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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

03.06.20

O encaixe nos pedais dura até hoje!


Rui Pereira

Não me lembro de ter aprendido a andar de bicicleta. Mas lembro-me, vagamente, da minha primeira bicicleta. Azul, rodas pequeninas, banco corrido, pedais brancos, carreto fixo. Depois tive uma Sirla. Curiosamente muito parecida com a minha atual Órbita dobrável. Desta lembro-me. Laranja, guarda-lamas brancos, dobrável, também de banco corrido adornado com um enorme refletor traseiro. À maneira que iam ficando disfuncionais, iam desaparecendo!
Depois, inesperadamente, apareceu uma espetacular pasteleira azul, daquelas mesmo antigas. E, vinda num caixote do outro lado do Atlântico, uma estradista amarela. Na altura era no mínimo estranha!
Apareceu uma BMX coçada. Foi soldada. Foi desmontada, pintada a pincel e montada, mais do que uma vez. Foi preta. Foi verde. Acho que foi preta outra vez. Também desapareceu…
A BMX Órbita de amortecedor e travões de disco, inicialmente, e a BMX Dino branca em destaque na montra do Horácio, tão desejadas, nunca chegaram…
Alguns anos de jejum dos pedais e surge a minha primeira bicicleta de todo-o-terreno (btt), uma Top Sirla. Azul, mudanças. Vendi-a poucos meses depois cego pelas motas!
Mais de uma dúzia de anos depois, os motores são desligados… A Specialized Hardrock relança toda uma relação perdida, elevada para níveis nunca pensados.
A partir daí têm chegado algumas. Uma por uma. E ficam... Já não desaparecem.
O encaixe nos pedais dura até hoje!

Hoje é o Dia Mundial da Bicicleta.

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27.03.20

"As minhas gatas”


Rui Pereira

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Há 10 anos atrás, se me dissessem que hoje estas seriam as minhas bicicletas preferidas, não acreditaria.
Com o passar dos anos podia estar a ficar mais burguês e conservador, mas não!
As minhas bicicletas de carreto fixo reúnem, como nenhumas, aquilo que mais privilegio atualmente numa bicicleta.
São encantadoramente radicais!
Tenho bicicletas muito melhores, tecnologicamente falando, mais sofisticadas, eficazes e caras, mas falta-lhes carisma e caráter, e aquela imagem simples, limpa e minimalista que tanto aprecio.
Para além disso, não permitem uma interação tão peculiar e próxima, elevada ao nível da personificação, como acontece com as fixed-gear.

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A gata que surgiu na fotografia é dos meus vizinhos do lado de baixo.
Os do lado de cima também têm uma.
Fazem questão de aparecer quando estamos lá fora.
Não são nossas, acho que gostam de nós.
Nós também gostamos delas, quase tanto como se fossem…

06.12.19

Levo-a...


Rui Pereira

Olho para ela.
Nos olhos, para o seu corpo.
Ela fala…
Ouço-a. Sinto-a.
Observo os seus pormenores.
Ela explica-se…
Gesticula.
Sou bom ouvinte.
Ela sabe…
E desabafa.

Ela tem caráter.
O seu feitio.
Adapto-me…
Às vezes, em esforço.
Ela tanto dá luta,
Como se deixa levar.
Sou gentil,
Mas imponho a minha vontade.
Sou cuidadoso…
E levo-a.

Levo a minha bicicleta.
A minha bicicleta leva-me.

21.10.19

Sabes?


Rui Pereira

Fiquei apaixonado por ti, desde o primeiro dia em que te vi.
Deste nas vistas e chamaste a atenção. Gostei, mas não te dei a devida importância.
O tempo passou. Arrefeci e distraí-me com outras.
Passaste despercebida, mas na verdade nunca te esqueci.
Voltei a pensar em ti. Eras difícil e isso retraía-me. Ainda és…
Mas tinhas de ser minha. Empenhei-me. Consegui.
Fui buscar-te. Trouxe-te com cuidado.
Feliz e apreensivo. Ainda meio incrédulo. Consegui!
Atribuí-te lugar de destaque, dei-te atenção, cuidei de ti.
Ainda o faço. Tu deixas. Acho que gostas. Quem não gosta?
És sempre desafiante. Má, às vezes. É a tua natureza. Já devia saber...
É também aí que reside o teu encanto. Para além de seres linda!
Gosto de poder andar contigo. É um prazer ter-te a meu lado.
Sabes que gosto cada vez mais de ti?

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04.10.19

A Cultura da Bicicleta!


Rui Pereira

A minha relação com a bicicleta vai muito para além do ter. Podia ser apenas uma, não é o caso, mas este facto é indiferente.
De uma simples compra, que mesmo assim envolveu algumas centenas de euros, seguiram-se outras, e elas, as bicicletas, foram ganhando outro estatuto. Transformou-se a forma de as encarar e utilizar. Alteraram-se os atributos prioritários.
De pessoa que tem uma bicicleta passei a ser um convicto utilizador da bicicleta ou, um ciclista não competitivo. Por desvalorizar a competição e ser um bocado indiferente às últimas e tão badaladas soluções tecnológicas, nem sempre sou compreendido ou bem aceite pelos meus pares. Mais uma vez, indiferente.
Revejo-me muito mais na função simples e básica da bicicleta, em comunhão com a pureza e beleza das linhas de sempre!
Algumas delas passaram da garagem para as outras divisões da casa e acumulam funções, as básicas com a de peça decorativa. Começaram a invadir voluntariamente a minha vida nas roupas, nos acessórios, nas leituras, na escrita…
Até posso não pedalar tanto como seria suposto, mas a bicicleta não é apenas isso. É um estilo de vida. É uma cultura. E eu alimento esta cultura…
A Cultura da Bicicleta!

