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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

06.10.08

Burgman 650 Executive


Rui Pereira

Se fosse um bocadinho mais preconceituoso e menos mente aberta em relação às motas, se calhar era-me benéfico.
Senão vejamos:
- Se apenas gostasse de motas italianas, equipadas com motores 2 cilindros em L, distribuição desmodrómica, embraiagem a seco, e vermelhas já agora, não seria difícil – A minha mota teria de ser uma Ducati!
- Se apenas gostasse da marca e estilo de mota que conduziu Valentino Rossi nos últimos tempos, também não me chateava muito – A minha mota seria uma Yamaha!
- Se apenas gostasse de motas do maior construtor mundial, seria óbvio – A minha mota seria uma Honda!
- O mesmo se aplica aos segmentos e ia por aí a fora…
Mas não sou assim e se tentasse ser seria mau, por um lado, estaria a enganar-me a mim próprio, por outro, não iria apreciar o melhor que cada marca/segmento oferece, um verdadeiro desperdício, diga-se de passagem.
A simpatia que nutro pelas scooters surgiu a partir do momento que tive a minha Honda Vision, tendo sido reforçada de forma definitiva quando tive recentemente a Vespa GTS.
Outras das responsáveis pela minha aproximação a este segmento são duas máquinas que apresentam um conceito muito inovador, com as suas 2 rodas na dianteira, embora com diferentes posturas entre si. Falo da Piaggio MP3 e da Gilera Fuoco 500.
Destaco ainda os fabulosos valores apresentados (75 cavalos de potência e 200 km/h de velocidade máxima) da scooter mais potente e rápida de sempre, a Gilera GP800, que me impressionam.
Mas existiu um outro momento que me marcou. Foi quando tive o prazer de ver todos, ou quase todos os detalhes de uma Suzuki Burgman 650 Executive ABS (AN650A), que me deixaram literalmente de boca aberta!
Não só os detalhes em si, mas também o gosto como me foram mostrados pelo seu proprietário, o que pode fazer toda a diferença.
A pessoa em causa, um verdadeiro motard, é conhecido por tratar das suas motas de forma dedicada, tendo estas sempre, um aspecto irrepreensível, arriscaria mesmo dizer, melhor que (algumas) novas! De forma simpática também, utiliza nas suas intervenções online, uma assinatura à qual acho muita piada, mas que no fundo caracteriza a sua maxi scooter:
“Numa "Burgman", você vai (muitíssimoooooo) mais bem sentado do que nas ... "outras" !!!”
Normalmente intituladas depreciativamente de “sofá com rodas”, no fundo esta designação faz todo o sentido, tal é o conforto proporcionado aos seus comandos, tanto pelo seu assento, como pela sua ergonomia geral e protecção aerodinâmica, com um “vidrinho” frontal regulado em altura por um “botãozinho” no punho direito.
“Mota de velho”, é outra, pois deve ser, e eu a caminho dos 33 anos, devo estar a ficar, por isso mesmo aprecio um bicilíndrico de 638cc, com 55 cv, de injecção electrónica de combustível, acoplado a uma evoluída caixa de velocidades, que tanto pode apresentar-se totalmente automática, como sequencial de 5 velocidades seleccionadas no punho esquerdo.
E os “velhos”, caso pretendam, podem lançar-se a cerca de 190 km/h no “sofá com rodas”, com toda a segurança e estabilidade, mas que também curva, desengane-se quem ache que não!
E parar? Travões de disco, 2 na dianteira, com ABS servem?
E são compartimentos para arrumação, uma enorme e iluminada bagageira, tomada isqueiro, painel digital e…
Podia estar aqui a descrever as qualidades desta Burgman por muitas mais linhas, pois não são poucas.
Pode ser tanto um veículo de lazer, como utilitário, apenas há que contar com o seu porte e peso, que sempre são 243 kgs a seco, apesar de bem distribuídos e com um centro de gravidade baixo.
A Suzuki conseguiu um equilíbrio muito bom com esta maxi scooter, apresentando uma estética clássica e muito bem conseguida, que cobre diversa tecnologia de ponta, a um preço que não é baixo, mas certamente justo, para o que oferece (9.600€).
Há quem não goste, quem não se identifique também, e terão todo o direito para isso, mas falar só por falar, só porque é uma “acelera” é que é chato. E a atitude “bota abaixo” não fica bem a ninguém!
Paixão ou razão?! Sinceramente não sei, é relativo, mas acredito que exista quem compre uma scooter destas por paixão.
Não estou comprador de uma, mas gosto de apreciar e dar valor ao que realmente é bom e por isso mesmo aqui fica o meu testemunho. E não, não foi encomendado por ninguém!

