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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

19.07.19

Passado no presente. Duas rodas, com e sem motor.


Rui Pereira

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Noutros tempos foram as rainhas das nossas estradas. Serviram muitas famílias. Ergueram uma indústria… Foram esmagadas por congéneres importadas. Hoje estão obsoletas. Apetecíveis para quem recupera e negoceia, ou simplesmente quer guardar para recordar. São pedaços de história. E alheios a tudo isso, há quem continue a dar-lhes serventia.

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Fizeram a alegria de miúdos. Sofriam verdadeiras torturas nas mãos de alguns. Faziam-lhes arriscar, experimentar, sonhar. Permitiam-lhes ir… Agora fazem a de graúdos, nem que seja estaticamente, num claro exercício de saudosismo. Os miúdos de hoje, atrás dos pequenos ecrãs, pouco lhes ligam.

18.04.16

O rapaz da bicicleta!


Rui Pereira

Já não sou o rapaz que era há umas décadas atrás, mas existem momentos que me transportam para outros tempos, momentos únicos, onde a minha bicicleta era tudo para mim e o bairro onde andava era um mundo sem fim.
Um mundo onde não havia preconceitos nem preocupações, onde apenas existia diversão e liberdade sem limitações.
Hoje, dou por mim numa das minhas bicicletas a agir como o miúdo que já fui, a sentir aquilo que já tinha sentido, a satisfazer-me como poucos e com tão pouco. Aproveito, como antes, todos os momentos como se fossem únicos… E são!
As bicicletas cresceram, as fronteiras do bairro caíram, mas o rapaz que adorava andar de bicicleta, que fluía através da brisa, que inventava, e às vezes caía, é o mesmo...
A principal diferença é que agora, às vezes, custa-me sair, na altura apenas custava-me voltar. E ainda me custa. Depois de começar já não quero parar.
Incrível a capacidade de um objeto tão simples, não é? Sim, é material, e esse tem o valor que lhe queremos atribuir, mas num misto de saudosismo e orgulho, gosto da sensação que a bicicleta me permitiu e ainda permite sentir, gosto do efeito que produziu e que ainda produz em mim!

21.09.15

Clássico vs. Moderno… Ou clássico e moderno tudo misturado!


Rui Pereira

A única forma que tenho de quantificar os meus passeios de bicicleta é através da sua duração. O que é chato e limitado, já que não posso partilhar com ninguém, todos os pormenores dos mesmos e assim provar que aqui este menino, em cima de uma bike, não é para brincadeiras! Seja lá o que isso quer dizer…

Não tenho ciclo-computadores, nem muito menos aparelhos GPS todos pipis que registam tudo e mais alguma coisa. E que custam os olhos da cara! Nem sequer utilizo aquelas aplicações no telemóvel, até porque mesmo que quisesse não podia, já que o meu telemóvel não as suporta. Sim, é daqueles que só fazem e recebem chamadas!

Mas não se pense que sou assim tão básico. Um dia perdi a cabeça e comprei um monitor de frequência cardíaca de pulso. Em promoção, não era! Batimentos, zonas de treino, calorias e estas cenas todas. Sou moderno ou não sou?

Pronto, vá lá, acho que já ninguém usa isso e confesso, eu próprio nem sempre o utilizo… Ou melhor, levo o aparelho no pulso, até porque preciso do relógio, mas o sensor fica em casa. Já agora, enerva-me um bocado quando ele está no modo de treino e não consigo ver as horas e tenho de andar a fazer contas…

Já tentei ver as horas pelo sol, mas primeiro, não dá muito jeito estar a andar de bicicleta na bisga a olhar para o céu, segundo, isso cá está sempre nublado, e terceiro, tendo em conta as duas razões anteriores e não dominar assim tão bem a técnica do relógio solar, eleva demasiado a margem de erro. E chegar a casa tarde, não ter a mesa posta e já não estar ninguém à nossa espera é aborrecido. Principalmente a parte de não ter a mesa posta!

Tenho uma bicicleta sem mudanças. Heresia! E com o carreto fixo. E sem travões. E não é por ter qualquer problema com a obesidade ciclística. Tenho porque gosto. Para alguns, porque sou parvo! Mas insisto, é simplesmente porque gosto. Quanto à parte de não ter travões é mentira, mas também só tem um na dianteira e não trava assim tanto como isso. Tenho aqui um conjunto de perna e meia que resolve muito do trabalhinho necessário. Vamos lá ver!

O material da maioria das minhas bicicletas é o aço. Uns melhores do que outros. Apenas a renegada BTT é de alumínio. M4 dizem… Não sei o que é! Carbono? Também não sei... Ouvi dizer que era plástico, mas em bom, não sei… Não me censurem, foi o que ouvi dizer…

As minhas bicicletas não são propriamente leves. Mas também não é algo que me dê grande abalo ou me faça comichão… Se às vezes fico cego para atirar a bicicleta por uma ribanceira abaixo? Tanta vez, mas quem nunca sentiu isso que atire a primeira bicicleta, mesmo que ela demore mais tempo a chegar lá abaixo e nem faça grande mossa nas conteiras quando chega!

Mas porquê esta opção mais tradicional? - Perguntam-me vocês.
Porque gosto muito de coisas clássicas e antigas e prefiro rumar por este caminho mais simples, alternativo e diferenciador. Porque, mesmo que quisesse, dificilmente teria suporte financeiro para fazer face a toda esta euforia de modernidade, tecnologia e eficiência. E essencialmente, porque não desejo nem muito menos necessito de todas estas coisas…