Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

04.07.19

É linda!


Rui Pereira

A mania das bicicletas está disseminada.
Estivemos os dois à sua volta. Olhares de um e outro ângulo, captura de algumas imagens, toques e carícias no seu quadro e componentes. Repetidas declarações – É linda!
Uma fixie/singlespeed com um quadro único, personalizado, pintado à mão!
Comecei a processar números, a duplicação do conceito, a logística para a trazer, o espaço para a manter. Conclusão: Não, é um disparate!
Ela continuava a segurá-la como se tivesse um íman. E olhava. E repetia – É linda! Esta bicicleta é linda!
Continuei a processar… Podia questionar a possibilidade de poder levar só o quadro... Não, é um disparate!
- Olha que é uma fixie, vais conseguir andar nisso?
- Pois, não vou… Mas se não fosse levávamos!
- …
- Eh pá, aquela bicicleta é linda!

fixie_ze_bikes.jpg
A fotografia não faz jus à sua beleza!

02.07.18

A encantadora!


Rui Pereira

Um dos problemas de ter várias bicicletas é que em determinado momento existem algumas delas que vão estar mais paradas do que seria desejável.
A minha Globe Roll é uma daquelas bicicletas que, pelas suas caraterísticas, não permite uma utilização muito abrangente, até pelo contrário, exigindo condições específicas. Não é bicicleta para voltas muito longas, nem muito desafiantes ao nível do percurso e das suas diferenças de altimetria.
É, por isso mesmo, uma das mais relegadas ao suporte…
Mas quando decido que está na hora de lhe levar para a estrada, depois daquele primeiro embate motivado pela falta de velocidades, pelo seu carreto fixo, pela ausência de travão traseiro, é das bicicletas que mais me dá prazer!
O facto é que nem sei explicar bem porquê, até porque são alguns constrangimentos e outro tanto de agressividade, e masoquismo não é muito a minha onda…
Julgo que palavras como diferença e desafio podem fazer parte da equação e do encanto. Sim, encanto. Esta bicicleta tem esta capacidade sobre mim…
A mais pura. A mais simples. A mais encantadora!

roll_portao.jpg

21.02.17

Roda Gira Arrogante


Rui Pereira

Não tenho grandes sonhos ou ambições no que toca às bicicletas, mas desde que despertei para o mundo “singlespeed” e "fixed gear" que a Roda Gira passou a ser uma das minhas principais referências. Há várias bicicletas que gosto especialmente. Para além das minhas, claro. Uma delas é a Roda Gira Arrogante.
Para quem não sabe, a Roda Gira é uma marca portuguesa gerida por um dedicado entusiasta do carreto fixo, que a partir de um pequeno espaço, bem na baixa de Lisboa, leva a sua marca além-fronteiras, onde as suas bicicletas já são conhecidas e apreciadas um pouco por todo o mundo.
A Arrogante é um dos modelos disponíveis. Na realidade é um quadro, que depois de montado com os componentes escolhidos pelo proprietário formam a bicicleta. Os tubos de alumínio que o compõem são da Columbus e a forqueta da mesma proveniência é de carbono. Desde logo fiquei fã deste quadro/bicicleta, tanto pelo seu desenho como pela exuberância da sua pintura. Tem sido alvo de alguns refinamentos e surgiram novas combinações cromáticas, algumas muito bem conseguidas. Para mim, a Arrogante é em amarelo, rosa e azul, tal como a primeira. Mas a mais recente e espetacular "all black" veio baralhar um pouco as coisas. 
Os componentes escolhidos na montagem de apresentação (imagem) formam um conjunto que prima pelo equilíbrio estético e dinâmico. A toda esta harmonia não será alheia uma criteriosa escolha, tendo em conta a imagem e a qualidade destes mesmos componentes.
Considerando a minha realidade física e o local onde vivo seriam necessárias algumas alterações nesta Arrogante. Desde logo a instalação de um travão na dianteira. Depois, o ideal seria o carreto fixo dar o seu lugar a uma roda livre com travão de contrapedal. Os mais puristas diriam que estas alterações desvirtuariam totalmente esta bicicleta. E eu como não purista diria a mesma coisa, já que não podia estar mais de acordo.
Mesmo sabendo que esta não é uma bicicleta para mim, não quer dizer que não a aprecie e não possa figurar lá no topo do meu lote de bicicletas preferidas. O facto é que gosto de ver e pensar esta Arrogante tal e igual como foi idealizada. Assim!

