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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

31.01.19

Mais uma bicicleta, menos um carro!


Rui Pereira

Nas minhas incursões de bicicleta pela cidade raramente encontro pessoas a fazer o mesmo que eu. Mais facilmente me cruzo com alguém de licra e bicicleta a condizer, treinando ou simplesmente dando uma volta, do que alguém com uma bicicleta banal, com roupa “normal”, vindo ou indo para o emprego ou outro qualquer local associado à sua rotina diária.
Claro que não sou o único, mas de facto somos poucos, muito poucos…
Hoje, a minha Órbita Classic teve companhia no sítio do costume.
Mais uma bicicleta, mais uma Órbita. E mais saúde, exercício e boa disposição.
Menos um carro na estrada. E menos poluição, espaço ocupado e comodismo!

orbitas.jpg

22.01.19

Um dia de verão a meio do inverno


Rui Pereira

roubaix_svf.jpg

 

Domingo foi um excelente dia meteorologicamente falando. Um verdadeiro dia de verão a meio do inverno. Mesmo assim, muita resistência para sair de casa. Lembrei-me dos meus tempos de estudante, em que ficava em casa para estudar e apetecia-me fazer tudo menos isso. Assim foi, tanto que já passava das onze da manhã quando saí. Mas sinto sempre a mesma coisa. Às vezes custa-me mesmo sair, mas depois de começar a andar já não quero parar, de tão prazerosa que se revela a volta.
Por norma, começo e acabo os meus passeios em casa. E não costumo ser muito flexível neste capítulo. Desta vez cedi ao que me foi sugerido quando me encontrava à beira do areal da Praia das Milícias e em boa hora o fiz. Dei a volta por terminada. A Roubaix acabou deitada na areia, com direito a toalha e tudo, e eu usufruí daquilo que só umas horas de praia, com um sol e um mar fantásticos, conseguem proporcionar.

08.01.19

II Ride dos Reis - Monbike


Rui Pereira

– Queres ver que tenho de tirar um curso para conseguir “calçar” estas VeloTóze?
Foi uma das questões que me veio à cabeça nesta desagradável manhã de domingo…
Logo depois do dilema – Vou ou volto para a cama?
E ainda mais um – Levo ou não levo impermeável?
Outro – Ligo ou não ligo ao meu primo a dizer que não vou?
Fui, já não estava a chover, mas estava um ventinho bem desagradável.
Cheguei em cima da hora. Estava frio. Foto de grupo. Partida!
Lá fomos, mais rajada menos rajada…
Sempre com o meu primo, ora com o grupo ora mais isolados.
A minha bicicleta “mandou” uns sons violentos por duas vezes! Não sei… 
O percurso foi encurtado pela organização. E por mim também.
Despedi-me do meu primo, desejei-lhe boa sorte e cortei direto para casa.
Encostei a bicicleta e não olhei mais para ela. Limpa sei que não está…

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Imagem: Monbike


Também participei no I Ride dos Reis. Aqui fica o relato.

11.12.18

Tão diferentes, mas tão iguais!


Rui Pereira

Nisso das bicicletas há inúmeras atitudes e formas de estar por parte de quem anda nelas, o que motiva diferenças enormes de andamento e de habilidade aos seus comandos.
Pensar na generalidade, onde existem apenas dois grupos diferentes, os profissionais e os entusiastas, diferentes entre si, mas internamente homogéneos, não é correto.
Aqui interessa-me falar essencialmente dos entusiastas, muitos deles verdadeiros atletas, onde a vastidão dentro do grupo é imensa.
Para quem está dentro do meio, isso nem sequer é assunto, por ser tão óbvio e indiscutível, mas sou muitas vezes interpelado por pessoas de "fora", que demonstram um grande desconhecimento neste sentido, não conseguindo alcançar o fosso que pode haver numa comparação entre praticantes aparentemente semelhantes.
A regularidade e a intensidade da prática, para não falar em métodos de treino, onde todo um modo de vida converge para o aumento da performance, fazem toda a diferença. Mesmo considerando unicamente o estatuto de amador e a possibilidade de não haver sequer uma grande intenção a montante.

Meti-me c'a besuga num camin que nã conhecia...
Aquilo era sempre a subi, mas era même a subi c'mó demónio!
Tava penande o gadêie, quase pronte pa Dês me levá...
Quande passa por mim um petchéne... C'ma nada!
- O senhô tá bem? - pergunta.
- Tá tude bem, sagrade! - respondi, tentande escondê a cara más páleda que um defunte.
- Sim senhô, té logue entã! - diz, acelarânde como se tevésse um motô na bcecléte!
Nisse, oia pa trás e apanha-me a fazê focins de dô. Nã dê tempe de desfarçá!
Ri-se, même c'aquela cara de gozanim, e dê-lhe semp'im quent...

E quem diz andar mais, diz ultrapassar obstáculos, saltar, fazer acrobacias e por aí a fora!

