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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Paralelismo

O verão e os múltiplos eventos que surgem nesta altura do ano fazem de Ponta Delgada uma cidade mais bonita, viva e alegre. Não indiferente a este facto, a minha companheira e as minhas rotinas diárias são as mesmas de sempre. Mas ao que tudo indica irão alterar-se. O cenário e a bicicleta mantêm-se. Por um lado, sinto pena de deixar um local, o mar, as pessoas. Por outro, a mudança talvez me traga um toque de inovação e frescura, fazendo um paralelismo entre a minha vida e a cidade de Ponta Delgada…

 

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Rolo de treino

Eh pá, não!
Gosto muito de pedalar, sim senhor, mas uma bicicleta estática, presa a um rolo de treino, é das coisas mais entediantes que já tive oportunidade de experimentar!
Eu que até fiz aulas de Indoor Cycling e adorava, modalidade que faz o melhor uso possível de bicicletas estáticas. Se calhar tive sorte com os monitores, com a classe e com as músicas, mas sempre achei estas aulas altamente cativantes! Ao contrário do rolo...
Semelhanças entre as duas coisas? Uma bicicleta que por mais que se pedale não vai a lado nenhum. De resto, nada a ver!
Nem têm que ter, mas gostava que tivessem, que era da maneira que saltava todo entusiasmado para cima da minha bicicleta presa ao rolo de treino na cozinha!
Sim, tenho um rolo de treino! E não, não é nenhum fétiche ele estar na cozinha! A cozinha é grande e é um local onde normalmente tenho companhia, tudo estratégias para lhe dar o devido uso, mas mesmo assim, a sua principal função é a de peça de decoração. Mas nem para isso serve muito bem, que não sendo feio, não tem aquele impacto visual.
Comprei isso numa altura má da minha vida. Tanto porque me tinha lesionado e foi uma bela desculpa para o fazer, como podia ter ido fazer uma coisa melhor do que o ir buscar à loja!
Mas também não o vendo. Ainda tenho a esperança que me vai ser útil. Um dia... Escusado será perguntar quando!

Andar de bicicleta vs. treinar

As minhas saídas de bicicleta para além da parte lúdica têm também uma componente física importante, que só dispenso por algum motivo relevante. É mais um dia que aproveito para exercitar o corpo, sendo que neste caso junto o útil ao agradável, já que pedalar é algo que gosto muito de fazer. Ok, já devo ter dito isso 500 vezes, mas pronto.
No entanto, não gosto de classificar estas minhas saídas como treinos. Na minha opinião, uma classificação simultaneamente pretensiosa e descabida. Porque não são isso que são. Tirava-lhes parte do encanto. Então, vou simplesmente andar de bicicleta. É assim que gosto de encarar as minhas voltas.
Gosto de sair de cabeça limpa, ou seja, sem grandes objetivos, prazos ou expetativas. Às vezes, nem destino certo tenho. É-me absolutamente indiferente quantos quilómetros faço, até porque nem tenho forma de os contabilizar. É um momento meu, uma forma de desanuviar, pensar na vida e nas coisas, sentir o ambiente que me rodeia com proximidade, uma relação restrita com a minha bicicleta.
Mas há quem saia para treinar e faça disso a sua bandeira. E acho que fazem muito bem, tal como também acho que faço.


O Florimunde treinou c'mó diabo!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu andá de bcecléte com o Florimunde e nã é qu'esse demóne pregou-me umas cuecas tesas de marreta?
- É maldite, o que é que comeste hoje de manhã?
- Fou pã com quêje e uma tejéla de chá prete.
- Nã sabia que o pã e o chá davim essa força toda?
- Tal atlêmad, não vês que isse é de treiná c´mó diabo?!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Aleatoriedade dos treinos

A prática de exercício físico é uma das atividades mais satisfatórias e prazerosas da minha vida. Os meus treinos são dos momentos mais altos dos meus dias. As minhas idas ao ginásio são caraterizadas por alguma pressão ao nível do tempo, mas é com grande gosto que as faço. Sou metódico, mas muitas vezes o meu método no que toca ao exercício é tão simplesmente o conhecido provérbio – “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Mais do que uma necessidade ou imposição, a prática de exercício físico é um modo de vida!
Sou defensor de treinos simples com exercícios básicos e funcionais. Não gosto muito de máquinas e aparelhos demasiado hi-tech. Privilegio os halteres, os discos e as barras, e o meu próprio peso em vários exercícios. Querem algo mais simples e eficaz do que flexões, elevações, agachamentos ou fundos em paralelas?! Tirando as aulas de grupo estabelecidas adapto os treinos ao tempo que tenho disponível, ao que me apetece fazer, às circunstâncias do momento, interiores e exteriores. Em caso de dúvida ou hesitação, treino!
Outra característica dos meus treinos é a sua falta de especialização. Ou seja, não me dedico especialmente a uma modalidade. Pedalo, corro, levanto peso, faço treino localizado. Como é óbvio, não me destaco em nada, mas consigo uma preparação combinada, que julgo ser razoável e que me possibilita mover com algum à vontade numa série de áreas desportivas. E muito importante, permite-me ter o corpo mais ou menos dentro dos (meus) requisitos mínimos.
A força de vontade, o entusiasmo e a motivação não surgem do nada como por magia! Ando constantemente à procura de estímulos que me mantenham os níveis elevados. As recompensas são decisivas. Chamem-me convencido, mas é fundamental olhar muito para o espelho! Uma das melhores formas para obter estímulo e verificar resultados. Mesmo que sejam ilusórios naqueles momentos pós treino em que o sangue se concentra nos músculos solicitados.
É fundamental ganhar gosto pelo exercício, prazer com a sua prática, mesmo que isso nos pareça num primeiro momento um comportamento masoquista! E isso não é inato, habituamo-nos, aprendemos. Independentemente das idades. Cada um com os seus métodos, truques ou estratégias. Cada um com as suas necessidades, exigências, preferências ou limitações. De facto, a prática de exercício físico, em si, pode ser cansativa, custosa e até dolorosa, mas depois temos a entrada em ação das célebres endorfinas e a magia da recuperação, quando o nosso corpo responde de forma positiva aos estímulos físicos e se transforma!

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