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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.01.20

Eu pedalei, pedalo, pedalarei…


Rui Pereira

Continuo. Não consigo deixar. Não quero parar.
Sinto as dificuldades. Acuso o esforço. Os constrangimentos.
Mas também falo, rio, grito. Consolo-me.
Sozinho. Às vezes, acompanhado.
Descubro novos lugares. Os mesmos, de forma diferente.
Traço novos objetivos. Arrisco desafios. Vou.
Outras vezes, não.

pedalar1.jpg

Às vezes custa sair. Depois não quero parar.
Nem sempre com as condições ideais. Não faz mal.
Não existem condições ideais.
Tenho frio, depois tenho calor. Depois volto a ter frio.
Estou molhado. Arrepiado.
Susto. Safo-me por um triz. Arrepio-me.
Esqueço. Faz parte.
Tudo tem um lado bom. Outro menos bom.
O lado bom domina.

pedalar2.jpg

As experiências são incríveis. Umas mais, outras menos.
Mas todas únicas. Diferentes. Deixam-me sorridente.
Vou continuar. Não quero deixar. Nunca vou parar.
Custe o que custar.
Mesmo quando já não o puder fazer.
As minhas bicicletas foram, são e serão sempre pedaladas.
Nem que seja em pensamento!

06.01.20

O teste!

Gloria Magenta


Rui Pereira

Baixas expetativas e a normal apreensão inicial. Foi assim que levei a Gloria Magenta à estrada pela primeira vez. E ainda bem que assim foi, porque acabei surpreendido positivamente.

gloria_milicias1.jpg


Ok, é uma bicicleta pesada, não prima pela nobreza dos componentes nem dos acabamentos, mas revelou um rolar fluido e suave. Pelo menos na ausência de inclinações mais acentuadas, quer ascendentes, quer descendentes. Não há milagres!
Considerando os valores despendidos por cada uma das minhas “fixies”, o da Globe Roll dava para comprar três Glorias. A Roll é indiscutivelmente melhor, mas na prática, a andar, é preciso ter algum conhecimento específico para justificar a diferença.
Acima de tudo, e tal como esperava que fosse, é honesta. E depois é bonita, simples, minimalista e desafiante, como a maioria das “fixed gear” são. No caso, com umas rodas de perfil alto num laranja vibrante e uma corrente vermelha a darem suficientemente nas vistas.

gloria_milicias2.jpg


E pronto, lá está mais uma… Às vezes chateia-me não conseguir dar-lhes o devido uso. E quantas mais são menos uso lhes dou, mas o facto é que é sempre um prazer ter mais uma bicicleta!

09.12.19

À porta de casa!


Rui Pereira

No sábado à noite, o meu vizinho veio pedir-me a bomba para encher os pneus da sua bicicleta. Ia andar cedo, no dia seguinte.
Enquanto o via dar à bomba, questionava-lhe sobre o passeio. Um pequeno grupo de entusiastas descontraídos que se juntam às oito da manhã de domingo, com as suas bicicletas de BTT, para pedalar. Ponto de encontro, mesmo aqui ao lado!
«Olha, se calhar vou com vocês!»
Fui.
Convívio, pedaladas, novos percursos, divertimento.
A última vez que ia sair em grupo tive um furo e fui mordido de boleia para casa. Desta vez, não. E fui preparado para o efeito.
É mais uma alternativa para os meus passeios de domingo. Quase à porta de casa!

06.12.19

Levo-a...


Rui Pereira

Olho para ela.
Nos olhos, para o seu corpo.
Ela fala…
Ouço-a. Sinto-a.
Observo os seus pormenores.
Ela explica-se…
Gesticula.
Sou bom ouvinte.
Ela sabe…
E desabafa.

Ela tem caráter.
O seu feitio.
Adapto-me…
Às vezes, em esforço.
Ela tanto dá luta,
Como se deixa levar.
Sou gentil,
Mas imponho a minha vontade.
Sou cuidadoso…
E levo-a.

