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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

30.05.19

Braço de ferro!


Rui Pereira

Continuo a deparar-me com uma opinião generalizada de quem não anda de bicicleta, que os ciclistas na sua maioria têm um comportamento desapropriado e abusivo nas estradas. Este é um braço de ferro que persiste.
Pessoalmente e na prática, não tenho grandes razões de queixa. Têm existido algumas situações menos boas, onde apenas uma foi mesmo muito má, mas assumo também ter contribuído para gerar um comportamento péssimo por parte do automobilista.
Continuo a assistir ao discurso da atribuição de obrigações aos ciclistas – dos seguros obrigatórios, da roupa (coletes) refletora, das aulas de código e de condução, entre outros – tão desapropriados quanto dizem ser o comportamento dos mesmos.
Vamos criar ainda mais entraves e dificuldades a algo tão positivo que é uma das soluções para o melhorar da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, mas que paradoxalmente faz surgir tanta resistência à sua adesão?!
Mas existem outros argumentos que os automobilistas utilizam e com razão, como é o caso da falta de iluminação na circulação noturna, a forma incorreta de circular a par e a postura de indiferença e falta de bom-senso perante os restantes utilizadores da estrada.
Se apelamos ao cuidado na nossa presença, como ciclistas, também devemos circular na estrada de forma correta, mostrando uma atitude baseada no bom-senso e na cortesia, mesmo quando o cenário não for o melhor. A indiferença só deverá ser utilizada perante pressões e provocações, em vez de sermos coniventes e estimularmos comportamentos errados, até porque esta pode muito bem ser uma das formas de não estar a perpetuar este braço de ferro escusado!

20.05.19

Tranquilo


Rui Pereira

Tenho 43 anos e não é petulância dizer que estou numa das minhas melhores formas físicas de sempre. Essencialmente impera o equilíbrio! Melhor mesmo, só há cerca de 4 ou 5 anos atrás, quando complementava as pedaladas e a musculação com a corrida.
Infelizmente, uma lesão complicada no joelho esquerdo (fratura do menisco e rutura total do LCA) que em vez de intervencionar cirurgicamente optei por aprender a conviver, fez-me retroceder momentaneamente. E depois recuperar e ajustar-me.
Com a idade, revelam-se as mazelas e arrasta-se a recuperação, mas ao mesmo tempo o nosso conhecimento físico é mais amplo. Sei que não devo fazer certas coisas, porque o mais certo é que tenha de pagar a fatura, já que tenho plena noção da relação comportamentos/resultados. Sei relativizar.
Sei da importância do exercício físico para o meu bem-estar geral e, porque não dizê-lo, para o meu bom aspeto, tal como sei que, por mais que me exercite, sem cuidar da alimentação, nada feito! - 70% alimentação; 30% treino.
Não me interessam os resultados teóricos e os dados estatísticos. Não me interessam que tempos e distâncias faço a pedalar, nem que pesos consigo levantar. Faço o que gosto para me satisfazer, já que há muito ganhei o hábito de fazê-lo e procuro essencialmente o equilíbrio entre satisfação, bem-estar, saúde, qualidade de vida e bom aspeto!
Não vivo obcecado com isso, até porque já se atingiu um estágio de normalidade, que toda esta prática se traduz num estilo de vida. Tenho cuidados, não faço sacrifícios, e o prazer continua presente na minha vida, até porque é vivendo assim que o obtenho. E permito-me “errar” sempre que acho que o devo fazer.
As circunstâncias motivaram um regresso ao ginásio, mas a experiência diz-me que a melhor forma de praticar exercício físico é ao ar livre, é na natureza, e não numa sala cheia de aparelhos e pessoas a transpirar. 
A idade trouxe-me mais flexibilidade e tranquilidade na gestão de todo este processo. Há um mínimo aceitável, para não entrar numa espiral negativa, mas todo o resto faz-se de acordo com a minha vontade e o meu estado de espirito. Quando tem de ser feito faz-se, quando não tem… não tem!
Tranquilo.

27.02.19

Nunca mais parei de pedalar!


