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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.01.20

Eu pedalei, pedalo, pedalarei…


Rui Pereira

Continuo. Não consigo deixar. Não quero parar.
Sinto as dificuldades. Acuso o esforço. Os constrangimentos.
Mas também falo, rio, grito. Consolo-me.
Sozinho. Às vezes, acompanhado.
Descubro novos lugares. Os mesmos, de forma diferente.
Traço novos objetivos. Arrisco desafios. Vou.
Outras vezes, não.

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Às vezes custa sair. Depois não quero parar.
Nem sempre com as condições ideais. Não faz mal.
Não existem condições ideais.
Tenho frio, depois tenho calor. Depois volto a ter frio.
Estou molhado. Arrepiado.
Susto. Safo-me por um triz. Arrepio-me.
Esqueço. Faz parte.
Tudo tem um lado bom. Outro menos bom.
O lado bom domina.

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As experiências são incríveis. Umas mais, outras menos.
Mas todas únicas. Diferentes. Deixam-me sorridente.
Vou continuar. Não quero deixar. Nunca vou parar.
Custe o que custar.
Mesmo quando já não o puder fazer.
As minhas bicicletas foram, são e serão sempre pedaladas.
Nem que seja em pensamento!

06.12.19

Levo-a...


Rui Pereira

Olho para ela.
Nos olhos, para o seu corpo.
Ela fala…
Ouço-a. Sinto-a.
Observo os seus pormenores.
Ela explica-se…
Gesticula.
Sou bom ouvinte.
Ela sabe…
E desabafa.

Ela tem caráter.
O seu feitio.
Adapto-me…
Às vezes, em esforço.
Ela tanto dá luta,
Como se deixa levar.
Sou gentil,
Mas imponho a minha vontade.
Sou cuidadoso…
E levo-a.

Levo a minha bicicleta.
A minha bicicleta leva-me.

29.11.19

Falando de bicicletas...

E recordações de infância!


Rui Pereira

Já nem sei bem sobre tudo o que escrevi. Devo repetir-me muitas vezes. São muitos textos e os assuntos não são assim tão diversos. Reparei que este blogue soma quase 500 publicações (esta é a 499)! Não, não são todas sobre bicicletas, algumas nem texto têm, mas são fruto do que achei relevante no dia em que foram disponibilizadas.

Isso porque recordava agora o quanto gostava de andar de bicicleta em miúdo. Talvez porque as oportunidades não eram muitas, mas eram sempre devidamente aproveitadas. Até à última, até não poder mais.

Será que já falei sobre isso? Talvez.

O bairro onde passei muito tempo da minha infância… As zonas relvadas/ajardinadas eram os nossos campos de futebol e os nossos laboratórios naturais de descoberta da fauna e flora local, com as peladas a servirem para jogar ao berlinde. As cimentadas para jogar ao pião. E os passeios que ladeavam estas zonas verdes eram como as ruas da nossa cidade, onde simulávamos deslocações e corridas.
Falo no plural, por mim, pelo meu irmão e pelos meus amigos, mas na verdade não sei se sentiam o mesmo que eu… julgo que sim.

Houve um dia mítico. Lembro-me como se fosse hoje. Meia tarde, tempo fresco, céu nublado. Saí de casa em direção ao bairro na “minha” grande pasteleira azul (nunca a senti como minha porque na altura queria uma BMX e porque durou pouco tempo lá em casa). Já não estava a chover, mas a calçada preta e branca que forrava os passeios estava encharcada. Sozinho. Idealizava percursos, executava manobras, delineava curvas, fazia derrapar a roda traseira, controlava a enorme bicicleta, com as luzes ligadas à força do dínamo contra o pneu…

Este sentimento voltou quando, muitos anos depois, comecei a fazer trilhos de bicicleta. Diversas vezes, a preparar o percurso da volta do domingo seguinte, conseguia visualizar aquela lomba, aquela curva, aquela descida. Aquela reação da bicicleta, aquela manobra para a controlar… E todo o gosto e prazer associados!

É mesmo muito provável que já tenha falado sobre isso!

15.10.19

Impávida e serena!


