Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

furnas1.jpg


O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

furnas2.jpg


Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...

27.05.21

Caldeira Velha!


Rui Pereira

Semanas a matutar…
O dia tardava em chegar.
Tirei a fixie do suporte, mesmo achando que não seria desta.
O tempo estava desagradável, com um vento pouco favorável.
Fui andando…
Espreitei lá para cima - nevoeiro!
No momento em que cruzei o acesso, decidi.
A inspiração vinha dos eventos Azores Fixed, mas agora estava por minha conta.
Prossegui a custo, mas controlando. Gerindo o esforço. Com calma.
O objetivo seria alcançar aquele que tracei como o meu primeiro patamar.
Alcançado!
Continuei, mas hesitei logo a seguir, quando pensei no nevoeiro, no vento e na descida.
A descida!
Com uma bicicleta “normal” até seria espetacular, depois do esforço.
A descida com a fixie?!
Dei meia volta, parei para a fotografia e comecei a descer.
Fiz tudo para contrariar o movimento natural dos pedais.
Agarrei o guiador, o melhor que podia, para controlar a bicicleta.
Doseei o único travão disponível.
Dores nos tríceps e nos ombros...
E uma rotação demasiado elevada das pernas que me lembrava a existência dos joelhos.
Já cá em baixo - pensei que fosse pior!
Existem outros patamares...
E mais dias!

globe_caldeiravelha.jpg

 

14.12.20

Pedalada no vazio!


Rui Pereira

Já não saía de bicicleta há algum tempo. Levantei-me do sofá, tirei a fixie da parede e fui dar uma volta. Precisava espairecer a cabeça e mexer o corpo.
Estava uma tarde tristonha e pouco convidativa para atividades ao ar livre, fazendo-se sentir algum vento e a prevista descida da temperatura. A volta estava também condicionada no espaço. Era tudo meio estranho. Estar de bicicleta num domingo é normal, mas não aquela hora nem naquelas condições.
A Globe tinha uns pneus novos montados. Novos para ela, porque na verdade não o são. Achei-os muito duros quando os montei, mas mesmo assim arrisquei.
Na zona mais inclinada da ciclovia, enquanto carregava sobre os pedais de pé, a roda desliza repentinamente e dou uma pedalada em vazio fazendo com que perdesse o controlo da bicicleta, tendo inclusive saído da ciclovia para a faixa de rodagem sentado em cima do tubo superior do quadro encostado ao guiador… apanhei um cagaço do caraças!
Não tive o discernimento de verificar no local se haveria alguma particularidade no piso que me tivesse feito perder a tração daquela maneira, mas depois de me recompor pensei logo nos pneus. Não sei, tenho de fazer uma avaliação mais concreta, mas se se confirmar juro que desfaço os sacanas à força de skids.

globe_roda.jpg

26.10.20

Bicicletas únicas, sensações únicas!


Rui Pereira

globe_ermida.jpg


No meu último texto, repleto de questões, mencionei algo que é inquestionável. Adoro as sensações e a ligação que tenho com as minhas bicicletas no geral, mas que são substancialmente mais fortes e relevantes com as minhas bicicletas de carreto fixo. É inquestionável. Desde logo pela sua estética e conceito, perfeitamente alinhados com as minhas preferências, onde pureza e simplicidade lideram. Depois, já aos seus comandos, pela combinação entre desafio e divertimento, onde sou chamado a mostrar certas habilidades raramente requeridas. As suas particularidades exigem entrega e dedicação, e isso gera uma proximidade e uma ligação muito superiores. As dificuldades encontradas acabam por ser relativizadas dando lugar à normalidade e fluidez possíveis. As bicicletas de carreto fixo são únicas e transmitem sensações igualmente únicas. E eu… bom, eu adoro isso!

gloria_via.jpg

25.09.20

"Efectivamente"

É tão bom!


Rui Pereira

gloria_mais_dobravel.jpg


Partilhar gostos, práticas, hábitos, atitudes.
Identificarmo-nos.
Saber que existe mais alguém que pensa e age como nós.
Haver quem encare as bicicletas como veículos utilitários, como meios de transporte.
Conhecer alguém que vai de bicicleta, seja aonde for, seja como for.
Haver alguém que gosta do mesmo estilo de bicicletas, das mesmas bicicletas.
É tão bom.
Efetivamente!

