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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

20.06.19

O meu companheiro de exercício não anda de bicicleta!


Rui Pereira

Ir ao mar é um hábito. Todos os dias ou quase. Todo o ano. O local onde vamos ao mar é de todos, mas especialmente nosso. E somos quase família. A família do mar e dos banhos.
Antes, costumo treinar. Bom, treinar é pretensioso. Faço exercício. Somos dois, os crónicos nisso. Eu e o meu companheiro de exercício. Ele menos assíduo nas idas, mas mais presente na prática. Eu mais facilmente cedo a uns raios de sol. Posso dar-me a esse luxo, pois tenho alternativas, ele não.
Às vezes falamos. Dizemos asneiras, criticamos, refletimos realidades. Rimos. Outras vezes, estamos concentrados nos exercícios, cada um com os seus, calados. Não é muito fácil encontrar alguém que seja mais calado do que eu, ele é.
Ele é das motas e também já foi das bicicletas. Eu já fui das motas e agora sou das bicicletas, claro. Ambos estamos cientes da importância do exercício físico, embora sob perspetivas diferentes.
As nossas teorias e reflexões sobre estas e outras temáticas circundantes são… não sei… O que sei é que existe um grande entendimento, identificação e compreensão, e isso nem sempre acontece de uma forma tão abrangente.
Um dia, falava-lhe da relação (próxima) que tenho com algumas das minhas bicicletas e ele simplesmente completava a minha linha de pensamento nos vários tópicos expostos. Outro dia, falávamos de modos de vida saudáveis e aconteceu o mesmo, de parte a parte. É recorrente. Mas não deixamos de ser diferentes e com as nossas particularidades bem vincadas.
Exercito-me sozinho, mas sei que ele está ali. E o contrário também acontece.
Ele anda de mota. Eu ando de bicicleta. Umas vezes estamos próximos, outras nem por isso, mas é bom ter um companheiro de exercício assim.

03.04.19

Abril


Rui Pereira

Comecei o mês de abril a pensar em motas e carros. Motas, porque depois de muito tempo sem andar numa a sério (scooters não contam) tive oportunidade de experimentar a Husqvarna, em versão Supermoto, do meu irmão. Até pensei que já nem sabia andar, mas não. Quem sabe nunca esquece - dizem. Carros, porque mais ou menos embalado pelo Azores Rallye andei pela internet a pesquisar muito pela palavra Abarth (sim, gosto da Fiat).
Já gostei muito de carros. Depois, muito de motas. Depois, reservei o muito para as bicicletas. Por tudo! Mas fica sempre qualquer coisa cá dentro, mal comparando, como fica da nossa primeira namorada, aquela colega especial da primária!
Abril surge com a primavera e os dias maiores, e isso é bom. Podia dizer que vou aproveitar para andar de bicicleta ao final do dia, nem que seja uma ou duas vezes, mas raramente ando de bicicleta durante a semana. Ando sempre durante o dia, nunca ao seu final, perceba-se. Mas sempre posso fazer outras coisas que a ausência do bom tempo e da luz solar impediam.
Abril trouxe consigo um considerável vento de norte e frio. Ao seu segundo dia fez-me inverter a marcha na bicicleta e voltar ao abrigo de um escritório, em vez de sujeitar o corpo ao ar e ao mar frios. Tinha quase meio caminho andado. É raro fazê-lo.
Emprega-se o conhecimento popular conforme nos dá mais jeito. Abril águas mil - não me dá jeito. Abril promete… Sol a atenuar a nortada e a fazer reluzir os cada vez mais escassos cromados da minha bicicleta, tomados pela corrosão provocada pelo impiedoso ar marítimo e pelas agruras dos invernos que abril vai, com certeza, fazer esquecer.

 

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27.02.19

Nunca mais parei de pedalar!


