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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

09.03.20

O rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos


Rui Pereira

Estava vestido de claro, destinado a sair para a estrada com a bicicleta correspondente. Abri a janela e caía um chuvisco. Ora parava, ora recomeçava. Chão molhado. Mudei de roupa, para escuro, deixei ficar a bicicleta de estrada e peguei na btt.
O tempo não estava muito mau, mas estava inconstante. Se não tivesse alternativa iria para a estrada na mesma, mas tendo, fui para a terra. Para o efeito estava excelente, eu que gosto especialmente de piso húmido.
Andei às voltas, para trás e para a frente, durante um par de horas, não me afastando muito do ponto de partida. Fugi do asfalto o máximo que consegui. Andei nos mesmos locais de sempre, com o mesmo gosto de sempre.
Ando muito mais na estrada, é-me mais conveniente e suja menos a bicicleta, mas andar na terra, longe dos carros, com os obstáculos e o controlar da bicicleta, com as cores - o verde e no silêncio - só com o som do rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos.

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28.01.20

A preferida!

Globe Roll 01


Rui Pereira

Gosto de andar em grupo, mas talvez por estar muito habituado a andar sozinho, na estrada, e isso não implicar levantar-me demasiado cedo para um domingo, continuo a privilegiar um passeio solitário neste ambiente.
A volta deste domingo já tinha sido previamente delineada. Não exatamente o seu trajeto, mas os seus contornos. E a Globe Roll 1 a escolhida. Seria eu e ela. Por nossa conta!
Tinha lá uns sapatos esquecidos. Sapatos que já andaram de mãos em mãos, relegados, que o meu primo me deu. Mais do que marcas de uso, têm marcas da sua falta. Mas, ao que tudo indica, estão aptos e funcionais. Resgatei-os e montei-lhes uns “cleats” de encaixe.
Comi, vesti-me e estreei os sapatos. Tirei a Roll da parede da sala. Sim, tem reservado o espaço mais nobre da casa e está no meu campo de visão sempre que estou no sofá a ver televisão.
A identificação é automática e natural, mal inicio a marcha. Que bicicleta! Que prazer!
Vou a sofrer numa subida, de pé sobre os seus pedais, quase em câmara-lenta, mas sorrio. Vou a sofrer numa descida, a tentar conter a rotação exagerada dos seus pedais, mas sorrio. Vou a sprintar no plano, com o coração quase a sair-me pela boca, mas sorrio. Esqueço-me que quando em marcha os seus pedais não param, sinto o seu coice, chamo-lhe cabra e sorrio!
Achei que não devia alterar a sua configuração. Entretanto, mudei os pedais, o selim, os pneus. Na moldura da coluna de direção ostenta a imagem deste blogue… Do nada, resolvi montar-lhe um modesto guiador plano e uns punhos que tinha, e ainda fiquei mais “apaixonado”. Ficou espetacular, à vista, na condução. Ficou perfeita!
Já o disse tanta vez, mas não me canso de o dizer, esta é a minha bicicleta preferida!

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24.01.20

Descartar maus para colher bons!


Rui Pereira

Aos passeios dominicais de bicicleta juntam-se o mar e os exercícios localizados diários, que me permitem manter a forma física e o equilíbrio psicológico pretendidos. Neste sentido, a alimentação tem vindo a ser ajustada, quer em quantidade quer em qualidade, depois de uma época de alargamento das exceções. O descanso tem sido assegurado.
Os passeios de bicicleta têm ganho alguma dimensão, já que acordo mais cedo e tenho mantido uma interessante disciplina depois dos mesmos, no sentido em que não estou a deixar as minhas bicicletas sem cuidados, semana após semana, tal como acontecia anteriormente.
Pode parecer um contrassenso, mas ter excluído definitivamente o ginásio das minhas rotinas foi fundamental. Ao contrário de muitos, há algum tempo que deixei de ver os ginásios como essenciais para a prática de exercício físico. Assim, deixei de ter o que para mim já era uma obrigação, poupando simultaneamente dinheiro e tendo tempo livre para outras coisas, nem que seja estar sem fazer nada. Por exemplo, tenho aproveitado para intervir nas minhas bicicletas.
Mantenho a forma, mas acima de tudo estou muito mais equilibrado. Claro que quantidade não é qualidade, logo que estejam garantidos os mínimos para o efeito. E estão.
Mesmo que tudo à volta se esteja a desmoronar, e também por isso, é fundamental manter a prática, porque tenho de me agarrar a alguma coisa, portanto, que seja a algo natural, aconselhável e benéfico.
É o cansaço físico que me faz descansar mentalmente. As frustrações descarrego-as em cima de uma bicicleta com umas vigorosas pedaladas. E no chão, com umas centenas de flexões de braços!

09.12.19

À porta de casa!


Rui Pereira

No sábado à noite, o meu vizinho veio pedir-me a bomba para encher os pneus da sua bicicleta. Ia andar cedo, no dia seguinte.
Enquanto o via dar à bomba, questionava-lhe sobre o passeio. Um pequeno grupo de entusiastas descontraídos que se juntam às oito da manhã de domingo, com as suas bicicletas de BTT, para pedalar. Ponto de encontro, mesmo aqui ao lado!
«Olha, se calhar vou com vocês!»
Fui.
Convívio, pedaladas, novos percursos, divertimento.
A última vez que ia sair em grupo tive um furo e fui mordido de boleia para casa. Desta vez, não. E fui preparado para o efeito.
É mais uma alternativa para os meus passeios de domingo. Quase à porta de casa!

