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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Parque Urbano PDL

Em tempos foi anunciada a execução de um circuito permanente para BTT no Parque Urbano em Ponta Delgada. Achei uma excelente ideia, claro, por todas as razões e mais alguma…

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Até hoje, nada!

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Não há circuito, mas há quem, à margem disso, no topo deste parque, continue a arregaçar mangas criando novas linhas e obstáculos para percorrer e ultrapassar de bicicleta!

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Domingo fui lá experimentar alguns destes trabalhos.

Companheira de BTT

A Specialized FSRxc Pro de 2009 é a companheira de duas rodas a pedais que tenho há mais tempo. Depois de ter regressado às bicicletas com uma BTT, mais ou menos de entrada de gama, dou o salto um ano depois. Com esta suspensão total entusiasmei-me, arrefeci, arrependi-me, voltei a entusiasmar-me…
Hoje, e com a concorrência da Estrada, olho para ela com um misto de sentimentos. Negativos, essencialmente por não a usar condignamente e em consequência ter despesas escusadas. Positivos, apesar das suas limitações e inerente desatualização perante as BTT atuais, por saber que muito dificilmente terei condições para ter uma bicicleta equivalente e por reconhecer a sua capacidade de me deixar com um sorriso na cara de cada vez que saio aos seus comandos. Já são alguns anos, muitos quilómetros e outras tantas aventuras... Juntos!

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Já passou por diferentes configurações e “calçado”, de acordo com as minhas manias e estado de espírito, mas a sua sólida e bem concebida base está sempre lá presente. É uma Trail com alguma vocação para os trilhos mais acessíveis, disponibilizando 120mm de curso nas suspensões. Não se destaca especialmente em nenhum departamento, mas permite dar a cara em vários sem grandes constrangimentos, já que é dona de uma grande polivalência.
Mais limitado sou eu, já que se mantem firme e (quase) sempre pronta para (todas) as curvas. Ainda um dia destes me perguntaram: «É nova?»
Em tempos, com duas rodas não necessariamente a pedais, fiz trocas que antes tivesse batido com a cabeça na parede! Aprendi. Portanto, teorias, circunstâncias, desejos e funcionalidades à parte, o certo é que não fui, não sou, nem sei se alguma vez serei capaz de me desfazer desta minha companheira!

Pedaladas? Em dia. Manutenção? Não!

As últimas semanas, depois de mais um domingo que em optei por me resguardar, têm servido para meter as pedaladas em dia. Sozinho, mas também em duo, o que não deixa de ser uma novidade na minha habitual rotina.
Infelizmente as coisas nem sempre correm de acordo com as nossas expetativas neste último formato, mesmo não sendo estas especialmente elevadas, mas há que aceitar isso…
Por outro lado, não deixa de ser positivo rolar mais do que é normal, o que se traduz num melhor aproveitamento do tempo de lazer e demais benefícios que daí advêm.
A companheira eleita tem sido a minha bicicleta de estrada mais moderna (Specialized Roubaix), que é das poucas que não tem reclamado atenção ao nível da manutenção ultimamente... – “É o que faz teres muitas bicicletas!” – diz o meu colega. E com razão!

