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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

09.12.19

À porta de casa!


Rui Pereira

No sábado à noite, o meu vizinho veio pedir-me a bomba para encher os pneus da sua bicicleta. Ia andar cedo, no dia seguinte.
Enquanto o via dar à bomba, questionava-lhe sobre o passeio. Um pequeno grupo de entusiastas descontraídos que se juntam às oito da manhã de domingo, com as suas bicicletas de BTT, para pedalar. Ponto de encontro, mesmo aqui ao lado!
«Olha, se calhar vou com vocês!»
Fui.
Convívio, pedaladas, novos percursos, divertimento.
A última vez que ia sair em grupo tive um furo e fui mordido de boleia para casa. Desta vez, não. E fui preparado para o efeito.
É mais uma alternativa para os meus passeios de domingo. Quase à porta de casa!

03.12.19

Mais um domingo, mais um passeio...

De BTT


Rui Pereira

fsrxc_ribeira.jpgSaí com a ideia de levá-la aonde nunca tinha ido. Pelo caminho, fui passando por locais velhos conhecidos.

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Uma bela manhã domingo e a polivalência de uma bicicleta de todo-o-terreno, onde os pisos variaram entre asfalto, terra e calçada sem grandes constrangimentos.

FSRxc_caldeira.jpg
A água acabou por ser uma presença constante. Esta é quente e termal, das Caldeiras...

FSRxc_praia.jpgFaltou o registo da visita à cascata, o maior desafio do percurso, mas não faltou o do mar, do norte!

29.11.19

Falando de bicicletas...

E recordações de infância!


Rui Pereira

Já nem sei bem sobre tudo o que escrevi. Devo repetir-me muitas vezes. São muitos textos e os assuntos não são assim tão diversos. Reparei que este blogue soma quase 500 publicações (esta é a 499)! Não, não são todas sobre bicicletas, algumas nem texto têm, mas são fruto do que achei relevante no dia em que foram disponibilizadas.

Isso porque recordava agora o quanto gostava de andar de bicicleta em miúdo. Talvez porque as oportunidades não eram muitas, mas eram sempre devidamente aproveitadas. Até à última, até não poder mais.

Será que já falei sobre isso? Talvez.

O bairro onde passei muito tempo da minha infância… As zonas relvadas/ajardinadas eram os nossos campos de futebol e os nossos laboratórios naturais de descoberta da fauna e flora local, com as peladas a servirem para jogar ao berlinde. As cimentadas para jogar ao pião. E os passeios que ladeavam estas zonas verdes eram como as ruas da nossa cidade, onde simulávamos deslocações e corridas.
Falo no plural, por mim, pelo meu irmão e pelos meus amigos, mas na verdade não sei se sentiam o mesmo que eu… julgo que sim.

Houve um dia mítico. Lembro-me como se fosse hoje. Meia tarde, tempo fresco, céu nublado. Saí de casa em direção ao bairro na “minha” grande pasteleira azul (nunca a senti como minha porque na altura queria uma BMX e porque durou pouco tempo lá em casa). Já não estava a chover, mas a calçada preta e branca que forrava os passeios estava encharcada. Sozinho. Idealizava percursos, executava manobras, delineava curvas, fazia derrapar a roda traseira, controlava a enorme bicicleta, com as luzes ligadas à força do dínamo contra o pneu…

Este sentimento voltou quando, muitos anos depois, comecei a fazer trilhos de bicicleta. Diversas vezes, a preparar o percurso da volta do domingo seguinte, conseguia visualizar aquela lomba, aquela curva, aquela descida. Aquela reação da bicicleta, aquela manobra para a controlar… E todo o gosto e prazer associados!

É mesmo muito provável que já tenha falado sobre isso!

04.11.19

Azores Fixed 2013


Rui Pereira

langster_fixie.JPG

Decorria o ano de 2013. Lá andava com as minhas bicicletas, na altura em menor número do que agora, quando soube da existência do Azores Fixed. Basicamente, era um grupo que vinha do continente com as suas bicicletas fixed gear percorrer as estradas da ilha de São Miguel, liderado por um micaelense, exatamente o cérebro desta ideia. Uma aventura, portanto!
Alguém conseguiu combinar um passeio em conjunto com os praticantes locais e eu, muito mais entusiasta do que os demais no que se refere às bicicletas de carreto fixo, não podia perder esta oportunidade.
Foi uma partilha de experiências incrível, inclusive com a possibilidade de experimentar algumas das fixie presentes. Ainda fiquei mais rendido do que já estava e com vontade de ter uma daquelas bicicletas. Espetacular!
Curiosamente, embora muito longe da realidade dos elementos que compunham o grupo, identifiquei-me mais com eles do que com os de cá. Ainda acontece!