03.12.19

Mais um domingo, mais um passeio...

De BTT


Rui Pereira

fsrxc_ribeira.jpgSaí com a ideia de levá-la aonde nunca tinha ido. Pelo caminho, fui passando por locais velhos conhecidos.

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Uma bela manhã domingo e a polivalência de uma bicicleta de todo-o-terreno, onde os pisos variaram entre asfalto, terra e calçada sem grandes constrangimentos.

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A água acabou por ser uma presença constante. Esta é quente e termal, das Caldeiras...

FSRxc_praia.jpgFaltou o registo da visita à cascata, o maior desafio do percurso, mas não faltou o do mar, do norte!

29.11.19

Falando de bicicletas...

E recordações de infância!


Rui Pereira

Já nem sei bem sobre tudo o que escrevi. Devo repetir-me muitas vezes. São muitos textos e os assuntos não são assim tão diversos. Reparei que este blogue soma quase 500 publicações (esta é a 499)! Não, não são todas sobre bicicletas, algumas nem texto têm, mas são fruto do que achei relevante no dia em que foram disponibilizadas.
Isso porque recordava agora o quanto gostava de andar de bicicleta em miúdo. Talvez porque as oportunidades não eram muitas, mas eram sempre devidamente aproveitadas. Até à última, até não poder mais.
Será que já falei sobre isso? Talvez.
O bairro onde passei muito tempo da minha infância… As zonas relvadas/ajardinadas eram os nossos campos de futebol e os nossos laboratórios naturais de descoberta da fauna e flora local, com as peladas a servirem para jogar ao berlinde. As cimentadas para jogar ao pião. E os passeios que ladeavam estas zonas verdes eram como as ruas da nossa cidade, onde simulávamos deslocações e corridas.
Falo no plural, por mim, pelo meu irmão e pelos meus amigos, mas na verdade não sei se sentiam o mesmo que eu… julgo que sim.
Houve um dia mítico. Lembro-me como se fosse hoje. Meia tarde, tempo fresco, céu nublado. Saí de casa em direção ao bairro na “minha” grande pasteleira azul (nunca a senti como minha porque na altura queria uma BMX e porque durou pouco tempo lá em casa). Já não estava a chover, mas a calçada preta e branca que forrava os passeios estava encharcada. Sozinho. Idealizava percursos, executava manobras, delineava curvas, fazia derrapar a roda traseira, controlava a enorme bicicleta, com as luzes ligadas à força do dínamo contra o pneu…
Este sentimento voltou quando, muitos anos depois, comecei a fazer trilhos de bicicleta. Diversas vezes, a preparar o percurso da volta do domingo seguinte, conseguia visualizar aquela lomba, aquela curva, aquela descida. Aquela reação da bicicleta, aquela manobra para a controlar… E todo o gosto e prazer associados!
É mesmo muito provável que já tenha falado sobre isso!

04.11.19

Azores Fixed 2013


Rui Pereira

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Decorria o ano de 2013. Lá andava com as minhas bicicletas, na altura em menor número do que agora, quando soube da existência do Azores Fixed. Basicamente, era um grupo que vinha do continente com as suas bicicletas fixed gear percorrer as estradas da ilha de São Miguel, liderado por um micaelense, exatamente o cérebro desta ideia. Uma aventura, portanto!
Alguém conseguiu combinar um passeio em conjunto com os praticantes locais e eu, muito mais entusiasta do que os demais no que se refere às bicicletas de carreto fixo, não podia perder esta oportunidade.
Foi uma partilha de experiências incrível, inclusive com a possibilidade de experimentar algumas das fixie presentes. Ainda fiquei mais rendido do que já estava e com vontade de ter uma daquelas bicicletas. Espetacular!
Curiosamente, embora muito longe da realidade dos elementos que compunham o grupo, identifiquei-me mais com eles do que com os de cá. Ainda acontece!

15.10.19

Impávida e serena!


Rui Pereira

Sempre a mesma sequência, o mesmo método, o mesmo ritual. É o dia oficial de sair com ela!
Aperto as fitas de velcro dos sapatos, ajusto o capacete, ponho as luvas e os óculos. Fecho o portão da garagem. Estamos frios, estranhos. A familiarização é rápida, mas as pernas pedalam trôpegas. Alivio a transmissão. Acuso as irregularidades do terreno, mesmo que digeridas pelas suspensões…
Aumento o ritmo, a confiança. A gravilha levantada pelos pneus fustiga o quadro. Isso e o rolar dos pneus compõem aquela velha banda sonora de sempre. O movimento brusco da direção é um aviso para manter a concentração...
Serro os dentes e deixo correr, aliviando a sua frente do meu peso. Seguro-a de forma firme, mas não rígida e tento não pensar no pior. Corrijo a trajetória com um ligeiro de toque de travões...
Esforço, empenho, ritmo e controlo. O resto é estado de fluxo. O resto é prazer!
A minha velha e resistente companheira de “guerra”, muita pancada aguenta!
E quem a vê nunca diria… sempre tão impávida e serena!

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