Lama…

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Bom, na verdade não havia assim tanta lama, apesar da chuva que se fez sentir nos últimos e no próprio dia, mas deu para sujar a bicicleta e ficar sujo.
As previsões meteorológicas fizeram-me deixar a bicicleta de estrada parada e levar a BTT para a rua. Em boa hora o fiz, já que me divirto sempre bastante aos comandos desta bicicleta, principalmente nestas condições, as minhas preferidas para a prática da modalidade.
Pode ser um contrassenso, mas a BTT nunca é uma prioridade, por variadas razões. No entanto, se pesar as duas vertentes (BTT vs. Estrada) nos pratos de uma balança, esta penderá para o lado do BTT.
Não sou propriamente um aventureiro e, neste momento, motivado pela clara falta de prática, vou com pouco à vontade sobre a bicicleta, mas é um prazer embalar-lhe numa descida mais rápida, levar-lhe sobre pedras, galhos e gravilha, fazer uma curva rápida em apoio, ou até aquela subida de piso escorregadio. Estado de fluxo puro!
Por outro lado, os sustos estão mais ou menos presentes. Aquela escorregadela imprevista da roda da frente, uma pedra estrategicamente posicionada na linha escolhida, um rego mais pronunciado disfarçado pela vegetação, aquela vala que parece atrair a bicicleta como se de um íman se tratasse. Faz parte!
E aquela obrigatoriedade de lavar a bicicleta quando se chega, tarefa que nem sempre é agradável, mas que no fundo até nos faz sentir orgulhosos perante os detritos que conseguimos acoplar ao quadro e aos componentes da bicicleta. Até porque o nível de orgulho tem correspondência direta com a quantidade de sujidade verificada…

Ia aos comandos da minha bicicleta…

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Ia aos comandos da minha bicicleta a pensar nas várias fases por que já passei em cima dela. Já me interessei mais pelas distâncias, já me foquei muito apenas no destino, já me preocupei com o tempo em que conseguia fazer determinado percurso.
Ia aos comandos da minha bicicleta a concluir que, neste momento, o meu foco está no meio, mas essencialmente na viagem. No percorrer do percurso que foi previamente definido ou que simplesmente vai evoluindo no momento.

“Mais importante do que o destino é a viagem.”
Gláucia Silva da Costa

Ia aos comandos da minha bicicleta a apreciar a estrada e o ambiente à minha volta. As retas e as curvas que a caraterizam. As sombras frescas criadas pela frondosa vegetação que a ladeia. Os cheiros. Os sons, ou simplesmente a ausência deles. A beleza da paisagem!
Ia aos comandos da minha bicicleta num ritmo tranquilo, tão só e ao mesmo tempo tão acompanhado, a pensar no significado de um simples passeio de bicicleta. Na sua elevada capacidade de me proporcionar satisfação e bem-estar!
Ia aos comandos da minha bicicleta a sentir-me um privilegiado. A pensar que tinha feito a aposta certa, no dia em que decidi a favor da bicicleta. Por ter conseguido ver todo o potencial de um objeto tão simples.
Ia aos comandos da minha bicicleta a querer que este momento nunca mais acabasse…

Setembro sobre rodas!

Depois das férias é tempo de voltar às rotinas. De assentar. Setembro é o mês do regresso à atividade profissional, escolar, desportiva… No meu caso, é inclusive um período de reflexão que irá definir o que farei como atividade física daqui em diante. Não queria ter de estar a decidir sobre isso, já que tinha tudo tão equilibrado nos últimos anos – convívio/exercício/natureza, mas infelizmente vejo-me obrigado a fazê-lo. Independentemente da decisão, uma coisa é certa, a bicicleta mantém a função de meio de transporte.

A minha companheira de duas rodas associada às minhas rotinas diárias regressa finalmente ao ativo, depois de uma paragem forçada e consequente intervenção mecânica. Entretanto recorri à outra Órbita, a dobrável, e senti uma grande diferença. Foram poucos dias de utilização, mas que saudades da Classic. A Eurobici é uma bela bicicleta, mas demasiado limitada para a minha utilização. Em ambiente urbano já não me vejo em cima desta que foi a bicicleta com que dei as minhas primeiras pedaladas utilitárias.