Isse há praí cada cabeça douda!
Esses demones fazim é cavalins, é burrins, é truques, é pules...
- Êh maldites, vocezes tamam devim de dá cada estacada, crêde!
E ê que pinsava que sabia andá de bcecléte e afenal nã sê fazê nada que se veja...
Sou même um zabela!

Claro que existem fatores importantes como a idade, a maneira de ser, o histórico desportivo e até a genética, mas a disposição, a entrega e a vontade de concretizar objetivos e de se superar são determinantes.
Óbvio é também o facto de que nem todos têm este propósito quando pedalam numa bicicleta. Eu sou um deles. Tenho uma visão mais abrangente e combinada das pedaladas, mas não deixo de reconhecer quem apresenta esta capacidade.

Às vezes, ouço alguns entusiastas criticar outros entusiastas, por supostamente pensarem ser profissionais, como também ouço estes outros entusiastas, supostamente profissionais segundo alguns entusiastas, que estes mesmos entusiastas não andam nada!

Todos entusiastas, tão diferentes, mas tão iguais!

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

10.12.18

Mais um passeio de bicicleta sem grande história…


Rui Pereira

Nunca mais tinha ido às Furnas. Foi para lá que fui ontem. E é provável que vá lá novamente para a semana.
Mais um passeio sem grande história, com um ritmo a oscilar entre o calmo e o ligeiro. Optei pelo trajeto Norte/Sul, que não é o mais conveniente para mim, mas acho que é o que gosto mais.
Algures entre a Ribeirinha e o Miradouro de Santa Iria aconteceu uma situação curiosa e engraçada. Começo a avistar ao longe um companheiro de bicicleta. Aos poucos vou-me aproximando até que o alcanço e cumprimento-o à passagem, como é habitual. Já ia uns metros adiantado quando ouço algo do género:

"Bela máquina! Foi bem estimada!"

Era o anterior proprietário da minha Roubaix, que obviamente a reconheceu e fez questão de se manifestar. Não o reconheci. Já lá vai um ano e meio e nunca tinha acontecido cruzarmo-nos. Trocamos algumas palavras e lá segui caminho.
Há voltas em que me cruzo com pouca gente e apenas desconhecidos, esta foi ao contrário. Já tinha acontecido logo antes desta situação, voltou a acontecer depois, e novamente a sair das Furnas pela sua… (escolher o adjetivo mais apropriado) calçada! E ainda na cidade de Lagoa, com repetição na última grande dificuldade.
Esta volta, para mim, tem quatro grandes dificuldades! A subida para a Mata Dr. Fraga, a calçada da Lagoa das Furnas, o Pisão e, finalmente, a Duarte Borges. As restantes sofrem-se… Mas também existem alguns pontos de interesse, Pedras do Galego e a descida Furnas/Vila Franca.
Na cidade de Lagoa, mais uma situação, desta feita não muito agradável. Numa zona a descer em que vinha a rolar bem, um rapaz com uma scooter preparava-se para arrancar, saindo de cima do passeio para a faixa de rodagem, exatamente no momento em que passava. Dou um grito, desvio-me ligeiramente para a esquerda e aperto os travões, tanto que senti a roda traseira a deslizar lateralmente, mas felizmente o rapaz ouviu-me (foi um grande grito!) e parou de imediato. Soltei um valente palavrão (ou vários) e prossegui aliviado. Foi apenas um cagaço!
Mais um domingo, mais um passeio de bicicleta sem grande história…

30.11.18

Tudo por causa de uma câmara-de-ar!


Rui Pereira

Há quem não seja muito prevenido e ache que os furos só acontecem aos outros, portanto, ter na sua posse material necessário para fazer face a esta situação não é uma preocupação (às vezes faço parte deste grupo). E há quem não seja prevenido porque mesmo que tivesse o respetivo material não saberia como proceder.
Na generalidade, estamos a falar apenas de câmara-de-ar (adequada), desmonta-pneus, botija de CO2 e adaptador ou bomba de enchimento.
Há quem pare a bicicleta simplesmente porque tem um pneu furado! E isso faz-me uma certa impressão, já que é algo bastante simples de solucionar. Mas lá está, quem nunca assistiu ou procedeu a esta operação não tem esta opinião.
Ainda um dia destes soube de alguém que teve a bicicleta encostada por várias semanas porque tinha o pneu da frente furado!
Para além do passeio estragado e da longa abstinência forçada, soma-se ainda o transtorno de transportar a bicicleta no automóvel e a espera entre levar e trazer da oficina… tudo por causa de uma simples câmara-de-ar!
Quando já me estava a disponibilizar para oferta e troca da câmara...
Ops! Só tenho câmaras para rodas 26, não 27,5…

Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fiquê a pé cum pnê fúrade!
Passou um rapazim de bcecléte e perguntê a ele:
- Ouh brassad, tens aí uma cambrandal?
O atlêmad nim olhou pra mim e dê-lhe sempre prá lá!
Naiam!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.