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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

27.09.19

Um senhor!


Rui Pereira

Habituei-me a ser o sobrinho. Apesar de ser o mais velho dos primos, sempre fui do grupo dos rapazes e não dos adultos. Ainda sou!

Tenho 43 anos. Envelhecer não me apoquenta, nem mesmo a ideia da morte. Digo, sem modéstias, que estou numa das minhas melhores formas físicas de sempre. E não só. Já fui mais novo, claro, mas demasiado limitado e velho de espírito e mentalidade!

Hoje falava com um miúdo no ginásio. Claramente um endomorfo. Mais uns centímetros na altura e 20 quilos do que eu. Dizia-lhe que tinha uma boa base para ficar com um corpo porreiro se se dedicasse. Queria eu, ectomorfo conformado que sou... Perguntei-lhe a idade – 23 anos!

Fogo! Tenho mais 20 anos!

Lixado, porque se tivesse a atitude e o conhecimento que tenho hoje, e tivesse 23 anos… Mas orgulhoso, por ter mais 20 anos e servir de exemplo!

Só dou pela idade através da lentidão da recuperação física, seja de um exagero, asneira ou lesão. E pela rapidez com que se apanham. Por causa do sacana do meu joelho esquerdo. Lapsos de memória. E a pior de todas, quando pessoas mais jovens, não necessariamente crianças, me tratam por senhor!

Senhor?!

Eu que sempre fui dos rapazes? Eu é que chamava por senhor aos outros!


*Até a música que ouço é música de rapazes, mas rapazes do século XX...

07.11.17

Na companhia da velha guarda!


Rui Pereira

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.