O carro é velhinho e lembrou-se de reclamar alguma atenção. Às vezes esqueço-me que a manutenção automóvel é uma coisa chata, dispendiosa e que tem de ser feita. Vá lá que foi amigo e esperou que as férias acabassem… Por mim fazia uma boa parte da minha vida de bicicleta, mas, tendo em conta as circunstâncias, não é possível. Tenho esperança que um dia lá chegarei…

Hoje já sujei as mãos de graxa. Mas sujar a valer. Estava a fazer umas experiências com a transmissão da Classic quando a corrente saiu de onde devia estar e ficou engatada onde não devia. Ainda tentei remediar… tarde demais. Deu luta. Valeu-me a ajuda de um companheiro das bicicletas que passava no local. Cheguei mais tarde, com as mãos mais sujas e mais transpirado do que era suposto, mas cheguei.

Ontem apanhei chuva. Hoje que precisava de água para lavar as mãos não choveu.

E assim se vivem os primeiros dias do mês de setembro. Tudo sobre rodas...

Aos pedais!

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

Andando por aí…

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Queria fazer uma volta diferente. Ultimamente, ou fazia a volta ao concelho de PDL ou ia às Furnas. Desta vez não. Até a bicicleta seria outra.
A Roubaix deu lugar à Allez, que já a algum tempo se tem mantido intocada no rolo. Ainda pensei que se calhar a deveria deixar lá por mais uma semana, mas não…
Tinha uma ideia geral do que queria fazer, mas o percurso foi evoluindo à maneira que progredia no terreno.
Comecei então como quem vai dar a volta ao concelho, no sentido dos ponteiros do relógio, mas chegando à Várzea virei no sentido das Sete Cidades. Subir para descer e voltar a subir.
Na ponte cruzei-me com um ciclista “das descidas” que depois passou por mim na caixa de uma carrinha, enquanto eu ia naquele ritmo, ora lento, ora muito lento, no cimento. Alguns turistas a pé a dar-me apoio, o que é sempre curioso e motivador.
No topo virei no sentido do Pico do Carvão e depois de subir mais um bocadinho lá veio a descida, não necessariamente ansiada, até porque estava uma “porcaria”, com gravilha em quase toda a sua extensão!
Arribanas e porque ainda era cedo, Capelas. E depois foi rolar até casa, já a imaginar o que iria ingerir como recuperador. O costume…
A Roubaix teria sido melhor opção nesta volta, admito. Mas a Allez é aquela companheira que, apesar das contrariedades, nunca desilude. E é sempre com grande gosto e vontade que vou aos seus comandos.

Rotinas

À palavra rotina é normalmente atribuída uma conotação negativa, associando-se a uma prática monótona, desinteressante e repetitiva.
Sou uma pessoa de rotinas. E não necessariamente negativas. Aliás, a quebra destas é que pode estar baseada num momento ou numa circunstância menos positiva. Outras queria mudar por achar serem benéficas e simplesmente não consigo por estar tão agarrado às anteriores.
A minha volta de bicicleta ao domingo já está mais que rotinada. Foi um hábito que ganhei há vários anos e embora haja alguma flexibilidade, não a fazer é claramente uma exceção.
Comecei por andar de bicicleta só ao domingo, depois adicionei a prática de Indoor Cycling três vezes por semana. Depois voltei a andar só ao domingo. Esporadicamente posso adicionar uma volta noutro qualquer dia da semana (a solo ou em família), e mais esporádico ainda, no rolo (chato!).
Queria andar nem que fosse mais uma vez… Não consigo! Vejo gente que o faz logo pela fresca ou ao final do dia, mas não consigo. Não consigo implementar este hábito por estar demasiado agarrado às minhas atuais rotinas. Ou por uma questão de prioridades. Ou por não achar realmente ser uma necessidade. Ou simplesmente porque sou preguiçoso. Ou porque não é algo que queira verdadeiramente fazer, senão já o teria feito, ou pelo menos tentado.
Eu, pessoa de rotinas, se calhar não implemento este hábito para não cair na rotina de andar com as mesmas bicicletas sempre nos mesmos locais?!
É verdade que exercito o corpo e desanuvio a cabeça de outra forma praticamente todos os dias, mas andar de bicicleta mais umas vezes fazia-me bem… Mas quantas coisas não nos faziam bem e não estamos para aí virados?
Chega a ser estúpido não fazer algo de que gosto tanto, quando aquilo que não quero largar nem ser assim nada tão relevante…
Dentro das minhas dúvidas e interrogações, de uma coisa tenho a certeza, domingo vou andar de bicicleta!

