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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

20.12.18

Órbita de carga!


Rui Pereira

A Órbita Classic carrega comigo, e não só. É o meu meio de transporte preferencial para curtas deslocações em meio urbano e, com a sua bagageira, uma simples caixa de fruta em plástico, mostra-se ainda mais apta para as tarefas necessárias. À primeira vista parece ser algo limitada, mas na hora da verdade, esta caixa mostra uma capacidade de carga surpreendente, tanto ao nível do volume como do peso suportado.

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Esta minha Órbita, com a sua caixa, está sempre pronta para tudo!

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05.12.17

Gravel Bikes


Rui Pereira

As bicicletas polivalentes vocacionadas para o turismo e aventura têm ganho uma relevância considerável nos últimos tempos. Atualmente são várias as marcas que apresentam mais este segmento nos seus catálogos. As “gravel” são bicicletas de estrada adaptadas a circular também fora dela. Para melhor se identificar, diria que se posicionam entre uma bicicleta de estrada e uma “ciclocross”. Um conceito híbrido que junta características de ambos os segmentos (estrada e fora de estrada) numa só bicicleta, mas sem pretensões ao nível da performance e da competição, estando muito mais voltadas para a aventura, a liberdade e a descontração. Polivalência, equilíbrio, conforto, simplicidade e robustez são alguns dos seus principais argumentos, propondo assim aos seus utilizadores um uso diversificado quanto baste. Rotina diária, múltiplos ambientes, muitas e longas pedaladas, e inerentes momentos aprazíveis de exploração e contacto com a natureza. Claro que não será de esperar um comportamento exemplar em estrada e menos ainda fora dela, mas também para este fim já existem inúmeras bicicletas e respetiva especificidade. As “gravel” são uma excelente opção para quem não está preocupado com comportamento e performance a um nível mais elevado, mas que pelo contrário privilegia a facilidade de utilização e a diversão com apenas uma bicicleta.
Se tivesse de definir o meu perfil como utilizador de bicicleta diria que era descontraído. Não faço competição e nunca apelidei as minhas saídas domingueiras de bicicleta como treinos porque não passam de passeios. E é mesmo isso que quero que sejam. Praticamente não faço btt, mas tanto nesse ambiente como na estrada, o que mais me interessa nesse momento é a comodidade e o conforto. Portanto, se há bicicleta que me assenta bem é uma “gravel”.  Depois de um tempo em que juntei algumas bicicletas, com o lado menos bom de algumas delas terem ficado paradas ou com um uso residual, seria altura para reduzir, onde pelo menos duas daria lugar a apenas uma, garantindo um uso sustentável, mas acima de tudo, o prazer e o divertimento.
Gravel Bikes? Quem sabe um dia!

P.S. – Infelizmente não consegui fotografar a bicicleta que queria para ilustrar este texto. Tenho um amigo que tem uma Specialized Sequoia, a única que há cá, mas temos andado desencontrados. Com o seu quadro em liga de aço - Cr-Mo, pneus de 42mm, travões de disco mecânicos, apoios para guarda-lamas e porta-bagagens, fitas de punho e forro do selim em tecido - ganga, entre outras caraterísticas, a Sequoia é um bom exemplo de uma das bicicletas mais puras do segmento gravel/turismo/aventura.

Já tinha uma publicação sobre as "gravel" aqui no blogue, onde, excecionalmente, destaquei um belo vídeo!
"Azores Gravel Bike Trip 2016"

17.09.15

Cada bicicleta no seu galho!


Rui Pereira

Basta visitar qualquer sítio de uma marca de bicicletas para perceber que a oferta é vasta e multidisciplinar. Os segmentos são muitos, adaptados a quase todas as necessidades: Montanha, Estrada, Fitness, Multiuso, Aventura, Cidade, Dirt/Street/Park, e-Bike, etc. E adaptados aos tipos de utilizadores: homem, mulher, criança...

Tanta informação disponível, à distância de um clique e não só, e depois o que mais se vê são pessoas a passearem calmamente pelas ciclovias, montados em bicicletas de montanha, cujos pneus nunca tocaram e jamais tocarão na terra. Pessoas que sistematicamente rolam calmamente em bicicletas de estrada competitivas, onde as suas caraterísticas são sempre encaradas como defeitos. Crianças que apesar da sua flexibilidade e descontração, não conseguem esconder o quanto têm uma bicicleta desadequada à sua idade e dimensão. Pessoas que têm bicicletas desadequadas para si.

Se quero uma bicicleta para passear e fazer algum exercício físico, para rolar na estrada e em ciclovias, basicamente em plano, de certeza que nem uma bicicleta de montanha, nem uma de estrada sejam as melhores opções para as minhas necessidades!

Acho que existe um certo estigma com as bicicletas polivalentes/multiuso/fitness. Estas, em muitas das situações serão a melhor opção, tanto na forma como se adaptam a um leque de utilizações várias, tal como no seu custo de compra e manutenção. Mas contraditoriamente, são as menos procuradas, talvez pelas mesmas razões que apontei como as suas maiores qualidades. O facto é que acabam por ser bicicletas mais básicas e banais, não exatamente aquelas que vemos correr nos circuitos mundiais das várias vertentes ciclísticas, pilotadas pelos nossos ídolos. Não aquelas que expõem o último grito da tecnologia. E todas estas referências têm cada vez mais importância e um custo inerente que achamos normal pagar, e assim, tudo o que não vá por aí se calhar não é a melhor opção…

Por outro lado, para quem está afastado destas referências, também não tem de seguir o rebanho. Quando um leigo pensa numa bicicleta é quase certo que pense numa BTT. Mas lá porque o meu vizinho, colega ou amigo comprou uma BTT não tenho necessariamente de fazer igual. Primeiro, porque ele pode ter feito a sua compra com base nestes mesmos pressupostos. Segundo, porque os objetivos dele podem ser completamente diferentes dos meus.

De facto estes preconceitos que perduram no tempo acabam por ser inquestionáveis e portanto, traduzem comportamentos. E depois assistimos aos episódios que relatei no início, só porque sim!

A questão principal passa por fazer uma avaliação concreta das nossas caraterísticas, dos nossos objetivos e das nossas necessidades. E do nosso gosto, já agora. Caso haja!

Mais do que toda a informação disponível, em última instância, será a pedagogia da parte de quem vende, que pode fazer alargar e mudar pontos de vista, também em benefício próprio, mas acima de tudo em benefício dos futuros utilizadores da bicicleta, contribuindo para uma utilização adequada e plena da bicicleta por parte destes!