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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

17.09.20

Farol


Rui Pereira

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A minha caminhada ciclística é guiada pelas minhas bicicletas.
Os sonhos, os objetivos, as prioridades e os gostos foram mudando.
Na terra, na estrada, com e sem mudanças, sem e com carreto fixo.
O caminho percorrido, mais do que diversificado, é evolução.
Hoje, ando em qualquer uma delas com à vontade, sem desculpas nem preconceitos.
Vou quando, aonde, como e com qual quero. Com elas sou livre!
E, cada vez mais, sei para onde quero ir. Sei o que quero fazer.
Os resultados dependem do tempo... Há tempo!
O percurso está iluminado. As bicicletas são o meu farol.
Condição? A minha opção!

09.09.19

Ganhamos os dois


Rui Pereira

A Specialized Roubaix é a bicicleta mais moderna que tenho. Não tem as últimas especificações das atuais bicicletas de estrada, mas, desde logo, o seu quadro em carbono e alguns dos seus componentes denunciam estarmos perante uma bicicleta mais recente. De todas é a mais eficiente, veloz e confortável, mas não é necessariamente a minha preferida, até porque gosto de todas, cada uma delas de uma forma diferente e especial.

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Recentemente ponderei trocá-la. Desfazer-me dela para adquirir uma gravel/adventure de conceção clássica e tradicional, portanto, nada de muito moderno e com melhores características. A desvalorização implícita fez-me desistir da ideia.
Esta minha Roubaix um dia vai ser uma clássica. Espero conseguir conservar-lhe mais ou menos como está e ter sempre a saúde necessária para lhe dar o devido uso. Ganho eu e ganha ela. Ganhamos os dois.

21.05.19

Quando as diferenças são indiferentes


Rui Pereira

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As duas bicicletas aqui em causa são muito diferentes. Pelos conceitos apresentados, pelos materiais e equipamentos empregues, pelos valores envolvidos.
A proprietária da Btwin Triban 500, que se viu obrigada a comprar uma nova bicicleta depois da sua ter sido roubada, queria uma bicicleta prática, simples, robusta e acessível, que pudesse utilizar à vontade e levar para todo o lado. O proprietário da Specialized Roubaix Comp, já possuidor de uma bicicleta de estrada de inspiração clássica, comprou-a para satisfazer aquele desejo de ter mais uma bicicleta, mais moderna e específica, para usufruir de tudo o que isso implica.
O propósito principal de quem compra uma bicicleta será sempre pedalá-la, mas estas pedaladas poderão ter inúmeras necessidades e direções implícitas. A minha Roubaix é significativamente superior à Triban, mas será que fazia sentido a minha mulher ter algo igual ou equivalente quando os seus objetivos são tão claros e as suas necessidades tão básicas?
Não, não fazia sentido. Ela basicamente quer uma bicicleta que funcione e que a leve até onde as suas limitações pessoais permitirem, não as da bicicleta. Que não lhe exija cuidados, que a bicicleta é para andar. Se cair, caiu. E se está suja, suja fica, que é da maneira que passa ainda mais despercebida.
Fomos os dois, pela mesma estrada e até ao mesmo destino, cada um com a sua bicicleta e à sua maneira. E viemos. Função cumprida!

22.01.19

Um dia de verão a meio do inverno


Rui Pereira

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Domingo foi um excelente dia meteorologicamente falando. Um verdadeiro dia de verão a meio do inverno. Mesmo assim, muita resistência para sair de casa. Lembrei-me dos meus tempos de estudante, em que ficava em casa para estudar e apetecia-me fazer tudo menos isso. Assim foi, tanto que já passava das onze da manhã quando saí. Mas sinto sempre a mesma coisa. Às vezes custa-me mesmo sair, mas depois de começar a andar já não quero parar, de tão prazerosa que se revela a volta.
Por norma, começo e acabo os meus passeios em casa. E não costumo ser muito flexível neste capítulo. Desta vez cedi ao que me foi sugerido quando me encontrava à beira do areal da Praia das Milícias e em boa hora o fiz. Dei a volta por terminada. A Roubaix acabou deitada na areia, com direito a toalha e tudo, e eu usufruí daquilo que só umas horas de praia, com um sol e um mar fantásticos, conseguem proporcionar.

