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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

19.07.19

Passado no presente. Duas rodas, com e sem motor.


Rui Pereira

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Noutros tempos foram as rainhas das nossas estradas. Serviram muitas famílias. Ergueram uma indústria… Foram esmagadas por congéneres importadas. Hoje estão obsoletas. Apetecíveis para quem recupera e negoceia, ou simplesmente quer guardar para recordar. São pedaços de história. E alheios a tudo isso, há quem continue a dar-lhes serventia.

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Fizeram a alegria de miúdos. Sofriam verdadeiras torturas nas mãos de alguns. Faziam-lhes arriscar, experimentar, sonhar. Permitiam-lhes ir… Agora fazem a de graúdos, nem que seja estaticamente, num claro exercício de saudosismo. Os miúdos de hoje, atrás dos pequenos ecrãs, pouco lhes ligam.

12.07.19

Contraste


Rui Pereira

As cidades são ricas em variedade. No que diz respeito aos veículos, vê-se de tudo. Aos automóveis ligo menos, mas não fico indiferente àquele que por alguma razão se destaca pela diferença. Às motas ligo mais, principalmente aos modelos personalizados ou de outros tempos. E depois ando literalmente atrás das bicicletas e de tudo o que lhes diga respeito. Curiosamente, quando andava à procura de uma loja de bicicletas, tropeço nestes dois espécimes motorizados, lado a lado. Um expoente germânico das modernas viaturas elétricas e uma scooter que tinha tanto de antiga como de exótica, protagonizando um verdadeiro contraste urbano.

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04.07.19

O seu “motor” somos nós!


Rui Pereira

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Gostava muito de motas. Gosto de motas, mas…
Tive de definir prioridades. As motas deixaram de o ser. Deixaram de fazer sentido como meio de transporte devido ao crescimento da família e no lazer foram substituídas pelas bicicletas.
As bicicletas esvaziaram-lhes de sentido. São igualmente apaixonantes e incríveis fontes de prazer, com tudo a acontecer a menos velocidade e com menores custos e constrangimentos.
Há silêncio, liberdade, bem-estar, simplicidade, gasto de calorias. Não há emissões poluentes.
Há o casamento perfeito entre divertimento e atividade física.
A cereja no topo do bolo das bicicletas está na sua essência…
O seu funcionamento é soberbo!
O seu “motor” somos nós!

03.05.19

Pedalar e acelerar. E caminhar pela natureza!


Rui Pereira

Este é basicamente um blogue sobre bicicletas, reflexo da importância que estas têm na minha vida. Surgiram inicialmente pela necessidade física, estabeleceram-se pela sua vocação utilitária e acabaram por ser muito mais do que a soma destas duas partes.
As bicicletas são uma paixão. Um regresso às origens, um passo no sentido da simplicidade, da liberdade e do prazer. O prazer de uma volta de bicicleta não se explica, sente-se!
Esta semana tive uns dias sem a minha companheira do dia-a-dia. Senti a sua falta. Como me facilita a vida e contribui para me fazer sentir bem! Arranjei uma substituta por um dia. Não foi a mesma coisa. Mas piores mesmo foram os outros dias…
Mas as bicicletas não são tudo!
Sabia que não devia ter experimentado a mota do meu irmão. Bem que tenho vindo a recusar nos últimos anos. Digamos que o gosto pelas motas era um monstro que tinha adormecido dentro de mim… Acordou!
Domingo não andei de bicicleta. Voltei a sair de mota... Mas teve mesmo de ser, um compromisso pessoal inadiável a isso obrigou. Noutra altura ficaria chateado por não poder sair de bicicleta. Não fiquei. Pronto, vá lá, fiquei um bocadinho. Liberado do compromisso aproveitamos, eu e o meu filho, para uma voltas de mota.
Mas as motas também não são tudo!
No feriado também não andei de bicicleta. Nem de mota. Compromissos desportivos do rapaz para começar bem o dia (e bem cedo). Já a tarde foi dedicada a uma atividade muito aprazível – caminhar pela natureza! Calma, sossego, ar puro e paisagens deslumbrantes. Satisfação, prazer e bem-estar físico e psicológico. Perfeito!
A natureza não é tudo, mas é muito!

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29.04.19

Dia do Motociclista


Rui Pereira

Devido a um compromisso pessoal, ontem não andei de bicicleta, mas sim de mota.
Coincidentemente, comemorou-se o Dia do Motociclista. Na cidade de Ponta Delgada, como é habitual, os motociclistas organizaram-se e rumaram à Igreja da Matriz, para a tradicional bênção das motas e dos capacetes.
Com o tempo a ajudar, muitos aproveitaram este dia especial para rolar e conviver em grupo, daí o número de motas que circularam ontem, um pouco por toda a ilha, ter sido superior ao que é normal.
Muitas motas reluzentes repousaram enquanto decorreu a eucaristia, dando um movimento e um colorido diferentes ao espaço em redor da Igreja da Matriz, chamando a atenção de apreciadores e curiosos.
Das imagens captadas deixo a que considero mais representativa. No fundo, é aquela que vai de encontro àquilo que mais aprecio no mundo das motas.

