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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

09.07.20

Especialista em nada...


Rui Pereira

Sou especialista em nada. Nunca consegui trabalhar naquilo que realmente gostava. Passei anos a fugir da matemática. Formei-me tarde, opção baseada na disponibilidade e na exclusão de partes. Perdi oportunidades.
Nem sequer nas bicicletas tenho o à vontade que gostaria. Faço o básico, mas não me aventuro mais com receio de estragar. Mecanicamente falando.
Também não discuto. É chover no molhado. O meu exemplo, que não é exemplo nenhum, é pegar na bicicleta e pronto. É ir gerindo…

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Opiniões à parte, vou dedicar-me ao “estudo” deste livro. Pode ser que aprenda alguma coisa. Pelo menos diz respeito a algo que gosto e que me interessa substancialmente.


Fartei-me da formalidade. Do discurso feito, bonito de ouvir e difícil de sentir. Da distância que separa a teoria da realidade.
Mas continuo a ler. Menos. Mas leio.
As revistas deixaram de fazer sentido. Hoje, prefiro os livros. Sempre tive uma apetência pelo livro prático e técnico. Vou colecionando, a conta gotas, alguns livros de bicicletas.
A cidade, sinto-a diretamente aos comandos da minha bicicleta. O piso irregular, as rasantes dos automóveis, a onda de calor emanada pelo motor de um autocarro. A chuva e as manchas de combustível e lubrificante. As ciclovias. Os peões. Os estacionamentos específicos ou a ausência deles. Mas também o bom-senso e a cortesia de alguns automobilistas, os olhares das pessoas e até alguns sorrisos de aprovação.

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Pedir ciclovias só por pedir não é nada. Pedir ciclovias para os outros andarem também não. Mas a pedir e a haver que sejam dignas deste nome. Que sejam funcionais, que agilizem os trajetos às pessoas e que não sejam apenas para passear (de licra?) ao fim de semana. Que não sejam construídas sobre o mesmo princípio de sempre – as estradas são para os carros!
Esperar uma rede de ciclovias nas nossas pequenas cidades, desenhadas noutros tempos para outras realidades, com algumas vias onde até os carros têm dificuldade em passar, é uma utopia. Se tivesse à espera de ter ciclovias para andar de bicicleta nas “minhas” cidades, bem que podia vendê-las. Todas!

25.06.20

Repetindo-me…


Rui Pereira

Manter uma regularidade de publicações quando se tem uma temática principal algo limitada não é fácil. Sim, já disse isso aqui.
É verdade que as bicicletas estão muito presentes na minha vida, mas também não é mentira que as ações onde estão implicadas repetem-se, não havendo grandes novidades com frequência.
Não querendo estar sempre a carregar na mesma tecla é normal que o faça. É normal que me repita várias vezes sempre que faço uma nova publicação. Mesmo assim, tento inventar e agarrar-me ao que posso para trazer algo novo. De uma fotografia a uma conversa.
Ontem tive uma publicação em destaque no SapoBlogs. É mais um incentivo, principalmente depois de uma fase marcada pela ausência. É uma prova de que temos alguém a olhar por nós. E a ideia não é esfregar isso na cara de ninguém, mas sim, e repetindo-me, agradecer a atenção!
Domingo saí, para não variar, lá está. Tirei a Globe Roll da parede e fui pedalar descontraidamente, como quase sempre acontece. Andei por localidades habituais, passei nos locais do costume. Mas tentei inovar nos trajetos. Vá lá! Não correu mal, embora não estivesse à espera de fazer aquele troço de calçada quando arrisquei mais do que devia.
Passei nas praias óbvias e numa delas resolvi registar o momento. Nada de novo, portanto. Parei, posicionei a bicicleta, tirei o telemóvel…
- Outra vez uma fotografia de “corpo inteiro” com o mar a servir de fundo?
- Não!
Repete-se, mas não se abusa!

