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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

01.10.19

Pose!


Rui Pereira

Peguei-lhe pelo braço e disse:
- Vamos!
Ela acedeu.
Iniciei o diálogo, a tentar medir-lhe o pulso.
Impávida!
A caminhada leva-nos por caminhos algo tortuosos.
Apercebo-me da dificuldade…
Nisso, ela reage com brusquidão!
Ia perdendo o equilíbrio…
Mas não vacilei.
- Olha, vamos por aqui!
Fomos sem oposição.
Avistamos o mar.
- Paramos?
Não responde. Apenas posa relaxada para a fotografia.

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03.09.19

Trio


Rui Pereira

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Chegam descontraídos. Pés a roçar pelo cimento ajudam a detê-las. Encostam-nas com as rodas na areia. A mais pequena aterra de salto. Fica como ficou. Serve, ou melhor, servem para tudo. Mesmo que a utilização vá para além da função e do tamanho, que num dos casos “grita” o seu limite. E a roda traseira destoa, mas roda. É o que interessa. Que ande, ou melhor, que andem minimamente que o resto vai de improviso…

03.07.19

“Como Todos Fazem”


Rui Pereira

Comecei com o blogue Carreto Fixo com a ideia de me apresentar anonimamente. Não que quisesse revelar segredos cabeludos, mas o anonimato sempre dá outra liberdade, ainda para mais quando ainda nem sabia bem o que queria dele. Não sei como nem porquê, mas a certa altura assumi ser quem sou. O blogue começou a ganhar contornos demasiado vastos e pessoais, e achei que me exponha demasiado por palavras. Fechei-o.
Apeteceu-me falar sobre bicicletas na primeira pessoa, algo que já tinha feito noutra plataforma e que me tinha dado muito gozo. Não repliquei a fórmula, até porque a minha visão mudou substancialmente. Em vez do entusiasmo impulsivo de quem se estava a iniciar num mundo novo, havia uma nova abordagem, mais concreta e madura, às bicicletas e ao ciclismo.
O anonimato podia dar-me mais contundência e ser mais revelador na abordagem, mas também não é por aí. Não é o meu registo. Não acho que seja a solução estar a endurecer o discurso e a alimentar polémicas. A temática que abordo também não é muito sensível ou suscetível de levantar grandes problemas. Sim, existe um braço de ferro chato entre automobilistas e ciclistas, mas a minha postura mantem-se – calma, cortesia e bom-senso - até porque acho que as coisas boas merecem mais atenção do que as menos boas.
Não sou muito de me expor. Sou criterioso neste sentido, principalmente no que toca às imagens, que nem sequer gosto de tirar. Às vezes, acontece. Algumas até ficam bem. E serviriam como boas ilustrações para alguns dos meus textos, mas pondero demasiado a sua divulgação e normalmente ficam guardadas para mais tarde recordar.

A ouvir os meus favoritos no Youtube, surge o tema do NTS “Como Todos Fazem”…



Levado por todo o ambiente criado pela música, letra e vídeo – leve e divertido, mas realista - e na presença do que considero ser uma boa imagem, num momento de orgulho próprio, decidi:

- Vamos lá fazer “como todos fazem”, mas numa base real que reflita verdadeiramente o meu estilo de vida!

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Deixei a bicicleta em casa!

14.08.18

Aos pedais!


Rui Pereira

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

01.06.18

Ainda sobre o estacionamento de bicicletas!


Rui Pereira

Ainda há poucos dias falei de estacionamentos para bicicletas em Ponta Delgada. Hoje vou falar de estacionamentos, mas num local específico da cidade no lado norte da ilha. Refiro-me à praia de Santa Bárbara, na cidade da Ribeira Grande.
Aqui há uns tempos vivemos duas situações muito desagradáveis nesta praia envolvendo bicicletas. Num curto espaço de tempo roubaram-nos o selim e respetivos acessórios associados e depois foi a bicicleta completa!
Na altura foi dado conhecimento da situação à Câmara e feito o alerta no sentido de se repensar o tipo de estacionamento utilizado e a sua localização naquela praia.
Recentemente, agradou-nos constatar que o local do estacionamento de bicicletas foi alterado e está agora numa zona do parque muito mais adequada, exatamente por ser mais prática, movimentada e visível. Infelizmente, a estrutura que serve de estacionamento é a mesma, um ainda resistente “empena rodas”, que peca tanto por esta sua nefasta capacidade, daí o apelido, como por não permitir prender a bicicleta corretamente pelo seu elemento básico – o quadro, já que suporta toda a bicicleta apenas por uma roda! Não é prático nem seguro. É preciso improvisar, daí ser habitual ver bicicletas encostadas numa das laterais da estrutura como forma de tentar ultrapassar as suas limitações.

