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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

03.08.21

Lagoa do Fogo Fixed-Gear


Rui Pereira

Os pensamentos conturbados que me assolam a mente, e que me afetam sobremaneira, dizem respeito ao quanto estou insatisfeito com aquilo que faço como atividade profissional.
Não será por acaso que tenho vindo a desafiar-me com eventos pontuais, que pensei nunca ser capaz de fazer e que envolvem a bicicleta de carreto fixo. Há uns tempos fui ao Miradouro da Vista do Rei, mas mais recentemente o arranque deu-se com a ida à Caldeira Velha e a confirmação com uma longa ida às Furnas. Como nos diz a sabedoria popular - “para grandes males, grandes remédios.”
As bicicletas são das minhas principais atividades lúdicas, que permitem repor algum do equilíbrio perdido, mesmo que nem sempre esteja muito certo do que fazer na hora da saída. Protelo para depois arrepender-me...
O facto é que, uma volta, um passeio, uma conquista com as minhas bicicletas, são uma injeção de boa disposição, bem-estar e motivação.

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Já lá vão duas semanas e desta vez não pude protelar, porque comprometi-me de véspera. O António, companheiro de pedaladas de outros tempos, ia comigo…
Subir à Lagoa do Fogo com a minha bicicleta de carreto fixo!
Ou pelo menos tentar…
Para ser mais preciso, a ideia era subir (e descer!) a Serra da Barrosa pelo lado Norte, sendo que o pormenor do carreto fixo na equação faria toda a diferença. Daí a referência ao descer, quando para as outras bicicletas, dependendo do à vontade do ciclista, acaba por ser só diversão, aqui não é bem assim.
Posso já referir que estava tão satisfeito por ter chegado mesmo lá acima, ao Miradouro da Barrosa, que até me "esqueci" de sofrer na descida!
Também já tinha tido a minha dose.

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Iniciamos a subida à hora combinada e, entre outros assuntos, as bicicletas e a cultura do carreto fixo foram obviamente temas obrigatórios.
Confesso que a presença, a atitude e a disponibilidade do António foram decisivas para tornar este desafio mais suave e fácil de superar, não podendo deixar de lhe agradecer por isso mesmo.
A salutar troca de palavras interrompida pela minha respiração ofegante era sinal de maior dificuldade do percurso. Aconteceu várias vezes. Sendo que lá no topo as palavras deixaram de ser proferidas, pelo menos da minha parte.
Mas estava decidido e comprometido. Logo eu que faço questão de distinguir desafios de sacrifícios e de não estar muito disponível para os segundos. Inconscientemente, acabei por ir contra mim próprio e contra as minhas limitações físicas, só porque sim. Porque meti na cabeça que tinha de fazer isso!

lagoa_fogo1.jpg

 

23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

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O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

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Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...

07.06.21

Inevitabilidades


Rui Pereira

Nunca gostei da inevitabilidade associada aos motociclistas que os divide em dois grupos: os que já caíram e os que vão cair. A maior sujeição não é necessariamente uma inevitabilidade - é o que penso. O mesmo se aplica a quem anda de bicicleta.
O facto, é que já caí tanto com umas como com as outras!
Não queria que as notas negativas fossem a principal razão de cá vir, mas, mais uma vez, acontece.
Então comemorei o Dia Mundial da Bicicleta (03 de junho) deitado no chão mais ela!
De uma série de circunstâncias banais reunidas resultou uma inesperada e aparatosa queda.
Funcionalmente está tudo operacional, mas existe alguma “chapa riscada e amolgada”, quer no ciclista, quer na bicicleta.
A ansiar que o tempo atenue as consequências físicas e psicológicas, com a consciência de que podia ter sido muito pior. Fica registada a chamada de atenção e serão postos em prática respetivos ensinamentos daqui para a frente.
As coisas improváveis acontecem e nem sempre se conseguem evitar.

O meu agradecimento a todas as pessoas pelo cuidado e apoio prestado numa situação sempre desagradável. 

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27.05.21

Caldeira Velha!


Rui Pereira

Semanas a matutar…
O dia tardava em chegar.
Tirei a fixie do suporte, mesmo achando que não seria desta.
O tempo estava desagradável, com um vento pouco favorável.
Fui andando…
Espreitei lá para cima - nevoeiro!
No momento em que cruzei o acesso, decidi.
A inspiração vinha dos eventos Azores Fixed, mas agora estava por minha conta.
Prossegui a custo, mas controlando. Gerindo o esforço. Com calma.
O objetivo seria alcançar aquele que tracei como o meu primeiro patamar.
Alcançado!
Continuei, mas hesitei logo a seguir, quando pensei no nevoeiro, no vento e na descida.
A descida!
Com uma bicicleta “normal” até seria espetacular, depois do esforço.
A descida com a fixie?!
Dei meia volta, parei para a fotografia e comecei a descer.
Fiz tudo para contrariar o movimento natural dos pedais.
Agarrei o guiador, o melhor que podia, para controlar a bicicleta.
Doseei o único travão disponível.
Dores nos tríceps e nos ombros...
E uma rotação demasiado elevada das pernas que me lembrava a existência dos joelhos.
Já cá em baixo - pensei que fosse pior!
Existem outros patamares...
E mais dias!

globe_caldeiravelha.jpg

 

30.04.21

Explicação


Rui Pereira

Saio tarde e não determinado. A progressão no terreno faz-se lenta e de improviso. Apreensivo por natureza, o entusiasmo surge progressivamente, à razão com que passo por locais entretanto esquecidos. Boas memórias me trazem. As pedaladas misturam antagonismos – fluidez e tensão. O foco no que está para vir não me impede de usufruir. O trilho único, visivelmente marcado por uma roda motorizada, está perfeito. A vegetação domina sem se intrometer. O piso apresenta-se suave e aderente sem estar pesado, fluído e divertido sem ser muito rápido. Cheguei, voltei para trás, avancei novamente. Incrível. Como gostava de ter alguém comigo para partilhar este momento. Alguém que experimentasse e sentisse o mesmo que eu. Alguém que compreendesse o prazer de pedalar nestas circunstâncias. Existe uma frase aplicada ao mundo motorizado que diz não valer a pena explicar aos outros a razão de andar de mota, pois para quem compreende nenhuma explicação é necessária, para quem não compreende nenhuma explicação é possível. Aqui, também se aplica.


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