25.09.08

Teste Suzuki DL650 V-Strom


Rui Pereira

Luvas para cá, capacete para lá, blusão para acolá, dou por mim montado na impecável V-Strom azul.
Tenho que dizer que ao contrário da 1000, que me passou um pouco ao lado, a 650 sempre me despertou alguma curiosidade, desde o seu lançamento.
Mais do que os excelentes resultados e positivas criticas que recebeu em comparativos, testes e contactos, sempre me impressionou o elevado grau de satisfação dos seus possuidores.
Esta mota tem uma particularidade engraçada, bom, pode não ser engraçada juntando as facturas dos acessórios quase que obrigatórios, muitos já montados, quando ela ainda nem saiu do stand. É top case, crash bars, protecções de mãos, etc. É engraçado, acho que nunca vi uma Strom sem top case!
Em cima da DL ficamos envolvidos pela envergadura do depósito e das carenagens dianteiras, mesmo assentando os dois pés no chão sem problemas, é aqui que acusamos mais as suas dimensões e peso.
Em andamento, a sensação desaparece por completo, embora seja preciso contar com o elevado centro de gravidade em manobras a baixa velocidade. Fiquei impressionado com o comportamento geral e com as prestações do motor. A posição de condução é tipicamente Trail, apenas notei que os braços vão um pouco esticados, o conforto é muito bom, tal como a protecção aerodinâmica, apenas senti um pouco de turbulência no capacete, mesmo com o ecrã na posição mais alta.
Gostei muito da sensação de segurança e de controlo total que senti aos seus comandos, possível pela posição de condução e pelo desenho da sua frente.
O motor é excelente! Muito elástico, apesar de uma sonoridade esquisita, para quem não está muito habituado a conduzir bicilíndricos. Tem umas boas baixas e permite uma condução suave e descontraída, mas quando solicitado, sobe de rotação com rapidez e das 7.000 rpm para cima revela-se muito pujante. Muito agradável, mesmo!
Para uma mota com um preço muito bom, apresenta alguns “luxos”, como o motor refrigerado a liquido e de injecção electrónica de combustível, quadro e braço oscilante em alumínio, painel de instrumentos moderno e completo, entre outros.
A travagem é igualmente muito boa e contribui definitivamente para a tal sensação de segurança que falei mais acima.
O que me pareceu mais débil foi a suspensão dianteira, respondendo de forma seca a certos obstáculos, como uma lomba.
Se calhar estou confuso, mas acho que esta V-Strom curva melhor do que outras motas muito mais vocacionadas para tal! Soberba! Olhem que nunca imaginei, numa mota de tão grande envergadura e longa distância entre eixos!
A mota tem um acerto formidável e é muito equilibrada. Agora compreendo a grande satisfação de quem tem uma, as criticas positivas, tudo!
De facto, ao preço a que é vendida e pelas suas qualidades, mesmo sacrificando um pouco alguns pontos como a estética, carisma e a especificidade, diria que é quase uma daquelas propostas irrecusáveis, para quem quer uma “faz tudo” muito competente.
Já agora, mesmo acreditando no maior equilíbrio, que me foi transmitido, da 650, fiquei curioso para experimentar a 1000…
Nisso das motas, o estatuto é muito importante… cof… cof…
Ah e tal, a 650… pois bela mota, sim… não, mas a minha é uma 1000… é outra coisa!

08.06.08

V-Strom para sempre!


Rui Pereira

São 03:55 da manhã, estou à quase 3 horas sem conseguir adormecer. Tive este tempo todo deitado a pensar, sobretudo em motos, no fundo, aquilo que venho agora registar.
Todos já sabem as minhas preferências, as minhas opiniões, no que às motos se referem, uma vez que tenho deixado isso aqui bem patente por inúmeras vezes. No entanto, os meus sonhos e desejos têm por base um mundo ideal, que não é exactamente aquele em que vivemos.
Já no mundo real, as coisas não se processam exactamente da mesma maneira e convém ter os pés assentes no chão, ou preferencialmente, com umas botas calçadas, sobre os estribos retráteis em alumínio revestidos a borracha de uma Suzuki DL650 V-Strom.
Mais do que a 1000, este modelo de 650cc da Suzuki, encerra em si, a um preço adequado, uma série de qualidades, que principalmente depois de as “provar”, não deixa ninguém indiferente.
Não será a moto mais apaixonante, nem a mais bonita, nem tão pouco a mais performante, mas em coisas tão simples, como a hora de subir um passeio, circular com a mesma facilidade num caminho em mau estado ou numa estrada de asfalto recente, passear a dois com total conforto e segurança, não querer levar com vento, impor presença perante os condutores de veículos de 4 rodas, entre muitas outras, faz a diferença.
Para os mais exigentes, a “alma” da V-Strom tem a dualidade necessária, que mesmo tendo uma subida de potência suave e progressiva, a partir de certas rotações vai revelando todo o seu potencial, acompanhado por sonoridade a condizer.
Aliando-se a uma ciclistica equilibrada, apesar da sua envergadura, esta moto mostra uma apetência natural para as curvas e uma agilidade surpreendente em percursos acidentados, contrapondo com uma excelente estabilidade em percursos onde impera a velocidade.
Julgo que não se pode falar em história motociclistica micaelense, mas se fosse o caso, diria que a V-Strom, deixa a sua marca nesta história com uma inegável aceitação e respectivo sucesso comercial, reflectindo uma atitude positiva, o bom gosto e a maturidade de muitos motociclistas micaelenses.
Mais do que o seu sucesso de vendas, realço o elevado nível de satisfação dos seus proprietários, mesmo de quem já não as tem, por uma qualquer razão. Curioso é também o facto de quem as teve, mas por paixão, ou impulso do momento, a ter trocado por motos (teoricamente melhores na maioria dos casos) de segmentos tão distintos e ao fim de algum tempo voltar a elas.
Ganha o equilíbrio, a prática e o compromisso, no fundo, as suas grandes virtudes!
Para mim, tiro 2 lições, não que sejam novidade, mas faço-o de forma mais vincada:
1ª Só damos valor às coisas quando não as temos!
2ª Mesmo controlados e com bom senso todos temos os nossos momentos de loucura!
E o meu foi em Agosto de 2007, quando me desfiz da minha…