 

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I Ride dos Reis - Monbike

Foi com satisfação que recebi a informação da realização deste evento. Mesmo sem qualquer referência do mesmo, até porque tratava-se da primeira edição e nunca tinha participado em qualquer evento do promotor, mas o sentido de oportunidade temporal, o foco no convívio e a ideia de traçar um percurso em estrada ligando as três cidades (Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande) em associação aos três Reis Magos, augurava logo algo de positivo.
As minhas expetativas não foram goradas, até pelo contrário, o que me faz afirmar que este evento tem todas as condições para se manter no calendário dos passeios de estrada, sendo mais uma referência a ter em conta, esta a marcar o final da quadra festiva em causa.
Considerando a forte afluência de participantes, ainda para mais sendo uma novidade, faz-me depreender que a realização deste evento motivou um certo entusiasmo geral e gerou algumas expetativas, o que é de realçar. Registei também, com alguma surpresa, a presença da concorrência, o que não é frequente acontecer no nosso pequeno e preconceituoso meio. Como já disse, a associação ao dia de Reis e a escolha do percurso a condizer não podia ter sido mais acertada.
Tratando-se de um evento de estrada é normal que se esteja perante um percurso com alguma quilometragem e nível de exigência, e que o ritmo seja ligeiro, mas pelo seu caráter descontraído, com mais ou menos esforço, permite alguma flexibilidade de participação. No caso, tínhamos um guia a indicar o caminho e a marcar o ritmo, e outro a fechar a caravana.
Como será fácil perceber pelas minhas palavras, este foi um passeio que me agradou bastante. Descontraído, bem organizado e com um belo percurso. Gostei tanto do percurso que vou passar a fazê-lo nos meus passeios de domingo, como alternativa aos mesmos de sempre. Aliás, nem sei como é que nunca me lembrei disso?
Pessoalmente e ao nível do convívio, para além das normais trocas de impressões gerais, tive oportunidade de falar com quem já não via há muito tempo, mas também de conhecer melhor quem contactamos apenas de forma esporádica.
Com tudo isso, os meus parabéns a quem idealizou, preparou e apoiou esta iniciativa.

 

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Imagem: Monbike

Passeio Solidário de Reis - Decathlon Ponta Delgada

Para começar posso dizer que fui enganado. Depois de ter questionado, em local devido, se o percurso do passeio incluía pisos de terra ou se seria unicamente em estrada, responderam-me “Estrada”. Fomos os três. Avançou a Globe (fixed gear), a Triban 500 e por pouco a Órbita dobrável também não foi parar ao suporte em cima do carro, acabando por ser trocada pela BTT de roda 24, em boa hora…
Afinal existiam segmentos de terra no percurso. Se soubesse levaria a minha BTT e muito provavelmente iríamos só dois. Mas há enganos que vêm por bem. Fomos todos e gostamos. Mesmo quem tem uma certa aversão ao fora de estrada, que, com uma bicicleta pouco adaptada fez praticamente todas as incursões propostas neste ambiente, para ela, inóspito.
Quem mais recorreu às alternativas fui eu, já que a “fixie”, de “slicks/23”, só com travão dianteiro, revela-se (ainda) mais desafiadora nestas vias mais agressivas. Primeiro não me estava a apetecer ter um furo, depois não queria estragar a bicicleta, e muito menos ter, de repente, um contacto forçado com o chão. Alguns segmentos não pude evitar, mas correram bem, mesmo tendo aproveitado a menor aderência dos mais direitinhos para fazer uns “skids”, manobra que no asfalto exige uma destreza (e joelhos) que não tenho. Medo!
A manhã de sábado estava fresca e algo ventosa, o que se calhar contribuiu para que alguns possíveis participantes tivessem ficado no quentinho da cama, mas este passeio prometia uma manhã diferente entre as bicicletas e cumpriu, aliando a prática de exercício físico e o convívio à componente solidária. O percurso, delineado pelos arredores de Ponta Delgada, foi acessível e variado.
Acho que a existência destes eventos mais generalistas e abrangentes é importante, por isso faço questão de marcar presença sempre que me é possível. Aliás, fazemos!