15.10.19

Impávida e serena!


Rui Pereira

Sempre a mesma sequência, o mesmo método, o mesmo ritual. É o dia oficial de sair com ela!
Aperto as fitas de velcro dos sapatos, ajusto o capacete, ponho as luvas e os óculos. Fecho o portão da garagem. Estamos frios, estranhos. A familiarização é rápida, mas as pernas pedalam trôpegas. Alivio a transmissão. Acuso as irregularidades do terreno, mesmo que digeridas pelas suspensões…
Aumento o ritmo, a confiança. A gravilha levantada pelos pneus fustiga o quadro. Isso e o rolar dos pneus compõem aquela velha banda sonora de sempre. O movimento brusco da direção é um aviso para manter a concentração...
Serro os dentes e deixo correr, aliviando a sua frente do meu peso. Seguro-a de forma firme, mas não rígida e tento não pensar no pior. Corrijo a trajetória com um ligeiro de toque de travões...
Esforço, empenho, ritmo e controlo. O resto é estado de fluxo. O resto é prazer!
A minha velha e resistente companheira de “guerra”, muita pancada aguenta!
E quem a vê nunca diria… sempre tão impávida e serena!

muro_bike.jpg

27.09.19

Eu penso, ela faz!


Rui Pereira

btwin-barco.jpg

Arranca à pressa para não ter de, mais uma vez, regressar quando já o sol se pôs. Os dias mais curtos não desmotivam a vontade de dar mais umas pedaladas. Mais do que a prática física em si, que acaba por ser limitada, está em causa aproveitar o dia da melhor forma possível e esperar que o vento que lhe bate na cara alivie também a carga negativa que traz consigo, após mais um dia de trabalho.
A mim, que tenho a mania da perfeição, irrita-me a leviandade com que lida com certas situações, mas depois, num breve momento introspetivo, admito que às vezes devia pensar menos e fazer mais, como ela.

23.09.19

Pode sempre ficar pior!


Rui Pereira

Saí tarde e a más horas. O orvalho caía ao sabor do vento. Comecei a subir para aquecer mais rapidamente. Apanhei vento de frente que me arrefeceu ainda mais. As rodas levavam a água ao seu moinho. Pedalava molhado, mas determinado. Media o pulso ao joelho. Como eu, o orvalho ora acelerava ora abrandava. Atirei a toalha ao chão. De regresso a casa. Subi. Passei o cruzamento e segui em frente. Estiquei o percurso. Voltei na rotunda. Voltei a esticar. Desci. Estiquei um pouco mais…

Já descalço posicionei a bicicleta suja no suporte. O vento fazia-se sentir. Ajustei a pressão da água. Mesmo assim, esta fez disparar a pistola da mangueira. Tinha agora uma cobra doida a cuspir água. Tentei correr pela garagem, descalço, numa sessão de equilibrismo sobre o mosaico encharcado. Fechei a torneira. Virei costas. Tremi... vi, impotente, a bicicleta… tombar! Caiu com estrondo...

21.05.19

Quando as diferenças são indiferentes


Rui Pereira

triban500_roubaix.jpg

 

As duas bicicletas aqui em causa são muito diferentes. Pelos conceitos apresentados, pelos materiais e equipamentos empregues, pelos valores envolvidos.
A proprietária da Btwin Triban 500, que se viu obrigada a comprar uma nova bicicleta depois da sua ter sido roubada, queria uma bicicleta prática, simples, robusta e acessível, que pudesse utilizar à vontade e levar para todo o lado. O proprietário da Specialized Roubaix Comp, já possuidor de uma bicicleta de estrada de inspiração clássica, comprou-a para satisfazer aquele desejo de ter mais uma bicicleta, mais moderna e específica, para usufruir de tudo o que isso implica.
O propósito principal de quem compra uma bicicleta será sempre pedalá-la, mas estas pedaladas poderão ter inúmeras necessidades e direções implícitas. A minha Roubaix é significativamente superior à Triban, mas será que fazia sentido a minha mulher ter algo igual ou equivalente quando os seus objetivos são tão claros e as suas necessidades tão básicas?
Não, não fazia sentido. Ela basicamente quer uma bicicleta que funcione e que a leve até onde as suas limitações pessoais permitirem, não as da bicicleta. Que não lhe exija cuidados, que a bicicleta é para andar. Se cair, caiu. E se está suja, suja fica, que é da maneira que passa ainda mais despercebida.
Fomos os dois, pela mesma estrada e até ao mesmo destino, cada um com a sua bicicleta e à sua maneira. E viemos. Função cumprida!