Levo a minha bicicleta.
A minha bicicleta leva-me.

03.12.19

Mais um domingo, mais um passeio...

De BTT


Rui Pereira

fsrxc_ribeira.jpgSaí com a ideia de levá-la aonde nunca tinha ido. Pelo caminho, fui passando por locais velhos conhecidos.

FSRxc_calcada.jpg
Uma bela manhã domingo e a polivalência de uma bicicleta de todo-o-terreno, onde os pisos variaram entre asfalto, terra e calçada sem grandes constrangimentos.

FSRxc_caldeira.jpg
A água acabou por ser uma presença constante. Esta é quente e termal, das Caldeiras...

FSRxc_praia.jpgFaltou o registo da visita à cascata, o maior desafio do percurso, mas não faltou o do mar, do norte!

22.11.19

Ciclo


Rui Pereira

Às vezes, falta-me a determinação. Falta-me o foco naquilo que realmente quero.
Cedo, uma e outra vez, em troca da compensação imediata. Desleixo, em nome do "não quero saber".
Arrependo-me depois.
Monto na bicicleta!
As ideias surgem. Traço metas, defino objetivos. Quero resultados.
Em cima da bicicleta tudo parece simples, perante as dificuldades. Contraditoriamente.
As dificuldades físicas libertam-me a mente. O prazer de pedalar solta-me o pensamento. Dão-me disponibilidade para definir e querer agir.
Tudo fica claro. Fico mais forte.
Desmonto da bicicleta!
Alguma determinação fica e atuo em conformidade. Outra, perde-se...
E o ciclo repete-se.

15.10.19

Impávida e serena!


Rui Pereira

Sempre a mesma sequência, o mesmo método, o mesmo ritual. É o dia oficial de sair com ela!
Aperto as fitas de velcro dos sapatos, ajusto o capacete, ponho as luvas e os óculos. Fecho o portão da garagem. Estamos frios, estranhos. A familiarização é rápida, mas as pernas pedalam trôpegas. Alivio a transmissão. Acuso as irregularidades do terreno, mesmo que digeridas pelas suspensões…
Aumento o ritmo, a confiança. A gravilha levantada pelos pneus fustiga o quadro. Isso e o rolar dos pneus compõem aquela velha banda sonora de sempre. O movimento brusco da direção é um aviso para manter a concentração...
Serro os dentes e deixo correr, aliviando a sua frente do meu peso. Seguro-a de forma firme, mas não rígida e tento não pensar no pior. Corrijo a trajetória com um ligeiro de toque de travões...
Esforço, empenho, ritmo e controlo. O resto é estado de fluxo. O resto é prazer!
A minha velha e resistente companheira de “guerra”, muita pancada aguenta!
E quem a vê nunca diria… sempre tão impávida e serena!

muro_bike.jpg

03.10.19

"Água de Coco"


Rui Pereira

Arrasto-me. Cansado, desidratado. Peso nos ombros, cabeça baixa. Os pensamentos negativos debilitam-me o corpo, ainda mais. Visão turva, músculos entorpecidos. Progrido lentamente, penosamente. Focado no destino, desesperando a chegada. Sigo indiferente, isolado. Que sacrifício! Que gosto é este?! Estou cansado, tenho fome. Quero parar, tenho sede!

27.09.19

Eu penso, ela faz!


Rui Pereira

btwin-barco.jpg

Arranca à pressa para não ter de, mais uma vez, regressar quando já o sol se pôs. Os dias mais curtos não desmotivam a vontade de dar mais umas pedaladas. Mais do que a prática física em si, que acaba por ser limitada, está em causa aproveitar o dia da melhor forma possível e esperar que o vento que lhe bate na cara alivie também a carga negativa que traz consigo, após mais um dia de trabalho.
A mim, que tenho a mania da perfeição, irrita-me a leviandade com que lida com certas situações, mas depois, num breve momento introspetivo, admito que às vezes devia pensar menos e fazer mais, como ela.