 

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Imagem: Decathlon Ponta Delgada

Eu e ela

Somos um só…
Em contacto através de três pontos,
Unidos pelo extremo inferior.
Num gesto rápido reduzo ligeiramente a desmultiplicação,
Ergo-me para vencer a inércia da inclinação desfavorável.
Mudança de cenário,
A gravidade está agora a nosso favor.
Curvado sobre ti,
Procuro a aerodinâmica.
Tenho o batimento acelerado,
E o nível de concentração elevado.
Estado de fluxo!
Somos um só…
Estamos a render o máximo,
O ar que se desloca rápido em nosso redor confirma.
Curvas, tantas curvas,
Alternando entre fluidas e sinuosas.
Ora giro frenético as tuas alavancas,
Sob pena de perdermos o ritmo,
Ora aperto os teus abrandadores,
Sob pena de perdermos a compostura.
Somos um só...
Oscilas com as irregularidades,
Mas és honesta.
Alargas ligeiramente a trajetória que pretendo seguir,
Mas és precisa.
Disfarças a falta de aderência da borracha no asfalto,
Mas sei que tens limites.
Não sei quais,
Mas testo-os…
Chega, chega!
Ergo o tronco,
Reposiciono as mãos sobre ti,
Estabilizo as alavancas,
Olho para trás.
Deixo a gravidade levar-nos.
Somos um só...
Rolas indiferente, como sempre.
Tu não sentes,
Mas provocas sentimentos.
Tu não ouves,
Mas digo-te na mesma:
Foi tão bom!


Nota: Às vezes tenho tendência para humanizar as minhas bicicletas, neste caso a Roubaix. Este texto refere-se a uma parte específica do percurso do Passeio de Natal de domingo, exatamente o final da subida de quem vem de Vila Franca e a sinuosa descida até à calçada da Lagoa das Furnas.

Novo ano, nova época. Nova atitude?

Antes de mais, fica já dito que não gosto de resoluções de ano novo, tanto que acho que se deviam chamar de ilusões*.
Neste caso não são propriamente, nem resoluções, nem de ano novo, mas sim de novas ideias para encarar certa parte da época de ciclismo em 2018. Ideias baseadas numa atitude mais aberta que no fundo se resume em aumentar a utilização das minhas bicicletas assumindo uma dinâmica diferente, quer individualmente, quer em família, com saídas mais frequentes e relevantes, e uma maior participação em eventos organizados, excluindo os que representem aquela vertente da competição pura e dura. Passeios em geral e provas abertas como os “granfondo” na vertente de estrada, e as resistências e maratonas na vertente btt são aquelas que, pelas suas caraterísticas, reúnem a minha preferência.
Como o dinamismo (ou a falta dele) funciona em espiral e estende-se para outros departamentos da nossa vida, e pela forma óbvia como estão intimamente ligados, é previsível que a escrita e o blogue venham a sofrer positivamente com isso, nem que seja pela quantidade, com a maior abundância de assuntos a abordar.
Para já vou voltar a filiar-me na Federação Portuguesa de Ciclismo, na vertente “Ciclismo para Todos” - CPT, mas desta vez na opção “Família”, já que no computo familiar as pedaladas tendem a equilibrarem-se. E quero aproveitar para pedalar no decorrer destes dias de festa que se aproximam, últimos deste ano, também para compensar os excessos alimentares próprios da altura. E, já na manhã do primeiro dia do novo, conto subir ao Pico da Barrosa (a tradição é para manter) e ver lá de cima a Lagoa do Fogo (se o tempo permitir, o que raramente acontece neste dia)!
A época de 2017 já acabou, mas o ano não, portanto, é continuar a empreender cada vez mais a atitude que decidi ter nos últimos meses, no que toca à minha relação com o ciclismo e as bicicletas, com a sustentabilidade necessária para que flua naturalmente no tempo…