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09.04.19

Não faz muita falta, mas já que está, fica!


Rui Pereira

Este domingo os pedais deram lugar ao acelerador. Saí montado em duas rodas na mesma, mas em algo motorizado e mais encorpado. Não muito.
A minha modesta scooter 125 completa este ano a respeitosa idade de 10 anos, mas só domingo é que superou a fasquia dos 4 mil quilómetros.
A senhora da casa ganhou medo e nunca mais lhe pôs as mãos em cima; a função de transporte alternativo nunca foi realmente exercida porque conseguimos conciliar as deslocações necessárias com o carro; no meu tempo de lazer a prioridade é a bicicleta. Aqui estão os 3 principais fatores que explicam uma ridícula média de cerca de 400 quilómetros por ano.

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Esta mota é uma daquelas coisas que não faz muita falta, mas já que está, fica!
E foi ficando. E as baterias vão andando. E vou ligando e pegando nela, de vez em quando, só porque tem de ser. Porque se não o faço, é dar-lhe ao pedal e… era o pegavas. Acaba por pegar sempre, mas às vezes custa.
Mas desta vez, nem necessidade, nem obrigação. Fui andar de mota porque quis, porque não me estava mesmo nada a apetecer andar de bicicleta!
Não é comparável com algumas das motas que já tive, claro, mas mesmo automática, com suspensões débeis e com uma potência diminuta, dá para sentir um pouco daquele prazer de condução quando se leva de forma ligeira de curva em curva. A saída das curvas é lenta e então se o piso inclina pior, mas acaba por ser divertido tentar manter o ritmo, sempre muito tranquilo (hum…) e legal (há sempre um lado positivo).
Era menino para ter uma coisa mais encorpada. Mas nada como noutros tempos sonhei ter. Até podia ser mesmo uma 125 com um caráter mais desportivo, ou uma 250, ou vá lá, no limite uma 400!
Para já, esta vai dando para a despesa, ou melhor, vai dando despesa!
Tenho obviamente outras prioridades neste momento, mas quem gosta…

“Não tento explicar às pessoas porque é que ando de mota. Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária! Para os que não compreendem, nenhuma explicação é possível…” (Autor desconhecido)

15.02.17

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?


Rui Pereira

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!

08.03.09

Motas vs. bicicletas


Rui Pereira

Se à 3 ou 4 meses atrás, alguém dissesse que eu iria ter uma ligação tão forte às bicicletas e aos meios que as rodeiam, que aos poucos me tem afastado da maior paixão material da minha vida – as motos, não acreditaria!
O facto, é que rendi-me às bicicletas, talvez porque estas têm-me permitido fazer o que gostaria de ter feito com as motos e nunca consegui, mas de uma forma mais segura, prática e económica, com a mais-valia de contribuir para o meu bem-estar físico.
Apesar das variadas limitações ao nível pessoal e material, não deixo de sentir alguma satisfação por ter vindo a superar obstáculos e a alcançar alguns objectivos gradualmente, culminando com a minha participação em competição numa prova de BTT-XC este ano.
As bicicletas estão definitivamente na moda, mas a minha ideia de ter uma já vem de uns bons anos para cá, na altura como complemento às modalidades indoor que praticava. Entretanto, com o nascimento do meu filho veio a alteração de diversas coisas e o consequente abdicar de outras tantas, daí que neste momento, a opção bicicleta passou a necessidade, e a par com o gosto, assumiu a posição de protagonista.
Mesmo tendo que gerir da melhor forma os meus tempos livres, os domingos de manhã estão garantidos. E é engraçado constatar, que a bicicleta, ou melhor, as dificuldades que sinto em cima dela, já me fizeram passar a acompanhar a minha mulher nas suas sessões de jogging e de banhos de mar em pleno Inverno!
Nos bastidores tenho-me divertido e aprendido muito, tanto no que diz respeito à preparação e manutenção da bicicleta, onde ainda me falta um pouco para dominar a mecânica das bikes como gostaria, como pela minha “intromissão” no meio, seja real ou virtual, onde tenho conhecido pessoas com excelente atitude e vasta experiência, suficientes para me sentir perfeitamente integrado e acompanhado, num mundo até agora desconhecido.
E a paixão pelas motos?!
Existe, dificilmente deixará de existir e as motos não estão completamente fora de questão. Em brasileiro diz-se: “dar um tempo”…
O facto, é que a partir do momento em que a moto deixou de ser uma necessidade, uma vez que deixei de andar diariamente e a disponibilidade para uma utilização de lazer começou a ser escassa, a par com o aparecimento de outras prioridades, responsabilidades e necessidades, esta começou a ser vista como um peso desnecessário que se reflecte no orçamento familiar, mesmo parada na garagem, para já não falar na contínua desvalorização. Pior ainda, quando inutiliza 18 m2 de área coberta e obriga o carro a “dormir” na rua!
Seja como for, não foi uma opção tomada de ânimo leve e não poucas são as vezes que sinto saudades delas, de qualquer uma das motos que tive (com destaque para a Suzuki DL650 V-Strom), pois as sensações que transmitem, sejam pela sua mera presença, sejam na condução aos seus comandos, são únicas, impossíveis de explicar e transmitir, e só compreensíveis por quem já teve ou tem o privilégio de as sentir.
Apesar do título deste texto poder induzir em erro, não é minha intenção entrar em comparações, até porque havendo semelhanças no conceito, são muito diferentes e obviamente não se substituem, mas complementam-se. E como bom sonhador que sou, continuo a sonhar com as minhas próximas, sejam com ou sem motor.