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26.09.19

“Take Flight”


Rui Pereira

Descobrir Lindsey Stirling foi uma surpresa muito agradável. Ouvi alguns dos seus temas durante algum tempo, mas acabou por cair um pouco no esquecimento.
Com o seu recém-editado álbum “Artemis” voltei a ouvi-la. O tema que dá o nome ao disco foi o principal culpado. Mas deste para muitos outros foi um pulo.

“Take Flight”!


Um tema partilhado em 2015 que conta com perto de trinta milhões de visualizações e passou-me ao lado! Mesmo que fossem só três mil ou trezentas!

Ouvi, uma, duas, três vezes…
Dez, vinte, trinta… repetidamente. Perdi a conta!

A fusão do seu violino com a eletrónica, forte e reverberante. A presença de suaves vocalizações. As transições. Toda a fluidez da composição. A majestosa melodia. O vídeo.

Mágico! Perfeito!

A música é mágica, é perfeita! Será possível viver sem ela?!

Andei à "procura" de algo mais relevante para publicar que pudesse ilustrar com este tema. Não "encontrei". Fica apenas a imagem de uma descida aos comandos da minha bicicleta, paradoxalmente, o mais próximo que experimento da sensação de levantar voo!

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25.07.19

Roupa com bicicletas dentro!


Rui Pereira

Já disse inúmeras vezes que adoro bicicletas e, que por isso mesmo, estas estão muito presentes em várias áreas da minha vida.
Como (bom) homem que sou ligo pouco à roupa. Coisas básicas e pouca quantidade. E não tenho paciência para lojas de roupa e provadores…
Acabo por comprar mais por oportunidade do que propriamente por intenção.
A única coisa a que não resisto, logo que os preços não sejam proibitivos, é à roupa com bicicletas dentro!

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11.07.19

Não sei que título lhe dou...


Rui Pereira

São 23H32. Nos auscultadores ouço “The River” de Aurora. Sem saber o que escrever.

Tenho o Sapo e o blogue abertos. Nunca escrevo lá diretamente. Tenho umas manias tolas. Dir-me-ão que existem ferramentas de correção ortográfica, para limpar formatação, etc. Eu sei. Mas escrevo no Word, copio o texto para o Bloco de notas e de lá para o Sapo. E justifico. E sempre no computador. São hábitos que ganhei e ficaram.

O vídeo entretanto acabou e o Youtube encarrega-se de rodar o próximo da lista. Retrocedo. A “The River" é tão bonita e inspiradora!

Levanto-me para desligar a televisão. A casa já dorme. Sou o único acordado. A claridade do monitor, de vez em quando, fere-me os olhos. Fecho-os de forma apertada.

Aurora canta o refrão…

“You can cry
Drinking your eyes
Do you miss the sadness when it's gone? (gone)
And you let the river run wild (gone)
And you let the river run wild”

A melodia é deliciosa. O texto prossegue sem sentido...

Salto para o Ambiente de trabalho. Existem apenas dois ícones, sendo que um deles é a Reciclagem. É assim que gosto dele, limpo. O fundo mostra, para mim, uma das bicicletas mais espetaculares de sempre – Roda Gira Arrogante CMYK!

Volto a retroceder para a música certa no Youtube. Aumento o volume.

Mas que fascínio é esse? Como é que uma estrutura de tubos interligados, com umas rodas e mais uns outros apêndices me fascinam tanto? Não há música que ouça que não a sinta como a banda sonora de um filme por mim protagonizado aos comandos de uma das minhas bicicletas!

Mais um momento para reiniciar a música.

Uma estrada de montanha deserta. Céu cinzento. GoPro’s instaladas na bicicleta. Drone uns metros acima a acompanhar a nossa progressão. Grande plano do sapato a encaixar no pedal e do apertar firme dos dedos no guiador. Uma descida a grande velocidade. Curvas. Travagens. Posição aerodinâmica. Segmentos sem música, apenas com o som do rolar da bicicleta. Momentos em câmara-lenta…

“(…)
You can cry
(You can cry, you can cry, you can cry)
Drinking your eyes
(To where the ocean is bigger)
I don't miss the sadness when it's gone (gone)
And the feeling of it makes me smile (gone)
As I let the river run wild”

Aurora continua a (en)cantar...

São 00H31. Vou publicar o texto seguindo os mesmos rituais de sempre.
00H48. Publicado.

04.07.19

É linda!


Rui Pereira

A mania das bicicletas está disseminada.
Estivemos os dois à sua volta. Olhares de um e outro ângulo, captura de algumas imagens, toques e carícias no seu quadro e componentes. Repetidas declarações – É linda!
Uma fixie/singlespeed com um quadro único, personalizado, pintado à mão!
Comecei a processar números, a duplicação do conceito, a logística para a trazer, o espaço para a manter. Conclusão: Não, é um disparate!
Ela continuava a segurá-la como se tivesse um íman. E olhava. E repetia – É linda! Esta bicicleta é linda!
Continuei a processar… Podia questionar a possibilidade de poder levar só o quadro... Não, é um disparate!
- Olha que é uma fixie, vais conseguir andar nisso?
- Pois, não vou… Mas se não fosse levávamos!
- …
- Eh pá, aquela bicicleta é linda!

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A fotografia não faz jus à sua beleza!