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24.06.20

Estradas


Rui Pereira

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Ainda hoje falamos de estradas. Eu e um amigo. Existem tantas e tão bonitas. Estradas que, pela sua envolvência e traçado, nos fazem esquecer as suas dificuldades ou até o nosso destino, pelo simples prazer de as percorrer.
Estradas desertas onde não se ouve nada. Ou melhor, onde se ouve apenas a vegetação ao sabor do vento, os pássaros e o som que a transmissão da bicicleta deixa escapar, advindo da pedalada em ritmo de contemplação.
Também é por elas que gosto tanto de andar de bicicleta. Por elas, por aquilo que as rodeiam, para onde nos levam. Não, não basta pedalar…
Diz-se que a vida é muito curta para se andar com uma bicicleta feia. Concordo. E acrescento: uma bicicleta bonita deve andar sempre numa estrada igualmente bonita!
As “minhas” estradas são cenários a pedir contemplação e um registo. O registo nem sempre acontece, sob pena de comprometer a fluidez e o ritmo do passeio. Quanto ao resto, abrando, respiro fundo, aguço os sentidos e aproveito o melhor que posso.

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23.06.20

Liberdade para pedalar!


Rui Pereira

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Conseguir andar de bicicleta, mesmo com muitos outros estímulos presentes, continua a ser um marco digno de registo nas nossas vidas.
A bicicleta começa por ser aquele brinquedo apelativo e desafiante que queremos experimentar e dominar. Que nos permite experimentar a velocidade e sensações únicas de autonomia e liberdade!
A sua eficiência não é necessariamente o foco, mas sim a diversão aos seus comandos.
Com o passar do tempo surgem outras companheiras, outros desafios, que nos acompanham o crescimento e a exigência.
Para uns, a relação perdura no tempo, para outros, suspende-se e reata-se mais tarde, para outros ainda, perde-se para sempre…
Os resistentes, agora, usufruem da utilidade e beneficiam da conveniência. Mas mantem-se a diversão e a satisfação de pedalar com a brisa na cara. Exercita-se o corpo e descontrai-se a mente. Experimenta-se de uma forma ainda mais vincada e significativa a liberdade!
A liberdade da opção, da diferença, da simplicidade, da independência!

03.06.20

O encaixe nos pedais dura até hoje!


Rui Pereira

Não me lembro de ter aprendido a andar de bicicleta. Mas lembro-me, vagamente, da minha primeira bicicleta. Azul, rodas pequeninas, banco corrido, pedais brancos, carreto fixo. Depois tive uma Sirla. Curiosamente muito parecida com a minha atual Órbita dobrável. Desta lembro-me. Laranja, guarda-lamas brancos, dobrável, também de banco corrido adornado com um enorme refletor traseiro. À maneira que iam ficando disfuncionais, iam desaparecendo!
Depois, inesperadamente, apareceu uma espetacular pasteleira azul, daquelas mesmo antigas. E, vinda num caixote do outro lado do Atlântico, uma estradista amarela. Na altura era no mínimo estranha!
Apareceu uma BMX coçada. Foi soldada. Foi desmontada, pintada a pincel e montada, mais do que uma vez. Foi preta. Foi verde. Acho que foi preta outra vez. Também desapareceu…
A BMX Órbita de amortecedor e travões de disco, inicialmente, e a BMX Dino branca em destaque na montra do Horácio, tão desejadas, nunca chegaram…
Alguns anos de jejum dos pedais e surge a minha primeira bicicleta de todo-o-terreno (btt), uma Top Sirla. Azul, mudanças. Vendi-a poucos meses depois cego pelas motas!
Mais de uma dúzia de anos depois, os motores são desligados… A Specialized Hardrock relança toda uma relação perdida, elevada para níveis nunca pensados.
A partir daí têm chegado algumas. Uma por uma. E ficam... Já não desaparecem.
O encaixe nos pedais dura até hoje!

Hoje é o Dia Mundial da Bicicleta.

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02.06.20

Há coisas que nunca mudam!


Rui Pereira

O dia não estava favorável. Hesitei. Interroguei-me de qual levar.
O tempo chuvoso mantinha-se. Decidi ir. Peguei na bicicleta de estrada.
A mesma preparação e o equipamento de sempre, mais as capas de sapatos que me manteriam os pés secos.
Sem ideia definida do trajeto a cumprir, mais uma vez, lembrei-me de umas subidas que me falaram…
Sempre debaixo de chuva, mantive alguma cadência e intensidade, e condensei a volta no tempo.
Antes chegar molhado e sujo, e ter de lavar a bicicleta, do que arrepender-me de não ter ido.
Há coisas que nunca mudam!