Rui Pereira

A minha primeira experiência de utilização da bicicleta como meio de transporte está a fazer sete anos, estávamos no início do mês de março do ano de 2012. Mas foi uma experiência única.
Mais tarde, no verão deste mesmo ano, comprava uma bicicleta dobrável com a intenção de por em prática, de forma mais duradoura, esta mesma experiência.
Frequentava um ginásio à hora de almoço e a ideia era fazer a deslocação de bicicleta, descartando assim o automóvel e o custo direto relativo ao pagamento do estacionamento.
Digamos que a experiência foi um pouco (muito) atribulada. Por falta de adaptação pessoal, já que tinha esta rotina demasiado ligada ao automóvel, e por alguma falta de sorte, pois os dias que escolhi para começar, foram dias de chuva!
A ida era mais pacífica e até animadora, já que não era raro chegar antes do meu colega que se deslocava de automóvel. Mas no regresso, com a temperatura corporal por normalizar e alguma ansiedade à mistura, chegava ao trabalho invariavelmente molhado, no caso, numa mistura de suor e água da chuva…
Como se não bastasse, o quadro da Órbita dobrável cedeu!
A bicicleta ficou encostada a aguardar solução ao abrigo da garantia e eu, muito convenientemente, voltei ao automóvel!
Alguns meses depois, o ginásio fecha e tive de arranjar uma nova solução. Mais simples, mais natural, mais alternativa. Desta, fazia parte a utilização da bicicleta para a deslocação, na qual empreendi os ensinamentos adquiridos anteriormente, não voltando a repetir os mesmos erros.
Esta rotina, entretanto, mudou ligeiramente. A bicicleta utilizada é outra, embora da mesma marca. A bicicleta está tão ligada a esta rotina, que fazê-la sem ela, não é a mesma coisa! Esta e outras, já que alarguei ao máximo a utilização desta minha ferramenta de uso diário.
Bom, o certo é que nunca mais parei de pedalar pela cidade!

20.12.18

Órbita de carga!


Rui Pereira

A Órbita Classic carrega comigo, e não só. É o meu meio de transporte preferencial para curtas deslocações em meio urbano e, com a sua bagageira, uma simples caixa de fruta em plástico, mostra-se ainda mais apta para as tarefas necessárias. À primeira vista parece ser algo limitada, mas na hora da verdade, esta caixa mostra uma capacidade de carga surpreendente, tanto ao nível do volume como do peso suportado.

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Esta minha Órbita, com a sua caixa, está sempre pronta para tudo!

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03.12.18

Regras para utilizar a bicicleta como meio de transporte!


Rui Pereira

1 – Determinação. E nem é preciso muita, basta não estar sempre a pensar nos inconvenientes e nas desvantagens, porque desta forma, todo e qualquer argumento, mesmo os mais insignificantes, vão servir de desculpa para não começar a pedalar. É começar já!

2 – Bicicleta. Qualquer bicicleta serve, mas claro que as citadinas e utilitárias serão mais adequadas. Acessórios como guarda-lamas e suportes de carga serão muito bem-vindos. Numa fase inicial não se justifica estar a fazer um grande investimento, pois poderá vir a revelar-se desadequado ou desnecessário mais tarde.

3 – Vestuário. Não são necessárias roupas específicas para ciclismo, basta algum critério na seleção das mesmas de acordo com a estação do ano e com as condições atmosféricas. Roupas frescas e respiráveis no verão, e casacos e calçado com caraterísticas impermeáveis no inverno serão sempre uma mais valia.

4 – Percurso. Depois de identificado o trajeto a percorrer é importante verificar as opções de percurso disponíveis para o fazer. Devem ser ponderados fatores como a inclinação e o tipo de piso das vias, entre outras caraterísticas. O trânsito. A existência de vias próprias para bicicletas. Um percurso mais longo, mas com caraterísticas mais amigáveis para a utilização da bicicleta, será sempre melhor opção.

5 – Adaptação. Aqui está uma palavra-chave! A involuntária por parte do nosso corpo, que com certeza vai reagir positivamente ao exercício motivado pela pedalada, ficando natural e progressivamente mais capaz. A voluntária, quando tratamos de toda a logística por forma a simplificar e facilitar a nossa vida sobre a bicicleta.

6 – Bom-senso. Andar no meio do tráfego automóvel com uma bicicleta pode ser algo intimidatório para muita gente. Não acho que seja excecionalmente perigoso, mas não deixa de ter alguns riscos. Não podemos controlar os comportamentos dos outros, mas podemos estar atentos e tentar prevê-los. Quanto aos nossos, calma, cuidado, bom-senso e assertividade!

7 – Motivação. Essencial mantê-la, principalmente no início, quando ainda estamos desconfortáveis com a mudança. Publicitar a nova prática perante amigos, familiares e colegas de trabalho e focar os pontos positivos da mesma, ajuda. Então “recrutar” alguém que partilhe este estilo de vida connosco! A partir do momento em que o novo hábito se estabelece e começamos a sentir todos os benefícios do mesmo, muito dificilmente voltaremos ao nosso anterior hábito correspondente à mobilidade.

 8 – Dificuldades. Vão existir sempre e é preciso estar preparado para as encarar da melhor forma possível. Algumas poderão vir a ser contornadas com o acumular dos quilómetros e da experiência, outras… bem, melhores dias virão!

04.09.18

Setembro sobre rodas!