 

*Ilusões de ano novo!
Começa mais um ano, cumprem-se os mesmos rituais, repetem-se os mesmos comportamentos de sempre. Fazem-se balanços do ano anterior e traçam-se projetos para o novo ano. Fazem-se promessas de mudança. Há quem deixe de fumar, quem deixe de beber bebidas alcoólicas, quem passe a comer melhor, quem comece a ler um livro. A afluência aos ginásios aumenta…
Não acredito nestas mudanças repentinas e circunstanciais. As suas bases são frágeis e pouco sustentáveis. Não existe preparação nem planeamento, por mais simples que sejam. Não existe vontade genuína. E na sua esmagadora maioria, os resultados destas mudanças são nulos!
A época que precede a passagem de ano é propícia a inúmeros estímulos e exageros alimentares (e não só), o que também justifica esta tendência. O pior é que esta tendência desculpabiliza-nos e dá-nos carta-branca para exagerar à vontade, pois a nossa convicção é que daqui a dias tudo irá mudar.
Compreendo que se queira uma referência, um marco que simbolize a nossa mudança de comportamentos. Habituamo-nos a encontrar esta referência no começo de um novo ano civil. Para mim, e na necessidade de se arranjar um dia, faz mais sentido referenciar o dia do nosso aniversário, porque este sim, marca verdadeiramente o começo de um novo ano na nossa vida!
De qualquer forma, o que está em causa é que as intenções de mudança de ano novo, por impulso e de um dia para o outro, normalmente não passam disso mesmo, de intenções. E as intenções, mesmo que boas, sem serem seguidas da ação, tal como da sua continuidade, de pouco servem!
Outro comportamento, algo ingénuo e ainda menos duradouro, é achar que com a chegada do novo ano tudo irá mudar, só por isso! Até existe uma certa pressa para que o ano velho acabe, com a ilusão que é a partir daí que começam as surgir as nossas novas oportunidades. Esta sensação ilusória é capaz de se manter durante o primeiro dia do ano, talvez por ser feriado, mas depois… depois não muda nada, claro… depois vem a realidade!
Não tenho nada contra a entrada de um novo ano civil, mas não deixo de achar toda a euforia em volta disso, algo despropositada. Agora sou realmente contra a nossa tendência para atribuir responsabilidade aos acontecimentos, de coisas que sabemos perfeitamente que dependem de nós, estejamos no início, a meio ou no fim do ano!
Rui Pereira, 03 janeiro 2014