 

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A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta tem disponível na sua página um documento bastante esclarecedor de como devem ser os estacionamentos para bicicletas.

06.03.17

Vila Franca do Campo


Rui Pereira

Este domingo foi dia de mudar de ares. Rumei ao lado sul da ilha e fui com a Allez até Vila Franca do Campo. O tempo estava excelente para andar de bicicleta, não obstante algum vento de sudoeste que se fazia sentir. Com variações entre a calma e o maior ritmo, e até as paragens para captar algumas imagens, quando dei por mim já estava no meu destino. É incrível como hoje em dia as distâncias são tão relativas... aqui há uns anos atrás ir à Vila Franca ou até mesmo a locais mais próximos, só de carro ou de mota. Mas ainda bem que essa realidade mudou!
O ponto de retorno acabou por ser a Praia da Vinha da Areia. E foi a sair da mesma que avistei lá mais à frente uma colega ciclista. Acabei por me juntar a ela algures a sair de Vila Franca. Este facto tornou o regresso mais agradável e a temível subida do Pisão menos sofrida. Até gosto de andar sozinho, sendo que o faço quase sempre nesta condição, mas admito que é uma mais-valia ter companhia nas voltas de bicicleta. Despedimo-nos em Ponta Delgada.
Antes de ir para casa, ainda tive um bocado à conversa numa zonal balnear da cidade, onde a Allez foi alvo de apreciação, com teste incluído. Para além dos elogios, recebeu pela primeira vez uma explícita proposta de compra...
- Não, não está à venda, mas obrigado na mesma.

 

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13.07.16

Roubaram-lhe a bicicleta!


Rui Pereira

Sábado, o sol mostra-se lá fora, pequeno-almoço relaxado, algumas tarefas domésticas e a tão desejada ida à praia. Bicicleta fora da garagem, mochila às costas e capacete apertado, e lá vai ela descontraidamente entre o fresco da brisa matinal e o calor dos primeiros raios de sol.
É uma rotina nem sempre rotineira, mas depois de vários anos em que não usufruiu nem da bicicleta nem dos caminhos que circundam o local onde vive, é agora um prazer fazer-se à estrada montada no seu cavalo de ferro - a sua bicicleta! Pacifica, calma, despretensiosa.
A toada calma motivada pela falta de pressa e pelo apreciar do ambiente à sua volta levam-lhe ao seu destino, mas que por si só, já vale apenas pelo percorrer do caminho. É que se há meio de transporte que permite isso mesmo, é a bicicleta!
Os constrangimentos surgem na chegada, já que o local de estacionamento para as bicicletas para além de mal localizado, longe da vista e remetido a um canto, é totalmente inapropriado a quem preserva minimamente a sua bicicleta, daqueles “empena rodas”, em vez de simples U’s invertidos…
Desta vez, estes constrangimentos estavam ampliados, pela memória de neste mesmo local e umas semanas antes, lhe terem roubado da bicicleta o selim e demais acessórios associados! Assim, fez por deixar a sua querida bicicleta presa, o melhor possível, mesmo que o dispositivo para o efeito não fosse o mais robusto que havia.
Tentou não pensar mais nisso e desceu ao areal, ávida de um banho naquele límpido mar salgado, seguido de um confortante repouso embalado pelo calor que o sol emanava…
Nisso, recebe uma chamada:


- Onde estás?
- Na praia.
- Onde está a tua bicicleta?
- No parque de estacionamento.
- Não está não!
- Como não está?
- A tua bicicleta não está aqui!
- (Silêncio…)
- Já me roubaram a bicicleta!
- …


Qualquer semelhança com a realidade NÃO é pura coincidência!