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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

30.05.22

Escrita condicionada


Rui Pereira

Tenho várias imagens na galeria do telemóvel a aguardar legenda. São elas o ponto de partida para mais um texto. Ou uma música.
Ontem saí de bicicleta. Já não acontecia há algum tempo. Peguei na mais fácil e fui com a ideia de uma volta mais breve e tranquila.
A volta aconteceu segundo os parâmetros pré-estabelecidos, mas não houve nenhum registo fotográfico. Não encontrei motivo. Aliás, o vento fresco de norte e os mesmos cenários de sempre desencorajavam qualquer paragem para o efeito.
As voltas de bicicleta que levam a um ou mais registos, que por sua vez motivam uma publicação, nem sempre acontecem. Às vezes, estas últimas, são a junção de vários fatores avulsos com a minha vontade de ser mais assíduo.
Sei que levei uma música na cabeça, mas não me lembro qual… Mas já que estou numa de coisas desencontradas posso usar qualquer outra como banda sonora. Ou, se calhar, nenhuma. Deixar que as palavras falem por si, mesmo que não tenham assim tanto para dizer.
De vez em quando leio alguns dos meus textos mais antigos e acho que perdi alguma da capacidade que tinha para escrever. Preciso de tantos pretextos e que, mesmo assim, não são suficientes.
Agora é que é, mas nunca chega a ser.

O vento fresco na cara, a velocidade, as irregularidades do piso que impactam no meu corpo através da bicicleta, a condução, a resposta física ao esforço…
A volta de bicicleta foi produtiva. É sempre, mesmo que não fique registado nenhum momento específico. Aliás, os registos são e devem ser acasos, e não condicionamentos da pedalada.

 

10.05.22

Trilho sombrio


Rui Pereira

gloria_coroadamata.jpg

 

Sigo de cabeça baixa sem destino. Sinto o peso da inclinação nas pernas. Pesado é também o pensamento. Nem sempre a pedalada desanuvia logo o nublado que existe aqui em cima e, ao invés, torna-o ainda mais carregado. Por vezes é preciso ir até ao fundo para começar a subir.
Para começar de novo.
As pedaladas são catárticas. Onde se desbravam os piores cenários. Através das quais saímos da sombra, nos livramos da bruma.
Da escuridão para o esclarecimento.
Levanto a cabeça e é como se a neblina tivesse ficado para trás. Olho o céu e as árvores. A atenção divide-se agora entre o desafio a que submeto o corpo e a natureza que me rodeia.
Tanto verde. Ergo o corpo e carrego os pedais com mais afinco. Doem-me as pernas…
Olho novamente o céu. Suspiro.

 

09.05.22

Marcas...


Rui Pereira

As bicicletas perfeitas só existem no Instagram. As bicicletas reais não são perfeitas!

Bruno Sousa, @mitriates

allez_miradouro_vista_mosteiros.jpg

É com algum desconforto que verifico as marcas deixadas por uma queda. Mesmo sabendo que é muito difícil manter uma bicicleta imaculada a partir do momento em que circulamos com ela, custa-me sempre aceitar este facto.
A bicicleta que tinha recebido atenção ao nível técnico e estético, e que tinha ficado impecável, esteve comigo de rojo pelo asfalto!
Há quem diga que as marcas contam histórias. Que são sinal de uso. Que lhe dão caráter...
Muito sinceramente, preferia que estivesse impecável.

 

16.02.22

Regresso!


Rui Pereira

Tive bastante tempo ausente das minhas voltas de bicicleta. Tanto que até fiquei sem saber qual delas escolher para efetivar este regresso.
Exclusão de partes. As fixed-gear foram logo postas de lado, demasiado agressivas e exigentes. De estrada não me estava a apetecer. As citadinas/cruiser nunca são opção para as pedaladas de domingo, mesmo que estas fossem previsivelmente mais tranquilas.
Entretanto, um amigo partilha umas imagens da preparação da sua mota para uma prova de TT…

specialized_btt.jpg

BTT. Mais suave, descontraída e polivalente. E ainda podia ir perceber o ambiente da corrida de motas sem problemas.
Sempre que pego nesta bicicleta é a mesma coisa. Identifico-me e sinto-me muito bem. De facto, o fora-de-estrada é algo que me marcou de forma muito positiva. Talvez por ser onde comecei ou simplesmente uma tendência natural. Contraditoriamente, pelas circunstâncias atuais, a BTT é aquela que menos uso.
Foi uma volta sem história, mas soube-me bem regressar. Com mais ou menos esforço lá fui. Sinceramente, pensei que me fosse ressentir mais. Ainda consigo lidar com o ficar dorido do selim… todos os males fossem estes!