Passeio de Natal 2017 - Visita ao Presépio das Furnas - CC Specialized

A certa altura, a passar por mim, alguém diz mais ou menos isso: “Já tens assunto para o blogue.” Respondi apenas com um sorriso e não consegui acompanhar o seu comboio, mas dediquei uns instantes de atenção à sua afirmação.
A primeira questão que me veio à cabeça foi, qual assunto? É certo que rolava de regresso da ida às Furnas no âmbito do já tradicional Passeio de Natal da CC–Specialized, o que só por si já poderia ser um motivo, até porque só acontece uma vez por ano, mas ao contrário do que costuma acontecer, não ia a delinear mentalmente um possível relato dos factos. E por acaso na altura até rolava sozinho. Da breve e momentânea retrospetiva não me parecia ter acontecido algo de muito relevante.
Levantei-me cedo, despachei-me, saí e rolei com calma até ao ponto de encontro – Portas da Cidade. Pelo caminho fui alcançado por dois colegas que vinham da cidade a norte, acabando mesmo por seguir com eles. Mas cheguei sozinho e cedo, tanto que ainda só lá estava o promotor e poucos mais ciclistas. Aos poucos chegaram mais e mais, mesmo muitos para o caráter particular do evento. Foto da praxe e lá fomos a caminho das Furnas. Desta feita via sul para variar. Ritmo tranquilo, grupo unido, que, entretanto, se esticou e dividiu com o passar dos quilómetros e com o surgimento das dificuldades. A partir de certa altura e até ao destino – Bolos Lêvedos Glória Moniz, sigo na companhia de uma dedicada companheira ciclista e da sua super bicicleta! Bolo lêvedo misto, Coca-cola e um queque, mais a foto da praxe nas Caldeiras das Furnas, e bem-vindo às Pedras do Galego. Oportunamente alguém entoou parte do refrão de uma canção brasileira “Agora aguenta coração…”! Não sei quem, mas foi de rir. Acabo por ficar sozinho, depois acompanhado, depois andei na roda, depois fiquei sozinho novamente e durou. Depois acabei acompanhado e mesmo no fim, outra vez sozinho, a perguntar-me porque raio é que fui atrás de uns colegas pelo caminho mais longo em vez de ter escolhido o mais curto? Centro de Ponta Delgada, cheguei.
Será que era a isso que o meu companheiro se referia quando mencionou que eu já tinha assunto para o blogue? Seja como for, aqui fica. Tal como fica também um bem-haja a quem, de ano para ano, promove e assegura a manutenção do evento.

 

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Imagem: Francisco Carreiro / CC-Specialized

Nordeste

De bicicleta ao Nordeste? Sim, já fui uma vez. Exatamente na última edição de um evento apelidado de Nordbike, organizado por uma grande entusiasta das bicicletas. Curiosamente, no fim de semana de inauguração das novas SCUT’s. Este evento consistia em percorrer o trajeto Ponta Delgada/Nordeste via Norte no sábado e Nordeste/Ponta Delgada via Sul no domingo, com pernoita na então Estalagem dos Clérigos, onde os participantes podiam usufruir de um cuidado e animado programa social. Na altura fi-lo com a única bicicleta de estrada que tinha, a Specialized Allez Steel. Foi duro, principalmente o regresso, mas no geral, uma bela experiência, que me traz sempre boas recordações.

 

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Daí para cá nunca mais rolei para aqueles lados, mas recentemente surgiu a vontade de fazê-lo. Ontem foi o dia. Mas não foi assim tão bem escolhido, depois de algumas outras tentativas frustradas. Saí relativamente cedo de casa (não o suficiente para chegar aonde queria) e o tempo não me parecia especialmente mau. Não parecia, mas fui bem enganado. Fiz o percurso praticamente todo debaixo de chuva (vá lá que não estava muito vento)! Aliás, se bem (ou mal) me lembro, já no Nordbike, entre Nordeste e Povoação, água foi o que não faltou… Aquando da prova de resistência de BTT nas Sete Cidades, alguém dizia que não se importava de andar com mau tempo e debaixo de chuva, mas que já começava a fartar. Digo o mesmo. Caramba!
Mas paciência, antes assim do que ter ficado em casa. A volta em si é muito boa e vale a pena, mesmo sob condições menos favoráveis. Queria era ter ido um pouco mais além, mas estava condicionado, já que queria chegar a casa a horas. A ida foi feita com tranquilidade, até porque a partir de certa altura não sabia bem o que me esperava, já que tenho poucas referências daquela zona da ilha. Quando vi que já tinha gasto metade do tempo disponível inverti o sentido da marcha para regressar. Vim mais ligeiro, tanto que acabei por chegar antes da hora, o que me deu margem para lavar a bicicleta, que se encontrava  num estado pouco recomendável.

