 638cc, com 55 cv, de injecção electrónica de combustível, acoplado a uma evoluída caixa de velocidades, que tanto pode apresentar-se totalmente automática, como sequencial de 5 velocidades seleccionadas no punho esquerdo.
E os “velhos”, caso pretendam, podem lançar-se a cerca de 190 km/h no “sofá com rodas”, com toda a segurança e estabilidade, mas que também curva, desengane-se quem ache que não!
E parar? Travões de disco, 2 na dianteira, com ABS servem?
E são compartimentos para arrumação, uma enorme e iluminada bagageira, tomada isqueiro, painel digital e…
Podia estar aqui a descrever as qualidades desta Burgman por muitas mais linhas, pois não são poucas.
Pode ser tanto um veículo de lazer, como utilitário, apenas há que contar com o seu porte e peso, que sempre são 243 kgs a seco, apesar de bem distribuídos e com um centro de gravidade baixo.
A Suzuki conseguiu um equilíbrio muito bom com esta maxi scooter, apresentando uma estética clássica e muito bem conseguida, que cobre diversa tecnologia de ponta, a um preço que não é baixo, mas certamente justo, para o que oferece (9.600€).
Há quem não goste, quem não se identifique também, e terão todo o direito para isso, mas falar só por falar, só porque é uma “acelera” é que é chato. E a atitude “bota abaixo” não fica bem a ninguém!
Paixão ou razão?! Sinceramente não sei, é relativo, mas acredito que exista quem compre uma scooter destas por paixão.
Não estou comprador de uma, mas gosto de apreciar e dar valor ao que realmente é bom e por isso mesmo aqui fica o meu testemunho. E não, não foi encomendado por ninguém!

27.09.08

Ligação à Terra


Rui Pereira

Fui questionado por um colega, sobre a duração dos pneus das nossas motas. Ele por acaso tem uma mota muito semelhante à minha, faz percursos parecidos, utiliza as mesmas medidas e marca de pneus e tem uma condução teoricamente mais tranquila, mas os pneus dele para a quilometragem que possuem, em comparação, apresentam um maior desgaste do que os meus!
Não foi difícil chegar à conclusão que o problema era a simples falta de manutenção. A nossa grande diferença é que eu verifico o estado e a pressão dos pneus frequentemente e ele só se lembra deles nas revisões periódicas, em caso de furo, ou quando já estão a pedir substitutos.
Mesmo com a grande quantidade de informação existente e consequente despertar de mentalidades, a importância dos pneus, no caso das motas, ainda continua a ser subestimada por muitos, pois não é raro ver atestar a sua condição, com a subtileza de um aperto de polegar, ou com o tradicional biqueiro!
Não valerá a pena estar aqui a dissecar as propriedades/características/funções dos pneus, até porque são cada vez mais vastas as suas gamas e as diversidades existentes, mas convém ter presente um princípio básico, mas revelador da sua importância:
São estes círculos de borracha sulcada, com escassos centímetros de piso, calibrados com ar, que nos ligam ao solo!