Rui Pereira

Sempre a mesma sequência, o mesmo método, o mesmo ritual. É o dia oficial de sair com ela!
Aperto as fitas de velcro dos sapatos, ajusto o capacete, ponho as luvas e os óculos. Fecho o portão da garagem. Estamos frios, estranhos. A familiarização é rápida, mas as pernas pedalam trôpegas. Alivio a transmissão. Acuso as irregularidades do terreno, mesmo que digeridas pelas suspensões…
Aumento o ritmo, a confiança. A gravilha levantada pelos pneus fustiga o quadro. Isso e o rolar dos pneus compõem aquela velha banda sonora de sempre. O movimento brusco da direção é um aviso para manter a concentração...
Serro os dentes e deixo correr, aliviando a sua frente do meu peso. Seguro-a de forma firme, mas não rígida e tento não pensar no pior. Corrijo a trajetória com um ligeiro de toque de travões...
Esforço, empenho, ritmo e controlo. O resto é estado de fluxo. O resto é prazer!
A minha velha e resistente companheira de “guerra”, muita pancada aguenta!
E quem a vê nunca diria… sempre tão impávida e serena!

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11.09.19

Luxos…


Rui Pereira

Utilizar a força física para nos deslocarmos pela cidade, aos comandos de uma vulgar bicicleta, fazendo dela o nosso meio de transporte preferencial, ainda é visto como algo estranho e que facilmente se associa à falta de capacidade financeira para fazê-lo de uma forma mais cómoda e pomposa, que é o mesmo que dizer, de carro!

A minha experiência, que tem a dimensão e o valor que tem, faz-me pensar exatamente ao contrário. É um luxo poder manter o carro parado todo o dia e fazer as minhas deslocações pela cidade de bicicleta! Considero-me mesmo um privilegiado, tendo em conta a conveniência, o exercício e a poupança (financeira e ambiental) que faço, mas, acima de tudo, o prazer e a liberdade que sinto ao pedalar, por si só, e por todos os outros benefícios associados!

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24.06.19

Specialized Allez Steel – Sempre!


Rui Pereira

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Depois de uma pesquisa e respetiva análise, a decisão de compra desta bicicleta surge com uma pequena e infantil chantagem - “Eu só vou, se comprar esta bicicleta!” Isso foi num fim-de-semana. Segunda-feira estava na loja a encomendá-la.
A sua aquisição marcou, definitivamente, o ponto de viragem na minha forma de encarar o ciclismo e as bicicletas. Antes, estava demasiado formatado pelas influências do meio onde me inseria. Depois, tudo mudou. Comecei a valorizar o básico, o simples, o clássico, o retro. Vi que as bicicletas eram muito mais do que ferramentas de desporto e competição. Passei a seguir os nichos em vez das massas. Descobri novas culturas e estilos de vida que giram em torno de outras bicicletas. Nunca mais olhei para trás!
Durante algum tempo foi a minha única bicicleta de estrada. Os constrangimentos e até o sofrimento que senti aos seus comandos, não são nada comparados com o gozo e o prazer que tive, e tenho, sempre que saio com a Allez à rua. Aliás, mesmo sem sair, só apreciar-lhe a beleza estaticamente já é motivo de orgulho e regozijo.

06.06.19

«Eh pá, tu também pegas de cabeça com bicicletas!»


Rui Pereira

Não pego necessariamente de cabeça, mas sim, gosto muito e estão muito presentes na minha vida. Por princípio, conveniência, liberdade, exercício físico e prazer.
No entanto, sou o primeiro a afirmar que nem toda a gente tem de andar de bicicleta. De facto, existem muitas vantagens na sua utilização, mas tendo em conta as necessidades e as circunstâncias individuais, isso não tem de ser exatamente assim.
Há quem tenha limitações físicas, quem tenha outras alternativas e preferências relativamente ao exercício físico e ao lazer, quem não tenha necessidade ou possibilidade de utilizar uma nas suas rotinas diárias. E há quem não goste de bicicletas nem de pedalar, e prefira simplesmente andar a pé.
As bicicletas estão na moda. Mas mais do que estar na moda, estão a ser encaradas, e bem, como uma ferramenta muito útil para a mobilidade, para a saúde e para a qualidade de vida das pessoas. De brinquedo para crianças ou de veículo no fundo da hierarquia dos meios de locomoção, para excelente aliada no exercício físico e competente alternativa ao automóvel em meio urbano.
Também se pegar de cabeça com bicicletas, não me faltam motivos para isso!