Rui Pereira

Depois das férias é tempo de voltar às rotinas. De assentar. Setembro é o mês do regresso à atividade profissional, escolar, desportiva… No meu caso, é inclusive um período de reflexão que irá definir o que farei como atividade física daqui em diante. Não queria ter de estar a decidir sobre isso, já que tinha tudo tão equilibrado nos últimos anos – convívio/exercício/natureza, mas infelizmente vejo-me obrigado a fazê-lo. Independentemente da decisão, uma coisa é certa, a bicicleta mantém a função de meio de transporte.

A minha companheira de duas rodas associada às minhas rotinas diárias regressa finalmente ao ativo, depois de uma paragem forçada e consequente intervenção mecânica. Entretanto recorri à outra Órbita, a dobrável, e senti uma grande diferença. Foram poucos dias de utilização, mas que saudades da Classic. A Eurobici é uma bela bicicleta, mas demasiado limitada para a minha utilização. Em ambiente urbano já não me vejo em cima desta que foi a bicicleta com que dei as minhas primeiras pedaladas utilitárias.

O carro é velhinho e lembrou-se de reclamar alguma atenção. Às vezes esqueço-me que a manutenção automóvel é uma coisa chata, dispendiosa e que tem de ser feita. Vá lá que foi amigo e esperou que as férias acabassem… Por mim fazia uma boa parte da minha vida de bicicleta, mas, tendo em conta as circunstâncias, não é possível. Tenho esperança que um dia lá chegarei…

Hoje já sujei as mãos de graxa. Mas sujar a valer. Estava a fazer umas experiências com a transmissão da Classic quando a corrente saiu de onde devia estar e ficou engatada onde não devia. Ainda tentei remediar… tarde demais. Deu luta. Valeu-me a ajuda de um companheiro das bicicletas que passava no local. Cheguei mais tarde, com as mãos mais sujas e mais transpirado do que era suposto, mas cheguei.

Ontem apanhei chuva. Hoje que precisava de água para lavar as mãos não choveu.

E assim se vivem os primeiros dias do mês de setembro. Tudo sobre rodas...

30.07.18

Paralelismo


Rui Pereira

O verão e os múltiplos eventos que surgem nesta altura do ano fazem de Ponta Delgada uma cidade mais bonita, viva e alegre. Não indiferente a este facto, a minha companheira e as minhas rotinas diárias são as mesmas de sempre. Mas ao que tudo indica irão alterar-se. O cenário e a bicicleta mantêm-se. Por um lado, sinto pena de deixar um local, o mar, as pessoas. Por outro, a mudança talvez me traga um toque de inovação e frescura, fazendo um paralelismo entre a minha vida e a cidade de Ponta Delgada…

 

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25.07.18

Rotinas


Rui Pereira

À palavra rotina é normalmente atribuída uma conotação negativa, associando-se a uma prática monótona, desinteressante e repetitiva.
Sou uma pessoa de rotinas. E não necessariamente negativas. Aliás, a quebra destas é que pode estar baseada num momento ou numa circunstância menos positiva. Outras queria mudar por achar serem benéficas e simplesmente não consigo por estar tão agarrado às anteriores.
A minha volta de bicicleta ao domingo já está mais que rotinada. Foi um hábito que ganhei há vários anos e embora haja alguma flexibilidade, não a fazer é claramente uma exceção.
Comecei por andar de bicicleta só ao domingo, depois adicionei a prática de Indoor Cycling três vezes por semana. Depois voltei a andar só ao domingo. Esporadicamente posso adicionar uma volta noutro qualquer dia da semana (a solo ou em família), e mais esporádico ainda, no rolo (chato!).
Queria andar nem que fosse mais uma vez… Não consigo! Vejo gente que o faz logo pela fresca ou ao final do dia, mas não consigo. Não consigo implementar este hábito por estar demasiado agarrado às minhas atuais rotinas. Ou por uma questão de prioridades. Ou por não achar realmente ser uma necessidade. Ou simplesmente porque sou preguiçoso. Ou porque não é algo que queira verdadeiramente fazer, senão já o teria feito, ou pelo menos tentado.
Eu, pessoa de rotinas, se calhar não implemento este hábito para não cair na rotina de andar com as mesmas bicicletas sempre nos mesmos locais?!
É verdade que exercito o corpo e desanuvio a cabeça de outra forma praticamente todos os dias, mas andar de bicicleta mais umas vezes fazia-me bem… Mas quantas coisas não nos faziam bem e não estamos para aí virados?
Chega a ser estúpido não fazer algo de que gosto tanto, quando aquilo que não quero largar nem ser assim nada tão relevante…
Dentro das minhas dúvidas e interrogações, de uma coisa tenho a certeza, domingo vou andar de bicicleta!

 

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