Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

30.09.19

Piões


Rui Pereira

Enrola, atira, gira, roda, rola…

pioes_madeira.jpg

Enrola, atira, roda, gira, toma, rola…

piao_mao.jpg
Sinto o mesmo gosto. A mesma satisfação de conseguir lançar o pião com êxito!
Estava na primária e lembro-me. Sair da escola a correr, lanchar à pressa e ir jogar ao pião, incansavelmente.
Eu e os outros.
Existem coisas que nunca se deixa de gostar. Coisas que nunca se deixa de saber fazer…

21.06.18

Só ou acompanhado?


Rui Pereira

Acompanhado, mas…
Recordo com saudade o tempo em que andava de bicicleta em grupo. Formei um e integrei outros já formados. Sempre de BTT, numa altura em que a Estrada ainda era desconhecida para muita gente. Andar em grupo, nem que seja apenas nós e mais um/a, é indiscutivelmente mais entusiasmante e motivador, valendo igualmente pelo convívio e pela partilha.
Atualmente ando sempre sozinho. Ou quase sempre. O facto de ter divergido dos demais, ao nível da atitude e das opções, colocou-me numa posição intermédia e menos considerada. Não tenho andamento (nem faço por ter) para acompanhar quem já leva o ciclismo mais a sério, mas também tenho outro ritmo, quando comparado com quem encara as bicicletas com demasiada distância e descontração. E perante ritmos e atitudes diferentes, fica mais complicado gerir o esforço e o tempo, o que influencia negativamente na fluidez e na tranquilidade de uma volta, a não ser que seja um acontecimento de caráter excecional.
Para além disso, é o compromisso. De facto, andar em grupo implica compromisso. Implica seguir o que foi estipulado como hora de saída, ponto de encontro, trajeto, ritmo, etc. E isso causa-me alguma ansiedade e desconforto. Eu, que tantos domingos acordei mais cedo para atravessar a ilha de norte a sul ao encontro do grupo e que depois da volta fazia o trajeto em sentido contrário, sozinho, enquanto os meus companheiros já estariam de banho tomado e sentados à mesa para repor calorias. E fazia-o com gosto. Mas contradizendo o ditado popular de que “quem corre por gosto não cansa”, se calhar, cansei-me…

11.04.18

O muro!


Rui Pereira

É curioso que as histórias mais engraçadas e que mais ficam na memória serem sempre sobre quedas e acidentes ou outras desgraças, não é?
Esta é mais uma história de outros tempos, no caso, sobre mim, a minha bicicleta e um muro.
Quando já era mais crescido tive uma bicicleta de estrada que o meu pai tinha trazido dos Estados Unidos da América. Foi a primeira vez que andei numa bicicleta de estrada. Esta bicicleta, na altura e para mim que queria era uma BMX, era um bocado esquisita! Tinha um guiador estranho, todo curvado para baixo. Além disso, tinha umas rodas muito fininhas. E uns travões pouco acessíveis. Eram as bicicletas que os ciclistas profissionais usavam nas corridas de estrada que apenas via na televisão.
Estava então a andar de bicicleta no bairro com o meu irmão, como era costume, mas agora do lado de fora. Lado que só era permitido agora que eramos maiores, já que antes só lá íamos de fugida às escondidas. É que aqui já havia uma rua movimentada, embora tivesse um passeio bastante largo, com umas grandes árvores. Algumas raízes destas árvores faziam elevações no passeio que pareciam rampas de saltos.
A parte mais interessante de andar do lado de fora do bairro eram exatamente os saltos. Então, pedalávamos o máximo que podíamos para tomar balanço e saltávamos com as bicicletas nestas elevações. A maior, portanto, a mais desejada, era a que ficava mais próxima de um muro. Tendo o meu irmão como espetador, afasto-me e dou meia volta, e venho a toda a velocidade de encontro à maior elevação do passeio. Salto e continuo a avançar com velocidade, cada vez mais próximo do muro…
De mãozinhas plantadas no topo do guiador percebi que não chegava aos travões… e o muro a aproximar-se rapidamente!
- O que é que eu faço? – pergunto, em pânico, ao meu irmão.
– TRAVAAA!!! – grita ele.
Já não deu tempo… E fui de frente contra o muro!
PAMMM!!!

10.04.18

A corrida de bicicleta!


Rui Pereira

No meu tempo de criança não existiam tantas preocupações como hoje. Andava-se de bicicleta sem proteções de segurança e não se vestiam roupas próprias, até porque não se viam. A rapaziada andava e brincava mais à vontade na rua, e divertia-se muito. Não haviam tantos perigos como agora e os pais eram mais descontraídos.
Como qualquer miúdo gostava muito de andar de bicicleta. Costumava andar sempre com o meu irmão, mas também com os nossos amigos do bairro. O bairro era um belo sítio para jogar à bola e andar de bicicleta, já que tinha relvados rodeados por passeios que pareciam ruas, onde fazíamos corridas de bicicleta e outras brincadeiras. Também se jogava ao pião, ao berlinde e apanhava-se borboletas, ou pelo menos tentava-se.
Certa vez, eu e o meu irmão fizemos uma corrida. Rapazes e a tendência para as corridas…
Subimos até ao topo do bairro para depois descermos a toda a velocidade. Os dois queriam chegar primeiro e faziam tudo para consegui-lo. Sendo mais velho, ainda antes do meio da descida comecei a ultrapassá-lo e ele mais não fez do que tentar impedir a minha manobra. Com isso, ficamos a pouca distância lateral um do outro e quando já tomava a dianteira, a manete do travão da bicicleta do meu irmão prende no aro cromado que suportava o selim da minha bicicleta (eram duas Sirla laranja de selim corrido e guiador alto), o que fez com que perdesse o equilíbrio, dando uma aparatosa queda!
Ele desatou a chorar e eu parei e aproximei-me dele sem saber o que fazer. Com o barulho da queda e do choro, o nosso pai veio a correr para ver o que tinha acontecido.
- Como é que isto aconteceu? Eu não vos disse para terem cuidado? – perguntou visivelmente preocupado e irritado!
O meu irmão continuou a chorar e eu apenas encolhi os ombros…
Depois de ver que tinha sido mais o susto da queda e que o meu irmão não se tinha magoado, o nosso pai disse:
- Vá, acabaram-se as corridas, vamos para casa. E ficam já a saber que estão os dois de castigo. Só voltam a andar de bicicleta quando eu disser!
As corridas nem sempre correm bem. Nesta, ninguém chegou em primeiro, um acabou no chão a chorar e o outro amuado. O nosso pai zangou-se com os dois e, depois em casa, a nossa mãe também. Uma das bicicletas ficou maltratada. Mas, pior mesmo foi termos ficado de castigo sem saber quando é que voltaríamos a andar de bicicleta.