10.12.18

Mais um passeio de bicicleta sem grande história…


Rui Pereira

Nunca mais tinha ido às Furnas. Foi para lá que fui ontem. E é provável que vá lá novamente para a semana.
Mais um passeio sem grande história, com um ritmo a oscilar entre o calmo e o ligeiro. Optei pelo trajeto Norte/Sul, que não é o mais conveniente para mim, mas acho que é o que gosto mais.
Algures entre a Ribeirinha e o Miradouro de Santa Iria aconteceu uma situação curiosa e engraçada. Começo a avistar ao longe um companheiro de bicicleta. Aos poucos vou-me aproximando até que o alcanço e cumprimento-o à passagem, como é habitual. Já ia uns metros adiantado quando ouço algo do género:

"Bela máquina! Foi bem estimada!"

Era o anterior proprietário da minha Roubaix, que obviamente a reconheceu e fez questão de se manifestar. Não o reconheci. Já lá vai um ano e meio e nunca tinha acontecido cruzarmo-nos. Trocamos algumas palavras e lá segui caminho.
Há voltas em que me cruzo com pouca gente e apenas desconhecidos, esta foi ao contrário. Já tinha acontecido logo antes desta situação, voltou a acontecer depois, e novamente a sair das Furnas pela sua… (escolher o adjetivo mais apropriado) calçada! E ainda na cidade de Lagoa, com repetição na última grande dificuldade.
Esta volta, para mim, tem quatro grandes dificuldades! A subida para a Mata Dr. Fraga, a calçada da Lagoa das Furnas, o Pisão e, finalmente, a Duarte Borges. As restantes sofrem-se… Mas também existem alguns pontos de interesse, Pedras do Galego e a descida Furnas/Vila Franca.
Na cidade de Lagoa, mais uma situação, desta feita não muito agradável. Numa zona a descer em que vinha a rolar bem, um rapaz com uma scooter preparava-se para arrancar, saindo de cima do passeio para a faixa de rodagem, exatamente no momento em que passava. Dou um grito, desvio-me ligeiramente para a esquerda e aperto os travões, tanto que senti a roda traseira a deslizar lateralmente, mas felizmente o rapaz ouviu-me (foi um grande grito!) e parou de imediato. Soltei um valente palavrão (ou vários) e prossegui aliviado. Foi apenas um cagaço!
Mais um domingo, mais um passeio de bicicleta sem grande história…

21.12.17

Eu e ela


Rui Pereira

Somos um só…
Em contacto através de três pontos,
Unidos pelo extremo inferior.
Num gesto rápido reduzo ligeiramente a desmultiplicação,
Ergo-me para vencer a inércia da inclinação desfavorável.
Mudança de cenário,
A gravidade está agora a nosso favor.
Curvado sobre ti,
Procuro a aerodinâmica.
Tenho o batimento acelerado,
E o nível de concentração elevado.
Estado de fluxo!
Somos um só…
Estamos a render o máximo,
O ar que se desloca rápido em nosso redor confirma.
Curvas, tantas curvas,
Alternando entre fluidas e sinuosas.
Ora giro frenético as tuas alavancas,
Sob pena de perdermos o ritmo,
Ora aperto os teus abrandadores,
Sob pena de perdermos a compostura.
Somos um só...
Oscilas com as irregularidades,
Mas és honesta.
Alargas ligeiramente a trajetória que pretendo seguir,
Mas és precisa.
Disfarças a falta de aderência da borracha no asfalto,
Mas sei que tens limites.
Não sei quais,
Mas testo-os…
Chega, chega!
Ergo o tronco,
Reposiciono as mãos sobre ti,
Estabilizo as alavancas,
Olho para trás.
Deixo a gravidade levar-nos.
Somos um só...
Rolas indiferente, como sempre.
Tu não sentes,
Mas provocas sentimentos.
Tu não ouves,
Mas digo-te na mesma:
Foi tão bom!


Nota: Às vezes tenho tendência para humanizar as minhas bicicletas, neste caso a Roubaix. Este texto refere-se a uma parte específica do percurso do Passeio de Natal de domingo, exatamente o final da subida de quem vem de Vila Franca e a sinuosa descida até à calçada da Lagoa das Furnas.