Rui Pereira

A minha primeira experiência de utilização da bicicleta como meio de transporte está a fazer sete anos, estávamos no início do mês de março do ano de 2012. Mas foi uma experiência única.
Mais tarde, no verão deste mesmo ano, comprava uma bicicleta dobrável com a intenção de por em prática, de forma mais duradoura, esta mesma experiência.
Frequentava um ginásio à hora de almoço e a ideia era fazer a deslocação de bicicleta, descartando assim o automóvel e o custo direto relativo ao pagamento do estacionamento.
Digamos que a experiência foi um pouco (muito) atribulada. Por falta de adaptação pessoal, já que tinha esta rotina demasiado ligada ao automóvel, e por alguma falta de sorte, pois os dias que escolhi para começar, foram dias de chuva!
A ida era mais pacífica e até animadora, já que não era raro chegar antes do meu colega que se deslocava de automóvel. Mas no regresso, com a temperatura corporal por normalizar e alguma ansiedade à mistura, chegava ao trabalho invariavelmente molhado, no caso, numa mistura de suor e água da chuva…
Como se não bastasse, o quadro da Órbita dobrável cedeu!
A bicicleta ficou encostada a aguardar solução ao abrigo da garantia e eu, muito convenientemente, voltei ao automóvel!
Alguns meses depois, o ginásio fecha e tive de arranjar uma nova solução. Mais simples, mais natural, mais alternativa. Desta, fazia parte a utilização da bicicleta para a deslocação, na qual empreendi os ensinamentos adquiridos anteriormente, não voltando a repetir os mesmos erros.
Esta rotina, entretanto, mudou ligeiramente. A bicicleta utilizada é outra, embora da mesma marca. A bicicleta está tão ligada a esta rotina, que fazê-la sem ela, não é a mesma coisa! Esta e outras, já que alarguei ao máximo a utilização desta minha ferramenta de uso diário.
Bom, o certo é que nunca mais parei de pedalar pela cidade!

25.01.19

A banhos!


Rui Pereira

Começo a pedalar de pé. Dou o arranque para mais uma pausa de almoço. Debaixo de mim tenho a companheira do costume.
Contra o vento, pressiono os pedais, como se tentasse esmagá-los, para a impulsionar rápido para a frente. Ela responde como pode, não foi feita para estes stresses. A sua onda é mais sem pressas… Nas calmas…
O vento salgado de sueste fustiga-lhe o metal. A água salgada e fria enregela-me a pele. Faço movimentos rápidos e agasalho-me. Alimento o corpo com uma refeição que não está quente, infelizmente.
Arranco de regresso. Faço um desvio. Sinto uma ligeira dormência na extremidade dos membros inferiores. Ignoro e pedalo vigorosamente. O tempo escasseia e condiciona a ação.
Já me banhei nas águas deste nosso mar. Não tarda “banhar-me-ei” em tradição, em melodia, em música açoriana!

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20.07.17

Esta bicicleta não tem preço!


Rui Pereira

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar de números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a conveniência, a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

 

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07.03.17

Qualidade de vida! #2


Rui Pereira

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Estava como o tempo. Aborrecido. Tinha a minha rotina autolimitada. Num impulso reverti a situação. Tinha de sair. Tinha que pegar na minha bicicleta e ir. Fazer qualquer coisa. Não fazer coisa nenhuma. Mas ir. Fui tratar daquilo a que normalmente não atribuo prioridade. Tive no meio delas. Das bicicletas. Numa loja de bicicletas. A aviar um componente insignificante, mas que acusa a sua função. No caso, a falta dela. Tive no meio deles. Dos relógios. Numa relojoaria. A consertar um relógio. E que prazer ver um mestre relojoeiro trabalhar. À moda antiga. Tive no meio delas. Das revistas. Numa tabacaria. Comprei uma revista de bicicletas... O orvalho surgiu. Animou a minha pedalada. Animou o meu ritmo. Animou-me. Isso e tudo o resto. Cheguei outro!

 

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03.02.17

Qualidade de vida! #1


Rui Pereira

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Um dia de contrastes. Calmo. Aquecido pelo sol, arrefecido pelo vento fresco de oeste. Um bom exemplo do que é um estacionamento para bicicletas. Flores. Esplanada. Uma Órbita Classic a aguardar pacientemente o seu dono, para completar mais uma pequena “missão” na cidade de Ponta Delgada. Qualidade de vida!