20.05.19

Tranquilo


Rui Pereira

Tenho 43 anos e não é petulância dizer que estou numa das minhas melhores formas físicas de sempre. Essencialmente impera o equilíbrio! Melhor mesmo, só há cerca de 4 ou 5 anos atrás, quando complementava as pedaladas e a musculação com a corrida.
Infelizmente, uma lesão complicada no joelho esquerdo (fratura do menisco e rutura total do LCA) que em vez de intervencionar cirurgicamente optei por aprender a conviver, fez-me retroceder momentaneamente. E depois recuperar e ajustar-me.
Com a idade, revelam-se as mazelas e arrasta-se a recuperação, mas ao mesmo tempo o nosso conhecimento físico é mais amplo. Sei que não devo fazer certas coisas, porque o mais certo é que tenha de pagar a fatura, já que tenho plena noção da relação comportamentos/resultados. Sei relativizar.
Sei da importância do exercício físico para o meu bem-estar geral e, porque não dizê-lo, para o meu bom aspeto, tal como sei que, por mais que me exercite, sem cuidar da alimentação, nada feito! - 70% alimentação; 30% treino.
Não me interessam os resultados teóricos e os dados estatísticos. Não me interessam que tempos e distâncias faço a pedalar, nem que pesos consigo levantar. Faço o que gosto para me satisfazer, já que há muito ganhei o hábito de fazê-lo e procuro essencialmente o equilíbrio entre satisfação, bem-estar, saúde, qualidade de vida e bom aspeto!
Não vivo obcecado com isso, até porque já se atingiu um estágio de normalidade, que toda esta prática se traduz num estilo de vida. Tenho cuidados, não faço sacrifícios, e o prazer continua presente na minha vida, até porque é vivendo assim que o obtenho. E permito-me “errar” sempre que acho que o devo fazer.
As circunstâncias motivaram um regresso ao ginásio, mas a experiência diz-me que a melhor forma de praticar exercício físico é ao ar livre, é na natureza, e não numa sala cheia de aparelhos e pessoas a transpirar. 
A idade trouxe-me mais flexibilidade e tranquilidade na gestão de todo este processo. Há um mínimo aceitável, para não entrar numa espiral negativa, mas todo o resto faz-se de acordo com a minha vontade e o meu estado de espirito. Quando tem de ser feito faz-se, quando não tem… não tem!
Tranquilo.

03.05.19

Pedalar e acelerar. E caminhar pela natureza!


Rui Pereira

Este é basicamente um blogue sobre bicicletas, reflexo da importância que estas têm na minha vida. Surgiram inicialmente pela necessidade física, estabeleceram-se pela sua vocação utilitária e acabaram por ser muito mais do que a soma destas duas partes.
As bicicletas são uma paixão. Um regresso às origens, um passo no sentido da simplicidade, da liberdade e do prazer. O prazer de uma volta de bicicleta não se explica, sente-se!
Esta semana tive uns dias sem a minha companheira do dia-a-dia. Senti a sua falta. Como me facilita a vida e contribui para me fazer sentir bem! Arranjei uma substituta por um dia. Não foi a mesma coisa. Mas piores mesmo foram os outros dias…
Mas as bicicletas não são tudo!
Sabia que não devia ter experimentado a mota do meu irmão. Bem que tenho vindo a recusar nos últimos anos. Digamos que o gosto pelas motas era um monstro que tinha adormecido dentro de mim… Acordou!
Domingo não andei de bicicleta. Voltei a sair de mota... Mas teve mesmo de ser, um compromisso pessoal inadiável a isso obrigou. Noutra altura ficaria chateado por não poder sair de bicicleta. Não fiquei. Pronto, vá lá, fiquei um bocadinho. Liberado do compromisso aproveitamos, eu e o meu filho, para uma voltas de mota.
Mas as motas também não são tudo!
No feriado também não andei de bicicleta. Nem de mota. Compromissos desportivos do rapaz para começar bem o dia (e bem cedo). Já a tarde foi dedicada a uma atividade muito aprazível – caminhar pela natureza! Calma, sossego, ar puro e paisagens deslumbrantes. Satisfação, prazer e bem-estar físico e psicológico. Perfeito!
A natureza não é tudo, mas é muito!

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