gloria_mais_ss.jpg


23.09.20

Compromisso


Rui Pereira

gloria_por-do-sol.jpg


Todas as vezes que monto nas minhas bicicletas de carreto fixo é como se tivesse assinado um contrato de exclusividade, onde me comprometi aceitar todas as contrapartidas em troca de mais-valias.
Existe um compromisso da minha parte. Uma vontade deliberada de as pedalar. Se em tempos isso limitou o meu leque de opções, hoje já não acontece. A fusão entre gosto, compromisso, prática e hábito fizeram-me ver que as limitações eram muito mais pessoais do que técnicas.
Mesmo que existam pontualmente, o gozo que me proporcionam e a capacidade de me deixarem orgulhoso e realizado é tanta que fazem esquecer rapidamente estas mesmas limitações. Menosprezava a expressão “é uma questão de hábito”, mas é mesmo. A partir do momento que tirei as limitações da cabeça e comecei a sair preferencialmente com elas, tudo mudou!
O facto, é que nunca assinei contrato nenhum. O enorme gosto e a minha entrega fizeram com que tudo acontecesse naturalmente e de forma progressiva. Se me comprometi, está comprometido. E se antes dizia “vou levar a fixie, portanto, é uma volta mais pequena” hoje planeio fazer com elas o mesmo que faço (fazia) com as outras, ponderando as normais condicionantes. Mas nada de loucuras, que já não tenho “tempo” para isso… na verdade, acho que nunca tive.
E é aí que reside a mudança. Fazer uma volta com a fixie, seja ela qual for, é normal, é natural. Já não é uma loucura, um sacrifício. É mais uma volta, só que mais emotiva e entusiasmante. Ok, eventualmente mais puxada também. Mas lá está, comprometi-me, portanto, já nem vejo as coisas assim.
Não quero provar nada a ninguém, até porque as opiniões dos outros são apenas isso e não me dizem respeito. Agora, cada saída, acaba por ser uma prova para mim mesmo. A prova que é possível fazer o que quiser com estas bicicletas…
Basta comprometer-me!

21.09.20

Vantagens de carreto fixo!


Rui Pereira

globe_choras.jpg


Andar algum (tanto) tempo com uma roda a rolar mal por achar ser normal (mais ou menos) podia dar vontade de chorar. Principalmente quando alguém que, percebe mais um bocadinho do assunto, facilmente lhe meteu a girar perfeitamente.
Esta é a hora que pode acontecer começar a enjoar porque vou falar novamente em bicicletas de carreto fixo. E de mais uma das suas espetaculares vantagens!
Onde todos veem desvantagens e problemas, eu vejo atributos. É a vida!
A roda traseira da Globe estava a rodar mal porque certo dia o eixo deu de si e pus-me a inventar, pensando que podia solucionar o problema com um rodar de porcas. E perante o dilema – ou fica a rodar melhor com folga, ou fica a rodar mal sem folga – escolhi a segunda opção. Simples. Claro que podia ter trazido a roda para ser vista por um técnico experimentado…, mas não seria a mesma coisa!
Improvisa-se e espera-se que o problema se resolva sozinho, como que por milagre, e anda-se com a bicicleta assim como se as dificuldades ainda fossem poucas, proporcionando aos componentes um teste de resistência diferente e, então, finalmente, leva-se ao técnico. Tudo calculado.
Tolices à parte…
Mas então qual é esta espetacular vantagem das bicicletas de carreto fixo?
- Baixa manutenção!
Senão vejamos: temos um quadro, uma forqueta, duas rodas, caixa de direção e um avanço integrado, um guiador, punhos, uma pinça de travão dianteiro e respetiva manete, um conjunto pedaleiro com prato e pedais, uma corrente, um carreto fixo e respetiva contraporca. Por último, mas não menos importante, um selim e respetivo tubo. Componentes simples, acessíveis e robustos, que proporcionam um funcionamento igualmente simples e direto. Mesmo que fossem mais requintados sempre são em menor número.
Mas assim de repente até parece muita coisa, não parece? Mas não é. Ainda nunca fiz esse exercício, mas tenho a certeza que se expor a “lista de ingredientes” de uma das minhas bicicletas “normais” ocupa, no mínimo, o dobro do espaço. E as minhas “normais” não são assim tão “normais”, ficando aquém das necessidades básicas e dos requisitos plasmados na cartilha do mundo ciclístico atual.
Resumo: mais simplicidade e menos coisas é igual a menos preocupações, avarias e, inerentemente, menos custos. (E o desafio e a emoção estão lá todos. Sempre! - Ok, sou suspeito!)
Mesmo assim, de vez em quando, convém meter óleo na corrente e, vá lá, ar nos pneus.
Mas também sou um bocado picuinhas!

18.09.20

Rendido!

Autocolantes


Rui Pereira

Gosto das coisas simples e sóbrias. Minimalistas. Ao mesmo tempo, um toque de extravagância e exuberância também me cativa.
Mantive muito tempo uma bicicleta original. Achava que não valia a pena mudá-la. Um dia, já nem sei bem porquê, decidi montar-lhe um guiador novo, de cor, forma e dimensão diferentes, e fiquei muito agradado com o resultado. Muito mesmo! Não só pela estética, mas também pela condução proporcionada.
Entre arriscar e manter, tendencialmente vou para a segunda opção. Desta vez, decidi arriscar. Peguei na embalagem carregada de autocolantes que me foram gentilmente oferecidos e iniciei o processo de escolha e experimentação.
Colei, cuidadosamente, um por um…
Rendi-me!

gloria_autocolantes.jpg