27.10.08

Clássicas-Modernas


Rui Pereira

No seguimento da minha actual linha de pensamento no que toca a motas e depois de ter lido mais do que uma vez o comparativo entre quatro “clássicas-modernas” na revista Motociclismo de Setembro, a saber, Ducati GT 1000, Harley-Davidson XR1200, Moto Guzzi V7 Classic e Triumph Bonneville T100, não é difícil constatar que qualquer uma destas motas tem o perfil que há muito procuro.
Há outros, mas estes quatro modelos interpretam na perfeição a filosofia que pretendo, cheias de personalidade, trazem aos nossos dias, a imagem clássica e carismática de outros tempos, mas numa base ciclistica minimamente actual, o que aumenta consideravelmente o leque de possíveis utilizações, mesmo que o objectivo principal seja simplesmente passear.
Neste aspecto e embora comparáveis, existem diferentes abordagens ao conceito, tantas como o número de modelos em causa, umas mais “genuínas”, outras mais “adulteradas”, podendo estas, ajudar a definir com maior precisão, qual a mais adaptada, não fosse haver a paixão, que tanto neste segmento, como em tantos outros, sobrepõe-se a todas as razões facilmente.
Estão aqui dignamente representadas, quatro das minhas marcas preferidas, sem dúvida, qualquer uma delas a apelar fortemente à imagem, ao carisma e à paixão.
Qual escolher, é a questão que se impõe, sabendo desde logo que um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas!
Por uma questão de empatia, desde logo destaco a Ducati e a Triumph, não desmerecendo as restantes. A Triumph é uma das minhas marcas preferidas e comecei a vê-la com outros olhos, não tanto pelos espectaculares e competitivos modelos de carácter actual que produz, mas sim pelas suas “clássicas”.
Já cheguei inclusive a contactar o importador nacional para saber até que ponto seria possível trazer uma destas máquinas aqui para a ilha. Mas fui, ou melhor, fomos mais longe, eu e o meu irmão, pois chegamos inclusive a explorar a hipótese de trazer a representação da marca para os Açores. Depois de alguns contactos, a concretização da ideia ficou em “stand-by”, mas ficaram as intenções.
Com a Ducati o “namoro” já é longo, simplesmente não lhes consigo resistir, sou apaixonado pela sua história, pela sua imagem, pelos seus modelos e estou-me nas tintas para os constantes elogios negativos, que saem da boca dos mais preconceituosos e fundamentalistas. E quem diz GT 1000, diz Sport 1000 e restante gama, com os genes desportivos e com a forte imagem da marca sempre presentes, seja qual for o segmento que representem.
A Harley-Davidson não precisará de grandes apresentações no universo das motas, principalmente no universo das choppers, ou não fosse a marca a criadora do conceito, mas também tem uma história desportiva por detrás das “massive and low” de “popone” único e não teve receios em produzir a rude e marcante XR 1200, inspirada neste passado de sucessos na competição.
A Moto Guzzi, não tão badalada como a anterior, também tem o seu espaço bem demarcado, dona de um característico motor bicilíndrico transversal em V e de todo o charme que nos chega de Itália, quando se fala em motas.
Mas a questão ainda está por responder, qual escolher?
Repito, um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas, mas...
Misturando muita paixão, alguma razão e outros pormenores práticos (por exemplo a escassez de representações de marcas de motas cá), talvez… Ducati GT 1000.
Porquê?
Mesmo sendo uma das menos “genuínas” do lote, uma vez que partilha motor, quadro, suspensões e travões, com diversas outras produções actuais da marca, impõe-se no que toca às performances e permite uma condução a outro nível, muito mais competente e eficaz. Tudo isto sob uma capa encantadoramente clássica, fazendo jus ao nome que orgulhosamente ostenta, em fonte a condizer, no depósito de combustível...