 

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Por falar em bicicleta, já é a segunda vez que noto uma situação curiosa e desagradável circulando em piso molhado. A partir de certa altura, torna-se quase impossível rolar com a corrente posicionada nos carretos do meio da cassete, pois sente-se aquele desagradável e instável comportamento de mudança mal engrenada, do querer saltar da corrente, o que não permite de todo uma pedalada fluída. Uma situação a verificar por quem sabe mais do que eu, que transmissão é coisa com que nunca atinei. E se calhar também não seria mal pensado adquirir um lubrificante específico para estas condições.
Claro que terei de ir novamente ao Nordeste. De preferência com mais tempo, menos chuva e sem comportamentos estranhos da bicicleta!

O exercício físico e a bicicleta no feminino

Cá em casa vive-se a cultura do exercício físico. A atitude pouco ou nada fundamentalista e o desinteresse pela competição, não significa que este importante departamento da nossa vida seja descurado, até pelo contrário, existindo inclusive o cuidado de a passar à nova geração, estímulo que acaba por ser natural.
Não há cá esforços nem sacrifícios desmedidos e específicos, até porque achamos que um estilo de vida saudável não se compadece com isso, mas sim com uma dinâmica geral baseada na regularidade e variedade do exercício físico. Para além disso, privilegiamos as atividades ao ar livre e o contacto com a natureza. Sempre!
Seja como for, não perdemos uma oportunidade de nos mantermos em forma. Saúde, boa disposição, estética, bem-estar, escape, são algumas das razões em que assenta esta vontade. E complementamos com uma alimentação tradicional, a mais variada e saudável possível, buscando o equilíbrio entre qualidade e quantidade. Aqui também sem fundamentalismos e permitindo-nos errar ou exagerar, logo que este seja um comportamento excecional.

 

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De uns anos para cá e de uma panóplia de exercícios, a bicicleta é aquela que merece a minha maior atenção. Mais recentemente esta atenção começou a surgir vinda também de outras direções. Claro que o miúdo já me acompanhava desde tenra idade e à sua maneira, o que é normal nos miúdos, mas a minha mulher que manteve sempre a devida distância, está agora mais próxima do que nunca da bicicleta!
Depois de um acontecimento triste, o roubo da sua bicicleta, a compra de uma nova veio alterar completamente a realidade vivida até então. A bicicleta roubada foi ganha num passeio em que participei e não passava de um modelo de btt de baixa gama, obviamente muito limitado e limitativo. Tendo em conta isso e o seu uso maioritário, a opção lógica seria adquirir uma bicicleta de estrada com a polivalência e facilidade de utilização permitidos por um guiador reto. As prioridades eram a simplicidade e o baixo custo, estimulando o maior uso sem fazer o mesmo com os constrangimentos.

 

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Imagem: Seg-mento Bike Team


A B’Twin Triban 500 fb é atualmente a sua companheira preferida. Vai com ela para todo o lado, mesmo os lugares menos óbvios, sem preocupações excessivas com vestuário e equipamentos, muitas vezes, apenas com a roupa normal e o capacete. Relativizar as dificuldades é a atitude. Descontração é a palavra de ordem. Com isso, tem expandido as suas pedaladas para lá do que alguma vez pensou fazer. Ainda a semana passada, com as habituais companheiras de outras andanças, mesmo sem objetivos neste sentido e com base apenas na aventura, elevou consideravelmente a fasquia!
A minha rotina de pedaladas e a relação com as minhas bicicletas não estão ameaçadas, nem é provável que isso algum dia aconteça, até pelo contrário, pois não tarda nada e tenho companhia. Hoje, e ao contrário do que ela pensa, é com satisfação que assisto à sua vontade e ao crescente gosto em pegar na bicicleta e sair por aí a pedalar…

Na companhia da velha guarda!

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.

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