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29.05.20

O tão badalado regresso à normalidade!


Rui Pereira

Implica:

- Montar e pedalar as minhas bicicletas na rua.
- Pedalar para ir ao mar.
- Ter pedalada para retomar em pleno o exercício físico.
- Ganhar pedalada para ler e escrever.
- Encher os pneus ao blogue e pôr-lhe a andar.

A minha suposta disciplina, baseada em hábitos e rotinas, esvaziou-se com a quebra destas...

Uma boa melodia, mesmo que pesada e obscura, para mim, é sempre inspiradora!

09.03.20

O rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos


Rui Pereira

Estava vestido de claro, destinado a sair para a estrada com a bicicleta correspondente. Abri a janela e caía um chuvisco. Ora parava, ora recomeçava. Chão molhado. Mudei de roupa, para escuro, deixei ficar a bicicleta de estrada e peguei na btt.
O tempo não estava muito mau, mas estava inconstante. Se não tivesse alternativa iria para a estrada na mesma, mas tendo, fui para a terra. Para o efeito estava excelente, eu que gosto especialmente de piso húmido.
Andei às voltas, para trás e para a frente, durante um par de horas, não me afastando muito do ponto de partida. Fugi do asfalto o máximo que consegui. Andei nos mesmos locais de sempre, com o mesmo gosto de sempre.
Ando muito mais na estrada, é-me mais conveniente e suja menos a bicicleta, mas andar na terra, longe dos carros, com os obstáculos e o controlar da bicicleta, com as cores - o verde e no silêncio - só com o som do rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos.

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04.03.20

Estilo de vida ativo!


Rui Pereira

Ter um estilo de vida ativo não é apenas ir ao ginásio. Não é só fazer desporto ou exercício físico específico. Na verdade, também é, mas não é só.
Ter um estilo de vida ativo implica ter uma abordagem ativa nas rotinas diárias, naquelas pequenas coisas que fazemos todos os dias sem nos dar conta da sua regularidade e importância.
Ter um estilo de vida ativo sugere a troca do automóvel pela bicicleta numa curta deslocação urbana, ou simplesmente fazê-la a pé. Sugere a troca do elevador pelas escadas. O levantar da cadeira para andar e alongar se passamos grande parte do nosso dia sentados…
Ter um estilo de vida ativo é comer pouco e bem. É hidratar-nos. É fugir de hábitos e vícios nefastos à nossa saúde. Mas é também saber abrir algumas exceções.
Ter um estilo de vida ativo convida a “surfar” em terra sobre um skate, a caminhar na natureza, num percurso junto ao mar ou mesmo na praia. Convida a apanhar sol nesta mesma praia, mas também a trocar a toalha por umas braçadas ou por uns “pontapés” na bola com o rapaz…
Ter um estilo de vida ativo é associar a prática de exercício físico ao que mais gostamos de fazer. É juntar o útil ao agradável.

No campo do exercício físico a tendência é para elevar fasquias, gerar objetivos, aumentar as dificuldades e os desafios. Até um certo ponto faz sentido, mas não é difícil cair-se no exagero.
Instintivamente, tenho seguido na direção oposta. Na que aponta ao equilíbrio, à regularidade, à diversidade e à moderação. Na direção que me diz que o exercício físico, tal como toda e qualquer atividade levada ao extremo, não é benéfica.
Tem de haver vontade, foco e alguma intensidade, mas quer nos meus exercícios localizados quer nas minhas pedaladas, a atitude é simplificar e descontrair. É aproveitar o momento e usufruir do ambiente que nos rodeia, algo que acaba por ficar esquecido se estivermos demasiado concentrados em concretizar objetivos.

Esta não é uma receita de estilo de vida ativo. Esta é a minha receita de estilo de vida ativo!

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21.02.20

Até querer…


Rui Pereira

Pegava na minha bicicleta e ia por aí a fora. Sem horas, nem constrangimentos, sem limitações. Entre subidas e descidas. Por montes e vales. Sem dar atenção à cor, nem à irregularidade do piso. Tempo ameno. Eu e ela... e leves pensamentos. Dificuldades encaradas com tranquilidade. Desafios encarados com prazer. Pedalar sem destino, rumo ao desconhecido. Escolha intuitiva do trilho, para seguir numa pedalada certa e calma. Até querer…