25.09.08

Teste Suzuki DL650 V-Strom


Rui Pereira

Luvas para cá, capacete para lá, blusão para acolá, dou por mim montado na impecável V-Strom azul.
Tenho que dizer que ao contrário da 1000, que me passou um pouco ao lado, a 650 sempre me despertou alguma curiosidade, desde o seu lançamento.
Mais do que os excelentes resultados e positivas criticas que recebeu em comparativos, testes e contactos, sempre me impressionou o elevado grau de satisfação dos seus possuidores.
Esta mota tem uma particularidade engraçada, bom, pode não ser engraçada juntando as facturas dos acessórios quase que obrigatórios, muitos já montados, quando ela ainda nem saiu do stand. É top case, crash bars, protecções de mãos, etc. É engraçado, acho que nunca vi uma Strom sem top case!
Em cima da DL ficamos envolvidos pela envergadura do depósito e das carenagens dianteiras, mesmo assentando os dois pés no chão sem problemas, é aqui que acusamos mais as suas dimensões e peso.
Em andamento, a sensação desaparece por completo, embora seja preciso contar com o elevado centro de gravidade em manobras a baixa velocidade. Fiquei impressionado com o comportamento geral e com as prestações do motor. A posição de condução é tipicamente Trail, apenas notei que os braços vão um pouco esticados, o conforto é muito bom, tal como a protecção aerodinâmica, apenas senti um pouco de turbulência no capacete, mesmo com o ecrã na posição mais alta.
Gostei muito da sensação de segurança e de controlo total que senti aos seus comandos, possível pela posição de condução e pelo desenho da sua frente.
O motor é excelente! Muito elástico, apesar de uma sonoridade esquisita, para quem não está muito habituado a conduzir bicilíndricos. Tem umas boas baixas e permite uma condução suave e descontraída, mas quando solicitado, sobe de rotação com rapidez e das 7.000 rpm para cima revela-se muito pujante. Muito agradável, mesmo!
Para uma mota com um preço muito bom, apresenta alguns “luxos”, como o motor refrigerado a liquido e de injecção electrónica de combustível, quadro e braço oscilante em alumínio, painel de instrumentos moderno e completo, entre outros.
A travagem é igualmente muito boa e contribui definitivamente para a tal sensação de segurança que falei mais acima.
O que me pareceu mais débil foi a suspensão dianteira, respondendo de forma seca a certos obstáculos, como uma lomba.
Se calhar estou confuso, mas acho que esta V-Strom curva melhor do que outras motas muito mais vocacionadas para tal! Soberba! Olhem que nunca imaginei, numa mota de tão grande envergadura e longa distância entre eixos!
A mota tem um acerto formidável e é muito equilibrada. Agora compreendo a grande satisfação de quem tem uma, as criticas positivas, tudo!
De facto, ao preço a que é vendida e pelas suas qualidades, mesmo sacrificando um pouco alguns pontos como a estética, carisma e a especificidade, diria que é quase uma daquelas propostas irrecusáveis, para quem quer uma “faz tudo” muito competente.
Já agora, mesmo acreditando no maior equilíbrio, que me foi transmitido, da 650, fiquei curioso para experimentar a 1000…
Nisso das motas, o estatuto é muito importante… cof… cof…
Ah e tal, a 650… pois bela mota, sim… não, mas a minha é uma 1000… é outra coisa!

10.09.08

Calma na estrada, sff…


Rui Pereira

Porra! Fiquei desiludido comigo mesmo!
Face a uma serie de adversidades, reagi da pior forma à maior parte delas. Parece que perdi os meus princípios, a minha verdadeira maneira de ser.
Dormi mal, literalmente com os pés de fora, a caminho do escritório, deparo-me com filas de trânsito de fazer tremer o mais calmo dos seres!
Fogo, saíram os carros todos à rua hoje, ou quê?!
Impaciente, chateado, aborrecido, empenhei a minha condução à “artista” na mota!
...
A tarde foi-se, porreiro! Casa.
Casa?! Calma, a procissão ainda vai no adro! Se de manhã as filas eram "jeitosas", agora nem se fala! Porra, e agora?! Passa o “artista” novamente para os comandos… Não há alternativas, está tudo “entupido”, não dava para passar, só mesmo com manobras... parvas!
Que caraças, lá cheguei a casa com um misto de arrependimento e sentimento de culpa.

És tolo pá?!
Quem é que paga a gasolina e os pneus desta merda?!
Quem é que fica com má imagem, parvo?!
Quem é que paga as multas em caso de ser apanhado a fazer estas merdas?!
Quem é que paga o arranjo em caso de acidente, estúpido?!
E principalmente, quem é que põe em perigo a si e aos outros?!

Porra, sou eu!!!