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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

30.09.19

Piões


Rui Pereira

Enrola, atira, gira, roda, rola…

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Enrola, atira, roda, gira, toma, rola…

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Sinto o mesmo gosto. A mesma satisfação de conseguir lançar o pião com êxito!
Estava na primária e lembro-me. Sair da escola a correr, lanchar à pressa e ir jogar ao pião, incansavelmente.
Eu e os outros.
Existem coisas que nunca se deixa de gostar. Coisas que nunca se deixa de saber fazer…

19.07.19

Passado no presente. Duas rodas, com e sem motor.


Rui Pereira

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Noutros tempos foram as rainhas das nossas estradas. Serviram muitas famílias. Ergueram uma indústria… Foram esmagadas por congéneres importadas. Hoje estão obsoletas. Apetecíveis para quem recupera e negoceia, ou simplesmente quer guardar para recordar. São pedaços de história. E alheios a tudo isso, há quem continue a dar-lhes serventia.

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Fizeram a alegria de miúdos. Sofriam verdadeiras torturas nas mãos de alguns. Faziam-lhes arriscar, experimentar, sonhar. Permitiam-lhes ir… Agora fazem a de graúdos, nem que seja estaticamente, num claro exercício de saudosismo. Os miúdos de hoje, atrás dos pequenos ecrãs, pouco lhes ligam.

18.06.19

De trás para a frente!


Rui Pereira

Preso a preconceitos limitados, previsíveis, limitadores.
Agarrado a ideias castradoras e inibidoras da visão.
Base comodista e consumista, focado nas coisas triviais, atribuindo-lhes destaque.
Vida pequena e vazia. Efémera. Olhos nos pés e no chão.
Iludido, não vê a realidade. Cego pela sua verdade.
Um dia, compra uma bicicleta. Acorda. Alarga horizontes.
Muda de rumo, num claro regresso às origens. Ao simples, ao básico.
Reencontra a sua terra. A natureza. As tradições. Vê o mar.
Pedala. Anda a pé. E valoriza.
Liberta-se da ideia quadrada do exercício entre paredes.
De um complexo processo de busca e aquisição de artefactos e suplementos.
Compra outras bicicletas, naturalmente.
Compras amadurecidas, sem impulso nem acaso. Isentas de exacerbadas pressões de satisfação imediata.
Usa. Aproveita. Desfruta.
Desperta para a importância de um simples rascunhar à mão, com papel e caneta.
Ganha consciência. Pessoal e ecológica. Vê para além do que achava suposto. Cresce!

O paradoxo da sua evolução reside na consciência de que as coisas são efémeras e ilusórias, às quais não deve ser atribuído o papel principal. Mas foram as bicicletas, também elas coisas, que lhe despertaram para uma nova realidade, que lhe abriram portas para todo um novo mundo de possibilidades. Mais adequadas, prementes, simples, melhores.

Não falo de mim. Falo de um amigo de um amigo meu.

04.01.19

VeloTóze


Rui Pereira

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Cada vez mais acho que um presente tem uma importância relativa. Normalmente até está associado a certos constrangimentos, tanto da parte de quem oferece, pela obrigatoriedade do ato e pela dificuldade de uma escolha acertada, como pela parte de quem recebe, pela simples falta de identificação com o objeto em causa.
Mas há presentes e presentes, e embora os ache dispensáveis, até porque não são o mais importante, quando se conhece alguém minimamente e se aposta em algo de acordo com os seus gostos, necessidades e preferências, isso pode ser muito positivo.
Tanta conversa para dizer que gostei muito das capas de sapatos impermeáveis que o meu primo me ofereceu pelo meu aniversário. Por acaso ou não, até porque ele é também um entusiasta das bicicletas, acertou pela adequação, utilidade e agradabilidade do artigo em questão.
Estas capas da VeloTóze têm muito bom aspeto e mostram alguma singularidade na sua conceção e utilização. Ainda não as experimentei (conto fazê-lo já no meu próximo passeio), mas tudo indica que, pelas suas capacidades impermeáveis e térmicas, serão excelentes para os passeios de bicicleta nesta altura do ano.

Obrigado André!

18.04.16

O rapaz da bicicleta!


Rui Pereira

Já não sou o rapaz que era há umas décadas atrás, mas existem momentos que me transportam para outros tempos, momentos únicos, onde a minha bicicleta era tudo para mim e o bairro onde andava era um mundo sem fim.
Um mundo onde não havia preconceitos nem preocupações, onde apenas existia diversão e liberdade sem limitações.
Hoje, dou por mim numa das minhas bicicletas a agir como o miúdo que já fui, a sentir aquilo que já tinha sentido, a satisfazer-me como poucos e com tão pouco. Aproveito, como antes, todos os momentos como se fossem únicos… E são!
As bicicletas cresceram, as fronteiras do bairro caíram, mas o rapaz que adorava andar de bicicleta, que fluía através da brisa, que inventava, e às vezes caía, é o mesmo...
A principal diferença é que agora, às vezes, custa-me sair, na altura apenas custava-me voltar. E ainda me custa. Depois de começar já não quero parar.
Incrível a capacidade de um objeto tão simples, não é? Sim, é material, e esse tem o valor que lhe queremos atribuir, mas num misto de saudosismo e orgulho, gosto da sensação que a bicicleta me permitiu e ainda permite sentir, gosto do efeito que produziu e que ainda produz em mim!