10.02.22

Sobe e desce


Rui Pereira

O nome Bike Azores surgiu por acaso. Não é um grande nome, nem especialmente original, mas revelador daquilo que é – um blogue de um açoriano que anda de bicicleta.
A temática e uma abordagem própria relegam-lhe para um nicho onde estou perfeitamente confortável. O movimento é pouco e, portanto, há menos ruído.
Existe uma relação direta entre a regularidade de publicações e as minhas voltas de bicicleta, nem que sejam as que integram as minhas rotinas. E, depois, todas as outras variantes que condicionam quer umas quer outras.
Sendo sensível ao reconhecimento e à amizade, mas também às coisas menos positivas, as minhas voltas com a escrita são equivalentes a muitas que faço montado nas minhas bicicletas, cheias de sobe e desce.
A mudança de imagem, que faço sempre questão de aplaudir, foi um marco na sua vida. Há claramente um antes e um depois marcados por este facto. O reforço de energia e o renovado comprometimento foram o equivalente ao ingerir um suplemento energético quando as pernas já não querem pedalar.
Não tenho andado de bicicleta e as razões são várias. Entre não me apetecer, independentemente do motivo que está por trás, e não ter saúde para fazê-lo, prefiro ter sempre a possibilidade de optar.
A excelente imagem do Marco Costa é uma das que melhor revela o que é o Bike Azores. Pelo menos simples e sóbrio, como eu próprio.

bike_azores_logo.jpg
@marco.pcovo

 

20.10.21

Foffa Fixed


Rui Pereira

Ultimamente só tenho andado com as minhas mais recentes bicicletas, principalmente com a Foffa. Perfeitamente normal pelo efeito novidade.

foffa3.jpg

A dúvida entre deixá-la com roda livre ou passar a carreto fixo rapidamente desapareceu – Fixo!
As minhas anteriores bicicletas de carreto fixo não são diretamente comparáveis entre si, embora partilhem o mesmo conceito. Esta mais recente também não foge à regra, aliás, demarca-se ainda mais. Desde logo, pela sua imagem mais clássica, onde a escolha de componentes e as cores apresentadas serão as principais responsáveis, e por ter um guiador “bullhorn”.

foffa2.jpg

Mas as diferenças também se sentem em movimento, com a relação de transmissão 48X18, pelo peso total do conjunto e pelo perfil (e pressão) dos pneus 28. Resultado: desce melhor, sobe pior e até rola bem no plano considerando os pneus menos capazes para o efeito. Agora, é sem dúvida mais polivalente e confortável, mesmo que o selim não seja aquele que melhor me assenta.

foffa1.jpg

Acho que esta bicicleta, com os seus pneus mais largos, pode muito bem marcar uma nova fase e abordagem no que toca às minhas opções daqui para a frente. O conforto é notório, tal como a facilidade de mudar de piso conforme a minha vontade, sem estar demasiado condicionado pelas limitações da bicicleta. De um modo geral, pedalo mais à vontade e descontraído, algo que privilegio cada vez mais. Quero ir observando o ambiente à minha volta e não ter de estar demasiado atento a uma qualquer irregularidade ou obstáculo no piso que me possa atirar ao chão, como já aconteceu.

foffa4.jpg

Para além disso tudo, a bicicleta é muito bonita e gosto muito de andar com ela.
É o mais importante!

03.08.21

Lagoa do Fogo Fixed-Gear


Rui Pereira

Os pensamentos conturbados que me assolam a mente, e que me afetam sobremaneira, dizem respeito ao quanto estou insatisfeito com aquilo que faço como atividade profissional.
Não será por acaso que tenho vindo a desafiar-me com eventos pontuais, que pensei nunca ser capaz de fazer e que envolvem a bicicleta de carreto fixo. Há uns tempos fui ao Miradouro da Vista do Rei, mas mais recentemente o arranque deu-se com a ida à Caldeira Velha e a confirmação com uma longa ida às Furnas. Como nos diz a sabedoria popular - “para grandes males, grandes remédios.”
As bicicletas são das minhas principais atividades lúdicas, que permitem repor algum do equilíbrio perdido, mesmo que nem sempre esteja muito certo do que fazer na hora da saída. Protelo para depois arrepender-me...
O facto é que, uma volta, um passeio, uma conquista com as minhas bicicletas, são uma injeção de boa disposição, bem-estar e motivação.

lagoa_fogo2.jpg


Já lá vão duas semanas e desta vez não pude protelar, porque comprometi-me de véspera. O António, companheiro de pedaladas de outros tempos, ia comigo…
Subir à Lagoa do Fogo com a minha bicicleta de carreto fixo!
Ou pelo menos tentar…
Para ser mais preciso, a ideia era subir (e descer!) a Serra da Barrosa pelo lado Norte, sendo que o pormenor do carreto fixo na equação faria toda a diferença. Daí a referência ao descer, quando para as outras bicicletas, dependendo do à vontade do ciclista, acaba por ser só diversão, aqui não é bem assim.
Posso já referir que estava tão satisfeito por ter chegado mesmo lá acima, ao Miradouro da Barrosa, que até me "esqueci" de sofrer na descida!
Também já tinha tido a minha dose.

lagoa_fogo3.jpg


Iniciamos a subida à hora combinada e, entre outros assuntos, as bicicletas e a cultura do carreto fixo foram obviamente temas obrigatórios.
Confesso que a presença, a atitude e a disponibilidade do António foram decisivas para tornar este desafio mais suave e fácil de superar, não podendo deixar de lhe agradecer por isso mesmo.
A salutar troca de palavras interrompida pela minha respiração ofegante era sinal de maior dificuldade do percurso. Aconteceu várias vezes. Sendo que lá no topo as palavras deixaram de ser proferidas, pelo menos da minha parte.
Mas estava decidido e comprometido. Logo eu que faço questão de distinguir desafios de sacrifícios e de não estar muito disponível para os segundos. Inconscientemente, acabei por ir contra mim próprio e contra as minhas limitações físicas, só porque sim. Porque meti na cabeça que tinha de fazer isso!

lagoa_fogo1.jpg

 

23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

furnas1.jpg


O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

furnas2.jpg


Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...