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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

06.03.20

“Esta bicicleta é tua ou é do teu filho?”

Órbita Eurobici


Rui Pereira

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Depois de ter adquirido a Órbita Classic, a Eurobici, da mesma marca, ficou condenada à imobilidade. Em alguns anos, utilizei-a uma meia dúzia de vezes. Devido a um problema técnico, reincidente, na Classic, a minha dobrável portuguesa voltou ao ativo.
O facto de ser compacta, a principal razão da sua compra, deixou de ser uma prioridade, mas a permissão dada pelo seu quadro aberto para montar e desmontar sem ter de alçar a perna é uma grande mais valia esquecida. De resto, as suas pequenas rodas de 20 polegadas e a curta transmissão exigem grande rotação das pernas para, mesmo assim, conseguir pouca velocidade.
Pormenores técnicos à parte, esta pequena bicicleta é tão agradável de pedalar. Depois de adequar a atitude é um gosto fazê-lo. Sinto-me tão bem aos seus comandos!

10.01.20

Eu pedalei, pedalo, pedalarei…


Rui Pereira

Continuo. Não consigo deixar. Não quero parar.
Sinto as dificuldades. Acuso o esforço. Os constrangimentos.
Mas também falo, rio, grito. Consolo-me.
Sozinho. Às vezes, acompanhado.
Descubro novos lugares. Os mesmos, de forma diferente.
Traço novos objetivos. Arrisco desafios. Vou.
Outras vezes, não.

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Às vezes custa sair. Depois não quero parar.
Nem sempre com as condições ideais. Não faz mal.
Não existem condições ideais.
Tenho frio, depois tenho calor. Depois volto a ter frio.
Estou molhado. Arrepiado.
Susto. Safo-me por um triz. Arrepio-me.
Esqueço. Faz parte.
Tudo tem um lado bom. Outro menos bom.
O lado bom domina.

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As experiências são incríveis. Umas mais, outras menos.
Mas todas únicas. Diferentes. Deixam-me sorridente.
Vou continuar. Não quero deixar. Nunca vou parar.
Custe o que custar.
Mesmo quando já não o puder fazer.
As minhas bicicletas foram, são e serão sempre pedaladas.
Nem que seja em pensamento!

02.04.19

Pedalando...


Rui Pereira

É aos seus comandos que estou bem. Com os sentidos despertos, mas tranquilo. A usufruir da estrada e do ambiente que a envolve. Sou o seu passageiro, mas também o seu motor. É a minha força física e o movimento contínuo da pedalada que a impulsiona para a frente. Ouço as árvores agitadas pelo vento, os pássaros, o caraterístico roçar da borracha sobre o asfalto. Somos só nós os dois. Eu e ela. Mas ao mesmo tempo, sou só eu. A pedalar. Só, apenas com os meus pensamentos.

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10.08.17

A minha paixão pelas bicicletas


Rui Pereira

Acho que não consigo exprimir em palavras a dimensão da minha paixão pelas bicicletas.
Segui uma hierarquia sentimental semelhante à hierarquia da mobilidade que continua a imperar – Bicicleta/Mota/Carro. Mas, a certa altura, fi-la também em sentido contrário, felizmente.
Gostava muito de carros, mas com o interesse pelas motas em crescendo passei a encará-los como simples meios de transporte.
As motas assumiram posição de destaque até que a certa altura começam a perder o seu lugar para as bicicletas. Para momentos de satisfação semelhantes acusavam um peso constrangedor em várias frentes. Daí o salto acontecer de forma natural e efetiva.
Foi o regresso às bases. A volta à simplicidade. O celebrar daquele que é o meio de locomoção mais eficiente de sempre. O fechar de um ciclo!
A minha paixão pelas bicicletas está presente em várias vertentes e todos os dias. Nos momentos de ócio e lazer, no desporto e exercício físico, na mobilidade e transporte em ambiente urbano. Nestas especificamente e em todas as suas ramificações. É para onde vai o meu principal foco de atenção.
E a tendência é para me dedicar e embrenhar cada vez mais. Não no sentido mais sério e complexo dos termos, até porque, para já, não há qualquer intenção de especialização, mas fazendo com que as bicicletas estejam naturalmente mais presentes na minha vida!
Quando se fala de paixão é muito difícil quantificar, qualificar ou explicar. Por isso mesmo não consigo fazê-lo, independentemente daquilo que diga…
Quem sente, sente. Quem não sente, dificilmente irá sentir…

 

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20.07.17

Esta bicicleta não tem preço!


Rui Pereira

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar de números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a conveniência, a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

 

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15.02.17

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?


Rui Pereira

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!