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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

20.10.21

Foffa Fixed


Rui Pereira

Ultimamente só tenho andado com as minhas mais recentes bicicletas, principalmente com a Foffa. Perfeitamente normal pelo efeito novidade.

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A dúvida entre deixá-la com roda livre ou passar a carreto fixo rapidamente desapareceu – Fixo!
As minhas anteriores bicicletas de carreto fixo não são diretamente comparáveis entre si, embora partilhem o mesmo conceito. Esta mais recente também não foge à regra, aliás, demarca-se ainda mais. Desde logo, pela sua imagem mais clássica, onde a escolha de componentes e as cores apresentadas serão as principais responsáveis, e por ter um guiador “bullhorn”.

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Mas as diferenças também se sentem em movimento, com a relação de transmissão 48X18, pelo peso total do conjunto e pelo perfil (e pressão) dos pneus 28. Resultado: desce melhor, sobe pior e até rola bem no plano considerando os pneus menos capazes para o efeito. Agora, é sem dúvida mais polivalente e confortável, mesmo que o selim não seja aquele que melhor me assenta.

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Acho que esta bicicleta, com os seus pneus mais largos, pode muito bem marcar uma nova fase e abordagem no que toca às minhas opções daqui para a frente. O conforto é notório, tal como a facilidade de mudar de piso conforme a minha vontade, sem estar demasiado condicionado pelas limitações da bicicleta. De um modo geral, pedalo mais à vontade e descontraído, algo que privilegio cada vez mais. Quero ir observando o ambiente à minha volta e não ter de estar demasiado atento a uma qualquer irregularidade ou obstáculo no piso que me possa atirar ao chão, como já aconteceu.

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Para além disso tudo, a bicicleta é muito bonita e gosto muito de andar com ela.
É o mais importante!

03.08.21

Lagoa do Fogo Fixed-Gear


Rui Pereira

Os pensamentos conturbados que me assolam a mente, e que me afetam sobremaneira, dizem respeito ao quanto estou insatisfeito com aquilo que faço como atividade profissional.
Não será por acaso que tenho vindo a desafiar-me com eventos pontuais, que pensei nunca ser capaz de fazer e que envolvem a bicicleta de carreto fixo. Há uns tempos fui ao Miradouro da Vista do Rei, mas mais recentemente o arranque deu-se com a ida à Caldeira Velha e a confirmação com uma longa ida às Furnas. Como nos diz a sabedoria popular - “para grandes males, grandes remédios.”
As bicicletas são das minhas principais atividades lúdicas, que permitem repor algum do equilíbrio perdido, mesmo que nem sempre esteja muito certo do que fazer na hora da saída. Protelo para depois arrepender-me...
O facto é que, uma volta, um passeio, uma conquista com as minhas bicicletas, são uma injeção de boa disposição, bem-estar e motivação.

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Já lá vão duas semanas e desta vez não pude protelar, porque comprometi-me de véspera. O António, companheiro de pedaladas de outros tempos, ia comigo…
Subir à Lagoa do Fogo com a minha bicicleta de carreto fixo!
Ou pelo menos tentar…
Para ser mais preciso, a ideia era subir (e descer!) a Serra da Barrosa pelo lado Norte, sendo que o pormenor do carreto fixo na equação faria toda a diferença. Daí a referência ao descer, quando para as outras bicicletas, dependendo do à vontade do ciclista, acaba por ser só diversão, aqui não é bem assim.
Posso já referir que estava tão satisfeito por ter chegado mesmo lá acima, ao Miradouro da Barrosa, que até me "esqueci" de sofrer na descida!
Também já tinha tido a minha dose.