 

rg_arrogante.jpg

Roda Gira

Roda Gira Loja

19.02.17

A Globe e as vacas


Rui Pereira

Toda a gente sabe que cá as vacas são mais do que muitas. Com tudo o que isso acarreta…
Mas não falemos de coisas menos positivas. As vacas fazem parte da nossa paisagem. São uma das nossas imagens de marca. Não que as caraterísticas das ilhas não se destaquem só por si, mas as vacas acentuam a nossa imagem rural e pitoresca.

 

roll_vacas.jpg

  Estas parecem ter gostado da Globe!

05.12.16

Sem mudanças 2


Rui Pereira

A opção mudança única é voluntária. Pode ser algumas vezes condicionada por questões práticas, mas é sempre voluntária. Ter outras opções e escolher deliberadamente esta, é algo que nem sempre é fácil perceber, já que maiores níveis de exigência e condicionantes estão garantidos à partida.
Se calhar esta opção é tomada exatamente por isso. Por saber que desde logo, independentemente de vir a adaptar o meu percurso, a dificuldade estará mais presente. Sim, é um objeto que exige outra atitude, mas também não é nada do outro mundo. E nem sempre temos de escolher aquilo que é mais óbvio, cómodo e eficiente. É a célebre dicotomia razão vs. paixão. E a bicicleta sem mudanças é um conceito do qual gosto muito!
Não me vejo fazer certas coisas com ela hoje, mas também já faço outras que não me via fazer no passado. E tudo aconteceu com naturalidade. Aconteceu simplesmente porque me dispôs fazê-lo. Aconteceu porque quis. Assim tem sido e vai continuar a sê-lo, sem prazos nem obrigatoriedades, já que de doses maciças de ambição não padeço.
Querer andar sem mudanças é tão legítimo como outra coisa qualquer. Não é melhor, nem pior, é simplesmente diferente. E para mim, ser diferente faz toda a diferença!
É essa caraterística diferenciadora que me cativa, tal como a componente desafiante. Claro que com outra bicicleta conseguiria ir mais cómodo, mais longe e mais rápido, mas lá está, não seria a mesma coisa.
O desafio e a diferença presentes proporcionam experiências e sensações únicas, e promovem significativamente a relação homem/máquina, com maior acuidade, maior concentração, maior sensibilidade. Poderá parecer um paradoxo falar em sensibilidade, quando estamos a lidar com algo que pode ser bastante bruto!
A linha entre o desafio e o sacrifício por vezes não é bem percetível, até porque o segundo faz parte do primeiro, mas a quantificação do sacrifício e os imponderáveis internos e externos inerentes à minha realidade, levaram-me a afastar do mais radical carreto fixo. Mas, por isso mesmo, passei a usufruir muito mais de uma bicicleta, que pela ausência de mudanças, apesar da sua roda livre, continua a ser desafiante quanto baste e a requerer uma envolvência única.

08.06.16

Sem mudanças 1


Rui Pereira

Tenho as saídas rotinadas com a minha bicicleta sem mudanças. Que mesmo já não se apresentando no modo carreto fixo, não deixa de ser no mínimo curioso!
Das bicicletas que tenho disponíveis para os passeios semanais, esta seria a visada no que toca à maior limitação de utilização, no entanto, tem sido a eleita na hora de ir para a estrada.
Claro que a este facto não será alheio o tipo de volta que faço, mas mesmo assim, a bicicleta de estrada seria uma opção mais previsível.
Já falei várias vezes no desafio de andar numa bicicleta com estas caraterísticas e até dos seus constrangimentos, mas há um apelo que não consigo explicar, que não me faz hesitar na altura de a tirar do suporte.
Talvez o seu encanto passe mesmo por aí, por ser mais difícil e assim uma opção menos óbvia. Por todas as suas caraterísticas, destacando a sua imagem distinta e irreverente.
Aos seus comandos sinto-me bem, sinto-me diferente. E não estou a falar de caganças de quem faz questão de ter uma extravagância com o objetivo de impressionar os outros.
Esta bicicleta é simples na sua conceção, para alguns até um retrocesso desnecessário. Para mim, tem tudo o que é preciso, mesmo tendo menos que as outras, ao ponto de ser recorrentemente a escolhida.
De facto, menos pode ser mais ou simplesmente aquilo que é, exatamente o que me basta!

21.09.15

Clássico vs. Moderno… Ou clássico e moderno tudo misturado!


Rui Pereira

A única forma que tenho de quantificar os meus passeios de bicicleta é através da sua duração. O que é chato e limitado, já que não posso partilhar com ninguém, todos os pormenores dos mesmos e assim provar que aqui este menino, em cima de uma bike, não é para brincadeiras! Seja lá o que isso quer dizer…

Não tenho ciclo-computadores, nem muito menos aparelhos GPS todos pipis que registam tudo e mais alguma coisa. E que custam os olhos da cara! Nem sequer utilizo aquelas aplicações no telemóvel, até porque mesmo que quisesse não podia, já que o meu telemóvel não as suporta. Sim, é daqueles que só fazem e recebem chamadas!

Mas não se pense que sou assim tão básico. Um dia perdi a cabeça e comprei um monitor de frequência cardíaca de pulso. Em promoção, não era! Batimentos, zonas de treino, calorias e estas cenas todas. Sou moderno ou não sou?

Pronto, vá lá, acho que já ninguém usa isso e confesso, eu próprio nem sempre o utilizo… Ou melhor, levo o aparelho no pulso, até porque preciso do relógio, mas o sensor fica em casa. Já agora, enerva-me um bocado quando ele está no modo de treino e não consigo ver as horas e tenho de andar a fazer contas…

Já tentei ver as horas pelo sol, mas primeiro, não dá muito jeito estar a andar de bicicleta na bisga a olhar para o céu, segundo, isso cá está sempre nublado, e terceiro, tendo em conta as duas razões anteriores e não dominar assim tão bem a técnica do relógio solar, eleva demasiado a margem de erro. E chegar a casa tarde, não ter a mesa posta e já não estar ninguém à nossa espera é aborrecido. Principalmente a parte de não ter a mesa posta!

Tenho uma bicicleta sem mudanças. Heresia! E com o carreto fixo. E sem travões. E não é por ter qualquer problema com a obesidade ciclística. Tenho porque gosto. Para alguns, porque sou parvo! Mas insisto, é simplesmente porque gosto. Quanto à parte de não ter travões é mentira, mas também só tem um na dianteira e não trava assim tanto como isso. Tenho aqui um conjunto de perna e meia que resolve muito do trabalhinho necessário. Vamos lá ver!

O material da maioria das minhas bicicletas é o aço. Uns melhores do que outros. Apenas a renegada BTT é de alumínio. M4 dizem… Não sei o que é! Carbono? Também não sei... Ouvi dizer que era plástico, mas em bom, não sei… Não me censurem, foi o que ouvi dizer…

As minhas bicicletas não são propriamente leves. Mas também não é algo que me dê grande abalo ou me faça comichão… Se às vezes fico cego para atirar a bicicleta por uma ribanceira abaixo? Tanta vez, mas quem nunca sentiu isso que atire a primeira bicicleta, mesmo que ela demore mais tempo a chegar lá abaixo e nem faça grande mossa nas conteiras quando chega!

Mas porquê esta opção mais tradicional? - Perguntam-me vocês.
Porque gosto muito de coisas clássicas e antigas e prefiro rumar por este caminho mais simples, alternativo e diferenciador. Porque, mesmo que quisesse, dificilmente teria suporte financeiro para fazer face a toda esta euforia de modernidade, tecnologia e eficiência. E essencialmente, porque não desejo nem muito menos necessito de todas estas coisas…