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Iniciamos a subida à hora combinada e, entre outros assuntos, as bicicletas e a cultura do carreto fixo foram obviamente temas obrigatórios.
Confesso que a presença, a atitude e a disponibilidade do António foram decisivas para tornar este desafio mais suave e fácil de superar, não podendo deixar de lhe agradecer por isso mesmo.
A salutar troca de palavras interrompida pela minha respiração ofegante era sinal de maior dificuldade do percurso. Aconteceu várias vezes. Sendo que lá no topo as palavras deixaram de ser proferidas, pelo menos da minha parte.
Mas estava decidido e comprometido. Logo eu que faço questão de distinguir desafios de sacrifícios e de não estar muito disponível para os segundos. Inconscientemente, acabei por ir contra mim próprio e contra as minhas limitações físicas, só porque sim. Porque meti na cabeça que tinha de fazer isso!

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23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

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O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

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Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...

07.06.21

Inevitabilidades


Rui Pereira

Nunca gostei da inevitabilidade associada aos motociclistas que os divide em dois grupos: os que já caíram e os que vão cair. A maior sujeição não é necessariamente uma inevitabilidade - é o que penso. O mesmo se aplica a quem anda de bicicleta.
O facto, é que já caí tanto com umas como com as outras!
Não queria que as notas negativas fossem a principal razão de cá vir, mas, mais uma vez, acontece.
Então comemorei o Dia Mundial da Bicicleta (03 de junho) deitado no chão mais ela!
De uma série de circunstâncias banais reunidas resultou uma inesperada e aparatosa queda.
Funcionalmente está tudo operacional, mas existe alguma “chapa riscada e amolgada”, quer no ciclista, quer na bicicleta.
A ansiar que o tempo atenue as consequências físicas e psicológicas, com a consciência de que podia ter sido muito pior. Fica registada a chamada de atenção e serão postos em prática respetivos ensinamentos daqui para a frente.
As coisas improváveis acontecem e nem sempre se conseguem evitar.

O meu agradecimento a todas as pessoas pelo cuidado e apoio prestado numa situação sempre desagradável. 

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27.05.21

Caldeira Velha!


Rui Pereira

Semanas a matutar…
O dia tardava em chegar.
Tirei a fixie do suporte, mesmo achando que não seria desta.
O tempo estava desagradável, com um vento pouco favorável.
Fui andando…
Espreitei lá para cima - nevoeiro!
No momento em que cruzei o acesso, decidi.
A inspiração vinha dos eventos Azores Fixed, mas agora estava por minha conta.
Prossegui a custo, mas controlando. Gerindo o esforço. Com calma.
O objetivo seria alcançar aquele que tracei como o meu primeiro patamar.
Alcançado!
Continuei, mas hesitei logo a seguir, quando pensei no nevoeiro, no vento e na descida.
A descida!
Com uma bicicleta “normal” até seria espetacular, depois do esforço.
A descida com a fixie?!
Dei meia volta, parei para a fotografia e comecei a descer.
Fiz tudo para contrariar o movimento natural dos pedais.
Agarrei o guiador, o melhor que podia, para controlar a bicicleta.
Doseei o único travão disponível.
Dores nos tríceps e nos ombros...
E uma rotação demasiado elevada das pernas que me lembrava a existência dos joelhos.
Já cá em baixo - pensei que fosse pior!
Existem outros patamares...
E mais dias!

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30.04.21

Explicação


Rui Pereira

Saio tarde e não determinado. A progressão no terreno faz-se lenta e de improviso. Apreensivo por natureza, o entusiasmo surge progressivamente, à razão com que passo por locais entretanto esquecidos. Boas memórias me trazem. As pedaladas misturam antagonismos – fluidez e tensão. O foco no que está para vir não me impede de usufruir. O trilho único, visivelmente marcado por uma roda motorizada, está perfeito. A vegetação domina sem se intrometer. O piso apresenta-se suave e aderente sem estar pesado, fluído e divertido sem ser muito rápido. Cheguei, voltei para trás, avancei novamente. Incrível. Como gostava de ter alguém comigo para partilhar este momento. Alguém que experimentasse e sentisse o mesmo que eu. Alguém que compreendesse o prazer de pedalar nestas circunstâncias. Existe uma frase aplicada ao mundo motorizado que diz não valer a pena explicar aos outros a razão de andar de mota, pois para quem compreende nenhuma explicação é necessária, para quem não compreende nenhuma explicação é possível. Aqui, também se aplica.


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